Chávez, Petróleo e a Venezuela

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por José M. Sousa 7 Jun 2008 às 20:58.

  1. José M. Sousa

    José M. Sousa
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    Cumulus

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  2. José M. Sousa

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    Viva a todos!

    E eis que estou de regresso de três semanas intensas na Venezuela. Vou precisar de algum tempo para digerir tanta informação e assentar ideias. É um país onde está a ocorrer uma experiência social muito interessante, cheia de contradições, como não podia deixar de ser, dadas as circunstâncias. Mas que vale a pena conhecer, partindo de uma atitude de abertura de espírito face aos problemas do outro, caso contrário acabamos por nada entender. É uma realidade complexa, mas vibrante e cheia de esperança.

    Para abrir o apetite, deixo-vos este artigo de um jornalista americano (James McEnteer) que tive o prazer de conhecer integrando um grupo de norte-americanos e um casal de argentinos exilados nos EUA, com quem viajei durante 11 dias:


    http://www.counterpunch.org/mcenteer08252008.html
     
  3. José M. Sousa

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    Explique-se! Chavões não explicam nada.
     
  4. José M. Sousa

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    A sério? e depois? Tem conhecimento dos valores relativos da despesa em defesa em relação ao PIB da Venezuela quando comparada com a Colômbia, os EUA, etc.?
    Deduzo que sabe alguma coisa da história recente da América Latina. Já esteve em algum daqueles países? Não me refiro ir apenas à praia? Refiro-me ir às favelas, falar com gente comum, com missionários, etc?

    anti-americanismo primário? Lá estão os chavões! Leu o texto do jornalista, por sinal americano?
     
  5. psm

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    Desculpa de te corrigir, mas não é pelo numero de ricos, mas sim pelo numero de pessoas de classe média são elas que sustêm as enconomias.
     
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  6. José M. Sousa

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    Cumulus

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    Que pobre compreensão do mundo. Espero que seja passageira. A Venezuela não é de Chávez, é dos venezuelanos! Se lá fôr, vai ver que é assim!

    Essa medição da riqueza é original. Sou economista, e nunca a vi em lado nenhum! De qualquer modo, para sua informação, proliferam os centros comerciais e "jeeps" brutais! Nunca a economia esteve tão bem. E se quer que lhe diga, parece-me um país bem mais democrático que o nosso. Já tinha dito isto aqui antes, para escândalo de alguns, mas agora digo-o com mais segurança!
     
  7. José M. Sousa

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    Cumulus

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    Eu não quero ser ofensivo, nem vou prolongar uma discussão inútil, mas o que mais me impressiona é o preconceito puro e simples, descontextualizado, sem conhecimento da realidade económica e social, histórica, etc. não só da Venezuela, mas até mais em geral. Gostava que me desse um exemplo de um caso de sucesso de desenvolvimento económico de uma economia frágil que não tivesse a liderança do Estado!
     
  8. nimboestrato

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    A Venezuela é hoje, um dos países que mais cresce na economia a nivel mundial. 7,7% ano.A conjectura petrolífera é favorável mas não foi seguramente o estado venezuelano que a criou.
    A Venezuela tem um Presidente reeleito democraticamente .
    A Venezuela vai continuar a ter eleições democráticas livres.
    Não há sinal nenhum em contrário.
    Tantos regimes ditadores existiram na América Latina e nenhuma voz à época extravazou.
    Tantos crápulas que reinaram ,ditadores brutais que para além de violarem os direitos humanos arruinaram economias mas que eram inimigos desse socialismo revivalista e amigos do tio Sam e como tal pontificaram.
    Dois pesos, duas medidas...
    Oh Agreste , o filme que tu já viste é aquele que te é mostrado...
    Há mais realidades para além daquelas que nos querem impingir...
    seguramente...
     
  9. José M. Sousa

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    Cumulus

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  10. José M. Sousa

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  11. Vince

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    Para algum equilibro :inocente: na discussão deixo o link de um blogue que retrata uma Venezuela bem menos cor-de-rosa, por exemplo com a inflação completamente descontrolada já quase nos 30% apesar da tal prosperidade de que se fala. Nada que a engenhosa imaginação socialista não pense resolver com mais umas nacionalizações ou fixação artificial de preços, mas no final já sabemos como tudo acabará.

    -> The Devil's Excrement
     
  12. José M. Sousa

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    Cumulus

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    Não sei onde está o desequilíbrio! O artigo da New Yorker, então, é muito equilibrado!

    Mas em relação à economia, eu por mim, e sobretudo se fosse venezuelano, preferia ter 30% de inflação e + 7% de crescimento económico com redução de desemprego do que o nosso nível de inflação e o nosso insignificante crescimento económico (pouco superior a 0%!). De qualquer modo, eu não sou bruxo e não sei "como tudo acabará". Mas conheço um pouco de economia do desenvolvimento e do contexto das economias latino americanas, nomeadamente a venezuelana, e as nacionalizações de algumas empresas - que, diga-se, na origem, foram fundadas pelo Estado - faz todo o sentido. Evidentemente, o simples facto de serem nacionalizadas não resolve nada por si. Mas o que vi foi uma sociedade activa, com pessoas - mesmo as mais simples, talvez sobretudo estas - com uma enorme lucidez e interesse pelos assuntos da comunidade. Posso explicar mais quando não houver receio de discutir sem preconceitos.
     
  13. Vince

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    Não é preciso ir muito longe, na própria América Latina tem por exemplo o Chile que teve durante muitos anos taxas de crescimento dessas e sem pinga de petróleo tendo hoje uma economia equilibrada e diversificada, da agricultura à industria.
    O petróleo na Venezuela representa mais de um 1/3 do PIB e 3/4 das exportações. E é sabido que o negócio do petróleo não é propriamente um negócio distribuidor de riqueza. As taxas de crescimento são um bocado enganadoras.

    Eu não tenho receio em discutir, mas acho que há também muito romantismo neste socialismo cientifico do século XXI. Há naturalmente muitos exageros relativamente ao Chávez, não é um ditador nem uma ditadura, foi eleito e há liberdade de expressão, tem até imprensa que lhe é muito hostil embora Chávez já por diversas vezes tenha mostrado a vontade de os calar.

    Chávez é um populista, e um dia na minha opinião acabará por mostrar uma outra face, quando os pobres se cansarem do populismo, só não a mostrou no referendo em que os venezuelanos lhe negaram a vontade de se perpetuar no poder e controlar ainda mais o país porque todos os socialistas do mundo inteiro olham para ele como uma esperança no socialismo e seria uma enorme e global desilusão haver chatices na sequência dessa derrota.

    Não me parece que o bem de uma nação passe por nacionalizações, políticas e regras sobre preços e produtos, assustando empresários e investidores, quer nacionais quer estrangeiros. Isso terá consequências graves no futuro.

    Preso muito a minha propriedade e os meus negócios, o fruto do meu trabalho e abomino sociedades onde se está sempre a apontar o dedo ao lucro e aos empresários. Sociedades como a que Chávez está a construir tornam-se corruptas, é um estado controlador e asfixiante. Os servidores desse Estado detêm muito poder e inevitavelmente a corrupção cresce porque esses servidores servem-se desse poder de forma muitas vezes arbitrária sobre o pequeno e o grande negócio.

    Quanto aos venezuelanos, espero que não tenha conhecido apenas uma parte deles, pois como sabe é um país quase dividido em dois.


    Para finalizar, não gosto das amizades que o Agreste também referiu.

    [​IMG]

    Entre tantos amigos para escolher era preferível um que não fosse presidente de um país onde entre tantas outras coisas a homossexualidade é punida com pena de morte ou se constroem centrifugadoras de urânio em vez de cuidar da economia frágil do país. É nestas coisas que eu não compreendo nunca certa esquerda ocidental, nos próprios países defendem por exemplo os gays e os direitos das mulheres mas fecham os olhos a estas amizades.
     
  14. José M. Sousa

    José M. Sousa
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    Cumulus

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    Ok, assim já temos alguma coisa para discutir. Eu volto a frisar, como aliás comecei por dizer logo no início, que este não é um assunto simples e que eu, pelo menos, não dou grande importância aos chavões, entre os quais estão "esquerda", "socialismo" e "revolução". Eu só falo por mim e mais ninguém! São as minhas opiniões, tão só e não são influenciadas por nenhuma ideologia em particular.

    Dito isto, o Vince tem toda a razão quanto às taxas de crescimento económico, de facto podem ser muito enganadoras. É preciso ter em conta a distribuição do rendimento desse crescimento económico, nomeadamente através de um indicador como o coeficiente de Gini. Quanto ao Chile, e a este propósito:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_Chile

    «when measured exclusively by the GNP indicators (a gauge that does not adequately depict the social depth of economic wellbeing) the Chilean economy income distribution has been extremely poor. Chile ranks 80th among the countries on the list of income distribution, being the fourth worst in Latin America (only above Brazil, Paraguay and Colombia) and ranking, on that important indicator, behind much poorer African countries such as Zambia, Nigeria and Malawi.»

    Bem sei que a Wikipédia não é a fonte mais autorizada, mas parece-me suficiente.

    Esta fonte, contudo, já é mais "autorizada" (Joseph Stiglitz):

    http://lanr.blogspot.com/2007/02/joseph-stiglitz-on-chile-and-latin.html

    «Chile did not follow many key elements of the Washington Consensus during its most successful years. It imposed capital controls. It only privatized part of its copper mines, and the privatized mines arguably did not perform better than the nationalized ones, though the profits were sent abroad, while the profits of the nationalized mines could be used in the nation’s efforts to develop.»


    «before Chavez came to power, between two thirds and 80 percent of the people were in poverty»

    Pretendo ter mais dados sobre isto mais tarde.

    «In many cases, these countries have put into place health and education policies that are already working, bringing health and education to the poor barrios for the first time.»

    Posso dar mais pormenores.

    Fico-me por aqui. Há muito para dizer, mas tem que ser por partes.
     
  15. psm

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    Nimbostratus

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    É só um pormenor acerca do wikipédia e como bem mencionou não o é o mais acertado, mas o Chile ficar atrás do Peru, Bolivia, Equador e das guianas não o é mais acertado. Além ter sido o maior exportador de cobre, um dos maiores em fosfatos, pescas, e em madeiras e não falo só em celulose tem como contra a sua grande extensão territorial(longitudinal)o que dificulta o transporte e comunicações. Este era só um pequeno aparte.
     
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