Nestes últimos dias tem havido algumas novidades invulgares no Atlântico.
No Atlântico Sul formou-se a semana passada uma depressão subtropical com características algo raras. O
Metsul fez uma grande cobertura e escreveu muito sobre o assunto.
Aqui ficam dois dos vários textos.
Quote:
Quando a causa é mais importante que a conseqüência
Grande atenção foi justificadamente dedicada pela imprensa e a Meteorologia desde o final de semana às trombas d’água registradas e às precipitações que beneficiaram a agricultura no Rio Grande do Sul, mas estas conseqüências são secundárias diante da causa sob o aspecto científico e da climatologia histórica. Enxurradas que alagam cidades ou mesmo tornados sobre o mar são fenômenos muitas vezes já testemunhados e que, assim, possuem diversos precedentes na climatologia histórica. O sistema sinótico que propiciou estas conseqüências, contudo, não tem nada de corriqueiro e não mereceu menção alguma em qualquer lugar no Brasil, exceto nos espaços da MetSul Meteorologia. O quadro de instabilidade que propiciou a chuva que trouxe alento aos agricultores gaúchos e uruguaios, enxurradas para a capital a argentina e três trombas d’água em Florianópolis e Buenos Aires foi gerado por um ciclone na altura da Bacia do Prata. Como o Professor Eugenio Hackbart abordou em sua coluna dominical (leia), este sistema fugiu ao padrão climatológico que se costuma observar em nossa região ao assumir a condição de subtropical. Desde o final da semana passada insistimos, assim como o NOAA, quanto ao caráter diferenciado do ciclone que se formou no Uruguai, onde sistemas extratropicais são mais do que comuns, mas não subtropicais. Não foi à toa que numa mesma tarde trombas d’água tenham surpreendido as pessoas em locais tão distantes como Florianópolis e Buenos Aires. Ambas regiões estavam imersas numa atmosfera de pressão atmosférica muito baixa, quente e úmida associada ao mesmo sistema sinótico que era o ciclone subtropical no Uruguai. 
Em suas análises para a América do Sul (acima), o NOAA informou reiteradamente quanto ao status subtropical do sistema, afinal o perfil revelava justamente esta condição que saltava aos olhos nos modelos e diagramas de fase. Ontem conversamos com o meteorologista Michael Davison do órgão norte-americano, ocasião em que remetemos para ele nos Estados Unidos as fotografias de tempo severo no Sul do Brasil feitas por vocês internautas da MetSul assim como os registros visuais das trombas d’água ocorridas nas capitais catarinense e portenha. Há quinze anos acompanhando a América do Sul, Davison me disse que não tinha na memória um sistema subtropical que tenha se formado no Prata. Temos, então, três fatos notáveis quanto a este sistema: (1) ciclone subtropical é exceção e não regra na climatologia regional, (2) a formação do sistema deu-se sobre o continente, e (3) o desenvolvimento ocorreu no ponto mais ao sul que se tem notícia até hoje de um ciclone desta natureza na nossa região.
O quadro de mistura de sol e nuvens com maior nebulosidade verificado nos últimos deve ainda persistir hoje em Porto Alegre e grande parte do estado. No interior, sobretudo nas metades sul e o oeste, existem vários pontos com céu encoberto e chuva fraca/garoa neste começo de manhã enquanto em Porto Alegre e região o sol aparece com nebulosidade esparsa. O sistema no Prata perde suas características subtropicais, se desorganizou e passa à condição de um sistema de baixa pressão comum. O enfraquecimento deste sistema acarretará uma diminuição na circulação de umidade para o Rio Grande do Sul, fazendo com que as pancadas de chuva da tarde para a noite no estado hoje se tornem ainda mais isoladas que já foram ontem. Mesmo assim há chance mais uma vez de chuva localmente forte , sobretudo da tarde para a noite, nesta terça. Chamamos atenção para um detalhe que não consta dos modelos, mas que ressaltamos por experiência. Ar mais seco e ameno começará a ingressar pelo oeste na segunda metade do dia, o que nos leva a não descartar a possibilidade que a instabilidade seja ativada no leste e no sul gaúho por conta do avanço do ar mais seco sobre o ar úmido. Informações sobre instabilidade no decorrer do dia serão publicadas no Blog 24 Horas (link). A partir de amanhã a expectativa é que ar mais seco tome conta do estado, ingressando pelo oeste, propiciando dias ensolarados e diminuindo radicalmente a possibilidade de chover na maioria das regiões gaúchas. A circulação de umidade vinculada ao eixo da baixa remanescente deve ainda gerar chuva amanhã em cidades do sul e da faixa leste gaúcha enquanto na quinta a instabilidade deve se concentrar no extremo sul gaúcho, particularmente na região das lagoas Mirim e Mangueira. A menor umidade e o tempo firme devem propiciar noites agradáveis e tardes quentes com máximas entre 30ºC e 32ºC na maioria das cidades, mas em alguns pontos do centro e do oeste o calor será mais intenso na segunda metade da semana. http://www.metsul.com/ |