Possiveis causas das inundações urbanas em 18 de Fevereiro de 2008

Tópico em 'Meteorologia Geral' iniciado por MSantos 19 Fev 2008 às 00:47.

  1. MSantos

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    Super Célula

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    Se estes 100mm tivessem, ocorrido durante a preia-mar e durante as marés vivas eu nem quero imaginar as horríveis consequências...
    Apesar de ter chovido de forma nunca antes vista nalguns locais, tendo mesmo sido batidos recordes de precipitação, penso que se houvesse uma maior preocupação com o (des)ordenamento do território os danos podiam ser minimizados

    Alguns factores que levaram ao agravamento da situação:

    A quase total impermeabilização dos solos nas zonas urbanas;
    A construção nos leitos de cheia dos rios e ribeiras;
    Péssimos sistemas de drenagem de águas pluviais;
    Grande acumulação de lixos e outros detritos nas ribeiras, que impedem o escoamento normal da água;
    Ignorância das populações, sobre as causas e locais, onde podem ocorrer inundações relâmpago
    Sistema de alertas lento e pouco abrangente e eficaz;
     
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  2. psm

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    estoril ,assafora
    Re: Possiveis causas das inundações urbanas em 19 de Fevereiro de 2008

    só mais uma pequena ajuda. e se os solos estivessem saturados de agua nos sitios ainda não impermializados?

    as mentalidades demoram tempo a evoluir.um pais só é desenvolvido quando essas mesmas mentalidades evoluirem (todos nós) tanto a nivel de ambiente, como em cultura, como em habitos de fazer desporto e de civismo a todos nìveis.somos o pais com menos voluntarismo da europa dos 15.
     
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  3. Mário Barros

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    Furacão

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    Re: Precipitação forte e máximos históricos a 18 Fevereiro 2008

    Cheias de 18 de Fevereiro de 2008

    Após uma prolongada aglutinação anticiclónica (AA) que durou grande parte do início do ano de 2008, veio uma chuvada que provocou cheias no dia 18 de Fevereiro de 2008. O Instituto de Meteorologia (IM) chama-lhe «Precipitação forte em Portugal».

    Mas as regiões do País mais afectadas foram as de Lisboa e de Setúbal. Segundo o IM bateram-se recordes de precipitação que recuavam a 1864. O anterior recorde era de 110 mm e passou para 118 mm de precipitação (não é claro qual foi o intervalo de tempo).

    O IM refere uma depressão que caminhou do Oeste da Madeira para Nordeste. É pena não se indicar o valor da depressão. Deve ter sido bem cavada.

    Mas ficou por explicar como se passou de uma situação de estabilidade anticiclónica para uma de depressão tão cavada.

    O fenómeno é semelhante ao que acontece quando termina uma onda de calor mais ou menos prolongada provocada por pressões atmosféricas elevadas das aglutinações anticiclónicas (AA).

    As AA fortes e persistentes não permitem a entrada de ar fresco oriundo do Oceano Atlântico. O ar dos recentes Anticiclones Móveis Polares (AMP) vai-se aglutinando de acordo com as respectivas menores densidades relativas.

    Mas, aparecendo um ou mais AMP intensos, com densidades de ar mais elevadas, a AA rompe-se e deixa-os passar. Com eles são arrastadas as depressões que os contornam e se formam nas suas partes laterais.

    Se os AMP são suficientemente fortes (quanto mais fortes forem as pressões anticiclónicas mais cavadas são as depressões) atravessam rapidamente as antigas AA. Então, as depressões D escapam-se do corpo principal do AMP. Tal acontece no Inverno.

    Deste modo, as precipitações provocadas por depressões cavadas dão origem a cheias rápidas como lhes chamam os especialistas na matéria.

    Foi o que aconteceu no dia 18 de Fevereiro de 2008. Os AMP desceram até à Península Ibérica por não serem capazes de romper o núcleo centrado a Norte sobre a Grã-Bretanha.

    Passada esta fase de rompimento da anterior AA, formou-se nova AA. Daí que as eólicas tenham novamente quase parado de rodar (Vide REN do dia 20 de Fevereiro de 2008).

    Desta vez foi o Diário de Notícias que se destacou a desinformar a opinião pública acerca da cheia de 18 de Fevereiro. Lê-se neste jornal, na notícia intitulada “Temporais vão ser mais frequentes”, o seguinte parágrafo:

    «Com o aquecimento global esta situação tem tendência a aumentar e a piorar reforça ainda Francisco Ferreira, dirigente da Quercus, associação ambientalista».

    Já lá vai o tempo em que os professores nunca falavam em público – a começar perante os alunos – de assuntos que não conhecessem aprofundadamente.

    Não há nenhuma explicação plausível para que num cenário de aquecimento global surjam mais episódios de cheias. Antes pelo contrário. Não é no Verão que surgem cheias frequentes. Nem é no deserto do Saará que chove mais, apesar do aquecimento que por lá se observa.

    A grande cheia de 1967 da região de Lisboa – quando se registaram 700 mortes – verificou-se durante um período de dezassete anos, de 1960 a 1976, em que se registou uma descida pronunciada de temperaturas (Vide Fig. 3).

    Nessa altura o alarmismo era sobre «arrefecimento global». A catástrofe então anunciada seria a da entrada numa nova idade do gelo. Alguns dos alarmistas do frio dessa época são os mesmos que falam agora do calor. Tudo ser serve para amedrontar as populações.

    E em 1946, quando as emissões de dióxido de carbono eram muito inferiores às actuais, também já se verificavam cheias em Lisboa, como pode ser visto numa foto (Fig. 105) enviada pelo colega Medina Ribeiro, autor do blogue Sorumbático.

    Fig. 105 - Estrada de Benfica, Lisboa, 1946. Fonte: Medina Ribeiro.

    [​IMG]

    In: Mitos climáticos :palmas::palmas::palmas::palmas:
     
  4. AnDré

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    Re: Precipitação forte e máximos históricos a 18 Fevereiro 2008

    Um bom artigo, mas há aqui umas coisas com as quais não concordo.:hehe:

    Vou destacar a frase do senhor professor Francisco Ferreira: "Com o aquecimento global esta situação tem tendência a aumentar e a piorar".

    Pensando num sistema simples de moléculas, um aumento da temperatura, significa um aumento de energia no sistema (em joules), que vai induzir a uma maior cinética entre as moléculas. Vai daí, concordo com o facto de o professor dizer que a situação vai piorar. Agora dizer-se que vai aumentar, aí já não concordo. Da mesma forma que haverão depressões mais cavadas, também os anticiclones terão uma maior força. Vai daí, e a meu ver, o aquecimento global a verificar-se, provocará tempestades cada vez mais fortes, mas também periodos de seca cada vez maior. Isto, porque mais calor significa mais energia, energia essa se será distribuida tanto em sistemas depressivos como em sistemas anti-ciclonicos. Espero não estar a dizer nenhuma asneira.:hehe:

    "Não é no Verão que surgem cheias frequentes."
    Falso! Ou pelo menos não é totalmente verdade. Aplica-se em Portugal, mas não se aplica em regiões cujo clima é tropical, continental, sub-tropical... Onde as monções se dão no verão.

    "Nem é no deserto do Saará que chove mais, apesar do aquecimento que por lá se observa"
    Isto explica-se com a permanencia de sistemas anti-ciclónicos permanentes, evapotranspiração reduzida,.... enfim, um "n" número de factores. Se a precipitação ao nivel mundial aumentar, não creio que vá ser maior em regiões mundiais onde a precipitação é escassa. Irá intensificar-se sim, em regiões onde a chuva já é muito abundante. Digo, eu.
     
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  5. Dan

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    É bem verdade que os episódios de precipitação intensa estão associados a valores de temperatura relativamente elevada. No entanto, relacionar o aumento da temperatura com o aumento da frequência de fenómenos deste tipo numa região de clima Mediterrâneo já é um pouco arriscado. Até pode acontecer exactamente o contrário. Não devemos utilizar situações extremas, muito localizadas e com períodos de retorno de décadas, para provar tendências ou teorias de carácter mais global.
     
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  6. Vince

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    O artigo do Rui Moura foi movido para aqui. Deixemos o outro tópico só para discutir os valores da preciptação e à margem do aquecimento global.

    Quanto ao artigo do Rui Moura, concordo que a Quercus às vezes só diz disparates mas também acho que não era preciso uma explicação tão complicada, para mim foi uma vulgar depressão desprendida pelo Jet como tantas outras que encontrou elevados niveis de humidade e instabilidade, só que desta vez calhou as células explodirem em cima de grandes centros urbanos. Fosse 50 km antes no mar e ninguém tinha dado por nada de excepcional. Sempre aconteceu e acontecerá no futuro. Pode acontecer amanhã ou só daqui a muitos anos. Dará a impressão que acontece mais vezes mas são as cidades que são cada vez maiores e mais desordenadas. A Quercus deve-se concentrar nas causas das consequências e não nas causas das tempestades pois essas vão regressar com ou sem aquecimento global. Acusar o aquecimento global é desresponsabilizar os verdadeiros culpados do desordenamento e da prevenção.
     
  7. PedroNGV

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    Olá a todos!

    Esta é mais uma ocasião em que o chavão "aquecimento global" é utilizado para desculpar e desviar as atenções de políticas perfeitamente erradas!
     
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  8. Jota 21

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    Cumulus

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    Sou pouco entendido em meteorologia mas dos meus poucos conhecimentos gostaria de questionar aqui o seguinte:
    Tenho ideia de que a situação normal no nosso Inverno nas últimas décadas tem sido a de chuva provocada pela passagem de superfícies frontais associadas a núcleos depressionários que se deslocam á latitude mais ou menos das ilhas Britânicas.
    Isto é aquilo a que me habituei nos últimos anos pelo menos do que me recordo.
    Ora neste Inverno nada disso tem acontecido. Temos assistido nos últimos tempos a chuva provocada por depressões vindas de sul o que é o oposto do habitual.
    A minha pergunta é se isto se pode enquadrar nas alterações climáticas de que tanto se fala e se estas situações se irão tornar a norma no nosso país. Se for esse o caso assistiremos mais a precipitação no sul e centro do que no norte? O normal era chover mais no norte mas hoje em dia quase se pode falar em seca em algumas regiões nortenhas como Bragança, p.ex.
    Que implicações terá no nosso país a repetição de situações como estas?
    Tenho ouvido falar na desertificação do sul da nossa península mas o que se tem passado não é isso. Temos ouvido falar em inundações no sul de Espanha e no Algarve e esta semana na região de Lisboa e Setúbal. Amanhã e sábado vem aí mais. Os do norte queixam-se de falta de chuva...
    Sei que não é por um único Inverno que se pode dizer que isto passa a ser norma mas talvez seja um caso a estudar.
     
  9. Mário Barros

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    Parece que as catastrofes resultam para que se faça alguma coisa algo que eu já não duvidava eram mais uma 5 este ano mas apenas na capital e iam ver que o IM tinha o equipamento todo renovado...e para variar na foto estão bem presentes os mirones todos :lmao:

    [​IMG]
     
  10. Mário Barros

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    Furacão

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    [​IMG]

    Já aconteceu no passado o Algarve ter mais chuva que o norte penso que normalmente coincide com a El Niña tens o exemplo de 88/89

    O norte nesse acabou com 711 mm.

    E o Algarve acabou com 900 mm.

    http://snirh.pt/snirh.php?main_id=1&item=4.3.2&objlink=&objrede=
     
  11. Jota 21

    Jota 21
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    Cumulus

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    Onde é que se arranja esse boletim de precipitação? É para todo o país?
     
  12. Mário Barros

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    Furacão

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  13. Jota 21

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    Cumulus

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    Já vi o site. É excelente. Não devia ter perguntado onde se podia obter o boletim pois estava o endereço na base da página, mas não reparei.
    Obrigado!:)
     
  14. PedroNGV

    PedroNGV
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    Cirrus

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    Olá Mário!

    Esta é mais uma daquelas intervenções à portuguesa! Fazem o desassoreamento do canal (sim, porque esse local de rio natural já não tem nada!) hoje depois esquecem! Faz-me lembrar o acarreio de areia para o litoral! Ainda não perceberam que é inútil!

    Talvez, se acontecesse o que tu dizes, mudassem de estratégia! Mas tinha que ser mesmo em Lisboa, caso contrário nem se apercebiam!

    Abraço!

    PS: somos um povo mesmo estranho... seja à porta dos tribunais ou junto a um rio, há sempre uma multidão debruçada a ver… :lmao:
     
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  15. henriquesillva

    henriquesillva
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    Cumulus

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    Guimarães
    E os respectivos automóveis, estacionados, também á portuguesa...:1143:
     
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