Local mais quente de Portugal ? 50°C é possível ?

Tópico em 'Climatologia' iniciado por belem 10 Out 2007 às 20:38.

  1. psm Nimbostratus

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    Desculpa de corrigir só um pequeno pormenor, mas tudo o que seja rochas siliciosas não absorvem muito calor, já quanto ao calcário, e mesmo que sendo branco absorve imensa energia tem haver com a reação quimica do calcio em oposição ao silicio na absorção de energia:);).
     
    #241
  2. belem Cumulonimbus

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    Existem zonas no Douro com mais potencial do que essa.
    Embora sem dúvida que o aumento do caudal em algumas regiões pode ocasionar mudanças.
     
    #242
  3. irpsit Nimbostratus

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    Compreendo a tua razão para achares muito complicado ou quase impossível haver 50º em Trás os Montes, apenas só no Alentejo.

    Pois normalmente o Alentejo é mais quente, mas isso não quer dizer que em circunstâncias excepcionais se atinga temperaturas também iguais ou acima dos 45º noutros locais do país. Acho é bem díficil.
    Certamente que acima dos 40º atinge-se sim, em Trás-os-Montes, em alguns locais mais quentes.
    Afinal até alguns locais do Porto ultrapassaram-se os 40º naqueles primeiros dias de Agosto de 2003.
    Um microclima poderia aumentar a temperatura em pelo menos em 3-4º, mas mais que isso duvido.

    É uma questão de alguém tentar obter os máximos históricos de algumas destas estações de Portugal (Elvas, Estremoz, Foz Coa, etc...) e comparar.
    Aqui vão algumas das máximas oficiais de 2003: A maioria do país vai pelo menos 5º abaixo do Alentejo.

    Se houve 52º em Riodades, Amareleja então ultrapassava isso!

    Amareleja 47.5
    (Sevilha 47.0)
    (Badajoz 46.0)
    (Córdoba 46.0)
    (Jerez de la frontera 45.1)
    Beja 45.4
    Évora 44.5
    Lisboa 43.0
    (Murcia 42.0)
    Castelo Branco 41.6
    Portalegre 41.3
    Porto 39.5
    Bragança 39.5

    Curioso tb que na heatwave de 2007, vários locais na Europa de Leste tb ultrapassaram os 45ºC! Quem sabe chegou-se aos 50ºC em algum lado...
     
    #243
  4. Dan
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    Máximos absolutos para algumas estações meteorológicas em Espanha:

    Badajoz - Talavera la Real / B. Aérea 44.8 (01 ago 2003)
    Córdoba / Aeroporto 46.6 (23 jul 1995)
    Sevilla / Aeroporto 46.6 (23 jul 1995)
    Sevilla / Morón de la Frontera / B. Aérea 46.6 (19 jul 1967)
    Sevilla - Tablada 45.4 (23 jul 1995)

    http://www.aemet.es/es/portada
     
    #244
  5. Gerofil Super Célula

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    As zonas onde se podem registar as temperaturas absolutas mais elevadas são as que coincidem com vales encaixados e não em áreas planas (tem de corresponder a sítios onde seja possível formarem-se “bolsas” de ar quente subsidentes que ficam retidas pelo próprio relevo). Assim, troços de rios ou de ribeiras bem encaixadas nas bacias do Guadiana, Tejo e Douro, nos seus troços iniciais dentro de Portugal Continental facilmente atingem temperaturas na ordem dos 45 ºC nos dias mais quentes do ano.
    Acontece que esses mesmos locais poderão é não apresentar todas as condições que se considerem válidas para a localização de uma estação meteorológica.
     
    #245
  6. belem Cumulonimbus

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    Os primeiros troços são de facto quentes, mas só são os mais quentes no caso do Tejo, porque tanto no Guadiana como no Douro, ainda ficam a alguns kms da fronteira.
    Quanto às condições para uma estação meteorológica é uma questão de averiguar fazendo trabalho de campo no local.
    Mesmo que não sejam reunidas condições para tal, seria interessante fazer registos para conhecer a climatologia da zona.
     
    #246
  7. belem Cumulonimbus

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    #247
  8. HotSpot
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    Gostei particularmente desta parte:

    [​IMG]

    A minha estação assim o confirma...:D
     
    #248
  9. Aristocrata Cumulonimbus

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    Haverá dados nalgum lado sobre as temperaturas sentidas em 2003, durante a vaga de calor, especificamente para Mirandela, Vila-Flor e outras localidades da chamada "terra quente transmontana"? Penso que os vales do rio sabor deverão ter temperaturas muito altas - mas não tenho dados concretos para afirmar isso, só a minha percepção...

    Perdoem-me só mais uma pergunta: já alguém fez um estudo do impacto da massa de água do Alqueva no clima e, especificamente, nas temperaturas do interior Alentejano?

    :)
     
    #249
  10. HotSpot
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    #250
  11. belem Cumulonimbus

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    Assim por alto pelo que li, o Alqueva só terá uma influência assinalável em áreas relativamente próximas da barragem.
    A zona mais quente do Guadiana ainda fica a uns bons kms para que pudesse ser influenciada.
    Mas claro que isto é um assunto algo delicado que exige mais anos de estudo.
    Relativamente à vaga de calor de 2003, acredito que o Vale do Côa e mais algumas regiões tenham atingido bons valores.
    Para terem uma ideia da facilidade com se chega a valores altos em alguns vales ou encostas desta região, lembro-me de uma Volta à Portugal de bicicleta em que enquanto o país andava influenciado na sua fachada ocidental por nortada e o sul andava com valores pouco acima de 30, numa terriola da região quente do Douro, durante um troço da Volta, foi indicado que estavam 37 graus.
     
    #251
  12. Aristocrata Cumulonimbus

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    A minha dúvida em relação à terra quente transmontana, prende-se com o facto de ter constantemente temperaturas um bocado acima das regiões circundantes, nomeadamente no seu curso inferior, onde o calor se sente, de facto, durante o verão de forma marcada - até final de Setembro...
    Quanto ao resto, muito obrigado pela ajuda:thumbsup:
     
    #252
  13. belem Cumulonimbus

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    Programa de Conservação do Parque Arqueológico do Vale do Côa:


    «O PAVC localiza-se no Nordeste Português, numa zona também caracterizada pela existência
    de diversas fronteiras: desde logo a fronteira com Espanha, mas também as divisões administrativas,
    regionais, naturais e sócio culturais entre a Beira Alta e Trás-os-Montes e Alto Douro. Geomorfologicamente
    a área do PAVC integra-se na Meseta Ibérica, situando-se mais concretamente
    na Meseta Setentrional e na bacia hidrográfica do Rio Douro. Esta região possui atributos específicos
    que contribuem para a existência de um cluster climático, geomorfológico, orográfico e mesmo
    social, económico e cultural particular. De entre estes atributos destacamos as formações xistosas,
    o clima seco e quente e de baixa pluviosidade anual, especialmente nas zonas do vale de cotas mais
    reduzidas (Aubry et al., 2002a, p. 62), aonde no pico do Verão as temperaturas alcançam facilmente
    os 50ºC ou a pobreza dos solos que determinaram a implantação ao longo dos últimos dois milénios
    dum modelo de exploração económica do território baseado numa agricultura tradicionalmente
    assente em 3 grandes monoculturas (oliveira, amendoeira e vinha) adaptadas a estas exigentes
    condições.».

    «Clima:
    A monitorização da evolução e variabilidade anual, mensal e mesmo diária dos elementos climáticos
    é de grande importância para a conservação da Arte do Côa. O INAG (Instituto da Água)
    fornece já os dados relativos à precipitação local, obtidos através das estações de medição de Escalhão
    e de Castelo Melhor, que permitem calcular quer as médias anuais globais de pluviosidade
    quer a precipitação abaixo de determinada cota, ou seja no fundo do vale. Por outro lado, faculta
    ainda, através da estação hidrométrica de Cidadelhe, informações acerca do volume e fluxo do caudal
    do Côa. Todas estas informações podem ser facilmente acedidas no endereço electrónico do
    INAG (www.inag.pt) e contribuem decisivamente para definir o contexto climático de intervenção
    dos trabalhos de conservação da Arte do Côa.
    Estes dados são contudo insuficientes para a caracterização integral do regime climático regional
    e local. De facto as informações sobre a temperatura (variações anuais, mensais e diárias entre
    o fundo do vale e os planaltos adjacentes; entre e nos diversos Núcleos de Arte Rupestre; numa ou
    em várias superfícies gravadas) são fundamentais para compreender cabalmente os contornos climáticos
    microlocais e das quais o Programa de Conservação não pode obviamente prescindir. Como
    tal, foi implantado um sistema de monitorização da temperatura e suas amplitudes que compreende
    também competências na medição da precipitação e da humidade relativa de modo a complementar
    o retrato climatérico da região que os dados fornecidos pelo INAG já possibilitam no
    que diz respeito às duas variáveis referidas.»



    In Revista Portuguesa de Arqueologia volume 7.número 1. 2004

    http://www.ipa.min-cultura.pt/pubs/RPA/v7n1/folder/01.pdf
     
    #253
  14. frederico Cumulonimbus

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    9 Jan 2009
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    Porto

    Boa noite.

    Em 2001 fiz várias caminhadas no vale do Côa, no vale do Águeda e da Ribeira de Toirões e em vários pontos do vale do Douro na região fronteiriça, durante o final do mês de Junho.

    Recordo-me que na altura fiquei impressionado com a aridez e as temperaturas elevadíssimas daqueles vales, e com os contrastes paisagísticos que exisitiam entre os vales referidos e os planaltos e serras adjacentes. Recordo-me de sair de Figueira de Castelo Rodrigo para o vale do Águeda e passar junto de bosquetes bem desenvolvidos de carvalho-negral e de pouco depois estar perante uma vegetação que associava mais ao vale do Guadiana, com Cystus e azinheiras.

    Nesse dia que fomos ao Águeda, afluente do Douro que durante parte do seu percurso faz a fronteira com Espanha, estava muito calor. Numa região do vale muito rochosa e praticamente desprovida de vegetação o calor era infernal... as rochas libertavam energia térmica que tornava a paisagem ondulada, mais parecia que estava noutras latitudes... os grifos e os abutres-do-egipto aproveitam essa energia para planar e procurar alimento...

    A conjugação da ausência de vegetação, escarpas rochosas, elevada exposição solar e protecção contra os ventos tornam estes vales do interior excepcionalmente quentes.

    Por tudo isto, penso que é perfeitamente possível que algures num destes vales já se tenham atingido os 50ºC. Basta pensarmos que na Amareleja já ultrapassámos os 47ºC...
     
    #254
  15. Ronaldo Coutinho Cumulus

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    16 Fev 2006
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    São Joaquim/ 1345 m Brasil

    OCORRE ALGO PARECIDO AQUI EM SC, NO LITORAL SUL, VALE DO RIO ITAJAÍ E BAIXO VALE DO RIO URUGUAI (REGIÃO DE ITAPIRANGA), NO VERÃO TEM DIAS DE CALOR MUITO FORTE, NESTAS ÁREAS A MÁXIMA ABSOLUTA OSCILA ENTRE 40 A 46,5°C. HÁ O PAREDÃO DA SERRA E POUCO VENTO NO INTERIOR DO LITORAL SUL E NA REGIÃO DE ITAPIRANGA, A CIDADE FICA A 180 m, É UM VALE FECHADO E COM MUITAS ÁREAS DE ROCHA QUE AFLORAM, CONTRIBUINDO PARA DIAS MUITO QUENTES. A PIOR ONDA DE CALOR EM ITAPIRANGA FOI EM JAN/FEV DE 1952, 17 DIAS SEGUIDOS COM MÁXIMAS ENTRE 40,5 A 46,5°C.
     
    #255

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