Religião & Politica

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por Teles 29 Ago 2010 às 00:47.

  1. Teles

    Teles
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    7 Dez 2007
    Mensagens:
    2,207
    Local:
    Rio Maior
    Boas, todos já ouvimos muitos comentários sobre de quem realmente , tem o domínio sobre o mundo , se a religião ou os políticos.
    Mas quem é que realmente gere o mundo?
    Será a política ou será a religião?
     
  2. Paulo H

    Paulo H
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    2 Jan 2008
    Mensagens:
    2,843
    Local:
    Castelo Branco 386m(489/366m)
    Quem gere o mundo são os políticos, estes podem ser religião ou não. A religião é apenas uma das formas de chegar ao povo. Mas também é comum o contrário! É bem conhecida a história de que o próprio Jesus se tenha revoltado no templo judaico contra os impostos! Jesus era judeu e natural da palestina, no seu caso, e falando apenas esta pequena história, sendo pregador ele usou da política também uma das formas de chegar ao povo! Ou não foram os impostos uma preocupação milenar? Política e religião estão sempre de mãos dadas, por muito que se reneguem entre ambos, pois existem líderes religiosos que governam o seu povo com suas políticas, e existem políticos que governam o seu povo relembrando-o de que a religião é um dos seus pilares na fundação do seu partido, outros ainda se afirmam laicos, mas só de nome. O próprio vaticano não será também um centro decisor político para além das suas responsabilidades pela evangelizacão? Não serão as guerras santas executadas em nome de n religiões, apenas motivos políticos sustentados pela necessidade de se perpetuarem no poder?
     
    Collapse Signature Expand Signature
  3. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
    Religião e política? Mistura perigosa. Mas uma nação precisa de transcendência, se bem me entendem. Quando falta Deus, ou deuses, endeusam-se homens: Estaline, Mao, Pol Pot...
     
  4. Teles

    Teles
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    7 Dez 2007
    Mensagens:
    2,207
    Local:
    Rio Maior
    O desejo de saber o porquê e o como chama-se curiosidade, e não existe em qualquer criatura viva a não ser no homem. Assim, não é só por sua razão que o homem se distingue dos outros animais, mas também por esta singular paixão”, afirma Hobbes.[1] A curiosidade humana pressupõe uma atitude crítica diante dos fatos, dos discursos e das ideologias que interpretam-nos. Trata-se uma postura de ruptura com o maniqueísmo, o sectarismo e o dogmatismo que tomam a sua verdade como a verdade absoluta.

    O olhar curioso não se contenta com a divisão do mundo em polaridades absolutas, entre o mal e o bem; é um olhar que coloca em suspenso as nossas certezas, os nossos preconceitos e os princípios que geralmente aceitamos como dados para a análise da realidade. Esta é muito mais complexa do que os fáceis raciocínios esquemáticos e próprios dos que se vêem como profetas e guardiões do bem, da palavra e do livro sagrados, contra o outro, o qual representaria o mal.

    Embora sejam esferas autônomas da ação humana, política e religião se mesclam tanto no que diz respeito ao quanto aos recursos práticos. Na verdade, a política não pode prescindir plenamente da religião e, em certas circunstâncias, o discurso religioso cumpre uma função claramente política. Dessa forma, o dissidente político passa a ser tratado como o herege, merecedor de todas as punições; os que não aceitam o poder político imperial e hegemônico passam a ser classificados como representantes das forças do mal; os que defendem a ordem social vigente não titubeiam em demonizar os seus oponentes; o mal é incorporado no outro. A linguagem maniqueísta transforma o bem em mal e vice-versa. Pois o que representa o paraíso para uns, pode ser o inferno para outros. Nesta senda, a política é pensada como a luta entre o bem e mal.

    A modernidade pretendeu romper as amarras da superstição e da ignorância e instituir a razão; pleiteou a separação do Estado das amarras da moral religiosa e do poder espiritual representado pelas autoridades eclesiásticas. Maquiavel advogou que a ação política tem um status próprio e diferente da moral religiosa. A ação política busca resultados; o estadista, ao contrário do profeta, é julgado por sua eficácia. O florentino observa que, do ponto de vista da política, o mal e o bem não são absolutos; o mal pode se transmutar em bem, e vice-versa. Cabe ao estadista ter a sabedoria (virtù) para usar o mal e o bem conforme a necessidade. Como afirma Maquiavel, “o tempo arrasta consigo todas as coisas e pode transmudar o bem em mal e o mal em bem” (1977: 20).
    A lógica da força

    Referir-se ao bem e o mal nos leva a um aspecto negligenciado e/ou objeto de polêmica: a violência na política. Os gregos ensinaram que a política é a esfera da pólis, o que pressupõe argumentação e discussão de idéias. Hannah Arendt observou que a política, isto é, o poder político, se refere ao coletivo, pressupõe consenso e se legitima no consentimento do povo. “O poder e a violência se opõem: onde um predomina de forma absoluta, o outro está ausente”. (ARENDT: 1973: 30)

    Porém, se é verdade que o poder, em sua essência, se distingue da violência e que não se sustenta única e exclusivamente pelo recurso a esta, também é fato que o poder não prescinde da violência e recorre à mesma sempre que necessário. Como escreve Bobbio:

    “O que caracteriza o poder político é a exclusividade do uso da força em relação à totalidade dos grupos que atuam num determinado contexto social, exclusividade que é o resultado de um processo que se desenvolve em toda sociedade organizada, no sentido de monopolização da posse e uso dos meios com que se pode exercer a coerção física” (1992: 956).

    O monopólio da coerção física é a condição sine qua non da soberania do Estado moderno. Essa tese, compartilhada por marxistas e liberais, concebe a política como uma atividade cujo locus e referência é o Estado. Foucault expressa a voz dissonante nessa maneira de ver a política. Para ele o poder está difuso pela sociedade: “A questão do poder fica empobrecida quando é colocada unicamente em termos de legislação, de Constituição, ou somente em termos de Estado ou de aparelho de Estado” (1979: 221). O poder se manifesta em todos os aspectos da vida humana, em todos os níveis da sociedade, interligados ou não ao Estado. Na concepção foucaultiana, o poder impregnou o próprio corpo, encontra-se exposto neste.

    Chega a ser preocupante como a santa ingenuidade e/ou a ignorância quanto aos fatos históricos resultam em um moralismo abstrato no que se refere à presença da violência na política. As boas consciências ficam estupefatas e até demonstram um certo mal estar quando se confrontam com esta realidade histórica. “Mas como pode ter sido assim?”, se perguntam; e terminam por debitar tais eventos à sanha pelo poder deste ou daquele indivíduo, desconsiderando-se o processo histórico e, inclusive, a realidade presente.

    A política, para o bem ou para o mal, não prescinde da violência. A ascensão política da burguesia exigiu rupturas fundadas no recurso à guerra e à revolução; do ponto de vista econômico, não foi diferente: a burguesia precisou expropriar violentamente os camponeses e transformá-los em mão-de-obra livre, isto é, prisioneiros do sistema industrial enquanto trabalhadores assalariados. A revolução industrial consumiu, literalmente, milhares de corpos, em especial as mulheres e crianças. O progresso da civilização encontra-se estreitamente vinculado ao sangue de milhões, vítimas da expansão colonialista e da escravidão.[2] Eis o pecado original da burguesia ou “o segredo da acumulação primitivo” desvendado por Marx em O Capital.[3]

    Que seria dos poderosos e suas nações sem o extermínio de populações inteiras? Por acaso as duas grandes guerras mundiais, o holocausto, o nazismo e o stalinismo, são obras apenas da irracionalidade humana desvinculadas dos interesses políticos e econômicos em permanente disputa? Foi a lógica da força que se impôs.

    Eis a outra face da política: a força materializada na violência em toda a sua crueldade. Este fator, por mais bárbaro que se apresente, não é estranho à ação política. Maquiavel, analisando os exemplos históricos do seu tempo, observou como o uso da violência aberta resultou em determinados casos em fracasso e noutros em sucesso. A que se deve esta diferença? Ele responde:

    “Creio seja isto conseqüência de as crueldades serem mal ou bem praticadas. Bem utilizadas podem ser chamadas aquelas (se bem se pode dizer do mal) feitas de uma vez só, pela necessidade de prover sua própria segurança, e depois são relegadas à margem tornando-se o mais possível em vantangens para os súditos. Mal utilizadas são as que, se bem sejam a princípio poucas, não se extinguem mas crescem com o tempo.” (Maquiavel, 1977: 54)
    Política e religião

    A violência está presente em nosso cotidiano – inclusive assumindo formas dissimuladas. Ela reina na periferia das grandes cidades, envoltas numa guerra civil diária não assumida pelas autoridades; ela é prevista e legitimada no poder político, isto é, constitui uma das funções do Estado, mesmo o democrático. Qual Estado pode abrir mão do recurso da coerção e de todos os meios necessários para forçar os cidadãos a obedecer a ordem dominante?

    Tudo isso parece não existir para determinados indivíduos que vivem no mundo das nuvens e reduzem as contradições sociais à eterna luta do bem contra o mal. Como que num transe coletivo, mas que paradoxalmente objetiva a salvação individual, estes guardiões da moral e dos bons costumes adotam uma postura apolítica e voltam-se para o intimismo. São profetas bem intencionados que constroem a cidade de Deus, isto é, cuidam das suas almas. As questões sociais que assolam este país passam ao largo. Sobram discursos que garantem audiência e, por trás da histeria coletiva e individual, cada um busca sua própria salvação, ainda que afirmem amar ao próximo! Eles se aglomeram e oram, mas se limitam ao individualismo egoístico espiritualizante.

    Ledo engano! A individualização das soluções para problemas terrenos, sociais, econômicos e políticos, deslocados para um plano transcendental e intimista também cumpre um papel político: alivia a pressão e funciona como uma espécie de anestesia coletiva. Afinal, este intimismo religioso não questiona a realidade social desigual e desumana, nem inquire sobre os responsáveis por tal situação. Induz ao conformismo! Que se entregue à divindade o bônus e o ônus! Ele assim o quis, assim o será! Que as coisas permanecem como estão; a nossa recompensa está no além. Essa mensagem de resignação é mais antiga do que parece. [4] Ontem como hoje, os poderosos agradecem a tais profetas.

    Eis como a religião no mundo atual adentra na política: afastando-se desta ou procurando instrumentalizá-la em nome de uma moral fundamentalista. Esta postura individualista e/ou conservadora é a resposta aos que vêem na religião uma força que deve se aliar à política para construir o reino de Deus aqui na terra, mas numa perspectiva coletivista e que pressupõe uma opção política pelos pobres e oprimidos.

    O senso comum diz que religião e política não se discutem. Pelo contrário, precisamos refletir sobre a relação entre violência e política e, por outro lado, entre estas e a religião. Um simples olhar sobre a história da humanidade evidenciará a simbiose existente entre política, religião e violência. Como podemos esquecer, por exemplo, a barbárie dos ‘santos inquisidores’ de ontem e de hoje, uns em nome de Deus, outros em nome da razão do Estado? E o horror da noite de São Bartolomeu? Que seria dos conquistadores da nossa América se não utilizassem os recursos da Santa Madre? Seria a violência política suficiente para subjugar os povos dessas terras? E não foi a religião o cimento ideológico que justificou barbaridades como a escravidão do negro e a submissão secular da mulher? O puritanismo protestante foi empecilho para a dizimação dos povos indígenas na América do Norte? E as risíveis cenas, se não fossem trágicas, de religiosos, de um e outro lado, santificando exércitos em guerra?

    Gostemos ou não, política, violência e religião entrelaçam-se em diversos contextos históricos. Há mesmo determinadas circunstâncias onde estão de tal forma amalgamados que é difícil distinguí-los. Assim, a luta entre o Parlamento e a Coroa inglesa no século XVII parece, ao estudioso desavisado, simples disputa religiosa entre puritanos, anglicanos e católicos. O mesmo podemos observar quanto ao conflito histórico entre protestantes e católicos na Irlanda e entre palestinos e israelenses no oriente médio. Em ambos os casos, fatores político-sociais secularmente sedimentados e influenciados pelas mudanças na política internacional produziram realidades complexas com problemas aparentemente insolúveis fora do recurso à violência. E mesmo quando busca-se uma solução pacífica, resultante das pressões políticas internas e externas dentro de uma nova realidade internacional, a violência não está descartada. E tudo parece uma disputa religiosa...

    Os exemplos são muitos. Podemos encontrá-los inclusive em nossa história. Para não nos alongarmos, lembremos apenas que nossa frágil democracia conheceu poucos períodos onde pôde desenvolver-se pacificamente. Na República Velha, a oligarquia cafeeira tratou a questão social como caso de polícia e teve que enfrentar a revolta armada da classe média da época: o movimento tenentista. Esse movimento gerou a ‘Revolução de 30’, um ato violento que, entre outras coisas, fecundou o Estado Novo. Na ditadura estadonovista de Vargas, cristãos que simpatizavam com os americanos ou com os nazi-fascistas se uniram contra o inimigo comum, identificado com o próprio demônio na terra: o comunismo. A política, de novo, recorreu aos valores morais-religiosos para justificar o regime de exceção e a repressão.

    Na segunda metade dos anos 40 tivemos a ilusão democrática da legalidade para os comunistas. Parecia então que o demônio fora exorcizado. Sabemos o final desta história: nova onda repressiva, ilegalidade, clandestinidade. A democracia da guerra fria, em nome da liberdade e dos valores democráticos, inverte a ordem dos valores: antidemocráticos são os outros, os comunistas. Dessa vez, porém, não precisou recorrer à religião (pelo menos não diretamente).

    Em 1964 a religião foi novamente utilizada na cruzada contra os esquerdistas — o que na época significa avanços das lutas dos trabalhadores. As madames católicas saíram às ruas em marcha fortalecendo a base social golpista; a cúpula da Igreja silenciou e/ou apoiou os golpistas. Mas, também é verdade que setores minoritários dessa mesma Igreja adotaram uma postura corajosa e favorável aos explorados e oprimidos, contra o golpe militar, pela democracia e por uma sociedade justa e igualitária. De qualquer forma, política, violência e religião mesclam-se.

    Política e violência unem-se ainda na resistência ao golpe. De um lado a repressão militar, as torturas, os desaparecimentos de filhos e filhas da nossa terra; de outro, a ilusão de que o povo enfrentaria em armas a ditadura militar impulsionado pelo exemplo da sua vanguarda. Às mães e pais desses jovens que sucumbiram nas garras do aparato repressivo estatal e paraestatal restaram a dor e a triste realidade de quem nem tem o corpo querido sobre o qual chorar. Para os que professam a fé restava o consolo da religião.

    A democracia que temos foi regada com sangue. Não podemos esquecer o passado. Temos a obrigação de legar às futuras gerações uma história que, quando muito, é tratada nos livros e bancos escolares. Lembremos dos que, com erros e acertos (mas só erra quem age) dedicaram a vida ao povo, ao sonho de uma vida melhor para os excluídos da cidadania. Ontem tratados como terroristas, hoje como subversivos e outros epítetos. Seus nomes são vários. Lembremos de dois: Carlos Marighella, assassinado pela ditadura em 04 novembro de 1969; e, Santo Dias, assassinado pela polícia sob o governo Maluf em 30 de outubro de 1979. Um, guerrilheiro e comunista; outro, operário metalúrgico, militante da Pastoral Operária. Eis a política, a violência e a religião em ação...
    A política para além do bem e do mal

    O pensamento de Niccóllo Machiavelle pode ser criticado por tudo, menos por ser maniqueísta. Isso significa que a política deve ser pensada em sua realidade concreta – que exige meios nem sempre abonados pela moral – e não de maneira descritiva. Se é próprio aos filósofos contemplativos proporem o reino da justiça e da felicidade humana como uma utopia a ser alcançada, sociedades existentes apenas em suas cabeças, o homem de ação não pode se dar ao luxo de pautar-se pela idealização do real. Neste aspecto, Maquiavel é realista e antiutópico:

    “E muita gente imaginou repúblicas e principados que jamais foram vistos e nunca tidos como verdadeiros. Tanta diferença existe entre o modo como se vive e como se deveria viver, que aquele que se preocupar com o que deveria ser feito em vez do que se faz, antes a prende a própria ruína do que a maneira de se conservar; e um homem que desejar fazer profissão de bondade, mui natural é que se arruíne entre tantos que são perversos” (1977: 86-87)

    Os que imaginam a política prisioneira da moral, de noções como o bem e o mal, ou são ingênuos ou hipócritas.[5] Os primeiros parecem acreditar que o mundo é habitado por anjos e demônios e não por seres humanos, com qualidades e defeitos inerentes à sua humanidade e também com interesses opostos uns aos outros e propensos à discórdia. Os homens competem, desconfiam uns dos outros e buscam o poder e a glória. Somos ainda mais ingênuos e/ou hipócritas quando tentamos isolar a política do cotidiano, como se no dia-a-dia, independente de participarmos da política, não competíssemos e não buscássemos segurança e reputação. Usando um termo que está na moda, esta atitude é uma forma de blindagem: os maus são os outros, os políticos; a boa consciência do indivíduo passivo e apolítico expressa a sua pretensão à pureza, à santidade; precisamos demonizar os políticos para justificar nossa passividade e descomprometimento diante dos dilemas sociais e humanos que envolvem o viver em sociedade.

    A política não pode prescindir da moral. Em outras palavras, por mais laico que seja o Estado, os políticos também serão avaliados pelos valores fundados em preceitos morais e religiosos. Sua sabedoria consiste em saber usar isto a seu favor e contra os seus adversários. Assim, é cada vez mais comum a presença da linguagem religiosa no discurso político. Mas se temos algo a aprender com a história é precisamente o fato de que o mundo dividido entre o bem e o mal é uma ilusão. É certo que esta é uma estratégia eficiente para o arrebanhamento de prosélitos, mas é ineficiente para os que almejam compreender a realidade política e social para além do bem e do mal. Afinal, o mal e o bem é inerente ao humano, seja ele político ou profeta!
     
  5. Mário Barros

    Mário Barros
    Expand Collapse
    Furacão

    Registo:
    18 Nov 2006
    Mensagens:
    12,479
    Local:
    Cavaleira (Sintra)
    Muitíssimo interessante :rolleyes:










    [ame="http://www.youtube.com/watch?v=E1gnV6-Ib1M&feature=related"]YouTube - Broadcast Yourself.[/ame]
     
    #5 Mário Barros, 9 Nov 2010 às 01:21
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:52
  6. irpsit

    irpsit
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    2,057
    Local:
    Entre Mortágua e Tondela
    Re: O Estado do País

    Um offtopic. Felizmente os religiosos são cada vez mais uma minoria hoje em dia, e assim já não atrapalham a sociedade com as suas morais de achar o que é melhor para os outros sob o pretexto de Deus. E atirando-nos frequentemente para conflictos, como ocorreu tanto nos últimos séculos.

    Para mim prefiro um mundo sem religiões (ou somente com religiões relax como a dos budistas, que não andam por aí a dizer como se deve diver, e o que é correcto ou não). O resto das religiões só serve para dizer aos outros como se deve viver, algo que considero no mínimo extremamente chato. Felizmente hoje em dia, isso é uma pequena parte da vida, vivemos relativamente livres de religião.

    À parte disso, por mim cada um tem a religião e os valores que quiser, e eu aceito isso, desde que não se incomode nem influence outrém, nem as decisões de outrém.

    Sinceramente esta gente religiosa andar a querer decidir o que cientistas, pessoas grávidas, ou etc, devem ou não fazer, é para mim uma intrusão da vida privada das pessoas. Para mim a mulher é dona do seu corpo, e se decidir abortar clantestidamente ou não, aos 2 meses é a decisão dela. Acho que mal menor, essa decisão deve ser supervisionada por pessoal médico (em vez da mulher tomar um chá de ervas abortivas e ir para o hospital).

    O mesmo em relação aos homosexuais, é pah, é a vida deles. Se são felizes, fixe para eles. Mesmo que eu, por um motivo qualquer, os ache estranhos. Eu para mim nem me aquece nem me arrefece, nem acho que o estado deva interferir nisso. E quando certos religiosos se intrometem nisso? Sinceramente que intrusão na vida das pessoas, julgarem o que os outros devem ou não fazer. Como dizia o Jesus Cristo, não julgarás. Ou como ele dizia, vamos viver amor em vez de andarmos aqui a perseguir outros. A religião deve mostrar o seu exemplo e ser exemplo de tolerância, aceitação, amor, e paz.

    O que será que Jesus, falando em nome do amor, diria em relação à adopção de um orfão por um casal homosexual? E qual é a diferença de um pai solteiro, uma mãe solteira, ou uma mãe solteira e homosexual? Ou de um pai homosexual? E quantos pais não são bisexuais e que tiveram um filho? E nessas situações? Que dizem os religiosos? E que diria Deus ou Jesus?

    A religião tem um passado questionável. Deve redimir-se, abraçar a sua verdadeira essência de tolerância e paz. Deus, a existir (e provavelmente até acredito na sua existência) deve estar desiludido imensamente com as religiões humanas.

    Afinal, se alguém abortar, o que acontece à alma? Ela é morta? Vai para o inferno? Ou para o paraíso? Sinceramente parece-me uma apreciação fraca que os religiosos têm das almas e da espiritualidade. Eu nem rejeito a existência de uma alma (nem a confirmo). Será que Deus se chateia se alguém abortar? Ou será que compreende a mulher? Ou acreditámos num Deis vingativo?

    Frederico, isto não é nenhuma crítica pessoal, nem a ti, nem a ninguém. Eu só acho que os que rejeitam o aborto ou a homosexualidade em bases religiosas, devem repensar, ser um pouco mais tolerantes, pois a religião tem um passado horrível de intolerância. Eu gosto de ter em alto, os meus valores éticos também, provavelmente como tu, mas quando penso nas dificuldades de muitas mulheres, e na vida de um futuro ser, acho que é preferível, o nascimento ser algo desejado e não algo indesejado. Deve ser um acto de amor. Portanto, sou a favor do aborto, mas com limites, pelo menos acho que deve ser descriminalizado. (Tal como tu, sou contra a pena de morte, e a favor da eutanásia em certos casos, e sou a favor da tolerância da homosexualidade, porque para mim são seres humanos como outros quaisquer)



     
    Collapse Signature Expand Signature
  7. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
    Re: O Estado do País

    Irpsit, as coisas não são assim tão belas. A degradação moral precede sempre a queda. É a mensagem do mito de Sodoma e Gomorra. Veja-se o que aconteceu no Império Romano, veja-se o que está a acontecer no Ocidente. Mas este é uma tema demasiado complexo para discutir aqui no fórum.
     
  8. David sf

    David sf
    Expand Collapse
    Staff

    Registo:
    8 Jan 2009
    Mensagens:
    3,512
    Local:
    Oeiras / Portel
    Re: O Estado do País

    Não, se a ética (e até pode ser a cristã, que nada tem a ver com qualquer preceito religioso) substituir a moral religiosa.
     
  9. Knyght

    Knyght
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Mai 2009
    Mensagens:
    2,013
    Local:
    Madeira - Funchal
    Re: O Estado do País

    Acreditas no pai natal ainda...
     
    Collapse Signature Expand Signature
  10. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    4,705
    Local:
    Porto
    Re: O Estado do País

    O que é a ética?

    O que é a religião?

    O que é o cristianismo?

    Qual a diferença entre Cristianismo e catolicismo?

    O que é a Verdade?

    Questões interessantes às quais ninguém nas massas sabe responder.

    Vejamos o que é a religião.

    Antes de mais, importa dizer que nas religiões há duas componentes.

    A componente esotérica é o conhecimento que está acessível apenas a um grupo selecto de homens ou mulheres que são escolhidos pela sua inteligência e verticalidade moral.

    A componente exotérica é uma espécie de síntese ou guideline dada às massas. Por exemplo, o catecismo da Igreja Católica. A religião é a componente exotérica do conhecimento sobre o Sagrado. Lamentavelmente, a Igreja entregou-se a meras especulações intelectuais -a Teologia- logo nos primeiros séculos da sua História e esqueceu a Teosofia ou o verdadeiro Cristianismo original e puro. Sim, Cristianismo não é o mesmo que Catolicismo.

    Mas dizia eu que a religião é uma guideline para o aperfeiçoamento moral do Homem. Não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, amarás ao próximo como a ti mesmo, etc. Lamentavelmente, aqueles que representam as mais altas hierarquias nem sempre seguem esta guideline, e nós temos tristes exemplos na nossa História: a chacina de católicos em países protestantes, a Inquisição em países católicos, o processo das bruxas de Salem nos EUA, etc.

    A Humanidade tem um fundo creencial comum, há um inconsciente colectivo. Todos os povos têm, por exemplo, na sua mitologia, mitos sobre um Dilúvio Universal. (continua).
     
  11. Lousano

    Lousano
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    12 Out 2008
    Mensagens:
    3,603
    Local:
    Lousã/Casais do Baleal
    Re: O Estado do País

    A "religião" ou acreditar num ser superior, teve origem apenas num pequeno temor dos humanos:

    A morte.
     
  12. Orion

    Orion
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    5 Jul 2011
    Mensagens:
    8,803
    Local:
    Ponta Delgada, Açores
    http://www.noticiasaominuto.com/pai...sessiva-da-mae-pode-anular-casamento-catolico

    :confused::facepalm::maluco:

    Haja paciência.
     
    #12 Orion, 16 Fev 2014 às 16:17
    Última edição: 16 Fev 2014 às 22:47
  13. Orion

    Orion
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    5 Jul 2011
    Mensagens:
    8,803
    Local:
    Ponta Delgada, Açores
    Em relação ao filme Noé:

    http://www.telegraph.co.uk/science/...d-have-floated...even-with-70000-animals.html


    Já em relação à Torre de Babel:




    E não é que as histórias podem ser de facto.... reais? :lol:
     
    #13 Orion, 5 Abr 2014 às 04:20
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:57

Partilhar esta Página