Comportamento dos sistemas frontais

Tópico em 'Aprendizagem e Formação' iniciado por Relâmpago 26 Mai 2007 às 19:49.

  1. Relâmpago

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    Nimbostratus

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    Olá a todos

    Pelo que tenho visto, o comportamento dos sistemas frontais é diferente de região para região. Refiro-me particularmente aos EUA e à Europa.

    O que no nosso país dá chuva e vento dois ou mais dias seguidos, na região central/oriental dos EUA parece desenvolver grandes e devastadoras tempestades, sem a existência daqueles dias de chuva miuda a que estamos habituados no inverno, muito em especial durante a passagem de um sector quente de um sistema frontal. Até mesmo, a passagem de um sistema frontal frio não dá, grande parte das vezes, origem a tempestades.

    O que está na origem da diferença de comportamento destes casos? Os tipos de núvens que fazem parte do sistema frontal são diferentes no caso dos EUA? Pelas fotografias que tenho visto, a aproximação de um sistema frontal frio, nessas regiões dos EUA aparece sob a forma de uma barreira de núvens de grande desenvolvimento vertical, a partir de um céu limpo. Será assim?

    Obrigado.

    Relâmpago (não mortífero:lol: )
     
  2. Flaviense21

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    Cumulonimbus

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    Olá Relampago! Aí está uma boa questão! Pena que não sei responder-te! Talvez seja mais um dos efeitos que a Corrente do Golfo tem no nosso clima! Será?;)
     
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  3. Minho

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    Cumulonimbus

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    Olá Relâmpago.

    Os sistemas frontais na sua génese são iguais tanto aqui como do outro lado do Atlântico.

    A virulência das tempestades dos EUA tem a ver com os centros de acção.

    No mapa em baixo podes ver o anticiclone dos Açores que é um centro de acção. Desenhei sobre esse mapa o anticiclone e as setas representam os ventos provocados pelo anticiclone. Como podes ver os ventos que chegam à costa leste dos EUA têm origem tropical, sendo por isso muito mais húmidos e sobretudo mais quentes ao passo que os ventos que chegam á Europa apesar de terem origem tropical também já tiveram um trajecto sobre águas mais frias ao fazerem o giro para W, provocando assim o seu arrefecimento.
    Além da origem do ar quente do sistema frontal, também temos que nos debruçar sobre a origem do ar frio. Na Europa o ar frio da superfície frontal tem uma componente fortemente marítima e influenciada pela Corrente do Golfo, ao contrário, da origem do ar frio nos EUA que tem uma origem fortemente continental e logo é um ar muito mais frio apesar de ser mais seco...

    Ora num sistema frontal quanto mais as massas de ar frio e quente forem distintas mais activo e virulento este se torna.

    [​IMG]

    Penso que primariamente serão estes os factores mais decisivos para diferença entre a activdade das superfícies frontais nos EUA e na Europa.
     
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  4. Relâmpago

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    Nimbostratus

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    Obrigado pela explicação, Minho.

    1- Relativamente a nós, Portugal, noto que uma frente fria só provoca trovoada e chuva forte (existência de cumulonimbus) quanto mais for paralela à costa e mais aberto (maior) for o sector quente.

    2- Nos casos em que haja mais obliquidade a chuva não é muito forte e não se verificam trovoadas.

    3- Depressão centrada ao largo da costa ocidental portuguesa, associada a uma frente oclusa: foi, salvo erro, em Outubro de 2000 ou 2001 que assisti a uma forte tempestade, em Lisboa, com trovoada e ventos fortes que derrubaram árvores e candeeiros públicos. Caiu bastante granizo e, pela ventania, quase parecia um tornado.

    - Será que no caso 1 se verifica um fenómeno idêntico ao que se passa nos EUA, embora com menor violência? (corrente acentuadamente vinda de sul no sector quente, embora o ar pós-frontal não tenha uma circulação acentuada de norte , mas sim de oeste. Daqui se explicar a menos violência que há relativamente aos EUA). No caso 2 podemos dizer que a frente fria não desenvolveu cumulonimbus?

    O caso 3 é aparte, pois estava-se sob a influência directa de uma depressão.

    Será que estes raciocínios são certos?

    Obrigado.

    Edit: Posso concluir que se passam fenómenos idênticos aos dos EUA na China?
     
  5. Minho

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    Sim penso que estão correctos e aplicam-se mais ao Sul. Aqui no norte é muito frequente assistir a trovoadas e queda de granizo nas entradas muito activas de NW. Faz sentido que quando a frente fria entre paralelo à costa seja mais activo porque entrar paralelo significa que não há forte influência do Anticlone deixando a depressão passar mais a Sul e com maior velocidade.

    O caso 3 que falas não sei de que se tratou. Mas podia estar associado a algum outra fenómeno que não os sistemas frontais.

    Só uma correcção, as frentes frias trazem sempre Cumulonimbos associados. Podem é não estar tão desenvolvidos numas frentes frias em relação a outras. Tudo depende da velocidade de avanço do sector frio sobre o sector quente, da temperatura do sector quente, humidade, etc.
     
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  6. Relâmpago

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    Nimbostratus

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    Tens razão, Minho. No norte do País o ar pós-frontal é bastante mais instável do que no sul. Tenho assistido a fortes trovoadas, no Norte, precisamente nos aguaceiros pós-frontais.
     

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