Furacão JULIA (Atlântico 2010 #AL12)

Tópico em 'Tempo Tropical' iniciado por MSantos 13 Set 2010 às 04:05.

  1. MSantos

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    Super Célula

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    Formou-se a Tempestade tropical JULIA, é a 10º Tempestade nomeada no Atlântico este ano.

    Neste momento encontra-se a Sul de Cabo Verde com ventos sustentados de 65km/h .

    Cabo Verde encontra-se sob Alerta de tempestade tropical, pois está prevista uma aproximação do sistema a algumas ilhas do Arquipélago (Maio, São Tiago, Fogo e Brava) à medida que se desloca para Noroeste fortalecendo-se.

    [​IMG]


    Deixo aqui o aviso mais recente emitido pelo NHC de Miami:

     
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  2. stormy

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    Super Célula

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    Boas:)
    A TS Julia deverá tornar-se num furacão nos próximos dias...apesar da localização bastante a leste e, portanto, mais susceptível de ser afectada pelo SAL ( apesar deste já não ser tão significativo agora como era em Julho ou Agosto).
    O que me despertou alguma curiosidade foi o facto dos modelos preverem um movimento para NW/N, que poderia levar o sistema até aos Açores....
    A ver vamos;)
     
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  3. Vince

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    O centro da JULIA está agora muito próximo das Ilhas do Fogo e Brava.

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    Animação IR desde as 03:00 utc
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    Pela animação de satélite da madrugada penso que para já nenhuma ilha foi afectada de forma muito preocupante/persistente por bandas de precipitação, embora da experiência de outros anos anos saibamos que não é preciso muito em Cabo verde para provocar problemas.
    O vento máximo sustentado mantém-se nos 35kt (65km/h).

    O "TROPICAL STORM WARNING" mantém-se em vigor para as ilhas do sul: Brava, Fogo, Santiago e Maio.




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  4. Gerofil

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    BOLETIN HURACAN JULIA ADVERTENCIA NUMERO 8 RESUMEN DE LAS 5:00 AM AST...0900 UTC...INFORMACION

    ...JULIA SE CONVIERTE EN HURACAN SOBRE EL ESTE DEL OCEANO ATLANTICO...LA QUINTA DE LA TEMPORADA DE HURACANES 2010 DEL ATLANTICO...
    LOCALIZACION...16.1 NORTE 29.0 OESTE CERCA DE 330 MILLAS...535 KILOMETROS AL OESTE DE LAS ISLAS DE CABO VERDE VIENTOS MAXIMOS SOSTENIDOS...75 MPH...120 KILOMETROS POR HORA MOVIMIENTO ACTUAL...OESTE NOROESTE O 295 GRADOS A 12 MPH...19 KILOMETROS POR HORAPRESION MINIMA CENTRAL...987 MILIBARAS...29.15 PULGADAS

    NHC


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  5. Vince

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    Furacão

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    A JULIA sofreu uma grande intensificação durante a noite e foi classificado como categoria 4. Pessoalmente estou um pouco céptico pois acho a estrutura um pouco fraca para tal categoria, parece-me mais um 3, e deteriorou-se ainda um pouco nas últimas horas. Mas o NHC baseou-se em técnicas de estimativa por satélite que costuma utilizar, portanto, eles lá sabem.


    Aparentemente desde 1950 que não ocorriam 2 furacões de categoria 4 em simultâneo no Atlântico. E provavelmente a JULIA bateu o recorde de ciclone mais intenso tão a leste. Mais tarde devem surgir confirmações destes dados.

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  6. Chingula

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    O Furacão Júlia deve merecer uma atenção especial...pois, na sua trajectória pode afectar o Arquipélago dos Açores na próxima semana.
    O conteúdo em água precipitável (da massa de ar), o vento e a agitação marítima, serão os parâmetros mais significativos, já em fase de enfraquecimento significativo da perturbação tropical...mas nunca fiando e os Açorianos têm experiencia histórica de episódios semelhantes...
    Cumpts
     
  7. AnDré

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    Desde ontem à tarde que a JULIA tem vindo gradualmente a perder intensidade.
    Está agora classificado como um furacão de categoria 2, e a previsão é que a diminuição da sua intensidade se mantenha, à medida que se vai dirigindo para noroeste.

    Mantém-se em aberto a possibilidade de este sistema vir a afectar o arquipélago dos Açores, embora seja expectável que lá chegue muito enfraquecido. Situação a acompanhar.

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  8. Zerrui

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    Olá MSantos:
    Se quiser ser correcto, chame-lhes "persistentes" ou "contínuos" ou "estabilizados em" e não sustentados. Não será muito importante mas é esclarecedor das características do vento ao dizer-nos que são firmes naquela velocidade. Sustentados serão eles todos, os ventos, por questões termodinâmicas. Ou será mais uma tradução "automática"?
    Zerrui
     
  9. MSantos

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    Ola Zerrui, não é tradução automática pensava que "sustentados" era o termo correcto e já o utilizei muitas vezes por aqui e nunca a moderação me chamou a atenção desse facto. Mas vou tomar em consideração o que disse;)
     
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  10. Vince

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    Penso que essa dúvida já surgiu no fórum há uns anos sem haver conclusões sobre o que seria mais correcto usar em português. O que se passa é que a definição de "Maximum sustained wind" criada pelos americanos para as medições de vento usadas na escala Saffir-Simpson de furacões é específica e exclusiva para os ciclones tropicais, e usam o "Sustained" precisamente para distinguir de outros termos normalmente usados sem ser em ciclones, sem ter que explicar tudo de cada vez que falam em vento. É uma média de 1 minuto, ao contrário da média de 10 minutos usada normalmente no seio da OMM.



    Eu sempre usei esse termo, não vejo qual é o problema, não me parece desajustado ou errado, e se calhar até é necessário usar um termo assim para distinguir de outros critérios de medição de vento. A ideia provavelmente foi mesmo essa, se alguém falar em vento sustentado sabemos que está a falar de vento de 1 minuto dum ciclone tropical, se falar vento médio ou vento contínuo provavelmente está a falar de vento medido da forma tradicional. Provavelmente seria até mais errado não usar o termo "sustentado" nestas circunstâncias.

    Em espanhol o próprio NHC também traduz da mesma forma para "vientos maximos sostenidos", os franceses também dizem "vents soutenus", não vejo porque nós não façamos o mesmo.



     
  11. Vince

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    A JULIA já perdeu a convecção quase toda e a circulação em superfície está também a alongar-se, sinal de que está a perder as características tropicais. O NHC emitiu o último aviso.

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    A baixa e vorticidade remanescente já não será absorvido pelo Igor como previsto nos modelos até ontem, aproximar-se-á dos Açores mas nos modelos parece ficar à deriva a sudoeste das ilhas até desaparecer.



     
  12. Vince

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    O remanescente do ciclone tropical JULIA desde ontem que tem criado convecção nas imediações de uma circulação em superfície não muito perfeita.

    Nenhum modelo a desenvolve à medida que rodeia o anticiclone deslocando-se para sudoeste/oeste. A probabilidade de se regenerar novamente como ciclone tropical é baixa, mas teria a sua piada.


    ECMWF

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    GFS

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  13. Zerrui

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    Cirrus

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  14. Vince

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    Furacão

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    Caro Zerrui, eu compreendo o seu ponto de vista, mas acho que neste caso nada há a fazer. A meteorologia é tão complexa que ao longo do tempo se tem que inventar nova terminologia, e a língua portuguesa, ou mesmo a ciência portuguesa, simplesmente não acompanha.

    Estou firmemente convicto que não estamos perante um problema de tradução, mas apenas perante um problema português que não criou o equivalente, como de resto acontece em muitos outros termos nesta área.

    Os americanos nestas coisas tem uma mente muito prática ao contrário da mente um pouco retorcida e burocrática dos portugueses que se for preciso perdem anos ou décadas a decidir criar uma nova designação.

    Havia que inventar um termo para os ventos medidos durante um minuto para os ciclones tropicais, inventaram, chamaram-lhes ventos sustentados, e ponto final. Os outros países traduziram, simplesmente isso. Chamar supercell a um meso-ciclone é acertado ? Não sei, podia ser megacell, mega célula, sei lá, podia ser tanta coisa, mas chamaram super célula e assim ficou, sem dramas linguísticos para ninguém.

    Já muitas vezes me tenho queixado aqui no fórum que há coisas da meteorologia que eu simplesmente não sei como se dizem em português.
    Em Espanha nota-se um esforço em acompanhar minimamente a evolução da ciência, aqui em Portugal nem por isso, a terminologia é a mesma de sempre, igual à de 30 ou 50 anos atrás, pouco mais existe do que depressão, anticiclone, frente fria e frente quente, como se a ciência meteorológica tivesse parado em meados do século XX. Em Dezembro do ano passado provavelmente ocorreu um fenómeno na região oeste que nos meios académicos internacionais chamam de "Sting Jet". Acha que existe um termo para isso em português ? Não, não existe obviamente.

    Tenho estado desde há uns tempos a tentar traduzir para português um glossário da NOAA, com muita dificuldade, se quiser dar uma ajuda, pode começar por aqui:

    Backing Winds, Barber Pole, Bear's Cage, Beaver's Tail , Bubble High, Capping Inversion, Clear Slot, Cold Pool, Collar Cloud, Core Punch, Derecho, Dry Line, Dry Punch, Dry Slot, Flanking Line, Forward Flank Downdraf, Ground Clutter, Gunge, Inflow Notch, Inflow Stinger, Jet Streak, Knuckles, Outflow Boundary, Overhang, Overrunning, Rope, Veering Winds, etc, etc...
     
  15. Zerrui

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    Cirrus

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    Olá Vince: Agradeço que tenha sido tão claro com o seu “ponto final”. Eu, apesar da minha formação específica, nunca senti vontade de usar um, mesmo depois de ler a sua tentativa de criar uma terminologia meteorológica onde eu não concordava com tudo... Foi claro. Aí, há quem ponha tudo no caminho devido! Eu deixei uma pista sobre o 'sustentado', afirmando que desde sempre se utilizou em inglês esse adjectivo para o vento e não só para 'um minuto' nas perturbações tropicais. Tenho indicado sempre os léxicos da OMM ou de Paris, ou de Londres, ou de Nova Iorque, ou de Madrid para nos esclarecermos pois não sou ninguém para impor a minha opinião. Gosto do Fórum e aprendi que há por aí várias pessoas que gostam de Meteorologia. Por elas, continuo a responder ao seu desabafo: super célula e meso ciclone não me causam qualquer confusão pois são fenómenos diferentes para mim. Não são opções de designação de uma mesma coisa. Aliás, em metrologia (de metro) meso tem significado quantitativo (concreto) e super é apenas uma apreciação qualitativa que até pode ser agregado a pequeno (super pequeno) tal como extra (XL e XS). Mas isto só teria relevância no caso de se tratar de um mesmo fenómeno.
    Depois, a sua lista, que deve ser longa, tem alguns termos que me obrigariam a reflexão e consulta que eu gostaria de fazer noutras condições. Sting jet, por exemplo, é um elemento novo na análise da atmosfera que ainda não saiu plenamente para o domínio operacional. Poderia adiantar qualque coisa como “retorno subsidente” para iniciar um debate. É um desafio que apreciaria se não corresse o risco de ler alguém a escrever-me que não, que tudo se passa num cantinho muito curto do conhecimento onde a resposta é outra e... ponto final! Este não é o local... Mas permita que lhe fale de dois bem simples, relacionados com o vento que está na origem deste 'drama linguístico´ e cujo desempate está ao alcance de uma consulta a um dicionário inglês-português razoável: veering e backing winds referem-se a ventos que, soprando da direcção D e mudando para a direcção E, o fizeram rodando no sentido dos ponteiros do relógio e no sentido contrário, respectivamente. Como diriam os franceses, vent dextrogyre e vent lévogyre. Em português, seria rondando pela direita e rondando pela esquerda. Como o dirão os navegantes? Rondando pela frente e rondando por trás?
    Claro que não se pode estar eternamente nesta dúvida. No entanto, só depois de alguém com poder atribuído o fundamentar é que aceitaremos um 'ponto final' na questão.
    Antes que me falem outra vez da 'pulga atrás da orelha', creia que dou por bem empregue o tempo que passei convosco.
    Zerrui
     

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