Previsão e Seguimento Furacões (Atlântico 2010)

Tópico em 'Tempo Tropical' iniciado por Vince 1 Jan 2010 às 23:00.

  1. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Época 2010
    A época de ciclones tropicais no Atlântico começa oficialmente no dia 1 de Junho e prolonga-se até 30 de Novembro.

    Nomes

    -> Anita (Nome não oficial para Tempestade Tropical formada no Atlântico Sul junto ao Brasil)
    -> Alex
    -> Bonnie
    -> Colin
    -> Danielle
    - Earl
    - Fiona
    - Gaston
    - Hermine
    - Igor
    - Julia
    - Karl
    - Lisa
    - Matthew
    - Nicole
    - Otto
    - Paula
    - Richard
    - Shary
    - Tomas
    - Virginie
    - Walter


    Links úteis


    Entidade responsável pelos avisos no Atlântico:
    NHC (avisos oficiais em inglês e espanhol)

    Imagens de satélite
    NRL Monterey - Tropical
    NOAA Atlantic and Caribbean Tropical Satellite Imagery
    Tropical RAMDIS
    CIMSS Tropical Cyclones
    EUMETSAT Airmass
    NASA Interactive Global Geostationary Weather Satellite Images

    Modelos
    NOAA NCEP Model Analyses and Forecasts
    PSU E-Wall:
    Experimental forecast Tropical Cyclone Genesis Potential Fields
    FSU Phase Diagrams
    SFWMD Model Plots
    ECMWF Tropical
    Tropical Cyclone Model Guidance
    SFWMD Hurricane Models Plots

    Outros Dados
    Current Observations Across the Caribbean
    GOES-East Wind Shear Analysis
    WAVETRAK - Tropical Wave Tracking
    Tropical Cyclone Formation Probability Product
    QuikSCAT
    Tropical Cyclone Heat Potential
    Reynolds SST Anomaly
    Operational SST Anomaly Charts
    Maximum Potential Hurricane Intensity
    NOAA Dvorak
    National Data Buoy Center
    NHC Aircraft Reconnaissance
    NHC TAFB Forecasts and Analyses
    Saharan Air Layer Analysis

    Radares
    Aruba
    Bahamas
    Bermuda
    Cuba
    EUA Nexrad
    EUA WU Nexrad
    Martinica
    México
    Panama
    Porto Rico


    Institutos de Meteorologia
    Antígua e Barbuda
    Barbados
    Belize
    Bermudas
    Ilhas Caimão
    Costa Rica
    Cuba
    Dominica
    El Salvador
    EUA
    Guatemala
    Guiana Francesa
    Antilhas francesas
    Jamaica
    Antilhas Neerlandesas e Aruba
    Mexico
    Nicarágua
    Panamá
    Portugal
    República Dominicana
    Santa Lúcia
    Suriname
    Venezuela


    Ferramentas
    Pressure and Wind Conversion Tool
    Experimental Reconnaissance Decoder





    Origem e trajectos

    [​IMG]


    Pico

    O pico da época é o dia 10 de Setembro.

    [​IMG]


    Nº de ciclones ao longo dos meses (acumulado)
    [​IMG]


    Origem e trajectos por meses
    Ao longo dos vários meses, nem todo o Atlântico está habitualmente activo da mesma forma.

    Junho

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    Julho

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    Agosto

    [​IMG]


    Setembro

    [​IMG]


    Outubro

    [​IMG]


    Novembro

    [​IMG]


    NHC
     
  2. rafaeltanga

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    Cirrus

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    GFS DATA AT FTPPRD.NCEP.NOAA.GOV/PUB/DATA/NCCF/COM/GFS/PROD/

    NOTE: MODELS CONTINUE TO SHOW FAVORABLE ENVIRONMENT FOR
    SUBTROPICAL CYCLONE FORMATION ALONG THE SOUTHERN/SOUTHEASTERN
    COAST OF BRASIL. THE SYSTEM IS MOST LIKELY TO DEVELOP OFF THE
    COAST OF SAO PAULO...TO SUSTAIN ORGANIZED DEEP CONVECTION
    ON THE OFFSHORE WATERS OF BRASIL. BUT AS THE CYCLONE BECOMES
    BETTER ORGANIZED...AND AN ONSHORE FLOW DEVELOPS...TOPOGRAPHICALLY
    ENHANCED CONVECTION ALONG THE COAST AND THE SERRA DO MAR IS VERY
    LIKELY TO DEVELOP. THE COLD CORE SYSTEM ALOFT WILL SUSTAIN A
    CONVECTIVELY UNSTABLE AIR MASS...WITH RISK OF SEVERE CONVECTION
    AND WATER SPOUTS.

    Fonte: http://www.hpc.ncep.noaa.gov/discussions/fxsa21.html
     
  3. rafaeltanga

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    Cirrus

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    re: Possível transição tropical/subtropical no Sudeste do Brasil

    An area of disturbed weather has formed off the coast of Brazil, near 18S 38W. This disturbance has the potential to develop into subtropical or tropical depression early next week. Satellite winds estimates from the WindSat instrument show an elongated area of converging winds, but no organized surface circulation. Satellite loops show little organization to the cloud pattern, and only limited heavy thunderstorm activity. Wind shear over the region is about 20 knots, which is rather high, and should keep any development slow. Sea surface temperatures are about 28°C, about 1°C above average, and plenty warm enough to support a tropical storm.

    Fonte: http://www.wunderground.com/blog/JeffMasters/comment.html?entrynum=1442#commenttop
     
  4. rafaeltanga

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    Cirrus

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  5. rafaeltanga

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    Cirrus

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  6. Vince

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    Furacão

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    Re: Possível transição tropical/subtropical no Sudeste do Brasil

    Analisando o GFS temos uma depressão em altura (cutoff) bem marcada, que posteriormente se acoplará a uma baixa de superfície com muita convecção em águas bastante quentes de 28ºC. Os diagramas de fase mostram algum warm core nos níveis baixos e frio nos altos como é habitual nestas situações, bastante comuns nas águas portuguesas por exemplo.

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    Há sempre uma hipótese ténue de transição subtropical ou mesmo tropical numa fase final do ciclo de vida da depressão em altura, pois inicialmente a circulação demasiado forte do vento em altura associado à cutoff dificulta essa transição por cisalhamento do vento (windshear), mas por outro lado ajuda a manter a convecção aquecendo assim os níveis baixos, num equilíbrio precário onde a janela de oportunidade para uma transição é geralmente pequena.

    Agora a grande diferença é que o Brasil tem nesta altura águas com a temperatura acima dos 27/28ºC naquela zona, pelo que uma transição deste género é muito mais fácil do que as situações similares próximas de Portugal, embora o regime de vento no Atlântico Sul seja normalmente mais hostil que no norte, mas há sempre excepções como já sucedeu no passado.

    Evolução interessante para se seguir. Para já mantém-se ainda muito desorganizado.

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  7. Vince

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    Furacão

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    Bem, e a situação que estava a ser seguida no tópico do Brasil foi movida para aqui pois temos um Invest oficial no Atlântico Sul, ao largo do sudeste do Brasil.
    Desconheço os procedimentos, quem lançou o Invest foi o NHC embora oficialmente ninguém tenha responsabilidade tropical nesta zona, recebeu o número 90SL, noutro local 90Q, se tiver que ser nomeada penso que não podem ser usados os nomes do Atlântico Norte.

    A previsão é de um deslocamento muito lento para sudeste afastando-se da costa brasileira.

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  8. Rog

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    Cumulonimbus

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    Poderá evoluir para ciclone tropical ao fim do dia

     
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  9. Vince

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    Furacão

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    Depois da transição subtropical de ontem ou mesmo anteontem, hoje já é notoriamente um puro ciclone tropical.
    Mas não receberá nome pois não há nomes nesta região, a receber já teria sido ontem pois já tinha sido classificado como ciclone subtropical.

    O trajecto leva-o para sudeste afastando-se do Brasil para águas mais frias onde acabará absorvido por um cavado.

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  10. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Segundo a estimativa Dvorak das 17:45z é uma Tempestade Tropical com ventos de 35kt (T2.5)


    South Atlantic Ocean Basin:

    DATE/TIME LAT LON CLASSIFICATION STORM
    10/1745 UTC 29.9S 46.6W T2.5/2.5 INVEST
    10/1045 UTC 29.8S 47.5W T2.0/2.0 INVEST
    10/0545 UTC 29.5S 48.0W ST2.5 INVEST
    09/2345 UTC 29.8S 48.1W ST2.5 INVEST
    09/1745 UTC 30.0S 48.3W ST1.5 INVEST
    09/1145 UTC 30.6S 48.0W ST1.5 INVEST
    09/0615 UTC 30.4S 46.0W ST1.5 INVEST
    08/2345 UTC 29.8S 45.1W ST1.5 INVEST
     
  11. Vince

    Vince
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    Furacão

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    A tempestade tropical sem nome hoje parece ter o LLC mais exposto do lado norte que ontem e nota-se talvez já alguns sinais de transição extra-tropical a sul, pelo que talvez esteja já um pouco mais fraca. O último best track disponível é o das 00z onde apresentava ventos de 40kt e pressão mínima de 1000hpa.

    [​IMG]


    O sistema não terá nome pelas razões já referidas. O furacão Catarina de 2004 tem esse nome não oficial porque afectou o Estado de Santa Catarina no Brasil.
    Ciclones tropicais ou subtropicais no Atlântico Sul são muito raros. Tal como este, o Catarina também foi em Março, que em termos de hemisfério se traduz no mês de Setembro na temporada de furacões do Atlântico norte, ou seja, o mês do pico da temporada se pudéssemos fazer uma analogia a uma temporada existente no Atlântico Sul.

    Há outros casos de ciclones tropicais no Atlântico Sul, uma lista pode ser vista aqui:
    http://en.wikipedia.org/wiki/South_Atlantic_tropical_cyclone


    O NHC tem dado apoio mas não de forma oficial e directa, apenas através de outros serviços da NOAA como os marítimos, apenas o Brasil tem jurisdição naquela área para fazer avisos ou classificar o sistema.

    Talvez no futuro se possa incluir o Atlântico Sul na área do NHC bem como os nomes. Apesar de serem raros, pelos vistos lá vão aparecendo de vez em quando. Este não foi problemático devido a manter-se afastado da costa, mas poderia não ser assim.
     
  12. Vince

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    O sistema do Brasil já fez a transição extra-tropical. Aqui fica um historial do mesmo, começou numa cutoff que fez a transição subtropical, posteriormente tropical e agora extratropical

    DATE/TIME LAT LON CLASSIFICATION

    11/1745 UTC 32.9S 42.3W EXTRATROPICAL
    11/1145 UTC 31.8S 44.0W T2.5/2.5
    11/0545 UTC 31.0S 44.6W T2.0/2.5
    10/2345 UTC 30.9S 45.5W T2.5/2.5
    10/1745 UTC 29.9S 46.6W T2.5/2.5
    10/1045 UTC 29.8S 47.5W T2.0/2.0
    10/0545 UTC 29.5S 48.0W ST2.5
    09/2345 UTC 29.8S 48.1W ST2.5
    09/1745 UTC 30.0S 48.3W ST1.5
    09/1145 UTC 30.6S 48.0W ST1.5
    09/0615 UTC 30.4S 46.0W ST1.5



    Vários serviços Meteo privados e regionais do Brasil decidiram conjuntamente atribuir o nome de «Anita» ao sistema.

     
  13. Vince

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    Como este tópico começou mais cedo que o habitual devido a este raro sistema no Atlântico Sul, aproveito para colocar as previsões de longo prazo para a temporada de Furacões de 2010 que vão aparecendo. A dupla Gray/Klotzbach fez um outlook em Dezembro, mas deve estar a lançar um novo em breve, pelo que é melhor esperar por essa.

    Joe Bastardi /AccuWeather
    Joe Bastardi da AccuWeather lançou anteontem a sua 1ª previsão , prevendo uma temporada activa acima do normal, mais parecida com 2008 (activa) do que a época calma do ano passado. Bastardi o ano passado esteve muito bem, mas diga-se que o ano passado praticamente toda a gente esteve bem prevendo uma época normal ou abaixo do normal devido ao El Niño (que gera muito windshear), que foi bem previsto e de forma consistente pelos modelos, e a temporada comportou-se como esperado nesse padrão, o que nem sempre acontece.

    As razões que Bastardi aponta para uma época bastante activa são:

    - O rápido enfraquecimento do El Niño
    - Temperaturas da água bastante quentes
    - Ventos alísios mais fracos trazendo menos SAL (poeira e ar seco) de África, o que implica (comentário meu) mais sistemas de Cabo Verde.
    - Muita humidade (devido à água quente) para alimentar sistemas tropicais



     
  14. Vince

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    Já saiu a previsão de Abril de Gray e Klotzbach. Reforçam a previsão de uma época bastante activa adiantada em Dezembro devido à maior consistência dos modelos a preverem o fim do El Nino e também pela temperatura da água excepcionalmente quente na MDR (Main Development Region) como referido noutros tópicos, está com a maior anomalia positiva desde que há registos.



    Na previsão apontam para 15 sistemas nomeados, dos quais 8 seriam furacões e entre estes, 4 seriam major (cat 3). A média é de 9,6 / 5,9 /2,3

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    Eles encontram analogias com as seguintes épocas: 1958, 1966, 1969, 1998 and 2005
    Em todas elas há sistemas tropicais ou remanescentes pelas nossas águas.



    1958

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    1966

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    1969

    [​IMG]


    1998

    [​IMG]


    2005

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  15. Vince

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    Furacão

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    Um comparativo da anomalia da temperatura da água entre agora, o ano passado 2009 e ainda 2005.
    É notória a semelhança com 2005, excluindo o Golfo do México, estando ainda mais quentes na MDR este ano do que em 2005, o ano louco dos furacões no Atlântico.
    Mas claro, isto é tudo relativo, são padrões gerais e na prática as coisas podem evoluir de forma diferente quando entrarmos na época.

    2010
    [​IMG]



    2009
    [​IMG]



    2005
    [​IMG]




    Sem o El Nino teremos menos shear e mais sistemas a formarem-se na zona de Cabo Verde e previsões de longo prazo do ECMWF apontam para a continuação de um padrão de anticiclone enfraquecido, o que poderia significar ciclones a formarem-se e a curvarem mais cedo para norte, podendo afectar por exemplo os Açores.
     

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