Debaixo de trovoada um carro é realmente seguro?

Tópico em 'Aprendizagem e Formação' iniciado por Relâmpago 29 Set 2008 às 01:56.

  1. Relâmpago

    Relâmpago
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    Nimbostratus

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    Olá

    Esta dúvida surgiu-me depois de uma viagem que tinha como fim fotografar/filmar uma trovoada. Para isso, convidei um parente meu para me ajudar, pois ele é que tinha câmara. Ainda hoje, em conversa, disse-me que fui irresponsável em me ter metido mesmo debaixo de uma trovoada. Eu disse-lhe que estávamos seguros dentro do carro, ao que ele ripostou, dizendo que um raio podia atingir o carro e fazer explodir o depósito do combustível. Será mesmo assim? Quais serão as hipóteses? E em que caso(s)?
    Gostaria de pôr este assunto à vossa discussão.

    Obrigado.
     
  2. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Um carro é um local seguro. Mas é uma segurança relativa. Se conduzires em direcção a uma trovoada obviamente estás a correr alguns riscos que não corres se fugires dela ou se fores para um edifício. Raios, granizo, precipitação intensa ou objectos atirados pelo vento entre outros. Quando se diz que é seguro é em termos de morreres electrocutado se por acaso cair um raio no carro, isso não acontece devido à Gaiola de Faraday (e não devido aos pneus como diz a sabedoria popular). Na falta de abrigo num edifício, o carro é o local mais seguro que existe. Mas há sempre riscos directos e indirectos (acidentes de viação,etc). Se cair um raio podes ficar cego e surdo momentaneamente ou entrares em pânico, podendo acabar tudo num acidente devido a isso. Podes ser electrocutado se estiveres a tocar nalguma parte metálica no interior do carro ou usares equipamento de comunicações que utilize antenas exteriores (esse risco também é válido para quando estamos mesmo em casa). Uma descarga pode rebentar os pneus e até provocar um incêndio, muito raro mas pode acontecer. Mas de explosão do carro não existem registos de eventos desses devido à já referida Gaiola de Faraday.

    Quando um storm chaser se dirige para uma trovoada deve saber o que está a fazer, deve ter acesso a imagens de satélite e radar recentes e deve conhecer bem a estrutura típica e dinâmica de uma célula e saber para onde ela se dirige, pois tem de evitar sempre a zona de precipitação e descargas intensas. Não sabendo o que se está a passar e aonde está ou não conseguindo avaliar convenientemente a situação com os dados que tem, corre sempre riscos desnecessários e conduzir numa estrada é normalmente um mau local para correr riscos.

    No entusiasmo meteorológico e ânsia de obter registos nunca devemos esquecer a segurança. É válido mesmo para casa quando tiramos fotografias à janela.

     
  3. Paulo H

    Paulo H
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    Concordo Vince, por acaso tinha pensado no efeito gaiola de Faraday, de facto, já o verifiquei na prática em linhas de pintura electroestática, em que peças metálicas penduradas numa corrente ligada à terra são pulverizadas de epoxy em pó, electrizada a 70KV (70000 Volt) e de facto, verifica-se que é extremamente difícil a acumulação de partículas nos vértices fechados para dentro das peças, assim como em todo o seu interior, sendo necessário retocar no fim, antes de irem ao forno a 180ºC.

    Consiguimos permanecer dentro da cabine de pintura a 70000 Volt porque nos encontramos ao mesmo potencial eléctrico, desde que não toquemos na corrente transportadora, nem nos comprimentem de fora com um aperto de mão!! Apanharia um pequeno choque eléctrico, sem grande sobresalto, uma vez que a intensidade da corrente não chega a 0.1A (muito fraca, mas de grande potencial).

    Num automóvel, acontecerá o mesmo, será improvável que apanhemos choque no interior desde que não toquemos em superfícies metálicas ligadas ao exterior. Desde que não toquemos em nada exterior, é comum os carros se electrizarem em especial quando a %HR é baixa, ficamos num potencial eléctrico elevado em relação à terra daí os pequenos choques que apanhamos quando saímos do carro.
     
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  4. algarvio1980

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    Só quero dizer uma coisa que não estou muito de acordo com o Paulo H, com uma corrente inferior a 0.1 A os efeitos já são graves, não é um mero choque, já não consegues largar, é doloroso e tens dificuldades respiratórias graves a extremas, só inferior a 0.01A é um pequeno choque sem qualquer problema um simples formigueiro, agora se ultrapassa os 0.1 A é aquela frase como dizem na universidade já não pagas mais propinas.
     
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  5. Paulo H

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    Cumulonimbus

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    Pois.. :unsure: estive a lembrar-me melhor, a voltagem era de 70000V tenho a certeza, e a amperagem dava para regular até 60mA (0.045 a 0.055), se a amperagem fosse mais baixa, a aderência na superfície da peça metálica a pintar era menor que o efeito da gravidade (havia deposição, e desperdiçava-se muita epoxy para o chão), enquanto que se amperagem fosse elevada demais, a força de repulsão entre as partículas carregadas aumentava favorecendo o efeito gaiola de Faraday. Tinha de ser um valor intermédio, afinado com a prática, e variando com o tipo de bicos das pistolas (efeito na propagação do pó electrizado) e a velocidade do transportador (eficiência).

    Mas voltando ao automóvel que levou com um relâmpago, mesmo admitindo que o seu habitáculo se encontre bem isolado do exterior, considero muito perigoso sair do carro de seguida, pois existe "alguma" probabilidade de que o carro e todo o seu conteudo tenha ficado a um potencial eléctrico muito elevado, pelo que.. não sei, a tentação é para sair rápido da viatura, mas o efeito de tocar no exterior (com potencial zero) poderia ser desastroso.

    É claro que, conseguir controlar o carro com o susto de levar com um relâmpago (ou parte dele, porque o carro é baixo e o relampago ramifica-se) já é obra!! Sair do carro, não sei não, imaginem que nem está chovendo, que o ar está seco (isolante), imaginem toda aquela diferença de potencial..

    Quando me acontecer, alguma coisa me ocorrerá..
     
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  6. Pico

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    Cirrus

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    Tão se a esquecer do pequeno pormenor de que o carro é bem capaz de nunca mais voltar a andar... inda mais se tiver uma componente electronica abundante, (o que acontece hoje em dia)
     
  7. Relâmpago

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    Nimbostratus

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    Olá

    Na realidade, precipitei-me. Reconheço. Com o entusiasmo de querer captar algo de espectacular (relâmpagos, raios, granizo...), não levei em linha de conta determinados riscos que aqui foram mencionados. Pelo princípio da Gaiola de Faraday, tudo bem desde que não se tocasse em nenhuma peça que tivesse em contacto com o exterior. Quanto ao clarão do raio (à noite), cheguei a ler, algures, que alguém ficou cego, definitivamente, nos EUA. Também, devido ao intenso calor desenvolvido (cerca de 35000º C para uma intensidade de 250000 A), o ar, pura e simplesmente, explode e pode derrubar uma pessoa com a sua expansão brutal, tal como sucede com um explosivo potente. No meu caso era de dia, logo o clarão não prejudicaria tanto os olhos. Quantos aos ouvidos, sim, poderiam sofrer.
    Costumo ser cuidadoso, mas naquela altura entusiasmei-me e não avaliei bem o trajecto. Não se torna a repetir. No fundo, também estava assustado, no meio de uma charneca cheia de sobreiros, pinheiros e postes de alta tensão, um céu muito escuro e riscado por descargas e chuva forte. Tinha grande probabilidade de ter um raio quase ou mesmo sobre o carro. Assisti a uma descarga (raio) a cerca de 300/400m, talvez, e fiquei pouco à vontade. Mas tinha que conduzir e sair dali o mais rápido possível, com o meu primo literalmente a tremer (já lhe pedi desculpa:(). Tudo não durou mais do que 5/6 minutos que pareceram uma eternidade. É, de facto, mais seguro fotografar/filmar as descargas a uma distância razoável, isto é, fora da acção directa da trovoada, com uma câmara que permita um zoom razoável (tenho que a adquirir!). Já bem basta apanharmos uma tempestade de surpresa.

    Obrigado pelo vosso interesse.
     
  8. Quimera

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    Se havia postes de alta tensão então o mais provável é caírem lá.
     
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  9. Agreste

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    Apenas e só para os postes porque são metálicos. Mesmo assim é difícil e é mais provável descarregar na linha para-raios que guardam a linhas de alta-tensão.
     
  10. GFVB

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    Desculpem a ignorância, mas se em vez de falarmos de um carro estivermos a falar de um metro de superfície/comboio? Quais as vantagens/desvantagens para quem circula nesses veículos com trovoada?
     
  11. Agreste

    Agreste
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    Super Célula

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    As vantagens é o tamanho do transporte (menos densidade de carga) e o facto das rodas não serem isolantes...

    A desvantagem também é o tamanho. Se toda a superficie for condutora, a área alvo da descarga é potencialmente maior...
     
  12. vitamos

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    Ainda sobre raios e carros, deixo este vídeo que encontrei no Youtube:




    Existem outros mas não posso garantir a autenticidade dos mesmos!
     
    #12 vitamos, 2 Out 2008 às 15:45
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:58
  13. Tiagofsky

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    Se tinham duvidas relativamente a este tema, vejam este vídeo do excelente programa inglês da BBC - Top Gear.
    www.youtube.com/watch?v=ve6XGKZxYxA

    Nota:Uma vez que não estou a conseguir pôr aqui o vídeo, ponham no youtube à procura "car lightning top gear" e vejam...aconselho vivamente!
     
    #13 Tiagofsky, 7 Out 2008 às 11:19
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 04:11
  14. c.bernardino

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  15. Aurélio

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    Se um raio cai directamente em cima de um carro com milhões de Volts, seria de esperar que o carro não sofresse qualquer dano ?
    Um coisa é um impacto indirecto, passar electricidade ou não passar .... outra coisa é levar com ele em cima !
     

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