Lendas e Mitos em Portugal e nas Ilhas

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por algarvio1980 30 Nov 2007 às 23:56.

  1. algarvio1980

    algarvio1980
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    Super Célula

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    Decidi abrir este tópico sobre Lendas e Mitos em Portugal, cada um de nós pode contar uma lenda da sua terra, e assim cada um de nós fica a conhecer as lendas e mitos da região de cada membro, acho que é interessante este tópico já que eu conheço várias lendas aqui de Olhão, agora do resto do país, não:(:D

    Aqui fica a 1ª lenda e a mais conhecida em Olhão que já fizeram um filme sobre esta lenda, não se já estreou nos cinemas:huh:

    A Lenda da Moura Floripes

    No sítio do Moinho do Sobrado, havia antigamente uma casa, onde aparecia à janela, noite fora, uma formosa mulher vestida de branco.
    O único que se atrevia a andar por aquelas bandas à noite era um sujeito de meia idade - o compadre Zé - que se embriagava e adormecia na rua, sem receio.
    A mulher de branco aproximava-se do bêbado, fazia-lhe meiguices e até se sentava a seu lado.
    O compadre Zé contava a sua história sem convencer ninguém a deslocar-se ao local para a comprovar. No entanto, o compadre Zé tinha um amigo mais jovem que se iria casar brevemente. Aproveitando-se do evento, promete ao amigo oferecer-lhe um seu terreno como prenda de casamento, caso ele tivesse a coragem de o acompanhar a ver o fantasma.
    Este, transido de medo, lá foi à aventura, atendendo ao grande jeito que lhe fazia a prenda.
    Sentou-se numa pedra, junto ao Moinho do Sobrado, e esperou pelas doze badaladas. Nesse momento surge da porta do Moinho uma mulher vestida de branco até aos pés. O vestido terminava numa bainha esfarrapada, a cobrir-lhe os pés descalços. A mulher aproximou-se com a face envolta num véu e uma flor nos cabelos loiros.
    Julião, assim se chamava o amigo do compadre Zé, pergunta-lhe quem era e donde vinha.

    - Sou a desditosa Floripes - respondeu, numa expressão triste.

    - O que faz por aqui?

    - Sou uma moura encantada. Quando a minha raça foi expulsa da província, viu-se o meu pai obrigado a partir, sem poder prevenir-me. Eu tinha um namorado que também fugiu e aqui fiquei sozinha, à espera a cada momento que o meu pai me viesse buscar. Numa noite em que esperava, vi ao longe a luz de uma embarcação. A noite era de tormenta e o barco escangalhou-se de encontro aos rochedos. Não era o meu pai que ali vinha: era o meu namorado, que foi engolido pelas ondas. Soube o meu pai deste funesto acontecimento e vendo que não lhe era possível vir buscar-me, encantou-me de lá.

    Julião, penalizado com a triste história, logo pensou em oferecer-se para salvar a moura e perguntou:

    — Existe algum meio de a salvar?

    — Há sim - respondeu a moura.

    — Que meio?

    — É necessário que um homem me dê um abraço, à beira de um rio, e me fira no braço contíguo ao coração. Logo que tal aconteça, irei de imediato para junto dos meus familiares. Mas existe uma dificuldade.

    — Que dificuldade - perguntou Julião, quase resolvido a ser o seu libertador.

    — O homem que me abraçar e me ferir terá de me acompanhar até África, atravessar o oceano com duas velas acesas e casar comigo à chegada..

    — Isso é que eu não poderei fazer. Já tenho casamento marcado com a minha Aninhas.

    — Então continuarei novamente encantada – respondeu a moura soluçando – Até agora, ninguém se atreveu a tanto sacrifício!

    A moura continuou o seu encantamento durante muito tempo ainda, sentada no cais com os pés na água, esperando o seu pai voltar de África. Era por vezes vista no cais, sempre de noite, a conversar com um menino de olhos grandes e com gorro encarnado. Seria o menino algum mouro que ali também ficou encantado? Ninguém sabe responder...
    Alguns olhanenses mais antigos acreditavam tanto nesta lenda que diziam que a Floripes era vista também durante o dia a fazer compras em lojas, onde pagava com uma moeda de ouro e sempre desaparecia sem receber o troco. Ainda hoje, quando alguém por qualquer razão não recebe o troco, se diz "és como a Floripes, não queres a torna!".
    A Floripes foi também a personificação do medo do transcendente. Quando se quer acautelar alguém, ainda se diz "vê lá se te aparece a Floripes!".
    O Dr. José Barbosa conta no seu livro (Barbosa, 1993) esta história curiosa, ocorrida durante a Primeira Guerra Mundial: numa trincheira da Flandres defendida por soldados portugueses, numa noite invernosa, dois olhanenses que estavam de sentinela viram surgir da neve um vulto branco de mulher. O pavor de estarem a ver a Floripes paralisou-lhes por momentos a capacidade de premirem o gatilho! Foram os momentos necessários para compreenderem que o vulto também não seria um soldado inimigo. E foi assim que a Floripes salvou a vida a uma mulher belga que fugia do lado alemão!
    Talvez que este salvamento tivesse desencantado finalmente a Floripes, pois que há muito tempo a moura deixou de aparecer. Terá regressado finalmente à sua terra?

    Fonte: Elucidário, Cidade de Olhão da Restauração
     
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  2. MSantos

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    Aqui está a minha contribuição para este topico, a lenda da povoação onde sempre vivi:

    A LENDA DE LINDA-A-VELHA - LISBOA

    Numa casa acastelada, situada nos arredores de Lisboa onde nascia uma pequena povoação ainda sem nome, vivia uma recatada e esbelta jovem que cavaleiros e jograis cortejavam. A todos, com discreta delicadeza, rejeitava. Até que - há sempre um dia - apareceu um moço fidalgo, amável e bem parecido. Olharam-se, e logo, se amaram. Falaram os olhos e entenderam-se - a expressiva linguagem dos olhos! Só, depois de, à noite, o jovem lhe ter cantado madrigais, chegaram à fala. Confessaram, mutuamente, o súbito amor que brotara em ambos.
    Aconteceu que o enlevo foi fugaz. É que, entretanto, a rogo do papa, o rei tinha anuído a participar numa cruzada à Terra Santa, para libertar a Palestina das garras dos infiéis. Os fidalgos foram convocados e o jovem amador lá partiu, com o coração destroçado, mas animado pelas juras de inquebrantável amor. Da varanda da torre de sua casa, a jovem, entre lágrimas de saudade, viu a armada descer o Tejo e, de seguida, foi à capela rezar pelo êxito do seu bem-amado. Mas a nau em que este seguia foi surpreendida por uma tempestade à entrada do estreito de Gibraltar (então chamado Colunas de Hércules). Naufragou e a tripulação pereceu. Ninguém teve coragem, quando chegou a notícia, de lhe contar o nefasto acontecimento. Mas ela, com o passar do tempo, adivinhou-o. O amor, porém, não morreu e alimentou a sua alma, com tanto vigor que até conservava a sua juventude facial, inexplicavelmente.
    O corpo perdia o viço, os cabelos embranqueciam, mas o rosto permanecia sem sinais de velhice. O seu aspecto era o de uma "linda velha".
    Depois da partida do seu amado, a jovem castelã adquirira o hábito de se demorar, à tarde, na varanda da torre, contemplando o Tejo, na nostálgica expectativa de ver regressar o querido fidalgo. Com o avançar dos anos, já não era a esperança que a movia - era o hábito e a saudade. E as pessoas que passavam olhavam-na e comentavam, com admiração: como é "linda a velha"! E assim aquele casarão onde residia passou a ser conhecido pelo paço da "linda velha", que veio a dar o nome à povoação.


    "Lendas Portuguesas" Recolha de Fernanda Frazão
    Edit. "Amigos do Livro"
     
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  3. algarvio1980

    algarvio1980
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    O filme que referi:

    A película estreia em cinco salas nacionais, nomeadamente, Medeia King em Lisboa, Medeia Cine Estúdio Teatro do Campo Alegre no Porto e, no Algarve, nos SBC-International Cinemas do Fórum Algarve em Faro, no Algarcine (Cinalgarve) em Olhão e nos Cinemas de Portimão a 20 de Dezembro filme "Floripes"

    Vejam aqui o trailer do filme: [ame="http://www.youtube.com/watch?v=P-uBKruS-Fs"]YouTube - Floripes ou A morte de um mito - trailer inedito[/ame]

    Aconselhado a maiores de 16 anos, senão têm pesadelos à noite.
     
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  4. Mário Barros

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    Entre ir a uma aula de anatomia e ver esse filme prefiro a aula da anatomia ao menos aprendo alguma coisa :hehe::hehe:
     
  5. algarvio1980

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    Há mais de 15 dias que algumas salas de cinema esgotam, revelando-se o filme um êxito cinematográfico a nível regional.

    Desde a estreia da película algarvia 'Floripes', no dia 20 de Dezembro, até à noite de sexta-feira as sessões diárias das 22:10 têm estado esgotadas.

    A princípio o filme estava a ser projectado numa sala com 112 lugares, foi mais tarde mudado para uma sala menor (96 lugares) e depois voltou à sala inicial, informou fonte da bilheteira dos cinemas do Fórum Algarve, em Faro.

    Além da sessão diária foi acrescentada uma segunda sessão do filme 'Floripes', às sextas-feiras e sábados à 00:40, que também tem esgotado sempre, afiançou uma das funcionárias da bilheteira em Faro, Rita Guimarães.

    A afluência de espectadores algarvios ao filme rodado em Olhão, com 'sotaque' algarvio e legendado em português, é também, e principalmente, um fenómeno na cidade piscatória olhanense.

    A sala de Olhão onde passa o filme, com 260 lugares, está sempre lotada, obrigando mesmo muitas pessoas - aconselhadas pelo 'boca à boca' - a deslocarem-se às salas de cinema de Faro.

    "Vim de propósito de Olhão porque lá a sala estava cheia. Só vim ao cinema porque é um filme de Olhão com uma lenda da minha terra e temos de ajudar", lançou Paulo Jubilot, 35 anos, que confessou à Lusa já não vir há quase seis meses ao cinema.

    "Ouvimos falar do filme que era engraçado e em português. Vamos ver se é melhor do que aquele da Carolina - o 'Corrupção'", conta à Lusa o jovem Fábio, 19 anos e bate-chapas de profissão, que veio com a namorada Clara, 17 anos, estudante.

    A curiosidade, os falares com pronúncia algarvia como 'móce' (moço), 'tá tudo charingado' (está tudo estragado), 'tá o mar feto num cão' ou 'pádzé' (compadre Zé) e o facto de os actores serem todos de Olhão e conhecidos dos espectadores são os ingredientes apontados para o fenómeno cinematográfico regional.

    Entre o documentário e a ficção, um filme de Miguel Gonçalves Mendes conta a lenda que Floripes, uma moura enfeitiçada que vagueia por Olhão, todas as noites, triste e amaldiçoada, à procura do seu amor.

    Prisioneira do seu encantamento, ela representa o medo e o sofrimento daquela comunidade piscatória.

    Fonte: Observatório do Algarve

    Já fui ver é interessante ver a nossa cidade no filme ainda vai ganhar um óscar em Hollywood, ainda bem que tem legendas algumas palavras nem eu percebo:D
     
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  6. Marisitah

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    Cirrus

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    Angra do Heroísmo
    Lenda de Angra do Heroísmo
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    A lenda de Angra do Heroísmo é uma lenda da ilha Terceira, nos Açores. Versa sobre a cidade de Angra do Heroísmo e o Monte Brasil.

    Segundo a tradição, o príncipe dos mares vivia apaixonado por uma linda princesa de cabelos louros que vivia próximo aos seus domínios. A princesa, entretanto, não correspondia aos seus amores por já se encontrar apaixonada por outro príncipe. O senhor dos mares vivia consumido por ciúmes que muitas vezes o levavam à violência, e decidiu chamar uma fada ao seu reino marinho, com o objectivo de mudar o rumo aos acontecimentos.
    A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.
    Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.
    A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.
    Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"
    Aceitando o desafio com a cabeça e convidando o Senhor do Mar a assistir à vingança que ia preparar, a fada levou-o pela mão em direcção à praia onde estavam os dois apaixonados. Lá foram encontrar a princesa de cabelos soltos, dourados ao sol poente, levemente reclinada sobre o seu apaixonado.
    Rapidamente, a fada soltou a mão do Senhor do Mar e se precipitou sobre o par enamorado, fazendo um encanto: o príncipe ficou transformado num grande monte (o Monte Brasil) coberto de denso arvoredo, levantando-se altivo de frente para o mar. A princesa recusou-se a abandonar o seu apaixonado e ficou para sempre reclinada na posição em que se encontrava. Com o passar os milénios, transformou-se na baía e na cidade de Angra do Heroísmo. Encontram-se os dois unidos e embalados para sempre pelas noites e pelos dias, pelo eterno soluçar angustiado do Atlântico, príncipe e senhor dos mares.


    Lenda da Lagoa das Furnas
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    A Lenda da Lagoa das Furnas é uma tradição da ilha de São Miguel, nos Açores. Trata-se de uma tentativa popular para explicar as formações geológicas deixadas nas ilhas pelos vulcões que lhe deram origem e forma.

    Segundo a lenda, há muitos anos no local onde actualmente está localizada a Lagoa das Furnas, existia uma bonita aldeia onde as pessoas viviam felizes, faziam muitas festas e viviam quase sem trabalhar. Numa bela manhã de céu e sol claro, como era costume fazer na aldeia, um rapaz saiu de casa para ir a uma fonte próxima buscar água para as lides domésticas e para dar de beber aos seus animais.
    Mas a água que costumava ser sempre de agradável paladar estava estranhamente salgada, parecia água do mar e o rapaz teve uma premonição que ia acontecer alguma coisa estranha na sua aldeia e com os seus conterrâneos. Correu para casa dos seus vizinhos para contar o que lhe acontecera, o que vira e o que pensara sobre o caso. Ninguém acreditou nas apreensões do rapaz, e alguns dias depois ele teve de voltar à fonte para ir buscar mais água.
    No lago em frente à nascente, para onde corria a bica da água, os peixes saltavam na água e desta para terra, onde acabavam por morrer. Definitivamente convencido de algo ia acontecer à sua aldeia, correu para junto da população, mas novamente ninguém acreditou nele, a não ser o seu avô.
    O idoso disse às pessoas da aldeia que parassem com os bailes e com as festas; que um dos mais ligeiros habitantes da aldeia fosse a correr até ao pico mais alto em redor para ver o mar e olhar para o norte, para tentar ver se havia alguma ilha no horizonte, alguma terra à vista a norte. Como ninguém o levou a sério, só o idoso e o seu neto subiram ao monte mais alto.
    Quando lá chegaram, via-se no horizonte terra nova, uma ilha despontava pelo meio da bruma. Aflito, o idoso gritou para os aldeões que fugissem para a igreja, vinha aí grande desgraça, no horizonte encontrava-se a ilha encantada das Sete Cidades. Novamente ninguém ligou, nem ao idoso nem ao seu neto. Possivelmente nem o ouviram de tão alta era a música. Desceram ambos o monte, e depois de passarem pela igreja foram tratar dos animais e da vida imediata.
    Passou um, dois dias e nada acontecia. O rapaz e o avô resolveram sair da aldeia para levarem os animais ao mercado da aldeia vizinha e por lá se demoraram alguns dias a negociar. Quando voltavam à sua aldeia, à medida que se foram aproximando foram-se apercebendo que as coisas estavam diferentes. Havia terra revoltada e montanhas novas. Ao chegar ao lugar onde devia estar a sua aldeia, esta tinha desaparecido e no seu lugar encontrava-se uma grande lagoa de águas cristalinas e tranquilas. Fora um cataclismo que soterrara para sempre a aldeia.
    As pessoas da ilha de São Miguel, reza a lenda, acreditam que os aldeões continuam a viver debaixo das águas da lagoa, e que as borbulhas de gás vulcânico que se vê a sair da água são as pessoas a cozinhar lá no fundo. Dizem que os fumos, tipo fogo-fátuo que por vezes se elevam das águas junto com um cheiro a pão de milho cozido, são as mulheres a aquecer o forno escondidas nos fundos e nas reentrâncias da bela lagoa.


    As Lendas das Sete Cidades
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    Se o Vale das Sete Cidades é um dos lugares mais belos e pitorescos da Ilha de S. Miguel, também é verdade que se diga que o mesmo passa por ser também, uma das regiões Açorianas que mais lendas conta no seu activo.
    Embora sejam apenas duas as mais divulgadas, o certo é que se conhecem seis. São todas elas, lendas de criação literária, porque; vendo bem, o Povo mal as conhece.

    Aqui vão elas:

    I
    Uma lenda muito simples, mas cheia de poesia , fala-nos do antigo reino das Sete cidades, cujos Reis possuíam uma filha muito linda. Essa princesa amava a vida campestre, motivo porque andava muito pelos campos, contemplando montes e vales, aldeias e costumes. Um belo dia encontrou um jovem pastor. Conversou demoradamente com ele e, dessa conversa nasceu o amor. Passaram, por esse motivo, a encontrar-se todos os dias, jurando amor e afeição mútua. Mas a Princesa tinha o destino marcado porque um Príncipe, herdeiro de outro reino, pretendia a sua mão. Havia, pois que suspender o devaneio com o pastor. Assim foi a Princesa proibida de se encontrar com ele, embora lhe consentissem uma despedida. Mas, ao encontrarem-se pela última vez, choraram ambos, tanto, tanto, que aos seus pés se formaram duas lagoas: - uma azul, feita das lágrimas derramadas dos olhos azuis da linda Princezinha; outra, verde, devido às lágrimas caídas dos olhos verdes do jovem pastor. Os dois namorados se separaram para todo o sempre, mas as lagoas feitas das lágrimas de ambos, essas jamais se separaram.

    II
    Outra lenda acerca da famosa região é a que nos fala de um reino da velha Atlântida, e que tinha como monarca o Rei Brancopardo e a Rainha Branca-Rosa. Ambos viviam no desgosto de não ter filhos. Uma bela noite, o Rei teve uma visão que lhe prometeu a vinda de uma filha muito linda, mas com a condição de só a verem quando completasse vinte anos. Até lá, a Princesa viveria em Sete Cidades, que o Rei, seu pai, mandaria construir. Brancopardo cumpriu o determinado:- mandou construir as cidades, enviou a princesa para as mesmas, sem a ter visto sequer - e aguardou que os vinte anos se completassem. Mas não pôde, coitado, chegar, ao fim de todo esse tempo. A ansiedade por ver a filha chegou ao ponto de lhe não caber no peito e, desafiando os deuses, caminhou para as Sete Cidades. Aí não o deixariam abrir os portões da muralha. E, no precioso momento em que ele os arrombava, um tremendo cataclismo vulcânico subverteu todo o reino. As Sete Cidades onde a princesa vivia ficavam precisamente onde hoje se abre a concha do maravilhoso vale. No fundo da Lagoa Verde ainda estarão os sapatinhos verdes que a princesa trazia nos pés, e, no fundo da Lagoa Azul, também estará o chapeuzinho azul que ela trazia na cabeça...

    III
    Quando Tarik e Musa invadiram a Península Ibérica, sete bispos Cristãos se teriam refugiado numa remota ilha - a Antília, ou Ilha das Sete Cidades. O desejo de alcançar essa ilha, tornar-se-ia, pouco depois, uma das maiores preocupações do Homem. Para o Oriente ficava o reino do Preste-João ; para o Ocidente, a Antília, até que um navio português - "Nossa Senhora da Penha de França" - depois de uma grande tempestade, aportou a ilha maravilhosa, onde esteve fundeado três dias. Dois frades teriam ido a terra, contactado com o Monarca, visitado palácios, deparado com tipos, costumes e linguagem muito semelhante aos dos portugueses. Ao fim dos três dias, mal os dois religiosos regressaram a bordo, a ilha desapareceu, como por encanto. Muitos anos mais tarde, o mesma ilha acabaria por revelar-se definitivamente aos portugueses.
    Acaso ainda hoje, a visão deslumbrante do Vale das Sete Cidades não aparece e desaparece, como região sobre que pairam, na verdade, a luz e a névoa de um estranho mistério ?

    IV
    Eufémia era jovem e formosa, filha do Rei Atlas e neta de Júpiter. A sua alma era tão bela, como o seu corpo e o seu espírito andava sempre tão alto que não quis casar com nenhum dos dez filhos de Neptuno, monarca de outros tantos reinos de Atlântida.
    Mas Eufémia foi abrasada, já no outro mundo, pela Fé Cristã, pelo que desejou voltar à Terra, para espalhar o bem: E o seu desejo foi satisfeito.
    Puseram numa ilha, chamada das Sete Cidades, onde a miséria e a dor desapareceram de todo. Decorridos tantos séculos, há quem acredite que a bela Eufémia habita ainda a ilha, transformada numa Solanácia, cujas folhas têm excelente aplicação medicinal. "Aquele que beber deste mágico filtro espiritual fica curado das suas mágoas, defendido dos seus infortúnios". Haverá, acaso, alguém que queira abalançar-se a desencantar a bela Eufémia, ainda agora transformada em erva bem-fazeja nos matos das Sete Cidades?

    V
    Genádio tivera uma mocidade de aventuras. Filho mimado e rico, possuía, além do mais, poderes especiais de migromante. Mas, certo dia, Genádio foi levado a mudar de vida. Fez-se padre e anacoreta, consagrando toda a sua existência ao Senhor. Tempos depois a fama das suas virtudes chegou ao conhecimento do Sumo Pontífice que o fez bispo, e mais tarde, arcebispo. Uma noite puseram-lhe uma criança recém-nascida junto da porta da Sé. Era uma linda menina, que logo foi recolhida. Rodeada de todos os carinhos, foi educada como princesa.
    E chegou a altura das hostes de Mafamede invadirem a Península. E então que o arcebispo Genádio reúne os seus bispos, prepara uma frota e faz-se ao mar levando consigo a sua menina. Vão todos desembarcar numa ilha onde cada um dos referidos bispos funda sua cidade.
    Entretanto a menina cresce. Cresce e sonha. Sonha e espera. As suas confidências pare com as aias chegam ao conhecimento do Arcebispo. Este, cioso da pureza da jovem, prepara-se para a defender de quem a possa pretender. E recorre às suas antigas práticas de malas-artes, conseguindo que a ilha se oculte a quem dela se aproximar. Mas uma certa manhã, eis que surge uma caravela rumando para a ilha e que traz desenhada nas velas a Cruz de Cristo.
    Os sacerdotes oram nos túmulos. E quando a caravela já está perto da terra, Genádio recorre aos extremos do seu satânico poder. E a formosa ilha transforma-se em enorme vulcão cuja cratera é a própria região das Sete Cidades onde os bispos de Genádio haviam fundado as suas dioceses.

    VI
    A última lenda do ciclo das Sete Cidades é o romance da Ilha Encantada onde os marinheiros portugueses teriam aportado, aí deparando com cidades cheias de palácios sumtuosos. Os habitantes da terra, e os seus visitantes mutuamente se admiraram, mas eles temendo uma emboscada daqueles, depressa se fizeram ao mar, indo contar ao Infante tudo quanto haviam visto.
    Tomados de grande entusiasmo, os portugueses organizam então uma grande armada e rumam de novo à ilha encantada. Mas quando aí chegam, nem cidades, nem palácios, nem habitantes. Só a ilha existia, formosa como sempre. No extremo ocidental, em vez das cidades, apenas um abismo enorme tendo ao fundo dois lindíssimos lagos.


    Lenda do Reino de Atlântida e os Açores
    A Lenda do Reino de Atlântida e os Açores é uma lenda dos Açores. Ela tenta dar uma explicação para a existência do arquipélago. Muito antiga e de origem desconhecida, foi narrada por Platão, sendo já mencionada por este como uma história que lhe contaram.

    Na antiguidade teria havido um imenso continente (a Atlântida) no meio do Oceano Atlântico, em frente às Portas de Hércules. Essas portas, segundo mitos antigos, fechavam o mar Mediterrâneo onde actualmente se localiza o Estreito de Gibraltar.
    A Atlântida seria um lugar magnífico, com extraordinárias paisagens, um clima suave, grandes florestas de frondosas e gigantescas árvores, extensas planícies férteis, chegando a dar duas ou mais colheitas por ano, e animais mansos, saudáveis e fortes.
    Os habitantes desta terra paradisíaca chamavam-se atlantes e eram senhores de uma invejável civilização, considerada perfeita e rica. Tinha palácios e templos cobertos a ouro e outros metais preciosos como a prata e o estanho, e abundava o marfim. Produzia todo o tipo de madeiras tidas como preciosas, tinha minas de todos os metais.
    Dispunha de jardins, ginásios, estádios, boas estradas e pontes, e outras infraestruturas importantes para o bem estar dos seus cidadãos. A joalharia usada pelos atlantes seria feita com um material exótico e mais valioso que o ouro, apenas do conhecimento dos povos atlantes, que se chamava oricalco. A economia florescente proporcionava as artes, permitindo a existência de artistas, músicos e grandes sábios.
    O império dos atlantes era formado por uma federação de 10 reinos que se encontravam debaixo da protecção de Poséidon. Os seus povos eram tidos como exemplares no seu comportamento, e não se deixavam corromper pelo vício ou pelo luxo mas viviam num pleno e magnifico bem estar que o seu país perfeito lhe permitia.
    No entanto, não deixavam de praticar e de se ensaiar nas artes da guerra, visto que vários povos, movidos pela inveja e pela abundância dos atlantes, tentavam invadir a sua terra. Os combates de defesa foram tão bem sucedidos que surgiu o orgulho e a ambição de alargar os domínios do reino.
    Assim o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. E só não teriam conquistado mais territórios porque os gregos de Atenas teriam resistido. Os seus corações até ali puros foram endurecendo com as suas armas. Nasceu o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses.
    Poséidon convocou então um concílio dos deuses para travar os atlantes. Nele foi decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência das decisões divinas começaram grandes movimentos tectónicos, acompanhados de enormes tremores de terra. As terras da Atlântida tremeram violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra com ondas gigantes e engoliu aldeias e cidades.
    Em pouco tempo Atlântida tinha desaparecido para sempre na imensidão do mar. No entanto, como fora possuidora de grandes montanhas, estas não teriam afundado completamente. Os altos cumes teriam ficado acima da superfície das águas e originado as nove ilhas dos Açores.
    Alguns dos habitantes da Atlântida teriam, segundo a lenda, sobrevivido à catástrofe e fugido para vários locais do mundo, onde deixaram descendentes.
     
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  7. Gerofil

    Gerofil
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    Super Célula

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    Estremoz (401 metros)
    Pirâmide submersa com 60 metros de altura descoberta nos Açores

    [ame="http://videos.sapo.pt/DlmYZb7B2h61q8RkHau8"]Pirámide submersa com 60 metros de altura descoberta nos Açores - SAPO Vídeos[/ame]

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    É uma descoberta misteriosa que ressuscita a lenda da Atlântida: foi encontrada uma pirâmide submersa com 60 metros de altura e 8 mil metros quadrados de base ao largo dos Açores. A estrutura foi identificada por um velejador através de leitura batimétrica. O autor da descoberta não acredita que a pirâmide seja de origem natural.
     
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