INSTRUMENTOS PARA A MINIMIZAÇÃO DO RISCO DE CHEIAS INDUZIDAS SISTEMA DE AVISO E ALERTA Introdução
Na zona de auto-salvamento (ZAS), o tempo disponível para os agentes de protecção civil actuarem é muito escasso, o que exige que a população que nela se encontre seja abrangida por um sistema de aviso e alerta.
Muitos incidentes têm mostrado que os sistemas de aviso e alerta clássicos, baseado em sirenes colocadas em alguns locais estratégicos, não são eficazes (Smeets et al., 2005). Os alarmes não são ouvidos por uma parte significativa da população e nem todas as pessoas que escutam as sirenes as levam seriamente. Em Portugal, o alarme das sirenes não é ouvido pelas 115 000 pessoas que possuem deficiências ao nível da audição (Almeida, 2003).
As motivações atrás expostas justificam o desenvolvimento de um sistema de aviso e alerta baseado no serviço de mensagens curtas. A taxa de penetração de comunicações móveis superior a 95% (ANACOM, 2005), a boa cobertura portuguesa proporcionada pelas redes dos operadores móveis, a disponibilidade deste serviço na rede telefónica fixa e o uso corrente deste serviço incentivam igualmente à utilização de um sistema desta natureza.
Nas secções seguintes, explica-se sumariamente em que consiste e como funciona o serviço de mensagens curtas, apresentando-se, na secção 4.4, uma proposta de serviço de mensagens curtas por difusão, a implementar no SAGE.
Este sistema poderá ser complementado através da utilização de meios tradicionais que se entendam adequados para garantir uma maior cobertura da população.
Serviço de Mensagens Curtas
O serviço de mensagens curtas (Short Message Service – SMS) é um serviço que permite o envio de mensagens de curta dimensão entre dois terminais telefónicos. O SMS foi originalmente concebido como um serviço suplementar da rede telefónica móvel GSM, mas actualmente está disponível para muitas outras redes telefónicas: as redes telefónicas fixas, as redes móveis de 2ª geração e as redes móveis de 3ª geração.
As mensagens SMS são mensagens alfanuméricas que possuem um comprimento máximo de 140 bytes: 160 caracteres de 7 bits (do conjunto de caracteres GSM) ou 140 caracteres de 8 bits. Podem ser utilizados outros conjuntos de caracteres (como o Unicode de 16 bits, que conduzem a um comprimento máximo de 70 caracteres) mas a sua utilização é opcional.
Embora inicialmente a especificação do SMS não contemplasse a concatenação de mensagens SMS, a especificação actual já a admite, o que permite ultrapassar o comprimento reduzido das mensagens SMS. Uma mensagem SMS de maiores dimensões pode ser segmentada em várias mensagens. Embora a norma permita o envio de 255 segmentos,
verifica-se que o limite máximo prático é de 3 ou 4 segmentos.
O envio de mensagens curtas com conteúdos binários (como sejam melodias ou logotipos) é uma extensão proprietária dos fabricantes, existindo diversas especificações concorrentes. Uma das extensões proprietárias mais populares é a Smart Messaging da Nokia.
Uma característica menos divulgada (e nem sempre suportada pelos clientes SMS) é a possibilidade de especificar o grau de importância da mensagem.
Quando recebem uma mensagem, os clientes SMS comportam-se de maneira diferente dependendo da importância desta: uma mensagem urgente (classe 0) é imediatamente mostrada, enquanto uma mensagem normal SMS (classe 1) é armazenada para posterior consulta.
Arquitectura do SMS
As mensagens SMS são transmitidas tipicamente através da rede do operador utilizando
o protocolo de sinalização existente (em geral, o Sistema de Sinalização Nº 7). Uma alternativa, que começa a generalizar-se, consiste em transmitir a mensagem através de um serviço Web, permitindo que os clientes SMS corram em computadores que não estejam directamente ligados à rede telefónica.
O envio das mensagens curtas pode ser feito de duas formas: ponto-a-ponto ou por difusão. O envio de mensagens curtas ponto-a-ponto (Short Message Service - Point to Point – SMS-PP), definido na recomendação GSM 03.40 (ETSI, 1999a), é particularmente popular entre os adolescentes, uma vez que constitui um meio de comunicação pouco dispendioso.
O envio de mensagens curtas por difusão (Short Message Service - Cell Broadcast – SMS-CB), definido na recomendação GSM 03.41 (ETSI, 2000), é utilizado para o envio de mensagens publicitárias, não sendo habitual o seu uso.
Uma mensagem SMS enviada é temporariamente armazenada no centro de mensagens do operador da rede (Short Message Service Center – SMSC). Em seguida, após localizar o destinatário, o SMSC encaminha a mensagem para o terminal telefónico indicado, eliminando posteriormente a mensagem anteriormente armazenada. Quando ocorram situações que
impeçam o reencaminhamento da mensagem para o destinatário (por exemplo, o terminal não tem memória disponível ou o terminal está desligado), o SMSC executa novas tentativas de acordo com um algoritmo. Caso seja atingido o limite de tentativas do algoritmo, a mensagem é eliminada.
Proposta
Tirando partido da tecnologia disponível, a proposta de sistema de aviso e alerta a integrar no SAGE, baseia-se no serviço de mensagens curtas. O sistema, designado SAGE_Alerta (sub-sistema de aviso e alerta do SAGE), será composto por uma base de dados (com informações sobre a localização das células e centrais telefónicas dos vários operadores e a área abrangida por estes elementos da rede telefónica) que será combinada com uma
plataforma de comunicações de envio de mensagens instantâneas (instant messaging).
Após se autenticarem, as autoridades do plano de emergência terão acesso a uma ou várias aplicações, que permitirão o envio das mensagens às populações abrangidas pela emergência. Algumas mensagens (que se espera que sejam mais comuns) serão definidas antecipadamente, de forma a evitar o envio de mensagens pouco claras, durante os momentos iniciais e confusos da ocorrência da emergência.
O SAGE_Alerta enviará mensagens SMS urgentes (classe 0) por difusão para as células e centrais telefónicas de todos os operadores que cubram a área abrangida pela emergência.
Contrariamente às mensagens SMS correntes, as mensagens SMS urgentes aparecerão directamente no écrã do telefone, o que as tornará mais intrusivas e mais adequadas à situação de emergência.
Através do SAGE_Alerta, as populações que possuam telefones (quer sejam móveis ou fixos) nas diversas zonas de risco (ZAS, ZIP e ZIS) serão contactadas, podendo receber mensagens distintas consoante as zonas de risco em que se encontrem.
Deste modo, o SAGE_Alerta permitirá atingir uma cobertura da população superior à atingida pelos sistemas de aviso e alerta tradicionais.
Fonte: http://www.dha.lnec.pt/nti/pdf/GR_Comunicacao.pdf