Calvície masculina (alopécia androgénica)

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 16 Fev 2009 às 11:41.

  1. frederico

    frederico
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    Cumulonimbus

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    Actualmente existe uma enorme publicidade a produtos farmacêuticos e naturais que prometem milagres no tratamento da queda de cabelo masculina. Contudo, a eficácia de muitas destas substâncias não se encontra efectivamente demonstrada a longo prazo, por isso decidi abrir este tópico, para evitar que os afectados por este problema não gastem dinheiro desnecessariamente. :thumbsup:


    Origem da alopécia androgénica

    Estima-se que nos EUA a alopécia androgénica (ou seja, a calvície) afecte mais de 50 % da população masculina. Nos homens, a testosterona é convertida pela enzima 5-alfa-hidroxilase em dihidrotestosterona, que provoca a atrofia gradual dos folículos pilosos nas áreas sensíveis do couro cabeludo. A alopécia andorgénica é hereditária, portanto se temos familiares próximos afectados também poderemos vir a sofrer desta doença.


    A idade em que surge

    O problema começa a manifestar-se por norma entre os 20 e os 30 anos, com a formãção das «entradas», o recuo da linha de inserção frontal do cabelo ou a rarefação do cabelo no terço posterior da região superior do couro cabeludo. Nalguns casos este processo pode começar antes dos 20 anos ou depois dos 30. Quanto mais cedo começa mais graves serão as suas cosequências. O padrão de perda de cabelo varia muito de indivíduo para indivíduo, bem como a velocidade a que o processo ocorre. Nas áreas afectadas, o cabelo começa a ficar gradualmente mais fino, claro e curto, até que é definitivamente perdido. Por norma, os indivíduos afectados só reparam que estão a perder cabelo após as fases inicias da doença.


    Tratamento com finasterida e minoxidil

    A alopécia androgénica, para já, não tem cura. No entanto, existem actualmente duas substâncias muito eficazes no tratamento deste problema, a finasterida e o minoxidil.

    A finasterida bloqueia a formção de parte da dihidrotestosterona, ao bloquear a acção de um dos tipos da 5-alfa-hidroxilase. Assim, a finasterida trava o processo de perda de cabelo. Contudo a finasterida não é eficaz em todos os casos. Pelo menos 5 a 10 % dos doentes não respondem ao tratamento. Ao fim de três a seis meses de tratamento, a finasterida bloqueia a perda de cabelo, e ao fim de um a dois anos poder-se-á observar um aumento da densidade capilar. A finasterida só é verdadeiramente eficaz no estadio inicial da doença, pois só preserva os folículos capilares que ainda existem no início do tratamentoo e só recupera os folículos recentemente perdidos. Se o doente deixar de tomar a finasterida, voltará a perder cabelo. Portanto, só funciona enquanto dura o tratamento, ou seja, se quiser preservar o seu cabelo até à velhice poder-se-á afirmar que é um tratamento para toda a vida. Os efeitos secundários são raros e passageiros. Importa referir que a dihidrotestosterona também provoca hirsutismo (excesso de pilosidade corporal) e excesso de oleosidade na pele.

    O tratamento com finasterida não é muito eficaz na região frontal do couro cabeludo, nas conhecidas «entradas». Assim, os indivíduos que se encontram em tratamento com a finasterida devem também aplicar o minoxidil, um vasodilatador em solução de aplicação tópica. O minoxidil também vai ser responsável pela manutenção dos folículos capilares e pela recuperação de folículos recentemente perdidos. Tal como a finasterida, só é eficaz nos estadios iniciais da alopécia androgénica. Devem ser aplicadas 30 gotas todos os dias, de manhã e à noite, no terço frontal do couro cabeludo, especialmente junto da testa e na região de formação das entradas. A eficácia máxima é atingida ao fim de um ano de tratamento contínuo. Depois, o tratamento deve ser continuado indefinidamente, pois a sua interrupção levará novamente à perda de cabelo. É conveniente ter o cabelo o mais curto possível, para facilitar a aplicação do produto na pele do couro cabeludo e evitar perdas desnecessárias que afectarão a eficácia do tratamento.


    Necessidade de acompanhamento médico

    Para além da acção da dihidrotestosterona, existem outras causas para a queda de cabelo, como as doenças da tiróide ou as infecções fúngicas. Por isso, sempre que notar queda de cabelo exagerada ou rarefação do couro cabeludo no terço superior ou formação de «entradas» deve consultar de imediato um dermatologista. O tratamento com finasterida e minoxidil devem ser sempre seguidos por um bom especialista, e para além disso necessitam de receita médica.


    Importância do estilo de vida

    Carências vitamínicas ou outras carências nutritivas, distúrbios alimentares e stress poderão agravar as consequências da acção da dihidrotestostrona e acelarar o processo de perda de cabelo. Para além disso, o stress e as carências nutritivas só por si já provocam queda exagerada de cabelo e enfraquecimento dos folículos capilares.


    Higiene e suplementos vitamínicos

    Existem outros cuidados a ter no combate à alopécia androgénica. A higiene é fundamental, e quem tem cabelo oleoso deve utilizar um champoo adequado. Nas farmácias existem opções com uma boa relação qualidade/preço. Para combater a caspa a melhor opção é o cetoconazol (Nizoral), um antifúngico, que também inibe a produção da dihidrotestosterona.

    Os suplementos vitamínicos por si só não travam a perda de cabelo, mas poderão dar uma pequena ajuda. O zinco, por exemplo, parece inibir a produção de dihidrotestosterona. Existem composições no mercado que combinam zinco e vitaminas do complexo B, como o suplemento vitamínico Cistitone (disponível nas farmácias). Sublinho de novo que os suplementos vitamínicos devem apenas ser encarados como um um extra ao tramento com finasterida e minoxidil.


    Novos tratamentos mais eficazes vão surgir em breve :w00t:

    O futuro parece ser promissor no tratamento da alopécia androgénica. Existe uma substância, a dutasteride, que inibe os dois tipos da 5-alfa-hidroxilase, sendo por isso muito mais eficaz e rápida a travar a perda de cabelo, quando comparada com a finasterida. Para além disso, leva a um maior aumento da densidade capilar que a finasterida. De momento ainda não se encontra disponível no mercado para o tratamento da alopécia androgénica, devido aos possíveis efeitos secundários, mas poderá vir a estar em breve. Outro tratamento que poderá surgir nos próximos anos são os implantes capilares com recurso a células estaminais.




    Portanto, antes de se meterem em «aventuras», consultem um bom dermatologista.
     

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