O Conselho de Estado

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 25 Set 2012 às 23:17.

  1. frederico

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    Os que mataram o país e respectivos coveiros em conciliábulo
    Como diz um comentador deste blog- Floribundus- Vítor Gaspar devia repetir em público, na televisão, o que terá dito no Conselho de Estado de Sexta-Feira passada.
    Devia dizer o que explicou a alguns dos maiores responsáveis pelo descalabro a que assistimos em Portugal, hoje em dia.

    Poderia começar por dizer o que disse a Cavaco Silva ( ou o que não disse e deveria ter dito): que foi primeiro-ministro durante os anos de "vacas gordas" e não soube governar para o futuro mas apenas para um presente que agora temos. Como presidente poderia ter travado o combóio do descalabro que corria desenfreado, desde 2005 a 2011 e não o fez com medo de perder o poleiro.
    Poderia continuar com a actual presidente da A.R. Assunção Esteves, uma reformada da função pública de topo, do Tribunal Constitucional que temos e que foi casada com um socialista ressabiado com o antigo regime, José Lamego. A mentalidade de Assunção e de Lamego, em exemplo paradigmático, moldou o que somos como país " de esquerda". Um bloco central de interesses errados. Os amigos que foram de ambos são os beneficiários directos do regime que temos há dezenas de anos. De António Vitorino a Duarte Lima, passando pelos BPNs ( incluindo os BCP´s após take over), e pela esquerda do PS, dos Ferros Rodrigues e companhia.
    A seguir, teria dito ou deveria tê-lo, ao actual primeiro-ministro, Passos Coelho que apesar de não ser responsável por este estado de coisas, e ser pessoa estimável do ponto de vista pessoal, foi o exemplo dos que se formaram no regime que temos: sempre em actividade política nas J´s, aprendeu a fazer política do modo que sabemos e execramos. Pouco ou nada aprendeu de essencial na actividade empresarial por conta de alguns dos aproveitadores do regime ( BES e um tal Ângelo Correia com uma tal Fomentinvest, também alfobre de Relvas e quejandos). Passos é simultaneamente vítima e responsável deste regime, nessa perspectiva. Mas não pela crise tout court.
    Depois, ao presidente do tribunal Constitucional, Moura Ramos, um jurista regressado à Universidade de Coimbra no 25 de Abril, onde ensinava Direito Internacional Privado e ascendeu a presidente do Constitucional por força das forças da Maçonaria e afins- e só por isso.
    Ao provedor de Justiça Alfredo José de Sousa, acima de tudo magistrado, deveria ter dito que enquanto presidente do Tribunal de Contas fez um papel até certo ponto exemplar. Fez uma coisa que o actual- uma enguia- não fez: denunciar a inércia do MºPº de António Cluny ( um dos que escreve sobre corrupção mas denega na prática o combate à mesma no local em que tal poderia e deveria fazer-se).
    Aos presidentes dos governos regionais, particularmente a João Jardim, deveria apenas chamar-lhes uma coisa que todos entendem: palhaços ricos. João Jardim, aliás, já está habituado ao papel, na vida real do carnaval permanente.
    A Ramalho Eanes uma coisa deveria ser dita: foi e é uma reserva moral da nação. Um homem com uma dignidade política que só pecou por não se ter demarcado mais dos traidores do país, os sem pátria do PCP.
    Mário Soares merecia um discurso demorado de Vítor Gaspar se este o soubesse fazer, o que tenho a certeza não sabe ( Gaspar é primo de Louçã, não esquecer...): Soares foi o Kerenski português, de facto. Não entregou o país político ao PCP, como o real Kerenski fez no tempo dele, mas entregou o país económico e de modo irremediável, para sempre. Além disso e ao contrário do que a lenda alimentada por Vascos Pulidos Valentes pretendem, Soares é e sempre foi um ignorante de coisas básicas que não lhe sejam trazidas pelos Jeans Daniéis e que escrevem lá fora, particularmente em França, em jornais e revistas que Mário Soares provavelmente nunca pagou. Apesar de ter sido um viajante incansável sempre a expensas do erário público, pouco ou nada aprendeu porque para aprender é preciso saber já alguma coisa.
    Foi e é um dos principais responsáveis pelo descalabro porque foi actor imprescindível nas duas vezes por que passamos apertos financeiros e económicos e nada aprendeu com isso. O seu ministro das Finanças de 1978, Medina Carreira saberá muito melhor classificá-lo, mas por mim Vítor Gaspar deveria ter-lhe dito: V. é uma nódoa e como dizia Eça de Queirós, só sai com benzina. No caso com retiro e boca amordaçada para não continuar a dizer asneiras, confundindo-as com o o sentir de Portugal.
    A Jorge Sampaio deveria começar por lhe chamar "chorona". Não para o insultar mas para delimitar território afectivo que é o único que Sampaio conhece. Sampaio foi do MES, um movimento pró-comunista, trostkista qb e antepassado de um Bloco de Esquerda. Foi-o em idade adulta, sabendo bem ou tendo obrigação de saber que um país só produz se tiver estruturas adequadas a tal e não pode nunca viver acima das possibilidades reais do que produz. Sampaio já como presidente, numa altura em que a magistratura de influência ( a mais importante numa presidência da República) era fundamental deu o parecer mais errado que poderia dar: " há vida para além do défice", proclamou quando um governo que não lhe era afecto queria conter a despesa pública quando tal já era evidente como prioridade e essencial. Sampaio, como "chorona" de esquerda não quis saber porque pensava provavelmente que o dinheiro cai das árvores, sempre que se abanam. Para além de ter sido igualmente um viajante incansável sempre a expensas do erário público, pouco ou nada aprendeu com isso e o seu exemplo pessoal como presidente é desprezível nesse aspecto.
    A João Lobo Antunes deveria apenas dizer que é um pavão. Um exemplo típico do princípio de Peter e que sendo bom cirurgião ( o que se dá de barato) deveria ter ficado por aí. No entanto, por isso mesmo é um bom exemplo do português que contemporizou sempre com o descalabro, porque fascinado com um poder mirífico e parolo. Como ele, só um Canotilho ( que também já foi conselheiro de Estado, aliás).
    A Marcelo Rebelo de Sousa deveria fazer um discurso maior do que a Mário Soares. Marcelo é das figuras nacionais, uma das que tinha perfil para ser tudo, incluindo presidente da República. Por que não foi? Por causa de um fenómeno de personalidade já muito bem apanhado por um Artur Portela Filho numa historieta ficcionada e publicada em 1976 na revista Opção. É a história dos dez negrinhos e Marcelo sabe muito bem do que se trata. Acho até que demasiado bem. Para quem não sabe, pode sempre ler aqui. Mas atenção: é um indivíduo católico e que por isso se arrepende e comunga se preciso for. Compreendo-o muito bem e acho-o até simpático, por isso mesmo.
    A Leonor Beleza deveria dizer tão só uma coisa: perdeu a honra com o caso dos hemofílicos. Depois de dizer que queria ser julgada e ter como advogado o maquiavélico Proença de Carvalho uma das figuras pardas mais sinistras do regime, acabou por fazer tudo para a prescrição operar. E por um motivo que me parece o mais plausível: porque em consciência sabe que teve responsabilidades na morte de gente hemofílica. E tal é um peso que acho pouca gente deve poder suportar. Quem o suporta bem será por deficiência de personalidade, também.No entanto, agora tem um oportunidade de ouro para se redimir: ajudar aqueles que prejudicou mesmo por negligência.
    A Vítor Bento nada diria porque é-lhe semelhante: um técnico que não tem competência para mudar o rumo dos acontecimentos a não ser que o poder lhes caia no regaço e mesmo assim não sabem o que hão-de fazer, com visão de futuro.
    A Bagão Félix e Marques Mendes apenas isto: agora são treinadores de bancada mas quando estavam mesmo no banco não se distinguiram em nada de outros que por lá passaram. São apenas medíocres e sabem-no muito bem. Sobre Marques Mendes, Belmiro de Azevedo, em 2005 disse quase tudo: nem para porteiro dos seus supermercados o queria, sequer. Mendes é filho de um advogado de Fafe, tipicamente o PSD profundo, do que se arranjou com a situação subindo na vida e na escala social. Eram uns pobretanas de província, sem grandes meios e o partido deu-lhes tudo o que são e têm. Nos últimos anos não desdenharam as negociatas que se lhes depararam e Mendes é figura importante nas "energias renováveis" uma burla que José Sócrates impingiu ao país. Mendes, sobre isso, o que diz? Moita, carrasco. Mendes nunca ganhou tanto dinheiro na vida como nos últimos anos, provavelmente. E é esse o valor essencial do PSD profundo: ganhar dinheiro. Ângelo Correia? O exemplo máximo, a par de um Dias Loureiro, de um Oliveira Costa e tutti quanti. O PSD profundo é o partido mais corrupto que pode existir neste aspecto: não é criminalmente corrupto, como um PS, ( este partido, in totum, sempre que algum dos seus próceres mais distintos se vê em apertos judicários, reune-se em ambiente de situação e de perigo iminente para as hostes e reaje sempre como um corpo único alvo de ataque destruidor. Por isso arranja as teorias de cabala, sempre que nada mais pode fazer) mas é essencialmente corrupto porque legislou de modo a evitar a criminalização da actuação na promiscuidade suspeita e a evitar criminalizações de enriquecimentos ilícitos por causa do princípio da presunção de inocência, e de outros ainda mais sofisticados e que se ajustam às mil maravilhas à chico-espertice tuga. Todos esses princípios importados da doutrina alemã não encontram obstáculo num ditado popular que toda a gente conhece: " quem cabritos vende..." . O senso comum não lida muito bem com o senso jurídico da escola coimbrã, embrenhada no estudo teutónico cujos professores nos devem desprezar, mas enfim, já vem do tempo medieval e das discussões académicas sobre o real sexo dos anjos. Tem muito bons juristas, o PSD, a começar por Manuel da Costa Andrade, de Coimbra, o qual já tem um filho muito bem encarreirado na vida profissional: depois de ser sócio da PLMJ já saiu e com Diogo Leite Campos, também do PSD, trabalha por conta própria. E por mérito próprio, certamente e sem cinismo algum. Mas objectivamente as coisas são como são e são o retrato de um país, com personagens que contribuíram em elevado grau para aquilo que somos e onde chegamos. Os exemplos nesta espécie de elite universitária e de topo são às dezenas. Basta pegar num nome conhecido e perguntar onde estão os filhos. Geralmente estão todos muito bem. Felizmente. E com isto não pretendo insinuar a ocorrência de fenómenos endogâmicos espúrios à honestidade ética. Pretendo apenas indicar os caminhos do sucesso em Portugal: pertencer às elites, a certas elites que se firmaram no seio da política, essencialmente. Sem distinção relevante para os partidos do centrão. E quem está de fora, racha lenha, como se costumava dizer.
    Resta ainda dizer a este propósito que um certo Paulo Portas, no final dos anos oitenta e depois nos noventa do século passado, passou muitas quintas-feiras a fechar o semanário que então dirigia ( Independente) a escolher as manchetes de primeira página, a sairem no dia seguinte, geralmente com escândalos relacionados com gente do PSD. Teria feito o mesmo, agora, a propósito do caso dos submarinos e dos donativos para o CDS...se ainda fosse director de tal jornal. Por uma razão: o escândalo é maior do que algum daqueles jamais o foi.
    E tal ocorreu depois da entrada de Portugal na CEE. Mendes vivia em Lisboa nessa altura, como deputado ou coisa que o valha ( governante de maioria absoluta e por alguns anos). Era amigo de Fernando Nogueira, um bom-serás do PSD que chegou a líder por deserção de outros. Fizeram duas casas geminadas na zona de Caxias, nessa altura. Casas relativamente modestas, com arquitectura modesta e custos modestos. Mas nem assim se livraram de suspeitas de corrupção autêntica porque algumas das facturas da construção, por conta de firmas apanhadas nas "facturas falsas" não eram claras e indiciavam tal situação, de todo escusada. Não se logrou apurar nada de nada, mas ficou esse labéu, porque eram políticos e a estes não se admite o que aos restantes portugueses se admitia e admite ainda hoje: fugirem ao fisco, defraudarem o mesmo e aproveitarem benesses de mão beijada.
    A Pinto Balsemão era muito simples o que Vítor Gaspar deveria dizer: que tivesse mais vergonha e fosse apenas o que é: um antigo jornalista-proprietário que aproveitou o poder político para fazer fortuna nos media. Por isso mesmo é uma espécie de Berlusconi caseiro a quem o país nada deve e pelo contrário tem contas a prestar pelo tipo de informação que patrocinou nos últimos anos: de obnubilação e de manipulação informativa como dantes a RTP fazia no tempo da ditadura.
    É um dos maiores responsáveis pela ignorância do povo português, na medida em que os seus apaniguados televisivos ( tipo Anas Lourenços) só acordam quando o poder político que está não lhes agrada por colocarem em perigo o satus quo que conquistaram ao longo dos anos de protecção empresarial. ( o caso da RTP é exemplar).
    A Manuel Alegre nem era preciso muito: dizer-lhe apenas que é um balofo de voz cava e barítona. A poesia que escreveu não chega para o alcandorar a seja o que for, mormente deputado que pouco ou nada fez de relevante e que se saiba, durante decénios.
    António José Seguro, esse, é apenas um figurante. Uma espécie de boneco articulado de político estereotipado nas J´s, tal como Passos e sem consistência real. Um político bidimensional cuja essência é o discurso decorado para o desempenho teatral do papel que lhe incumbiram e que aprendeu.
    Para Luís Filipe Menezes, valem as mesmas considerações que para Marques Mendes, com um acrescento: é dos políticos mais perigosos que podemos ter porque populista no pior sentido do termo e desprovido de algo essencial: a credibilidade intrínseca das pessoas de bem que buscam o poder para o bem comum e por isso desinteressadamente.

    E era tudo. Suspeito que Vítor Gaspar nada disse disto e fez um discurso centrado no nosso estado de bancarrota explícita. Mas isso todos sabiam, já. Ou não sabiam?



    Fonte: blog Porta da Loja
     

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