Casa Pia

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 3 Set 2010 às 21:46.

  1. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
    Hoje saiu o julgamento, e para minha surpresa, houve condenações. Agora, com recursos e menos recursos, é provável que os réus não cumpram as penas, mas hoje foi um dia muito importante para centenas, senão milhares de vítimas dos crimes de pedofilia e de relação sexual com adolescente :thumbsup:

    No entanto, sabe-se que muitos mais nomes deveriam ter estado hoje no banco dos réus a ouvir a sentença :mad:


    Reacção à condenação
    Carlos Cruz diz-se "vítima de uma monstruosidade jurídica"
    03.09.2010 - 18:20 Por Romana Borja-Santos
    Votar | 15 votos 30 de 35 notícias em Sociedade« anteriorseguinte »
    O antigo apresentador de televisão Carlos Cruz considerou que foi "vítima de uma monstruosidade jurídica", em reacção à pena de sete anos de prisão efectiva a que foi condenado pelo colectivo de juízes no âmbito do processo Casa Pia.

    Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão efectiva (Foto: Enric Vives-Rubio)

    Depois da decisão proferida no Campus da Justiça, e durante uma conferência de imprensa que tinha já anunciado esta manhã, o ex-apresentador de televisão começou por dirigir uma palavra à sua família para lhe "transmitir a tranquilidade e calma" que sente, apesar de afirmar "ter sido testemunha de um acontecimento único" que "nunca esperava ver num Portugal que se prometeu liberto e disposto a construir uma democracia".

    Carlos Cruz sublinhou que este "erro judicial ficará definitivamente nas páginas mais negras daquilo que deveria ser o valor máximo, o alicerce em que se constrói o pilar de um país" – em referência à Justiça.

    Numa segunda parte daquela que prometeu ser "uma curta declaração", Carlos Cruz fez uma homenagem aos seus dois advogados (Ricardo Sá Fernandes e António Serra Lopes) e garantiu que "são dois homens de persistência e de carácter", que seriam "incapazes de defender um abusador sexual em qualquer circunstância".

    Luta judicial "em nome do país"

    Cruz prometeu prosseguir com uma luta judicial, que disse fazer "em nome do país". E lamentou que o tribunal tenha "dado como provados factos que nunca aconteceram e em locais" que o apresentador assegura que nunca frequentou. "Não me foi explicado em que é que se baseia a afirmação de que os factos foram provados", disse. E acrescentou: "O documento em tribunal suporta uma dedução que só pode ser única e exclusivamente tomada pelo preconceito assumido desde o início deste julgamento".

    Carlos Cruz considerou, ainda, que os juízes cederam à "pressão mediática" transformando o caso num "julgamento de preconceitos", alegando que foi por este motivo que o processo se arrastou tantos anos. O antigo apresentador comparou também o tribunal que o condenou ao que acontecia antes do 25 de Abril, "com a única diferença que os julgamentos sem provas eram mais rápidos". E insistiu, dando exemplos, que presenciou "uma prova testemunhal cheia de contradições e de mentiras, entre os assistentes, o inquérito, a instrução e o julgamento", ironizando que "nem Spilberg teria imaginação para produzir uma história destas".

    Já na fase de perguntas, questionado sobre a alegada lista de outros envolvidos no processo que disse que ia divulgar, Carlos Cruz explicou que o que vai publicar no seu site é "o processo onde estão nomes de vários cidadãos portugueses" que nunca vieram a público e que mostra que "houve pessoas que deviam ter sido ouvidas e não foram". "Este processo é todo uma lenda e uma fantasia", concluiu.

    Carlos Cruz lamentou que a opinião pública, que "não conhece" o processo ou conhece “parcialmente”, “tenha sido intoxicada” com informações vinculadas pela comunicação social. O antigo apresentador de televisão desafiou os jornalistas a “iniciarem o jornalismo jurídico”, criticando a “falta no jornalismo português da análise dos depoimentos, do processo, que nunca foi feito”.

    Questionado sobre a pena a que foi sentenciado e ao cumprimento da pena, Carlos Cruz disse não temer a prisão. “Não estou preocupado com a cadeia. O problema da dimensão da pena não me preocupa. O que me surpreende foi terem sido dado como provados os factos dos crimes de que fui acusado”, afirmou.

    “Não sou cobarde, luto pela verdade e não tenho medo de me prejudicar. Não tenho medo de ser prejudicado por dizer a verdade”, continuou, assegurando que a sua luta não acabou. “Vou começar uma luta para provar a minha inocência a melhorar a justiça em Portugal”, insistiu.

    Carlos Cruz acredita que a “partir de hoje vai aumentar o número de denúncias de falsos abusos”. “É a consequência destes processos, quando são mal conduzidos”.


    http://www.publico.pt/Sociedade/sou-vitima-de-uma-monstruosidade-juridica_1454271
     
  2. Knyght

    Knyght
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Mai 2009
    Mensagens:
    2,013
    Local:
    Madeira - Funchal
    Bem o mais gravoso é que é o Sr. Carlos Cruz a chamar-nós todos de anormais, iletrados, incultos e 3º mundistas quando foi esse senhor um dos rostos (não tão gravoso como medico ou o embaixador) que são pessoas que deviam ser melhores que esse parasita que perpetrou actos de pura animalidade! :angry:
     
    Collapse Signature Expand Signature
  3. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
    Ainda me custa a acreditar que o Carlos Cruz tenha sido considerado culpado.
     
  4. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
  5. Paulo H

    Paulo H
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    2 Jan 2008
    Mensagens:
    2,843
    Local:
    Castelo Branco 386m(489/366m)
    A mim o que me incomoda é pensar que se for um criminoso pobre basta-lhe uma testemunha acusatoria, enquanto que se for rico, influente, ou figura pública, são precisos dezenas ou centenas de testemunhos! Essa é que é essa.. Incomoda-me também que um ou outro poderoso influente tenha escapado, com decisão duvidosa do tribunal de um dia para o outro. E mete-me nojo toda panoplía de abracinhos de parabéns mesmo quando destruíram mesas na assembleia da república na confusão da vontade de querer abraçar, sem pagar estragos! Faz-me confusão, o que é que querem.. O que eu estrago, pago do meu bolso! Também houve uma senhora que saiu ilíbada, dizem que é devido às últimas alterações na lei penal, agora o que eu não compreendo é como uma pessoa que toma proveito em receber na sua casa todos aqueles crimes, como não é condenada! Faz-me confusão e não tenho pena nenhuma, até podia ter 100anos de idade! Também me faz confusão o carlos silvino, o maior culpado quiças, mas aquele que confessou, sem perdão ok.. Mas a verdade é que não existe acumular de pena em portugal! Porque é que ele leva com 18 anos e os outros não, se não depende do número mas do tipo de crime? Violação de menores é violação de menores, pedofilia! Também me faz confusão quando se diz que a guerra na defesa vai continuar, podendo o caso ainda se alastrar por mais 15 ou 20anos, é uma vida!! Faz-me confusão esse modo de viver, acusado mas movendo-se nos buracos da lei tempos e tempos, acho que ainda penam mais tempo.. Faz-me confusão quando alguém não acredita nos tribunais, quando se declara culpado, algo raro hoje em dia. Faz-me confusão que os criminosos não estejam já dentro das suas celas! Faz-me confusão a lentidão da justiça, em especial nestes casos mediaticos! Mas há uma esperança, houve um colectivo de juízes, uma juíza que fez juízo, e isso hoje em dia é um acto de coragem!
     
    Collapse Signature Expand Signature
  6. joseoliveira

    joseoliveira
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    18 Abr 2009
    Mensagens:
    2,889
    Local:
    Loures (Moninhos) 128m
    Muito há considerar em todo este processo que envolve eventualmente culpados e não culpados. Conspira-se e especula-se acerca de elementos até então anónimos e outros como figuras mediáticas tendo restado apenas uma.
    Reservo para mim a opinião quanto à posição e qualidade das declarações da D. Catalina Pestana, mas fica a questão: que outra posição poderia ou deveria adoptar esta Senhora senão ir em defesa das vítimas ou até de alegadas vítimas?! :rolleyes:

    Se a casa de Elvas desde o início foi referenciada como um ponto de encontro entre vários dos acusados e as alegadas vítimas, o que é que teria levado à hipotética e simples conclusão de que e muito recentemente "confirmado" apenas teria sido frequentada por Carlos Cruz? Sarcasticamente o mesmo referiu e a meu ver muito bem que talvez um outro elemento dos acusados teria servido p. ex de porteiro nesta casa já que foi o único que por fim se confirmou como usuário para fins sexuais de natureza pedófila. :p

    Interessante o testemunho, na mesma reportagem, de um ex-aluno da Casa Pia que aguardava os últimos pormenores da alegada súmula :disgust: deste julgamento. Tal como várias pessoas ao longo destes anos de duração do processo já testemunharam, algumas das alegadas vítimas curiosamente e frequentemente ostentavam sinais exteriores de algum poder de compra que segundo tais pessoas anteriormente tal não ocorria. Este ex-casapiano igualmente mostrou alguma perplexidade ao confrontar uma das alegadas vítimas com esta questão tendo o mesmo respondido que se tratavam de ofertas de um amigo...! Devemos nós comuns cidadãos entender isto como um simples e ocasional pormenor ou como indícios fortes de que realmente estas alegadas vítimas não passam de porta-vozes de uma teia de conspiração composta de verdades, meias verdades e mentiras de baixo nível?

    Pelo que percebi, segundo os preceitos jurídicos, uma súmula de um julgamento não deve omitir pormenores relevantes que deste modo justifiquem ou respondam a uma fundamentação das provas apresentadas, ou seja, uma prova deste nível deve basear-se em factos que vão além de meros indícios e se houve omissão destes elementos por parte do Colectivo de Juízes, esta súmula que pelo que parece não foi respeitada e poderá ser objecto de nulidade do julgamento reivindicado pela defesa dos arguidos.
     
    Collapse Signature Expand Signature
  7. Paulo H

    Paulo H
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    2 Jan 2008
    Mensagens:
    2,843
    Local:
    Castelo Branco 386m(489/366m)
    O que foi ditado em tribunal pela juíza, é facto comprovado. Não há súmulas nem meias súmulas que valham, apenas tem interesse para o modus operandi do processo judicial, é apenas matéria do interesse para advogados que pretendam encontrar um erro burocratico no procedimento, ganhando mais tempo e mais dinheiro dos culpados. Quanto à casa da dita cuja, tenho a dizer que tão ladrão é quem rouba como quem fica à porta, e duvido muito que a dita sra recebesse estranhos, ainda por cima figuras públicas em casa com miúdos, sem tirar qualquer proveito económico! Ele há coisas do outro mundo, que sem se explicar, são ilibadas. Custa-me crer que fosse uma grande cabala montada por uma organização que coordena as ditas vítimas, pois é certo e sabido que casas pias e afins sempre, mas sempre sofreram abusos durante décadas, apenas se trocou de nome "coisa de maricas" por pedofilia! Mas não se pode esquecer um facto importante: é crime cometer pedofilia mesmo perante o consentimento de um menor! Quero dizer, acho que já mudaram a lei (um pouco à pressa), pedofilia já não é abuso de menores, tem limite de idade, o que é bastante estranho o interesse em mudar a lei no decorrer do processo, e outras leis relacionadas foram também mudadas. O que ali se passou, pelos vistos, só seria aceite por todos se gravado com qualidade DVD! O que também me faz confusão.. A verdade das verdades é que onde há fumo há fogo! E uma grande, senão a maior parte da verdade ocorreu nos anos 70 e 80, já prescrita portanto! Se não houvesse prescrição.. Ai se não houvesse prescrição.. Aí sim se saberia a verdade! Sabem que mais? Porque é que a lei há-de ser diferente de um caso mediático em relação a um caso de um simples "farfalha"?? Existe alguma condicionante no código penal? Não há. Era bom que quem fosse julgado, fosse julgado como um número, sem se saber quem é, apenas como um cidadão português qualquer, seria bastante engraçado de ver!! Os poderosos safam-se sempre..
     
    Collapse Signature Expand Signature
  8. vitamos

    vitamos
    Expand Collapse
    Staff

    Registo:
    11 Dez 2007
    Mensagens:
    4,558
    Local:
    Lisboa; Costa da Caparica
    A minha opinião sobre as sentenças saídas deste caso é uma "não opinião". Sem conhecer o processo, sem ter estado na sala de audiências nas diversas fases do processo, sem conhecer o detalhe das provas eu, como mero cidadão, não me sinto qualificado para emitir uma opinião de factos.

    No entanto há algo que sinto. Revolta-me um pouco que, muitas pessoas, que viam a justiça em Portugal com maus olhos, se manifestem agora agradadas com uma simples sentença. De um momento par ao outro uma decisão limpa o rosto da justiça em Portugal. Há apenas uma coisa em que sou obrigado a concordar com Cruz e companhia, independentemente ou não das culpas no cartório... Este processo foi uma vergonha... Uma vergonha que se arrastou e arrastará no tempo, uma vergonha que a mim não me deixa convencido, uma vergonha que não me deixa ter a certeza da justiça das sentenças, uma vergonha que não me deixa concluir, mas levanta-me as suspeitas que muitos outros deveriam ter sido condenados...
    As dúvidas que tenho hoje sobre este triste caso são ainda maiores do que as que tinha no início e sinceramente não sei se existe justiça ou não nas sentenças aplicadas. Mas mais que isso não sei qual o caminho da justiça em Portugal... E fica a ideia que uma reforma do sistema jurídico será algo que, inevitavelmente, terá que ser feito no nosso país... Se calhar a par de muitas outras reformas.
     

Partilhar esta Página