Espécies Invasoras

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por MSantos 3 Fev 2015 às 16:26.

  1. MSantos

    MSantos
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    Super Célula

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    As invasões biológicas são um grande problema ambiental que põe em causa a biodiversidade, quem quiser contribuir para o mapeamento de todas as espécies invasoras em Portugal pode fazê-lo aqui:

    http://invasoras.pt/



    Fica também o tópico para toda a discussão sobre esta temática.
     
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  2. AJB

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    Nimbostratus

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    Baião
    Bem lembrado e muito oportuno:thumbsup:
    sugeria uma leitura atenta das INUMERAS especies invasoras, indigenas tec que temos por cá e depois sim mapear...
    a velha questão é o Eucalipto...ha quem considere invasora, outros são contra...enfim, é para todos os gostos!
    Para mim é sem duvida invasora!
     
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    Miguel Isidoro, MSantos e Pedro1993 gostaram disto.
  3. frederico

    frederico
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    Cumulonimbus

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    A minha opinião sobre o eucalipto.

    Em primeiro lugar o problema está felizmente confinado ao Litoral Norte e Centro. No Sul e no Interior a invasão pelo eucaliptal não tem a dimensão da invasão no Litoral Norte e na Beira Litoral.

    No Minho e Douro Litoral há muita pequena propriedade e o eucalipto ocupou os terrenos não cultivados ou que não são utilizados para pastagens, e que no passado estavam ocupados com bosques de carvalhos e de castanheiros, como sugerem descrições do século XIX. Esses eucaliptos não me parece que façam parte de qualquer exploração florestal e estão digamos semi-abandonados. Conheço um caso recente de um monte nos arredores da Maia rodeado por um destes eucaliptais abandonados que se mexeu para que os proprietários removessem as árvores porque em caso de incêndio poderiam pôr em causa as moradias. Por baixo do eucaliptal havia imensos carvalhos jovens e alguns sobreiros, curiosamente os proprietários dos terrenos removeram os carvalhos e deixaram os sobreiros.

    Portanto, penso que se estes eucaliptais fossem removidos e ficassem apenas as verdadeiras explorações, e os terrenos agora ocupados pelo eucalipto fossem utilizados como pastagens ou para a produção de frutas, ou ainda para a reflorestação com carvalho-roble, a paisagem, o ambiente e a economia teriam muito a ganhar. No entanto, Lisboa, os autarcas e as populações não estão preparados para esta mudança.

    Andei pela Galiza há tempos, pela província de Ourense, e a paisagem por lá praticamente não tem eucaliptais, mas os bosques de carvalho são enormes e o mosaico paisagístico é constituído por pastagens e carvalhais. Assim deveriam ser também o Minho e o Douro Litoral!

    O Minho tem um grande potencial agrícola que está por aproveitar. Derrubem-se então todos os eucaliptos!
     
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  4. belem

    belem
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    Cumulonimbus

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    Eu acho que isso depende muito das regiões, ainda há pouco tempo estive em Vieira do Minho, e vi muitos carvalhais. Em Vila Verde, também vi boas formações.

    E quem visita o Parque Nacional da Peneda-Gerês, verifica que no lado português, ainda existem bons carvalhais, enquanto no lado espanhol, não é isso que se passa.

    Perto de muitas vilas nortenhas, existem também ainda muitas zonas baixas, com cursos de água e várias árvores autótones de boas dimensões.

    Portanto, acho que isso é relativo (depende das regiões) e ainda que seja um problema real (o da eucaliptização desenfreada). Existem indícios da área de carvalhal estar a aumentar em Portugal (existe alguma regeneração da floresta autótone), mas devido ao abandono de terras e não a iniciativas levadas a cabo pelos produtores ou pelo municípios.

    No fundo, concordo com a ideia de que a política em relação à gestão florestal em Portugal tem que mudar e é necessária mais floresta autótone e menos eucaliptos, mas também têm que haver alternativas económicas para os silvicultores/agricultores.

    PS: Já fiz Lisboa-Lourdes (França) de automóvel, e posso dizer ao Frederico, que a zona mais extensa de floresta que vi, foi talvez em Portugal. Em Espanha só vi floresta assinalável perto de Burgos e depois já no país Basco (e Pirinéus). Eventualmente se tivesse ido pela parte mais Noroeste de Espanha, as coisas equilibravam-se um pouco, mas foi isto que testemunhei.
     
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  5. AJB

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    Nimbostratus

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    A questão do Eucalipto não é assim tão facil de resolver infelizmente! Vamos supor que tenho um terreno com eucaliptos no Entre Douro e Minho. Decido remove los para promover o crescimento do estrato arbustivo, que normalmente é dominado pelo carvalho-alvarinho! Até aqui tudo muito "pacifico"! O problema é na primeira época de crescimento pós-corte! O Eucalipto rebenta na sua base (ou toiça) e nascem várias varas. Estas passados 10 anos (no máximo) estão em periodo de corte novamente! Ora, o crescimento dos carvalhos que la existem será, na melhor das hipoteses, 1/3 dos eucaliptos (estou a ser otimista), logo estes serão "abafados" completamente! Onde entra, o Eucalipto só sai se retirarmos os cepos do solo e andarmos atentos a eventuais raizes que fiquem! É impossivel, economicamente, fazer isto à escala do Norte/Centro Litoral...convençam se que o Eucalipto jamais sairá das paisagens Portuguesas, e digo isto com mágoa!
    Sou eng. florestal de profissão, mas sempre gostei mais da conservação da floresta que da produção! Para os meus colegas dedicados à exploração/produção florestal, falar de Eucalipto é falar de uma espécie notável em termos produtivo! Eu não tenho essa visão pois sempre estive mais ligado à conservação/defesa da floresta...mas confesso que nesta zona acabou, é explorar isto ao máximo, mas que se poupem as outras regiões que felizmente não tem, bem como alguns sistemas montanhosos...
     
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  6. frederico

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    Cumulonimbus

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    O problema do eucalipto é acima de tudo um problema de ausência de Ordenamento e de distribuição da propriedade. Problema esse que já era reconhecido pelo Estado Novo!

    Belém eu também já vi essas formações de carvalhos, em Vila Verde, Póvoa do Lanhoso, na estrada de Fafe para Celorico de Basto, de Celorico de Basto ate Montalegre... Mas estão sempre debaixo de ameaça, pois o carvalho-alvarinho não está protegido pela lei, como o sobreiro, e isso faz muita diferença. Já agora, experimenta a estrada da Portela do Homem até Ourense, verás excelentes carvalhais.

    Voltando ao problema da propriedade. Em Portugal existe um problema absurdo com as heranças, em primeiro lugar há famílias que chegam a estar décadas para dividir bens, então as terras ficam abandonadas, depois da divisão vem a compartimentação mas como o mercado fundiário não é dinâmico e os preços estão distorcidos fica a pequena propriedade, cuja exploração agro-pecuária não é rentável! Então muitos destes «quadradinhos» foram ocupados pelo eucalipto, ou porque estão abandonados ou porque o eucalipto dá um rendimentozinho de dez em dez anos sem qualquer esforço.

    Ora uma coisa são as grandes explorações dde eucalipto, outra são estas pequenas culturas de eucalipto, que não interessam nada à economia do país! Haveria uma maior criação de emprego com mais criação de gado bovino para produção de carne, nós deveríamos importar menos carne... haveria mais emprego para veterinários, engenheiros zootécnicos, criadores... o Minho também poderia produzir mais fruta, o que daria algum emprego sazonal, e haveria mais emprego para engenheiros agrícolas e agrónomos. E se houver um plano florestal para o roble dentro de algumas décadas a sua exploração madeireira pode ser sustentável, e a indústria do mobiliário empregaria mais gente e traria mais valor acrescentado, com a vantagem de estarmos a lidar com um produto que não teria muita concorrência internacional. É que países como a Índia e o Brasil, ao que parece, estão também a voltar-se para o eucalipto...

    Enfim esta é a minha visão, e é também a visão de muitos ambientalistas. Compreendo que o eucalipto seja um mal necessário por razões económicas, mas o problema ambiental aqui no Norte está acima de tudo nas nesgas, nas pequenas propriedades semi-abandonadas com eucalipto, e não necessariamente nas grandes explorações industriais que ocorrem, por exemplo, no distrito de Aveiro.

    EDIT.

    O sobreiro está a morrer no Sul do país.

    No Norte e Centro não há doença. O futuro da cortiça pode mesmo estar... nas regiões onde agora prolifera o eucalipto! Ou seja, nas Beiras, Trás-os-Montes e mesmo Douro Litoral e Minho...
     
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  7. MSantos

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    Super Célula

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    Depois do ano passada a vespa do castanheiro ter sido detectada no Minho agora está se a espalhar pela região que mais castanha produz em Portugal, o Nordeste Transmontano. :(

    http://ondalivrefm.net/2015/05/06/a-vespa-ja-esta-em-vinhais/

    Já não bastava o cancro do castanheiro (Cryphonectria parasitica) e a doença da tinta (Phytophthora cinnamomi) que há anos causam graves problemas na região, agora vem mais um problema... :(
     
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  8. james

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    O problema do eucalipto e que ele adaptou se extraordinariamente ao clima do Minho , CA cresce espontaneamente em todo o lado , e impossível erradicar por aqui uma arvore que gostou do nosso clima .

    A solução passa por adaptar o eucalipto a região e isso não e impossível , aqui no Minho ha montes de exemplos , onde não se faz produção intensiva de eucaliptos, o mesmo esta integrado pacificamente com as outras especies .
     
  9. MSantos

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    Super Célula

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    Ontem estive na Cantabria a realizar trabalho de campo e pude observar com grande surpresa qua aquela região está cheia de eucaliptos, é a região espanhola em que estive que vi mais eucaliptos, aliás parecia que estava no Minho tal é a similaridade da paisagem e a quantidade de eucaliptos, apenas quando se começa a subir a Cordilheira, desaparecem os eucaliptos e aparecem os carvalhos e as faias em grande numero.
     
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  10. AJB

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    Nimbostratus

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    Baião
    Galiza (Centro-Sul), Cantábria e Asturias (e parte do País Basco) tem um problema de Eucaliptos sem duvida, mas nada que chegue ao que po cá temos...um clima mais rigoroso e altitudes menos "amigas" da espécie, tornam a sua expansão mais limitada!
     
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  11. james

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    Cumulonimbus

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    Principalmente nos distritos do Porto, Aveiro e Coimbra , onde a floresta nativa( que era rica , devido a abundancia de agua ) foi quase totalmente arrasada devido a plantação de eucaliptos que cobrem serras e vales inteiros . Uma lastima !

    No Minho , apesar de condições favoráveis a propagação do eucalipto , ainda se observam em muitos sítios largas faixas de vegetação auctotene . E em muitos outros , eucaliptos a conviver com outras especies . E uma coisa que eu tenho andado a observar , nas zonas com maior HR ao longo do ano , o eucalipto parece que tem mais dificuldades em impor - se a outras especies .
     
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  12. MSantos

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    Super Célula

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    Sim, nós temos um problema muito maior com os eucaliptos, mas desconhecia que no Norte de Espanha houvesse tantos (se calhar devia saber, sendo eu engenheiro florestal a trabalhar em Espanha). :D

    De facto o clima lá é mais frio o que limite o eucalipto à faixa litoral abaixo dos 300/400m, acima dessa altitude os Robles imperam, infelizmente no Minho a área com carvalhos é pequena, foi em grande parte substituída pelos eucaliptos.
     
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  13. DaniFR

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    Nimbostratus

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    Universidade de Coimbra anuncia libertação de inseto contra planta invasora

    Investigadores de Coimbra obtiveram autorização para libertar o inseto que será o primeiro agente de controlo natural para conter a dispersão de "uma das piores plantas invasoras em Portugal", anunciou hoje a Universidade daquela cidade.


    Ao fim de "mais de 12 anos de estudos, avaliações de risco e pedidos de autorização, passando o crivo de autoridades nacionais e europeias", investigadores de Coimbra obtiveram "autorização para a libertação do primeiro agente de controlo natural" para conter uma planta invasora em Portugal e "o terceiro na Europa", afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota hoje divulgada.

    "A espécie-alvo do inseto, cuja libertação foi agora autorizada, é a acácia-de-espigas, um arbusto/pequena árvore australiana, que é uma das piores invasoras no litoral português", sublinha a equipa de investigadores envolvidos neste processo, que é integrada por especialistas do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da UC, coordenado por Helena Freitas, e da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

    Além de ameaçar a biodiversidade nativa, esta invasora "altera o solo e a dinâmica do sistema dunar, diminui a produtividade em áreas florestais e acarreta custos elevados para o seu controlo".

    A capacidade invasora desta planta está, "em larga medida, relacionada com a produção de uma grande quantidade de sementes, que se acumulam num banco de sementes muito numeroso, e que permanecem viáveis no solo durante muitos anos", explica Elizabete Marchante, investigadora do CEF.

    A autorização agora obtida é "um passo de gigante numa Europa muito conservadora em relação ao controlo natural de plantas invasoras" e "abre portas para a utilização desta tecnologia no futuro, para o controlo de outras espécies de plantas invasoras", sustenta a investigadora da UC.

    Este controlo natural, que consiste na libertação de um pequeno inseto australiano (Trichilogaster acaciaelongifoliae), "promove a formação de galhas (também conhecidas como bugalhos) nas gemas florais da acácia-de-espigas", impedindo a reprodução da invasora, explica Hélia Marchante, investigadora do CEF e do IPC, que trabalha com este inseto desde 2003.

    Os especialistas realizaram testes em outras plantas (na África do Sul e em Portugal) e asseguram que "o inseto não afetará espécies não-alvo".

    Este pequeno himenóptero, com dois/três milímetros, é "muito específico" e "precisa da acácia-de-espigas para completar o seu ciclo de vida".

    Em Portugal, "foi testada uma lista de 40 plantas incluindo espécies nativas e espécies com interesse económico, e apenas se observou a formação de galhas em acácia-de-espigas, o que corrobora a grande especificidade deste organismo", realçam as investigadoras.

    Com os últimos estudos, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e comparticipado por fundos europeus, "prevê-se que as primeiras largadas de insetos" ocorram em outubro, tornando Portugal no segundo país da Europa (depois do Reino Unido) a autorizar a utilização de um agente de controlo natural para conter uma planta invasora.

    Os métodos utilizados em Portugal para controlar acácia-de-espigas (controlo mecânico, por vezes, conjugado com controlo químico) têm-se revelado "ineficazes" e "muito dispendiosos", sobretudo porque "a germinação das sementes armazenadas no solo promove a rápida reinvasão das áreas intervencionadas".

    O controlo natural é uma "importante ferramenta/tecnologia para a conservação da natureza", sendo "sustentável e amigo do ambiente, quando utilizados organismos bastante específicos, como é o caso deste inseto formador de galhas", conclui a UC.

    RTP
     
  14. MSantos

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    Super Célula

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    Vinha agora publicar essa noticia mas o DaniFR antecipou-se! :)

    Este tipo de controlo natural trás sempre riscos, pois a introdução de uma nova espécie ainda que bem intencionada pode transformar-se numa nova praga, embora acredite que neste caso os estudos realizados indicam que esta espécie de inseto é muito especifica, só conseguindo completar o seu ciclo de vida nesta espécie de acácia.
     
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  15. frederico

    frederico
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    Cumulonimbus

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    Outro grande problema é o das mimosas! São uma praga, deveria ser crime, deveria haver multas pesadas! Esta praga dentro de alguns anos trará prejuízos brutais e pouco se fala no assunto.
     
    james e StormRic gostaram disto.

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