Fome continua a atormentar mais de mil milhões

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por belem 16 Out 2009 às 22:52.

  1. belem

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    Cumulonimbus

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    http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1390933

    Há alguns pontos em que discordo com o Jacques Diouf.
    O mundo actualmente produz o suficiente para alimentar mais de 2 vezes a população mundial.
    Toneladas de alimentos ainda viáveis para alimentação vão para o lixo, todas as horas.
    Penso que seria mais fácil, barato e eficaz distribuir alimentos para os casos mais graves e só depois então pensar em estratégias agrícolas mais produtivas. Aumentar a área arável à escala proposta, significa usar muito mais recursos naturais ( muitas vezes em locais onde eles já são naturalmente escassos) e não ter recursos humanos suficientes e capazes de cultivar com sucesso todas as parcelas de terreno. Quando é necessário o alimento urgente, porque há gente entre a vida e a morte, penso que não será muito viável apenas apostar em mais produção agrícola mas em soluções mais realistas a curto e médio prazo.
    Só depois então entra em jogo, a independência económica e alimentar já a longo prazo.
    Aqui a meu ver as soluções passam por uma agricultura sustentável, amiga do ambiente e bastante produtiva.
     
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  2. belem

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    Cumulonimbus

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  3. joseoliveira

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    Infelizmente esse cenário parece estar demasiado distante na medida em que a agricultura intensiva praticada em tantos países economicamente desenvolvidos e também os economicamente emergentes, para atingirem um patamar de exportações determinado pelos mercados como economicamente viável, os números suplantam a qualidade dos produtos, o que aliás é um problema já muito velho.

    De momento não sei em que situação ficou o tema quente dos AGM's visto ter-se ponderado há uns anos atrás serem utilizados como resposta a programas de combate à fome em diversos países em situação mais urgente.
    Claro que muitas vozes se levantaram na altura, mas pouco depois não se voltaram a ouvir e não creio que isso seja sinal de que tudo está bem nesse campo!

    Uma agricultura mais amiga do ambiente, parece haver um pouco por todo o lado os defensores da qualidade, mas não garantem um preço de mercado aceitável para escoar os produtos o que leva a que muitos países subdesenvolvidos a optarem por valores de produto menos dispendiosos mas por vezes colocando em risco a saúde pública e que não se pense que nós portugueses estamos livres disso...:(
     
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  4. belem

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    Cumulonimbus

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    Em algumas regiões do mundo utilizam-se OGM, em outras nem por isso.



    Acho que não entendeste o queria dizer.
    Esse tipo de agricultura ( que nem é assim tão abundante como isso, infelizmente), é uma medida de urgência tendo em conta o curto prazo para acabar com o problema da fome.
    Não chega apenas distribuir alimentos para as situações mais urgentes, é importante também garantir que depois essas pessoas possam produzir o seu alimento, ter um futuro mais independente e autosuficiente senão torna-se um ciclo vicioso sem remédio e que é muito dispendioso para todos.
    Como solução e adaptada às características locais ( aproveitando também a possibilidade de cultivar variedades silvestres locais alimentícias de alto teor nutritivo) penso que está um tipo de agricultura biológica, em que a climatologia local, por exemplo, é aproveitada ao máximo.
    Em locais demasiado áridos, um sistema de rega simples assim como sementes adequadas a essas condições, poderiam ser fornecidos.
    Existe um enorme potencial genético a nível de novidades agrícolas em muitos países desses, que crescem selvagens no campo e que poderiam ser aproveitadas a baixa custo de produção e respeitando o ambiente.
    Depois então, com as necessidades básicas já resolvidas, já se pode pensar em exportação.
    Aí os obstáculos já tomam outra dimensão, mas isso também já é uma questão fora do âmbito deste tópico.
     
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  5. Agreste

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    A baixa produção agrícola de muitos países aparece muitas vezes associada à posse da terra. E aqui nem sequer é necessário sair de Portugal. Ou porque as propriedades são muito pequenas e não existe rendimento possível ou porque são demasiado grandes e funcionam em monocultura aumentando o risco de prejuízo face à antecipação possível do preço do mercado na altura da colheita e face às pragas e doenças que se possam desenvolver em função das condições atmosféricas...

    Fora da Europa, onde os preços são regulados, o jogo do mercado só permite o funcionamento de monoculturas de grande escala, o mercado natural dos OGM's.

    Penso que isto devolve-nos novamente à posse da terra. Aumentar a área arável é perfeitamente possível e isso significa partilhar os recursos nomeadamente a água.

    Mas é curioso que a proposta actual da UE é precisamente a de reduzir a agricultura europeia aos solos rentáveis, maioritariamente no centro e norte da europa, eliminando a agricultura mediterrânica, introduzindo o mercado puro e acabando com a regulação e as ajudas à produção. Neste contexto os produtos certificados acabariam por desaparecer em favor do mercado rentável.
     
  6. belem

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    Claro que aumentar a área arável é possível, a questão é que a agricultura mundial já produz o suficiente para alimentar 2 vezes a população mundial.
    Daí que penso que a prioridade não é aumentar a área arável ( que muitas vezes custa imensos recursos), mas aproveitar melhor o que é produzido.
    Há muita comida que vai para o lixo e há armazéns com cereais a apodrecer...
    Claro que estou a falar dos países mais afectados pela fome, em que a agricultura competitiva ainda é uma miragem.
     
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  7. Vince

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    Discordo radicalmente. O fim do absurdo sistema de subsídios na UE e EUA poderia tirar da fome centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento. É apenas uma forma de proteccionismo, e ainda tem a lata de falar nos pobres dos países subdesenvolvidos.

     
  8. Agreste

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    A agricultura europeia é proteccionista e ainda bem. Cultiva o gosto pelos produtos de origem demarcada apoiando-os ao mesmo tempo que compensa a agro-indústria com preços de mercado acessíveis de modo a impedir as deslocalizações. Não aceita os transgénicos como evolução e tem o mais exigente sistema de controlo da qualidade dos produtos alimentares do mundo. O mundo rural europeu acabaria no exacto momento em que o mercado agrícola fosse livre tal como aconteceu com o acordo de comércio livre com a China.

    A guerra pela posse da terra e de outros recursos naturais podem isso sim retirar muita gente da pobreza. Todos os países tem esquemas proteccionistas de produção e o proteccionismo como criação de vantagem económica não é nenhum segredo.
     
  9. Vince

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    Furacão

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    Os subsídios fazem exactamente o inverso do que os seus defensores dizem fazer. São os grandes proprietários que recebem cada vez mais os subsídios (basta olhar para as estatísticas), grandes proprietários que produzem geralmente monoculturas, muitas vezes em excesso a ponto de se ter que deitar fora (daí a necessidade de cotas) enquanto milhões morrem à fome pelo mundo.
    E OGM's certamente existem muito mais em países com agricultura intensiva e subsidiada do que nos países em desenvolvimento.

    É apenas uma das centenas de contradições retóricas do pensamento ocidental dominante, falam muito nos pobres do mundo mas internamente defendem o proteccionismo. Tem pena dos pobrezinhos, emocionam-se com as imagens da fome, fazem uns festivais e uns donativos para aliviar consciências, mas não querem cá produtos chineses ou callcenters indianos, que nos tiram o emprego e dão cabo do nosso rico modo de vida. São contra a globalização como se a globalização não tirasse milhões da miséria na Ásia. São contra as deslocalizações das empresas como se por exemplo uma empresa alemã ou francesa que veio para Portugal não foi ela também uma deslocalização. Como em tudo o resto, trata-se apenas de defender o status-quo, criar fortalezas fechadas ao mundo, defender o modo de vida rico onde se chega ao cumulo de se subsidiar alimentos que são exportados para países pobres ou mesmo a subsidiar para não produzir. Tudo bem. Mas não falem dos pobres e que subsídios é que é bom, do papão do mercado, dos capitalistas, dos liberais e sei lá mais do quê. Hipocrisia. É simplesmente imoral muito do que é a PAC na Europa e os subsídios nos EUA. Se querem mesmo ajudar África por exemplo, acabem com os subsídios, a agricultura é a única coisa onde muitos países extremamente pobres podem ser competitivos.
     
  10. duero

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    Nao concordo en absoluto.:nono::nono::nono:

    1. El hambre no es problema técnico sino político. Que naciones como Brasil o Argentina haya personas que pasen hambre es inmoral, vergonzoso y criminal. Brasil o Argentina pueden alimentar a millones de personas. Argentina con una población de 40 millones de personas, puede alimentar a 300 millones de personas utilizando solo su Pampa Húmeda.

    2. Los culpables de ello son sus políticos, corruptos, ladrones y criminales. Nosotros no somos culpables. No creo que Portugal tenga culpa de la corrupción de Brasil ni nosotros de la corrupción en Argentina (200 años de independencia son suficientes).

    3. La PAC no es buena, creo que debe cambiar, pero.......EL MEDIO RURAL ES MAS QUE ECONOMÍA. Es historia, es cultura, es origen, son muchas cosas. Con ese analisis parece que la culpa del hambre en el mundo la tiene el agricultor de nuestros países.

    4. Soy proteccionista al completo. Si, lo soy. No quiero la globalizacion, ni para mi, ni para ellos. Debemos proteger nuestros productos. No me importan los chinos ni sus productos ni los de la India.

    5. Europa ha vivido DOS GUERRAS MUNDIALES, Alemania fue destrozada en la Segunda Guerra Mundial, y salio adelante sin ayuda.
    Mismo JAPON sufrio DOS BOMBAS ATÓMICAS (Hiroshima y Nagasaki), todo el país destruido, millones de muertos y miles de bombas, Tokio destruido.
    30 AÑOS DESPUÉS DE LA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ALEMANIA Y JAPON ERAN POTENCIAS ECONÓMICAS.

    6. Dentro del mal llamado Tercer Mundo, Sudamerica es lo mejor (mejor que Africa y Asia). Brasil o Argentina están por delante de países europeos del Este como Bulgaria o Rumanía. PERO ESOS PAISES NO TUVIERON GUERRAS MUNDIALES.

    7. Gran parte de la producción agricola de esos países no compite con las nuestras, pues son producciones tropicales como bananas, ananas y frutas tropicales que Europa no produce.

    El problema no es la PAC, ni es un problema técnico.

    ES UN PROBLEMA POLÍTICO Y ELLOS SON LOS RESPONSABLES.
     
  11. duero

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    Nimbostratus

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    Esqueciste dizer que os "pobrezinhos" indianos e chinos tenhen a BOMBA ATÓMICA, os maiores EJERCITOS DO MONDO, e o gasto da INDIA na área militar é moito superior ao gasto en sanidade o educaçao.

    Agora se eles tenhen fome poden comer as bombas atómicas e os tanques e os submarinos e os avioes e tudas as bombas dos seus grandes ejercitos.

    Eu nao gosto de ajudar a esos "pobrezinhos" paises. O único que eu gostaría de ajudar e COSTA RICA, eles nao tenhen ejercito, e por iso COSTA RICA, é o pais mais desenvolvido de Centroamerica. Mesmo COSTA RICA fica en nivel de pib/per capita e IDH (indice desarrollo humano) por cima de paises europeos como Rumania, Bulgaria, Ucrania, Bielorrusia, Macedonia, etc...
    COSTA RICA FICA MESMO AO NIVEL DE CROACIA.

    SE OS CHINOS, OS INDIANOS OU OUTROS "POBREZINHOS" TENHEN FOME QUE COMAN OS AVIOES MILITARES, OS BARCOS MILITARES, AS BOMBAS TUDAS, DOS SEUS EJERCITOS.

    EU ESTOU FARTO DE "POBREZINHOS" QUE NAO TENHEN PARA COMER MAIS TENHEN GRANDES EJERCITOS E BOMBAS ATÓMICAS.

    Agora o Pakistao ten urgencia alimentaria, sanitaria e outras coisas por as inundaçoes, moitas personas morreram e moitas casas destruidas. Eu nao ajudaria nada, nada. PAKISTAO MESMO TEN A BOMBA ATÓMICA, UN EJERCITO GRANDISIMO E O GASTO DO PIB ARMAMENTISTICO E SUPERIOR AO GASTO EN EDUCAÇAO, SANIDADE E INFRAESTRUCTURAS.

    EU AJUDARIA SE FOSE COSTA RICA, MAIS POR PAKISTAO, CON BOMBA ATÓMICA E MODERNOS AVIOES, E TAO GRANDE EJERCITO NAO TEHNHO PENA NENHUMA.
     
  12. irpsit

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    Concordo inteiramente.
    Transfira-se todos os grandes lucros dos exércitos, bancos e corporações para o bem comum do povo.

     
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  13. belem

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    Também estou completamente de acordo com o Duero.
    Mas atenção que muitos pobres da Índia não têm qualquer culpa da situação em que estão.
    Mesmo que o Estado indiano gaste dinheiro com bombas e exércitos, isso não significa que se deva abandonar a situação da pobreza neste país.
     
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  14. Mário Barros

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    Crise agricola mundial: cereais vão faltar este ano

     
  15. Vince

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    Furacão

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    As populações pobres desses grandes países não tem culpa das opções politico-militares dos seus líderes. E já nem falo de quem vende armas a esses países, muitas vezes de procedência ocidental.

    De qualquer forma proteccionismo e isolamento só incentiva conflitos, enquanto abertura e globalização tendem a diminui-los. As nações tendem a dar-se melhor quando falam, negoceiam e efectuam trocas comerciais umas com as outras. Foi assim com a própria Europa.
     

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