A Economia das Alterações Climáticas

Tópico em 'Climatologia' iniciado por José M. Sousa 19 Mai 2008 às 21:35.

  1. José M. Sousa

    José M. Sousa
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    Cumulus

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    Porventura este tema não se enquadra exactamente aqui, mas o moderador poderá criar um novo fórum se entender melhor.

    O objectivo deste tópico é o seguinte. Alguns "cépticos" das alterações climáticas (vide por ex. "The Great Global Warming Swindle") argumentam que há interesses económicos por trás da tese, segundo eles, do Aquecimento Global de origem antropogénica. Será mesmo assim? Terá o lobby do nuclear e das energias renováveis assim tanto poder.? Será que os construtores automóveis que fazem publicidade usando as alterações climáticas como chamariz estão a ser sinceros?

    O que acham? Está lançada a discussão.
     
  2. psm

    psm
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    Nimbostratus

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    Faltou também de referir mais dois exemplos o "negócio de armazenar o co2"e o a exploração dos hidratos de metano,este sim é que é muito perigoso para as alterações climaticas, e que é pouco divulgado,mas que é uma enorme fonte de energia.

    Está a escrever um individuo(eu) que percebe pouco de enconomia.
     
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  3. AnDré

    AnDré
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    Bem, no que toca a energias renováveis, e sendo este o alvo de estudo do curso em que me encontro, não as vejo nesse campo de batalha económico.

    Para mim mais do que $$ ou teorias do aquecimento global, é urgente olharmos para o ambiente do nosso planeta. A propaganda do aquecimento/arrefecimento global é, a meu ver, uma batalha perdida. Se por um lado aumentam os gases de efeito de estufa que aquecem, por outro a corrente do golfo abranda e arrefece, e entretanto a antártica arrefece, o artico derrete, a la ninã traz frio, o el ninõ calor... enfim...
    Há décadas em que aqueceremos, haverão décadas em que arrefeceremos. Ainda que a tendência geral seja para o aquecimento, na minha opinião será uma tendência global ténue, e nunca na ordem da grandeza de 2ºC ou 3ºC por século. Mas isto é a minha opinião.

    Voltando às energias renováveis, a sua principal missão é contornar o máximo possivel a independência dos combustiveis fosseis pensando não só na escassez deste, mas também no ambiente. Isto no que toca a energia solar, fotovoltaica, térmica, geotérmica, hidrica, biomassa e solar. Quanto à energia nuclear, sei muito pouco. Aliás é um ramo que é pouco abordado no meu curso. O núclear não tem sido uma opção para nós. Não sei como será no futuro.

    Agora, em relação aos construtores automóveis, aí já não sei até que ponto os $$ não terão o seu "q" de ponto de interregoção. Aliás há que promover a marca no mercado, e esse é um mercado é muito grande. Mas eu meu ver, o motivo da promoção deveria ser em beneficio do ambiente, e não com a desculpa das alterações climáticas. São consequências...

    Uma outra vertente, é o facto de os cenários de aquecimento global, aliciarem os construtores de empreendimentos turisticos a grandes construções balneares no Reino Unido, Holanda, Bélgica, norte de França... Isto porque é teoria que os países da Europa do sul terão um calor insuportável ao longo das próximas décadas, e os bons e saudáveis banhos de sol serão mais a norte.
    Talvez a estes últimos estejam a torcer ainda mais para que o planeta aqueça.:unsure:

    Por fim, em relação ao armazenamento do CO2, não sei se é perigoso para as alterações climáticas, mas também não sei onde o tencionam guardar, depois de armazenado :confused:
     
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  4. psm

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    Nimbostratus

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    André não é o facto de ser periguoso ,é mais uma maneira de fazer negócio e há individuos que pensam em armazenar nos poços de petroleo que já tenham sido explorados, ou em minas.
     
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  5. filipept

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    Mas já ninguém duvida do negocio, ele é palestras, conferencias, etc... tudo em nome de algo que é natural. Existem muitos "cientistas" que já se aperceberam e já estão a faturar. Ve-se pessoas a falar de alterações climáticas que até mete dó ( eu estou na UM e já vi algumas).
    O negocio também já chegou á União Europeia, veja-se esta proposta de directiva:
    http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2008:0017:FIN:PT:PDF
    É o negocio do co2.

    O mais incrivel é que anda tudo preocupado com o pseudo-aquecimento e ninguém olha para os nossos rios e ribeiros que estão lamentáveis, não se protege a natureza como se devia, e isso sim era proteger o planeta e dar qualidade de vida.
     
  6. Mário Barros

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    É isso mesmo :palmas::palmas::palmas::palmas::palmas::palmas:
     
  7. AnDré

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    psm, desculpa a minha ignorância, mas até que ponto armazenar carbono nos poços de petroleo que já tenham sido explorados, ou em minas, é bom/mau?
    Achas que de alguma forma esses depósitos poderão um dia voltar à superficie e causar impactos ainda maiores?:confused:
     
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  8. olheiro

    olheiro
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    Cumulus

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    É notório o interesse dos Estados Unidos em soluções energéticas de transição, falíveis, que ajudem a concluir que afinal, a solução está no nuclear. E é para aqui que, segundos alguns observadores, aponta a estratégia dos americanos e de alguns amigos europeus. O Presidente Bush não esconde essa "gula". Até lá agite-se o fantasma do aquecimento global.

    Vejamos:

    A energia Eólica é caríssima e neste momento está a ser aproveitada por alguns países (Portugal por exemplo) numa perspectiva de "compra de tempo", servindo-se dos contribuintes para financiar essa energia. E os milhares de milhões de Euros que estão a ser aplicados no fabrico e implantação dos aerogeradores, na construção das subestações e respectiva ligaçao à rede nacional servem mais o interesse de alguns poderosos sectores europeus do que própriamente o país, dado o elevado custo de produção.

    Precisamos de pelo menos 10 a 15 anos para então poder adoptar os avanços tecnológicos no nuclear que estão a ser desenvolvidos nos US, na França e em Inglaterra com a construção de novos reatores que ao que parece reduzem significativamente os temíveis resíduos.Neste "intermezo" vão florescendo algumas fábricas de componentes de aerogeradores, sendo que no caso português só agora surgirá a primeira fábrica dita nacional. Os capitais espanhóis, belgas e franceses encontram-se bem representados a montante e o negócio promete, porque tal como na informática a tecnologia das "ventoinhas gigantes" vai criando soluções cada vez mais competitivas. E novas necessidades de renovação...

    Mas como o vento só por si não chega e as serras, montes e cumieiras do país já começam a ser insuficientes, lá vem a solução mais uma vez das grandes hídricas porque há que complementar o que fica em falta.E já estão programamadas a construção de pelo menos menos meia-dúzia de barragens para este efeito. Os nossos vizinhos espanhóis que vinham optando pela construção de mini-hídricas como alternativa de circunstância ao déficit eólico e às suas ancilosadas centrais nucleares, já necessitam até de recorrer a Portugal porque afinal esta via não lhes resolveu o problema...e fazem igualmente compasso de espera, aguardando a nova tecnologia nuclear.

    Não abordarei o tema da energia a partir da biomassa porque foi "um ar que lhe deu" em virtude das graves consequências ambientais. Já não é credível.

    Sobre a e energia fotovoltaica há uma pergunta que interessa fazer. Porque motivo os Estados Unidos com áreas desérticas de muitos milhares de quilómetros quadrados, sobretudo no seu Sudoeste, regiões com sol intenso todos os dias (embora não seja condição necessária), não aproveita e desenvolve esta alternativa? Porque é que Portugal vai investir em 100 hectares de terreno, que ficarão semeados com a última geração de painéis, para no fim retirar uns escassos MW (s) de energia ficando, desta forma, como um dos países com melhor aproveitamento de energia fotovoltaica? Mas com um elevadíssimo custo !

    Somos pequeninos mas alunos aplicados ...:lol:

    Penso que esta treta das renováveis, do aquecimento global que por sua vez , derreterá o gelo dos polos, arrefecerá os mares e dará origem a icebergs a flutuar em frente de Cascais, com o Rio Tejo atravessado por cacilheiros quebra-gelos é por enquanto isso mesmo: uma treta...e grandes negócios à escala planetária. Afinal outros interesses mais altos do que os do petróleo ...parecem existir.
     
  9. Paulo H

    Paulo H
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    Já agora, aproveito para complementar o André:

    A injecção de gases no processo de bombagem do petróleo é normal, dado que nem todos os poços de petróleo contêm gases (metano, e outros..) em pressão suficiente para fazer "jorrar" à superfície o crude, pelo que as bombas o que fazem é injectar ar da superfície (o ideal seria injectar azoto, ar seco sem O2) para através da tubagem no poço ascender o petroleo. Se a bombagem fosse feita à custa da aspiração das bombas, iria criar uma subpressão no poço, incrementando progressivamente os custos de bombagem até ao vácuo teórico inviável.

    Injectar CO2 em poços já explorados exige uma boa tamponagem e válvula de retenção adequada para injecção do CO2 às pressões desejadas.

    Até aqui tudo bem, mas o intrigante da questão não é a injecção de CO2 em si, mas algo muito mais dispendioso em energia (e ao gastar energia, sabemos que muitas vezes se recorre aos combustíveis fosseis, 40% em Portugal) que é comprimir o CO2 até à sua liquefação a 21bar, encher camiões cisterna, transportá-lo até aos poços e depois descarregá-lo através da válvula!

    E onde é que se fazia essa aspiração do CO2 para comprimir e liquefazer? Nas chaminés das fábricas, nos tubos de escape dos veículos, ou aspirando a atmosfera liquefazendo-a a -44ºC para separar o CO2 ou usando filtros de membranas moleculares?! Tudo isto envolve gastos de energia, ora, como sabemos as energias limpas e renováveis estão muito áquem das necessidades para cobrir as energias fósseis, logo a minha opinião é que qualquer intenção de subtrair CO2 no ambiente e acondicioná-lo nos poços levará em último caso (directa ou indirectamente) a um acréscimo do consumo de energias fósseis!

    Ou seja, para mim é pura utopia! É controverso e impossível por enquanto!

    Podem dizer assim, ah e tal nós processamos o CO2 usando energias limpas, renováveis, mas então?! Não seria o mesmo, usá-las já em detrimento de usar os combustíveis fósseis?! Por outras palavras, não seria melhor, mais eficiente, real, prático e menos dispendioso substituir os combustíveis fósseis por energias renováveis?! Desta forma, produzia-se gradualmente menos CO2 dando à natureza a sua capacidade de regeneração. Imaginem o quão ridículo seria aspirarmos milhões de toneladas de CO2 da atmosfera :) "risos" :) e continuarmos a polui-la com CO2 só porque se decidiu aplicar as energias limpas para o processo de remoção parcial de CO2 do planeta!!
     
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  10. psm

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    Nimbostratus

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    resposta ao Paulu H

    Eu acho que já se faz isso nos poços da Argélia ,mas posso estar enganado;no entanto é para ser mais uma fonte para negócio para quem queira investir nele
    No entanto concordo em que se tem de investir mais em energias renovaveis por muitas razões sendo no futuro para a produção de hidrogénio.
     
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  11. Vince

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    Furacão

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    Filipe, sobre este assunto há variadas opiniões e teorias. Eu até concordo contigo, acho que as coisas andam demasiado centradas no CO2 e no aquecimento global, e tudo isto deveria era estar focado no ambiente.

    Mas sobre o que afirmaste, do "pseudo-aquecimento", podes argumentar que estamos num ciclo natural, podes argumentar que o aquecimento até é positivo porque vamos a caminho de uma glaciação, podes duvidar que haja aquecimento antropogénico, podes duvidar da paleoclimatologia na reconstrução das temperaturas do passado, podes considerar que é o sol o culpado, podes considerar que é por haver poucas erupções vulcânicas nas últimas décadas, enfim, podes pôr em causa imensas coisas e teres as tuas opiniões sobre tudo isso.

    Mas aquilo que não podes dizer é que isso é «pseudo-aquecimento». Ele existe e é real e com registos modernos que ninguém põe em causa, nem os mais cépticos ou negacionistas. Temos medições quer à superficie com estações quer medições na troposfera com satélites que o confirmam.

    Duvida das causas ou da dimensão, mas não duvides da sua existência, portanto, não falemos de «pseudo-aquecimento».

    O aquecimento é indesmentível e negá-lo é fechar os olhos às evidências, basta olhar para os registos históricos de qualquer estação meteorologica, até aqui em Portugal. Se na tua opinião não acreditas que este aquecimento é causado pelo homem ou duvidas da excepcionalidade dele porque não confias na paleoclimatologia por exemplo, isso já é diferente, todos somos cépticos em maior ou menor grau, mas então explica as razões e transformemos este debate nalgo de útil onde se possa aprender. Porque se num qualquer tema polémico todos dizemos simplesmente «sim» ou «não» sem mais nada, não vale mesmo a pena discutir, é um diálogo de surdos e mudos, mais vale então acabar com este tipo de tópicos no forum.


    E um (mesmo que pequeno) esboço da tua opinião ? Uma pequena contribuição para o tema do tópico para além da profusão de smilies ? Não há realmente nada que consigas exprimir sobre o tema para além dos smilies ?
     
  12. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Bom tema :thumbsup:

    Na minha opinião obviamente há interesses económicos. Onde não há afinal? Onde existe mercado e investimentos há sempre interesses, quer de um lado quer do outro.

    Do lado dos negacionistas há imensas provas da movimentação de lobbies.
    Vou deixar alguns exemplos. Aqui há uns anos circulou uma lista de 30,000 cientistas contra o protocolo de Quioto que negavam o aquecimento global antropogénico. Essa lista (descobriu-se depois) continha milhares de nomes que foram provavelmente recolhidos aleatoriamente da lista telefónica americana.

    Outros exemplo, como o junkscience.com, um site que teve muita visibilidade até há uns anos atrás porque denunciava como fraudulentas coisas como os problemas de saúde dos fumadores passivos ou o aquecimento global antropogénico. Posteriormente descobriu-se que o autor do site era financiado por tabaceiras e por companhias petroliferas.

    Mais recentemente, no final do ano passado, circulou novamente uma lista de 500 cientistas supostamente cépticos em relação ao aquecimento global antropogénico. Essa lista acho que até apareceu aqui no forum. Imensas pessoas que vinham nessa lista ficaram chocadas quando alguém lhes disse que o seu nome estava lá. Podem ver reacções dessas pessoas aqui:
    http://www.desmogblog.com/outrage-i...mmunity-continues-over-the-500-scientist-list

    Ainda outro exemplo, o do National Post/Canada Free Press, de onde saem imensas notícias negacionistas. É um grupo editorial com uma agenda marcadamente política/conservadora, sempre a difundir notícias sobre a «fraude» do aquecimento global, mas também outras como por exemplo uma notícia inventada que no ano passado se espalhou pelo mundo sobre uma lei iraniana que obrigaria católicos e judeus a terem um simbolo de cores que os distinguisse das demais religiões. Essa notícia depois percebeu-se que era completamente fabricada. Isto para dizer que o mundo dos media é também só por si um mundo de interesses e é preciso ter muitas cautelas e analisar de onde e porquê vem determinadas notícias.

    Obviamente nota-se que estas coisas não nascem do nada, que há interesses económicos e políticos que se movem por detrás, há uma agenda mediática poderosa.

    Agora do outro lado, o lado das alterações climáticas. Também não tenho a menor dúvida que há muito dinheiro em jogo. Também existe um agenda poderosa, uma máquina bem oleada que se mexe muito bem, melhor até que a outra máquina.

    Interesses, lobbies e dinheiro não é necessáriamente mau, o dinheiro é o que faz na verdade as coisas moverem-se para determinado lado, por vezes até para o lado certo, embora também demasiadas vezes para o errado.

    E eu sou um crónico descrente nas «políticas». Ou seja, se hoje vejo avultados investimentos em energias renováveis não acho que seja porque um iluminado qualquer achou que deviamos proteger a Terra mas simplesmente porque há viabilidade e dinheiro nisso.
    Nesse ponto de vista acho de facto que as alterações climáticas são em muitos sectores uma mera desculpa para o negócio.

    Quando a Europa ou Portugal afixam metas para os biocombustiveis não vejo que o estejam a fazer pelo ambiente, na minha opinião estão a fazê-lo para resolver outro problema, o da dependência energética e sobretudo porque é um bom negócio. As alterações climáticas são uma mera desculpa para os cidadãos.

    Quando vejo por exemplo a França como um dos países eurpeus mais exigentes nas discussões de Quioto, bali, etc, não vejo aí um país empenhado no problema das alterações climáticas, vejo apenas um país numa posição bastante confortável que produz, explora e exporta tecnologia nuclear. Quando vi no ano passado Chirac a quando de Bali a defender uma taxa para importações de países que não subscrevessem os protocolos não vi um líder da França a defender o ambiente mas simplesmente um lider de um país a proteger a sua economia dos produtos mais baratos usando a desculpa das alterações climáticas.

    Olhando para Portugal, vemos um sector pujante por exemplo na renováveis, mas há dados que me fazem desconfiar de tudo isto. Parece que estamos a pagar preços demasiado elevados às energias renováveis, mais do que se paga em Espanha por exemplo. Pior ainda, esse preço não se está a reflectir no consumidor, ou seja, não estamos a poupar energia ou a ser mais eficientes pela via do custo, como acontece actualmente nos combustiveis para os automóveis em que o consumo está a diminuir devido ao custo.

    Parece que esse custo extra das renováveis se está a acumular num défice a favor da EDP que será pago não pelos consumidores, eficientes ou não, poupados ou não, mas pelos contribuintes em geral, todos nós, indiferenciadamente. E quando vemos uma empresa como a EDP, que acumulou lucros fabulosos nos últimos anos, a comprar empresas nos EUA e ainda ontem a lançar uma OPV para este sector das renováveis, dá-me a impressão que andamos todos a financiar negócios privados e não propriamente a contribuir para melhorar o ambiente, a combater alterações climáticas ou a melhorar as finanças do país e dos portugueses.

    Resumindo e concluindo, na minha humilde opinião, espero estar enganado, a economia das alterações climáticas é poderosa, move-se muito bem num terreno e noutro, e acho que é uma tarefa monumental (ou se calhar impossível) a ciência desenvelheciar-se desses interesses. Não só dos económicos mas também dos políticos.

    Nesta área sou um descrente. E quanto a mim, a ciência climática por vezes não só não se tem desmarcado o suficiente desses interesses, como por vezes aproveita a boleia, o que para mim é um caminho perigoso. É um dos maiores desafios da ciência climática actual. E também nosso. Ter capacidade de distinguir o que é genuíno do falso, do que serve ou não determinados interesses, seja de que lado for.
     
  13. José M. Sousa

    José M. Sousa
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    Cumulus

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    A ver se consigo alinhavar umas ideias.

    [Nota metodológica: estamos a falar de um problema global, como tal as referências aqui feitas são também a nível global, ou seja, a nível planetário; não vale, portanto, vir com argumentos locais; por exemplo, mesmo que o lobby das renováveis fosse o mais forte em Portugal, isso de nada serviria se a China e os Estados Unidos continuassem a apostar no Carvão]


    Em todo este debate sobre as Alterações Climáticas, independentemente de se ser céptico ou não, é preciso ter uma noção muito clara:

    NADA DE FUNDAMENTAL ESTÁ A SER FEITO PARA COMBATÊ-LAS! (naturalmente, partindo do pressuposto que são de facto de origem antropogénica e portanto podem ser mitigadas)

    Este é um ponto importante para o debate, para os que queiram tê-lo de maneira séria.

    E porque é isso assim? Porque as emissões de CO2e continuam a aumentar de forma acentuada:

    http://climateprogress.org/2008/04/24/noaa-atmospheric-carbon-dioxide-methane-rise-sharply-in-2007/

    Portanto não faz sentido dizer que há uma conspiração para nos impor a tese de uma origem antropogénica das AC, porque pura e simplesmente, se esse fosse o caso, não está, definitivamente, a dar resultado.

    E porque é que não só não estamos a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, mas estamos a aumentá-las? Ainda por cima, estudos recentes apontam para a necessidade de zero emissões :

    http://climateprogress.org/2008/02/28/stabilizing-climate-requires-near-zero-emissions/

    Porque a economia moderna depende fundamentalmente, e ainda, de combustíveis fósseis. Isto é uma evidência! Não tinha que ser assim, mas é o que temos.

    O sector dos transportes é quase 100% dependente de combustíveis fósseis. A produção de electricidade é em grande medida produzida com o carvão (também em Portugal, mas sobretudo na China e EUA), etc. , mas também com derivados do petróleo e, crescentemente com gás natural.

    Por outro lado, os construtores de automóveis, sobretudo nos EUA, mas não só, têm muita relutância em investir em veículos mais eficientes se não forem obrigados a isso. Isto porque automóveis mais eficientes exigem milhares de milhões de dólares ou euros de investimento.

    Apesar de em alguns países as renováveis já assumirem uma dimensão razoável, à escala global são ainda insignificantes.

    Parece evidente, portanto, que, se há sectores que têm resistido às recomendações para combater as alterações climáticas, são os ligados à indústria petrolífera, carbonífera, automobilística, etc.

    (continua...)
     
  14. Vince

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    Isso é a grande verdade nesta questão. A polémica é brutal e global, mas é completamente virtual. Ninguém está a sacificar o que quer que seja porque na realidade pouco ou nada está a ser feito no sentido de diminuir as emissões.

    Os países que assinaram Quioto a maioria não o cumpre, o mercado de carbono não é realista porque é subvertido pelas licenças emitidas pelos estados, ou seja, este mercado é artificial.

    Eu considero a ideia do mercado de emissões uma excelente ideia, embora na minha opinião devesse ter um conceito mais abrangente, não só do CO2 mas de tudo o resto, reflectir no preço dos produtos as externalidades negativas como a poluição, quer contribuam ou não para o aquecimento global.

    Se afinal nada mudou, porque é que este tema é tão controverso ? O que faz mover tantas opiniões apaixonadas num sentido ou no outro ? Eu não sei a resposta mas tenho quase a certeza que nada tem a ver com o ambiente.
     
  15. Vince

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    Caro olheiro, permita-me discordar neste ponto.
    Na minha opinião os EUA vivem desde há largos anos um certo desinteresse e comodismo do qual estão agora a começar a começar a pagar um custo elevado. Como nação próspera e poderosa acomodaram-se em variadas áreas e a energética foi uma delas. Penso até que a guerra do Iraque foi um desespero para quem acordou repentinamente para um problema grave que tinha entre mãos e por muito desprezo que tenha pelo triste e decadente Bush, não sei se ele sozinho será o principal culpado numa nação que sempre se habituou de forma quase irresponsável à energia barata.

    A energia nuclear nos EUA foi um dos sectores onde deixaram de apostar há muitas décadas atrás porque tiveram que lidar com vários incidentes e uma opinião pública muito exigente e hostil. Existe actualmente um poderoso lobby nuclear mas ele é sobretudo europeu, da França, cujos emissários ou representantes, aka "comerciais", estão bastante activos em todo mundo. Em Portugal por exemplo, tivemos durante meses o Patrick Monteiro de Barros e o Mira Amaral a fazerem lobby na imprensa para vender tecnologia nuclear francesa.

    De qualquer forma, acho que os EUA são daqueles países que quando acordarem da letargia avançarão de uma forma fulminante nesta área, pois são uma nação capaz do pior mas também do melhor que o homem consegue sonhar. Esperemos é que realmente acordem, eu acredito que sim.

    Aí concordo inteiramente consigo, como disse no meu post anterior. Também acho que andamos a financiar negócios privados em nome do ambiente. É quanto a mim uma história que se repete, embora de forma ligeiramente diferente e noutros sectores e com diferentes "causas".
    Há 10/15 anos atrás tinhamos um mercado de telecomunicações caro e pouco competitivo nas mãos da PT. Andámos a financiar internamente com taxas e taxinhas o crescimento desse grupo internacionalmente, no Brasil por exemplo, e na prática nenhum proveito tirámos disso por cá. Só custos mais altos e piores infraestruturas. Tivemos um atraso significativo no nosso mercado de telecomunicações que só nos últimos 3 ou 4 anos se conseguiu livrar da posição dominante e anticoncorrêncial desse grupo PT no mercado.

    Hoje assistimos também a isso nos combustiveis. Durante anos os politicos quiseram proteger a GALP por supostos interesses nacionais, mas hoje vemos que esses interesses nos são lesivos, há um monopólio na refinação e distribuição de combutiveis em Portugal, e esse monopólio foi mantido usando o argumento do interesse nacional (há sempre grandes causas nestes assuntos), mas como vemos, de interesse nacional não tem nada.

    E hoje tenho quase a certeza que com a energia eléctrica, renováveis ou as outras, se está a passar o mesmo, embora agora ainda não tenhamos a noção disso pois o Estado tem vindo a atrasar a regularização do défice energético, estamos básicamente a consumir energia cara a crédito, a pagar futuramente com juros sem que depois tenhamos hipotese de nos tornarmos mais eficientes face ao custo pois a factura já está emitida, vencida e em dívida com juros.

    Mas sobre esse assunto é importante dizer que não culpemos o ambiente pelo aproveitamente que alguns fazem dele. Temos é que estar atentos e denunciar esse aproveitamento.

    Eu acho que todos os países devem fazer algum esforço em apoiar novas formas de energia mesmo que inicialmente sejam inviáveis. Se ninguém avança as coisas evoluem mais lentamente ou nem avançam. Idealmente deveria ser o mercado a comandar, mas essa perfeição do mercado só existe na cabeça dos liberais. Todas as formas de energia foram inicialmente subsidiadas, até o petróleo. O nuclear por exemplo, apresentado repetidas vezes como energia barata é uma tecnologia brutalmente financiada pelos Estados, sobretudo na cobertura dos riscos pois nenhuma empresa privada por maior que seja pode cobrir o risco nuclear.

    Esse apoio à inovação com que concordo, tem é que ser um esforço de acordo com a situação económica desses países. Se hoje existem torres eólicas como o protótipo E-126 da Enercom com uns estupendos 7MW isso deve-se ao esforço dos alemães que andaram a pagar durante décadas a evolução desta tecnologia, esforço nobre mas certamente enquadrado nas capacidades desse país.

    Em Portugal temos então uma grande central fotovoltaica, a primeira instalação comercial de um parque de ondas com a tecnologia Pelamis, metas ambiciosas nas eólicas e biocombustiveis, tudo isso parece bastante interessante mas confesso que também fico um pouco desconfiado, talvez os tais "alunos aplicados" que refere... ou quem sabe, uma versão mais moderna, o "porreiro pá" climático.

    A minha desconfiança tem sobretudo a ver com as press-releases, conferências de imprensa e visitas ministriais que acompanham estes projectos. Falam em tecnologia portuguesa e do valor acrescentado nacional, mas tenho dúvidas. No caso da solar estamos a falar de tecnologia australiana, no caso das eolicas tecnologia sobretudo alemã e no caso da energia das ondas é tecnologia da escócia.


    Voltando ao tema do tópico, e sobre o que disse nos meus últimos post's. As alterações climáticas não se podem dissociar do problema da energia, sobretudo da renovável.
    Se alguém tem dúvidas sobre os poderosos interesses que se movem directa ou indirectamente nesta área, é olhar por exemplo para Portugal. Por cá temos um ex.ministro das Finanças (Pina Moura) que foi contratado pela maior empresa energética de Espanha (Iberdrola) e que é uma das maiores se não a maior empresa do mundo no segmento das energias renováveis. Posteriormente o mesmo ex.ministro Pina Moura foi contratato pela maior empresa de Media de Espanha (PRISA/El Pais) quando esta empresa comprou cá em Portugal a TVI. Obviamente que tudo isto move imensos interesses. Mas não acho que o IPCC ou as centenas de cientistas envolvidos em tantos estudos tenham a ver com esses interesses, não só não acho como tenho quase a certeza. Mas de muitos políticos que se movem nesta esfera das alterações climáticas já não tenho essas certezas.
     

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