Referendo sobre a permanência na UE no Reino Unido

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 7 Set 2015 às 13:32.

  1. frederico

    frederico
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    Cumulonimbus

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    Em 2016 ou 2017 será levado a cabo um referendo no Reino Unido sobre a permanência na União Europeia. O tema é de extremo interesse e preocupação para Portugal por duas razões. Por um lado o Reino Unido é um dos principais destinos dos emigrantes portugueses, especialmente dos licenciados. Por outro lado o mercado britânico é fundamental para o nosso turismo e dezenas de milhar de britânicos vivem em Portugal, especialmente no Algarve e na Grande Lisboa.

    Existe grande preocupação entre os britânicos a viver na UE, fora do Reino Unido. Só em Espanha são cerca de 1 milhão. Muitos estão já a pedir dupla nacionalidade, pois temem as consequência do Brexit. Por outro lado muitos imigrantes europeus no Reino Unido estão a tentar obter passaporte britânico, contudo poderão já não ir a tempo pois são necessários cinco anos de permanência no país. O Reino Unido fica fora do espaço Schengen, e a partir do momento em que abandone a UE ficará muito difícil a entrada e saída de cidadãos da Europa Continental.

    http://www.telegraph.co.uk/news/wor...-expats-in-Europe-This-map-will-tell-you.html

    As sondagens têm variado muito ao longo dos últimos anos. Com a crise grega houve uma tendência para vitória do «não» à UE. Quando a crise do euro abrandou o «sim» ganhou terreno contudo com a crise dos imigrantes a partir de Junho o «não» voltou a subir e na mais recente sondagem há um empate técnico. Tudo indica que uma vitória do «sim» ou do «não» estará dependente das circunstâncias económicas e sociais dos meses que antecederem o referendo. Se houver uma nova crise na zona euro, se a crise dos imigrantes do mundo árabe se intensificar, ou num cenário extremo, se houver um ataque terrorista dentro da Europa Continental ou no Reino Unido, o mais provável será uma vitória do «não». Contudo, se a Grécia acalmar, a Europa continuar a crescer e o a crise dos imigrantes terminar então será mais provável a permanência na UE.

    http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/eureferendum/11617702/poll.html

    A indústria financeira é fundamental para o RU e a City já fez notar que a saída da UE seria um desastre para a economia do país. Na Escócia a larga maioria da população é pró-UE. Se os eleitores ingleses optarem pela saída a pressão para um novo referendo pela independência escocesa será insuportável, e tudo indica que perante esse cenário a Escócia ficará independente. E não é só a Escócia que ficará irritada com a saída da UE. Gibraltar, as ilhas do Canal da Mancha, a Irlanda do Norte ou mesmo o País de Gales pretendem permanecer na UE. O resultado de um Brexit será inevitalmente o fim da União, com a saída da Escócia e oo crescimento de sentimentos independentistas noutros territórios do Reino Unido.

    Para além de tudo isto, os estudos demonstram que os imigrantes europeus contribuem com um valor superior em impostos para o Estado britânico do que o valor que recebem em benefícios sociais. E a economia inglesa, sem imigrantes, colapsa, por falta de massa laboral.

    Se são tantas as desvantagens da saída da UE, por que motivo a população inglesa está tão dividida? E por que motivo será levado a cabo este referendo?

    A crise na zona euro e a entrada de imigrantes polacos, búlgaros e romenos, bem como o aumento da burocracia e das regulamentações levadas a cabo em Bruxelas deram azo ao crescimento de um partido populista, o UKIP. Nigel Farage é carismático, e apesar de ser altamente populistas, manipulando números sobre a imigração e dados sobre a UE, tem boa imprensa em alguns jornais e goza de grande popularidade nas redes sociais.

    Para estancar o crescimento do UKIP, Cameron propôs uma renegociação da presença do RU na UE, bem como um referendo. Contudo, acabou por abrir uma caixa de Pandora. É que parte do seu partido é altamente eurocéptico, e ainda sonham com a Inglaterra imperial vitoriana. Essa ala defende a saída da UE e de certa forma o isolamento inglês. Historicamente, o Partido Conservador sempre foi algo avesso à UE, enquanto os Trabalhistas defenderam a união com a Europa Continental. É portanto uma jogada arriscada. Em caso de vitória do «não», Inglaterra perderá a Escócia, poderá perder milhares de trabalhadores da Europa Continental, e várias empresas poderão abandonar a City.

    O orgulho nacionalista e o «medo» à imigração falarão mais alto que os argumentos económicos?
     
  2. james

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    Mas olha que o RU sempre esteve na UE de uma forma um pouco ambigua . Desde que Tatcher negociou a sua adesão em condições muito especiais , em que , por exemplo , as contribuições do RU são reembolsadas quase na totalidade mais tarde .

    Também sistemáticamente não assinam acordos dentro da UE , como Schengen ou Maastricht , por exemplo . Além de que , em matéria de política externa estão sistemáticamente alinhados com os EUA , ignorando , pura e simplesmente as posições europeias . Não sei se sentiríamos assim tanto a sua falta .

    É verdade que que existe , clássicamente , uma posição forte dentro do RU de que eles não " pertencem " à Europa , que são uma potência mundial e eles próprios devem marcar a agenda mundial . Mas , por outro lado , os Britânicos gostam de ter uma enorme mobilidade , em particular dentro da UE , e fazem também muitas transações económicas com muitos países da UE .

    Na minha opinião , como acontece quase sempre , o medo dos britânicos em ficar com menos poder económico e mais dificuldades na mobilidade vai ditar a recusa em abandonar a UE .
     
  3. james

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    Na minha perspetiva , Cameron ( longe de ser um nacionalista ) pretende manter a posição do RU dentro da UE .

    Ou seja , numa altura em que vários estados europeus questionam a posição do RU dentro da UE e ate a revisão das suas condições especiais , Cameron pretende manter tudo como esta , portanto , estão dentro mas com um pe fora .

    Claro que estas apostas politicas tem o seu risco , como se viu o risco que correram com o referendo na Escócia .

    E também com o Syrisa , por exemplo , onde Tsipras se demitiu para arrumar a casa e agora corre o risco de perder as eleições .
     
  4. frederico

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    As sondagens dizem que se houver uma «renegociação» com a UE a vitória do «sim» é quase garantida.

    Resta saber o que implicará essa renegociação. Dentro da ala eurocéptica do partido de Cameron têm surgido propostas muito descabidas. Por exemplo, permitir a entrada a trabalhadores que antes de irem para o RU já têm um contrato de trabalho e impedir a entrada dos que não têm, garantir que os estudantes abandonam o país após o fim do curso ou limitar o Estado Social a pessoas que já têm mais de 4 anos de descontos. Ninguém em Portugal ou Espanha alguma vez pensou em limitar o acesso ao Estado Social a imigrantes e somos países mais pobres. Em toda a Europa estão a achar injusto que haja desigualdade de tratamento de trabalhadores que pagam os seus impostos.
     
  5. Orion

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    http://observador.pt/2015/09/04/cameron-diz-catalunha-saira-da-ue-caso-opte-pela-independencia/

    Sim, é o mesmo tipo que faz ameaças aos outros:

    http://www.dailymail.co.uk/news/art...s-German-leader-slammed-PM-hated-wrecker.html

    E está na altura de haver pânico:

    http://www.dailymail.co.uk/news/art...d-time-Cameron-prepares-face-Tory-rebels.html

    O RU até tem bastantes problemas. E um deles é populacional. É o país com maior densidade da Europa. E importa 40% dos alimentos que consome (parece Portugal). Quanto mais a população aumentar, pior é o cenário:

    http://www.foodsecurity.ac.uk/issue/uk.html

    Isto parece uma daquelas coisas que nunca ninguém liga, mas a segurança alimentar é crítica para uma nação. Quanto maior a exposição a importações maior é a exposição às flutuações cambiais e aos perigos geopolíticos.

    E ainda vou ser mais polémico. As tensões sociais/étnicas/religiosas não são tão más lá devido ao socialismo vigente. O caso francês é o mais conhecido mas o britânico também não é melhor:

    http://www.dailymail.co.uk/news/art...-s-benefits-says-Osborne-clears-way-cuts.html

    Já escrevi, a austeridade está para ficar. E com isto um aumento previsível das tensões. Voltando ao referendo, parte de mim acha que o RU irá adoptar o euro nos próximos 5/10 anos. Inconcebível? Tal como vi num documentário ontem no canal História, os alemães em 1939 nunca concebiriam o grau de destruição que a Alemanha sofreria nos 6 anos seguinte. E a adesão do RU vai ser pelo mesmo motivos que todos os outros países: 'juntos somos mais fortes' (isso e os políticos que não querem perder o dinheiro dos banqueiros que são resultado da lavagem de dinheiro).
     
  6. Orion

    Orion
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    Só uma pequena adição:

    http://www.dailymail.co.uk/news/art...al-huge-rise-hate-crimes-against-Muslims.html

     
  7. frederico

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    Cuidado ao ler alguns jornais ingleses. Em muitos há uma clara campanha pelo «não», com distorção de dados e números.

    Cuidado também com as caixas de comentários a algumas sondagens. Os membros e simpatizantes do UKIP são extremamente activos nas redes sociais e nas caixas de comentários, mas não traduzem a vontade da maioria da população.

    Quem lesse os comentários online às notícias sobre o referendo escocês ou visse as sondagens online ou de alguns jornais ficaria convicto que a Escócia ficaria independente, ora não foi isso que sucedeu.

    Os membros de algumas minorias ideológicas ou os simpatizantes de algumas causas são extremamente activos na comunicação social, caixas de comentários e nas respostas a sondagens, é o caso dos simpatizantes do UKIP; Frente Nacional, independência da Catalunha, Podemos, Aurora Dourada ou Syriza.
     
  8. james

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    E em alguns casos , essa e uma forma de difusão ideológica promovida pelas próprias direções partidárias .

    E uma forma de empreendedorismo politico .:D
     
  9. frederico

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    Sim.

    Há quem dia até que há partidos em Portugal a pagar a membros das jotas e a reformados para espalharem comentários nas caixas dos jornais online e nas redes sociais. Fala-se em surdina de casos ligados ao PCP, PS e PSD...
     
  10. Agreste

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    não é para cortar no NHS nem para salvar banqueiros? então não há referendo nenhum, foi só pra ganhar as eleições.
     
  11. frederico

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    Vai haver referendo sim.

    A dúvida está na posição final do Cameron. O partido tem uma ala muito eurocéptica que sonha com a Inglaterra imperial vitoriana e está difícil de controlar. Contudo tudo indica que no final haverá uma campanha pelo «sim» dos 3 principais partidos. O UKIP e dissidentes dos conservadores farão campanha pelo «não».
     
  12. camrov8

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    que saiam é muito fácil falar o UK não é a potencia industrial que era, quando ser virem a ter pagar taxas para exportarem e terem fronteiras, é muito lindo
     
  13. Albifriorento

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    Existe muita ingenuidade de ambos os lados. Por um lado, usar o argumento da imigração, e o RU nem do espaço Shengen faz parte, para se arugumentar como um sinal que se deve sair da UE não é nada. O RU tem controlo absoluto sobre as suas fronteiras, e teóricamente, neste preciso momento, podem fechá~las sem receber qualquer penalisação. O que usam o argumento da imigração, estão simplesmente a cair numa falância.

    Por outro lado, os, poucos, acordos de comércio, e a proximidade da UE, sempre beneficiou o RU. E os sistema actual, de blocos económico, neste caso particular a UE, será sempre mais favorável ao RU, do que se este permanessece isolado. Apesar de ser uma potência económica, e de ser a cabeça da Comenwelth, continuo a pensar que a associação com a UE, beneficia melhor o RU. Por outro lado ainda, e visto que o RU não é signatário de muitos acordos, poderá até não haver muitas consequências da saída da UE,

    Aconteça o que acontecer, a decisão será sempre dos britânicos, espero simplesmente que ignorem as falâncias e demagogias e se foquem em factos concretos.
     
  14. Orion

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    Não há dúvidas. Já publiquei isto. Publico novamente:

    http://www.dw.com/en/cameron-tells-dissenting-mps-to-support-eu-referendum-or-quit/a-18501757

    Já está na altura de testar o bluff. Não há paciência para esta gente. Se não gostam da UE, saiam. Não fiquem propositadamente no limbo para usar a adesão, ou falta dela, para fazerem birras de vez em quando. Não se fez isso com a Grécia? Que se faça com o RU.
     
  15. Orion

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