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Renovar Página o sinal dos tempos/os sinais dos tempos

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Antigo 06-10-08, 19:04   #1 (permalink)
Cirrus
olheiro is an unknown quantity at this point
 
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Default o sinal dos tempos/os sinais dos tempos

Continuo a seguir com a maior atenção (por vezes a decifrar), as leituras e algumas das conclusões que os insignes foristas mais preparados, nos continuam a dar sobre as suas previsões do tempo que fará (ou não) no continente e ilhas, sobretudo no que diz respeito à eventual ocorrência de fenómenos extremos.

Por vezes fico surpreendido pela leitura um pouco desproporcionada entre o que alguns foristas desejam e o que acontece um pouco por todo o país, nomeadamente, no país dos que trabalham a terra e dela vivem, ou exercem funções que pela sua natureza dispensam fenómenos extremos que condicionem o seu dia a dia ou até as suas próprias vidas.

"Que pena que aquela frente gorda de água e com raios e coriscos não nos caia em cima e vá bater a Valência...os espanhóis é que têm sorte" ou então "o que é bom é na Grécia com meio metro de neve no Peloponeso".

Como súmula desses incidentes meteorológicos extremos o resultado é quase sempre traduzido em culturas destruídas, rios que galgam as margens e provocam milhões de prejuízos, para não falar da perda de vidas humanas.

Dir-se-á: é a natureza no seu espendor (mau ou bom)...opinião distante.

Dirão outros: há gente que nasceu para sofrer... opinião egoísta e cínica.

Outros poderão ainda legìtimamente acrescentar: Este "olheiro" sempre nos saíu cá um demagogo....opinião latente.

Todas estas opiniões poderão estar certas...mas às vezes quando olho e oiço o meu velho hortelão a algaraviar no meio das suas couves, alhos e cebolas, a queixar-se das suas artroses e a prenunciar..."ainda vamos ter o mês bem molhado" e lhé pergunto se vai ou não chover muito...ele responde-me com a sabedoria dos anos e quase enigmàticamente ..."que chova o bastante para que o nosso pão não endureça"...

E daqui poderá comprender-se o facto de que afastados por duas, três ou mais gerações das nossas origens, sintamos do alto das nossas confortáveis torres ou térreas casas devidamente protegidas ,tanto frenesim, por algo que, certamente, fará descer a tristeza sobre muita gente anónima ou, até o luto, em famílias cuja alternativa é continuar até cair o próximo...

A Vida num ou noutro tom será sempre assim...mas sobre a desgraça dos outros não se cantam loas....

Gosto da chuva, da neve (desta, sobretudo em locais inesperados), gosto do frio....não tanto do calor....mas paradoxalmente a tudo quanto atrás disse, também gosto de fenómenos extremos...estranho...será este um mal que persegue os "urbanos" mal amanhados ?

Passem bem e sejam felizes...
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Antigo 06-10-08, 19:22   #2 (permalink)
Cumulus
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Default Re: o sinal dos tempos/os sinais dos tempos

é verdade que menosprezamos a sabedoria popular..gostaria de saber como certas pessoas de outros tempos conseguem dizer se o mes vai ou nao ser chuvoso,ventoso,etc
toda a gente faz os seus juizos morais ou imorais sobre a meteorologia a ciencia ou a sopa da vizinha lizete os juizos nao sao nem verdadeiros nem falsos dai as confusoes o diabo e até deus o que é bom para uns é mau para outros o que um faz bem o outro desfaz.
a critica nao é má , o que é mau é ignorar e o exagero nao é mais do que uma exaltaçao da paixao que temos dentro de nós sobre um assunto.
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Antigo 06-10-08, 19:55   #3 (permalink)
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É sem dúvida paradoxal, aquilo que expões.

Mas não és o único que assim pensa.
Quantas vezes já desejei eu uma valente trovoada e granizo, enquanto ia com o meu avô botar a água às batatas? Aquilo que eu desejava, iria regalar os meus olhos e satisfazer o meu desejo por fenómenos assim. Mas iria também pôr fim à colheita de uma leira pintada com a flor do batatal.
Dava comigo muitas vezes a pensar: "Fogo, serei eu uma pessoa assim tão má que só está bem com o mal dos outros?". E ficava a remoer contra mim mesmo.


Entretanto descobri o meteopt e fiquei mais aliviado por não ser o único com tão maus pensamentos!

Agora a sério. Se pôr um lado gostamos nós de chuva, trovoada, neve, etc, que danificam muitas vezes as culturas, e causam perdas materiais e até humanas, por outro, há quem desejasse que o sol brilhasse todos os dias, e que todos os dias fossem dias de verão. (Creio que parte da população citadina pensa assim).
Ora não serão eles tão ou piores que nós?
Afinal que cultura se dá com um tempo sempre soalheiro e sem humidade?
Perante isto, muitos dirão: "Ok, que chova esporadicamente, mas à noite que é quando estamos a dormir."
Mas não é com precipitação esporádica que se enchem os rios, e se lavam as terras.

Por isso, não creio que sejamos assim tão maus!
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Arroja, Odivelas

Novembro de 2008:
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Antigo 07-10-08, 02:10   #4 (permalink)
Nimbostratus
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Post Original de olheiro Ver Post
...mas às vezes quando olho e oiço o meu velho hortelão a algaraviar no meio das suas couves, alhos e cebolas, a queixar-se das suas artroses e a prenunciar..."ainda vamos ter o mês bem molhado" e lhé pergunto se vai ou não chover muito...ele responde-me com a sabedoria dos anos e quase enigmàticamente ..."que chova o bastante para que o nosso pão não endureça"...

Gosto da chuva, da neve (desta, sobretudo em locais inesperados), gosto do frio...mas paradoxalmente a tudo quanto atrás disse, também gosto de fenómenos extremos...
Seja benvindo com a sua prosa.
Já cá fazia falta.
E diga lá excelência ,que mal haverá em ser atraído pelo extremo?
Eu tenho essa atracção nata.
E devo confessar que já regozigei com extremos que acabaram muito mal:
-O mais célebre será a queda da ponte de Entre-os-Rios:
Nesse Inverno de 5 cheias na Ribeira do Porto, quando chegados aos inícios de Março, os modelos apontavam para uma previsão de precipitação persistente e por vários dias para toda a bacia do Douro eu não conti a euforia.Na altura , lembro-me de dizer de mim para comim,é agora que a água vai invadir as margens de verdade ,já que todas as cheias anteriores tinham sido de pouca monta e quase todas de apenas um dia e agora já estará tudo de sobreaviso...
E nesse 4 de Março de tanta chuva por mim festejada ,
dá-se a desgraça.
Por momentos paralisei.
A desgraça de outros ricocheteava com os meus anseios.
Ainda hoje, esse dia é-me especial.
Ainda hoje ,penso nessas vítimas ,coisa extrema, desaparecidas,sem sequer direito a funeral ,
num dia de extremas precipitações por mim religiosamente esperadas.
A vida encerra também estas contradições...
Daí, a sua riqueza!
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Antigo 12-10-08, 00:08   #5 (permalink)
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Post Original de olheiro Ver Post
Gosto da chuva, da neve (desta, sobretudo em locais inesperados), gosto do frio....não tanto do calor....mas paradoxalmente a tudo quanto atrás disse, também gosto de fenómenos extremos...estranho...será este um mal que persegue os "urbanos" mal amanhados ?
Também já estava com saudades do "Olheiro" e dos seus post's.
Embora não pareça à primeira vista, para mim este é um dos post's mais interessantes no fórum desde há bastante tempo. E que se forem a ver com atenção, levanta uma série de questões, filosóficas certamente, sobre o que é o MeteoPT, sobre o que andamos todos afinal a fazer por aqui, quem somos nós e porque é que gostamos e nos sentimos bem em estar por aqui a falar uns com os outros. Porque é que temos pessoas dos 15 aos 75 no fórum, o que andamos a fazer e como viemos aqui parar. Porquê ?
Responder a isto será uma enorme seca filosófica, mas vezes não são vezes, e aqui vai:

A atracção pelo extremo que a maioria de nós temos e que a generalidade das pessoas fora de fóruns como este pouco ou nada compreenderá, em que desejamos ardentemente o extremo e desejamos simultaneamente que nada de mal aconteça a ninguém, é de facto um paradoxo que muitas vezes se transforma até num dilema moral.

Não é raro alguns de nós nalguns dos seguimentos, depois ao lermos nos meios de comunicação social algumas notícias de destruição e prejuízo ou pior ainda, a dor, acabarmos por engolir bastante em seco e com sabor bastante azedo aquilo que desejávamos umas horas antes.

Não sei se será assim com todos, julgo que será com a maioria, mas para mim, há vezes em que isso se transforma até em algo psicologicamente doloroso. Ainda hoje vi o nosso amigo "Levante" a reagir da mesma forma, ele ao acompanhar toda a última madrugada no que viu ao largo do Algarve e na zona de Cadiz transformou-se, passando (o tal paradoxo) de um provável desejo para um alívio, uma reviravolta psicológica, que eu pessoalmente também tenho imensas vezes, e confesso que acho saudável que todos tenhamos estas reviravoltas.

Ora, isso leva-nos a uma série de questões, já um bocado psicológicas e filosóficas. Seremos simplesmente malucos ? Bom, eu acho que não, pelo menos foi a essa conclusão que cheguei

Eu tenho a mania de me questionar sobre tudo o que me rodeia, sobre tudo o que penso e faço. Não só questionar, como escrutinar. E já há uns anos atrás que pensei um pouco nisto tudo, em tentar encontrar uma resposta, o que faziam milhões de pessoas em todo o mundo em comunidades como esta terem tal atracção pela natureza extrema, das simples trovoadas aos tornados ou aos furacões, e depois muitas dessas mesmas pessoas entrarem num flip-flop psicológico com as consequências eventualmente dramáticas daquilo que tanto gostam de ver e acompanhar? Mistério. Quando foi o Furacão Ike fomos aqui no meteoPT assomados por um drama destes. Quando montámos a IkeTV de repente começámos no fórum a perceber que a iniciativa estava a ter repercussão global, espalhava-se o nosso link de forma "virulenta", chegavam visitas a essa página de todo o mundo, dezenas de milhares, da Ásia à América. Depois de alguma discussão interna decidimos que (e com o tal dilema moral) que teríamos que arranjar forma de capitalizar esta audiência para quem necessitava de ajuda nos trópicos por causa dos furacões. Depois de uns contactos infrutíferos com alguns países que achámos mais necessitados que outros, especialmente Cuba, país qual nunca obtivemos resposta, decidimos criar um banner para a cruz vermelha inglesa que tinha uma campanha para a região e apontámos assim o tráfego para lá. Foi uma forma psicológica de resolver o tal paradoxo, se calhar e mais provável com resultados irrelevantes, mas pelo menos serviu para tranquilidade pessoal.

Regressando ao tópico, porque é que estamos todos aqui, e gostamos disto e dos extremos, depois de muito pensar, e tentando fazer uma auto-psicanálise eu cheguei à conclusão que tudo se deve à natureza humana de gostar do que é belo, do que é arte. O Humano tem sempre um enorme fascínio pela beleza, e toda a história da arte humana é reflexo disso.

Posso estar totalmente errado, todos nós teremos certamente motivações diferentes no enorme e complexo pântano mental humano dedicado a esta e outras áreas, mas julgo que pelo menos uns 90% das pessoas que andam por aqui são pessoas que lentamente descobriram ao longo das suas vidas uma certa tranquilidade e fascínio ao observar os céus e as nuvens e os fenómenos meteorológicos que vão ocorrendo.

A diferença é que ao contrário de tantos outros que gostam das mais variadas formas de arte, mais ou menos abstractas, nós por aqui gostamos de uma arte criada pela natureza, gostamos de nos sentar numa colina e ver as nuvens a nascer, a evoluir e a morrer, gostamos de ver as cores do sol, a electricidade que a natureza descarrega com tanta facilidade sobre nós e que nos custa tanto a gerar. No fundo gostamos de ver o que é bonito, gostamos da mais extraordinária e pura das artes, a que é criada pela natureza. Não somos portanto malucos nem criminosos por apreciar esta arte e beleza, que é simplesmente a melhor das artes.

O problema moral para nós é que enquanto um artista como o Picasso ( e milhares de outros) para dar largos ao seu génio criativo na arte apreciada por tantos destruiu repetidas vezes a sua própria família sem que ninguém se incomode especialmente com isso quando aprecia as obras ou compra as obras, a natureza muitas vezes destrói também, mas em muito maior e temível escala, especialmente quando resolve ser criativa, majestosa e esmagadora.

Seremos portanto malucos em apreciar as obras de arte da natureza ? Eu, no tal dilema moral que por vezes me aflige, cheguei à conclusão que não.

Cheguei à conclusão que estamos muito acima da maioria das pessoas que nos rodeiam, nós admiramos a mais bela das artes, a que é criada pela natureza, mas sobretudo, porque a par desse fascínio temos o maior e mais humilde respeito por ela. E desde que esse respeito nunca acabe, sinceramente, acho que eu e a maioria de nós por aqui, apesar destes paradoxos, mantemos-nos num nível muito acima de respeito e admiração pelo nosso mundo e planeta em que vivemos do que a maioria dos nossos concidadãos. E por isso, desde que a respeite, dificilmente terei complexos de culpa por apreciar a natureza no seu esplendor. De vez em quando engulo em seco quando vejo a fúria da natureza que paradoxalmente tanto admiro, mas desde há muito que não me sinto culpado por isso, apenas um humilde apreciador, paciente e respeitador.


Arte na natureza





Arte num Museu
Exposição sobre o ânus em Serralves em Julho de 2006



PS: Eu sei que a utilização destas imagens para comparação foram injustas, maldosas, falaciosas e até de mau gosto para a arte no geral, do qual eu sou até um regular e grande apreciador e consumidor, mas usei-as apenas para reforçar o que disse e para agitar/provocar um pouco as consciências. E afinal a arte (dos rabos) em questão é só por si muito provocativa, os autores até devem agradecer por esta reciclagem da provocação para outros fins.
__________________

MeteoPT, Meteorologia em português

«Imagination will often carry us to worlds that never were. But without it we go nowhere» Carl Sagan
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Antigo 12-10-08, 14:21   #6 (permalink)
Cirrus
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Default Re: o sinal dos tempos/os sinais dos tempos

o post do olheiro está realmente espectacular, pelo menos acho que nos faz pensar, ou deveria nos fazer!
uma coisa é certa não é só os urbanos que esperam que aconteçam extremos, mas todos os que gostam de fenomenos da natureza, pois como um meteorogista disse:"prever bom tempo, não tem piada nenhuma" mas como referiu também e concordo plenamente:" nunca estamos a salvo de aparecerem os extremos e nós (meteorolistas) temos que estar atentos e prevenir as populações e colocá-las em alerta", eu acrescentaria e para as pessoas que apreciam e respeitam a natureza à que aproveitar essas situações e esperar que nada aconteça às populações.

mas o pior de tudo isto, é a comunicação Social, que aproveita as calamidades para se auto promoverem, paracendo que gostam de dar noticas sobre mortos e estragos provocados pelo mau tempo, mas por vezes a natureza dá uma bofetada de luva branca que foi o caso de um furacão que estava para passar pelos açores à 1 ou 2 anos atrás(descupem mas já não me lembro bem a data), sei que todas as televisões colocaram jornalistas cá pois ia ser uma grande desgraça, felizmento passou apenas pela ilha de santa maria sem provocar danos relevantes, e ficaram todos tristes.
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Antigo 12-10-08, 14:40   #7 (permalink)
Nimbostratus
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Vince tantas questões e opiniões, até dá para um congresso subordinado ao tema: "O que leva as pessoas a gostarem do extremo e sentirem-se auto-culpabilizadas", Sábado dia 28 de Fevereiro de 2009 no auditório da CGD.

Todos nós aqui, no fórum gostamos de extremos, mas se esse extremo ocorre e causa prejuízos materiais ou pessoais entramos numa espiral de auto-culpabilização, sentimo-nos culpados pelo ocorrido, já várias vezes senti isto, quando falo em situações extremas. Ontem o meu vizinho "Levante" dizia-me ainda bem que ocorreu no mar foram 8 horas seguidas de relâmpagos, se eu disse-lhe mas não choveu e mostrei a minha indignação por não ter ocorrido, mas na realidade se tivesse atingido terra, 8 horas seguidas, seria um caso muito sério e grave,e é aí que entraríamos nessa espiral de auto-culpabilização.

A situação mais extrema que vivi foi o dia 13 de Outubro de 1989, faz 19 anos amanhã, nesse dia uma violenta tempestade atingiu entre o Sotavento entre Faro e Tavira, muitos pre´juízos materiais. Tinha 9 anos e estava na escola primária, lembro-me que os trovões rebentavam como bombas, chovia imenso, fui espreitar à janela, na rua só se via água e continuava a subir, por volta das 18 horas veio o carro dos bombeiros retiraram-nos da escola e levaram-nos a casa. Esse dia ficou gravado na memória.

A partir desse dia e durante alguns anos fiquei com medo e pavor das trovoadas, até que com o passar dos anos esse medo ou receio foi passando, mas não apagou-se totalmente, cada vez que faz daquelas trovoadas fortes que estremecem tudo o medo regressa, mas o fascínio que agora tenho por esses fenómenos faz-me ultrapassar esse medo, e hoje em dia, tenho um grande respeito pelas trovoadas.

Para concluir, acima de tudo é o respeito que sentimos pela natureza, a paixão que passar horas a fio, a ver imagens de satélite, previsões, ver modelos, seguir o radar, depois mostramos o nosso contentamento ou as nossas frustações, e quando algo de extremo acontece lá vem à nossa mente, achas que é isto que gostas, e assim vai girando a vida de mero amador que tem como paixão a meteorologia.
__________________
Visitem o meu blog: http://temponoalgarve.blogs.sapo.pt/ (Brevemente com novidades)

Relatório do mês de Setembro: http://w14.easy-share.com/1701954511.html em pdf (o anterior tinha erros)
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Antigo 25-10-08, 21:28   #8 (permalink)
Cirrus
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Aos caros foristas pedirei desculpa por voltar à "vaca fria" ou seja a repor a discussão nos seus primórdios, tendo em conta que nem sempre o talento acompanha a nossa capacidade comunicacional ou as intenções que nela concentramos e certamente ter sido esse o meu (exclusivo problema).

Pala leitura das comunicações dos colegas que tiveram a amabilidade de enriquecer o "post" inicial, diria ou fàcilmente chegaria à conclusão de que todos estávamos a dizer o mesmo. E daí à unanimidade ser um passo e não merecer mais discussão porque o óbvio é o que é...e inevitàvelmente cairíamos em lugares vazios.

Vejamos:

- é indiscutível que em comum temos o facto de gostarmos de fenómenos meteorológicos extremos

- é comum o sentimento paradoxal (quase de culpa) que todos nós sentimos quando têm consequências nefastas em termos humanos ou materiais... e nem por isso abdicarmos de desejar que os mesmos, enquanto fenómenos, se repitam.

- e renova-se em cada ano que passa a expectativa de que ocorra neste bocadinho de sudoeste a cheirar os adocicados odores africanos, a expectativa de algo que nos aproxime das fantásticas cenas das estepes geladas ou das extensas florestas cobertas de neve....

Eu partilho igualmente de tais sonhos (a idade não me vence), ainda que sabendo que a ocorrer algo semelhante, será algo de excepcional, quiçá impossível...mas ainda que por escassas horas, extremamente desejável.

Ao longo da minha vida tive a sorte de viver, por mais de uma vez, tais ambiências nos diversos países do mundo que têm a a visita habitual, dos frios extremos, dos ventos calamitosos....só ainda não vivi a fúria de um furacão ou tufão....e também já não tenho vontade de tal.

Mas ouvi a muitos amigos nesses países a referência ao nosso bom clima ....doce, suave, moderado....sem o percalço destes caprichos naturais....e daí que comprenda, para além de outras razões, que o nosso país lentamente esteja a ser ocupado no Sul, por Alemães e Nórdicos, no Centro Norte por Holandeses e Alemães para não falar na tradicional presença inglesa no Douro e no Algarve....e na compra intensiva pelos espanhóis da margem esquerda do Guadiana....

Pargunto: não seremos nós, amantes da meteorologia assanhada, um bando estranho, colorido, saudàvelmente louco, de urbanos mal amanhados, saudosos de um tempos que os nossos avós viveram e a nós já não são dados???

O que nós queremos afinal (ao que parece) é que neste país que amamos tal como é, mas em que o alcatrão das auto-estradas e o avanço louco dos centros urbanos nos vão tirando os amplos espaços, o que nós queremos é voltar a ter a felicidade de ver umas giestas dobradas pelo sincelo,de ver a serra que se avista lá de casa, coberta pelo manto alvo de um nevão, de olhar com surpresa e regalo o riacho onde apanhávamos os pequenos girinos, geladinho e a suportar os pedregulhos que para lá atiramos, de olhar para a pequena cascata onde caía a levada de água das regas, totalmente congelada ou acordar num dia, mais cedo do que o habitual, e ver pequenas moscas brancas esvoaçando no céu....Em última análise queremos que a chuva, esse bem precioso, continue a ser generosa nos nossos campos.

Quando abri este tópico, pensei nos jovens foristas que olham os céus das janelas dos andares onde habitam, contentando-se com as nuvens que passam, com a chuva que cai, vislumbrando de longe um pequeno frémito da natureza que continua lá fora e mesmo assim construindo um mundo imaginário, belo, colorido... e sinto, profundamente, que não tenham tido a dádiva de ter vivido como eu os tempos dos capitães da areia. Saravah companheiros!
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