A «Cheia Grande» no Guadiana, 7 Dezembro de 1876

Tópico em 'Eventos Meteorológicos' iniciado por Gerofil 1 Dez 2007 às 00:57.

  1. Gerofil

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    Recordar a «Cheia Grande» no Guadiana, 130 anos depois - (7 Dezembro de 1876)

    Fonte: Barlavento
     
    StormRic gostou disto.
  2. Vince

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    Em Badajoz, telegrama expedido pelo alcaide para o seu ministro em Madrid, dizia:
    "El Guadiana se fué: há llegado el oceano."


    Fonte: Alcoutim Livre



    Fonte: Rua de Alconxel




    [​IMG]
    Nateiras, zona do moinho da Abóbada
    (c) Foto Alandroalandia
     
  3. David sf

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    Absolutamente incrível, 25 m em Mértola é um caudal inacreditável. Não haverá cartas sinópticas dessa data?

    De qualquer modo deve ter havido algum contributo extra meteorologia, o colapso de um açude ou pequena barragem, pois só por si era necessária uma quantidade de precipitação impensável para provocar uma cheia destas.
     
  4. Chingula

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    As cheias nas bacias hidrográficas dos grandes rios Portugueses, são provocadas por precipitações elevadas (superiores ao normal) persistentes no tempo.
    O Outono de 1876 foi extremamente chuvoso e num registo de três meses (Outubro, Novembro e Dezembro) de precipitação acumulada, que procurei há alguns anos (no século passado...anos 80/90) em registos do I.M., de estações disponíveis (Porto, Lisboa e Évora) obtive como precipitação acumulada para esse período:
    Porto (Geofísico) - 1281 mm/ 3 meses
    Lisboa (Geofísico) - 818 mm/ 3 meses
    Évora - 734 mm/ 3 meses

    A obtenção de dados da mesma época de estações meteorológicas Espanholas, junto à fronteira, seria um reforço de informação...
    Cumpts
     
  5. Aurélio

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    Não foi só nesse ano ... há tempos consultei uma cartas em que vinha os registos da NAO, e no final do séc.XIX encontrei registos absolutamente incriveis com valores na ordem dos -4, -5 e -7 no final desse século !!
     
  6. Vince

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    Badajoz, 1876

    Fonte: Historias de Badajoz
     
  7. Vince

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    Fonte: Las catástrofes hidrológicas españolas y el cambio climático
     
  8. Vince

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    Os anos que precederam esta enchente do Guadiana (e Tejo) foram de grave seca no sudoeste da Península. Ver este tópico "A Seca no Algarve na década 70 do séc.XIX" ou o PDF espanhol do post anterior que também aborda esses anos.
     
  9. Vince

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    Obrigado pela informação adicional. Também concordo que terá sido a acumulação de várias semanas de bastante chuva, neste caso concreto seria talvez mais relevante saber a que caiu do lado espanhol, mas esses dados interessantes que referes mostram que mesmo do lado português choveu bastante.
     
  10. frederico

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    Impressionante :surprise: Em 3 meses choveu no Porto o que normalmente chove num ano, e no caso de Lisboa e Évora, até choveu mais do que chove num ano normal :surprise:
     
  11. Aurélio

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    Estava falando dos anos mais para o final desse século, pois antes disso não encontrei registos .....
     
  12. Vince

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    Eu pensei nisso, mas não encontrei qualquer referência a um evento dessa natureza. Penso que em tempos li algures que o Guadiana (e também o Tejo) era um rio mais instantâneo a reagir a cheias, ou talvez os seus leitos não aguentavam tão bem os caudais perante o mesmo volume de precipitação, não sei, qualquer coisa do género, isto nos tempos pré barragens e transvases, mas posso estar equivocado. De qualquer forma, realmente custa a crer, mas aparentemente pelos textos que coloquei mais acima, terá sido a maior enchente desde pelo menos inícios do século XVII.


    Quanto às cartas, é o que se pode arranjar

    15 Outubro - 15 Dezembro 1876:
    (terá chovido muito entre 5 e 8 de Outubro)

    [​IMG]


    Pelas cartas de reanálise não podemos ver algo que explique isso, pelo menos nitidamente, mas percebe-se que foi um Outono muito instável, desde cutoff's a cavados/depressões potentes. De qualquer forma, reanálises desta época devem ser bastante falíveis, importa referir.
     
  13. David sf

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    Mas existem sempre contributos extra meteorológicos. Na grande cheia na região saloia, creio que em 1983, a ribeira de Cheleiros subiu na aldeia do Carvalhal, junto a Mafra, 8 m. Sei isto porque fiz um trabalho sobre as zonas inundáveis no concelho de Mafra, e o que o presidente da junta me explicou foi que naquele dia uma sucessão de pontes a montante foram colapsando do seguinte modo: Os troncos e pedras trazidos pelo rio obstruiam o vão das pontes. A certa altura a ponte não resistia e era levada, juntamente com os troncos, pedras, etc. Ao chegar a outra ponte acontecia o mesmo, e por aí fora, criava-se uma onda de cheia, de água e outros materiais que era muito superior à altura dada pela curva de vazão naquela secção para o caudal que passava. Pode ter sido isso que se passou, porque o rio subir 25 m em Mértola é algo extraordinário.
     
  14. Vince

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    Não tinha pensado nessa hipótese, quem sabe...
    Num outro texto que não tinha colocado aqui, referem que essas cheias deixaram a descoberto as ruínas do Montinho das Laranjeiras (origem romana, visigótica e islâmica) a sul de Alcoutim, ou seja, dá ideia de algo mais extremo, do tipo enxurrada, do que uma cheia mais gradual. Mas estou meramente a especular.




    De qualquer forma, toda aquela sequência de curvas que há no Guadiana a par de algum estreitamento das margens, afunilamentos, etc, também deve poder gerar fenómenos tipo "onda" ou "maré", mas não percebo nada disso, talvez alguém por aqui saiba mais.
    Num dos textos espanhois referem que o Guadiana chega a ter 11 quilómetros de largura, ou a água do Tajo (Tejo) na ponte de Alcántara (Cáceres) chega aos 35m. Ou seja, muita água havia naquelas regiões de Espanha, para escoar quer pelo Guadiana quer pelo Tejo.
     
  15. Gerofil

    Gerofil
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    Super Célula

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