Trovoada e Raios/Descargas eléctricas/Relâmpagos

Tópico em 'Aprendizagem e Formação' iniciado por Gerofil 28 Abr 2007 às 18:26.

  1. Rog Cumulonimbus

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    Re: "Trovões Secos"??

    Durante o desenvolvimento de um comuluninbus habitualmente não ocorre precipitação porque esta é retida pela corrente ascendente e as colisões entre elas criam as cargas electricas, negativas no granizo e positivas nos cristais de gelo; ai permanece até o seu peso não ser suportado pela corrente ascendente caindo sob a forma de chuva ou granizo. Se a corrente ascendente for muito forte pode as gotas de água ou granizo serem apanhadas pela corrente e engrossar a saraiva que acabará por cair de forma intensa.
    Se ao passar perto de nós um cumuluninbus estiver no seu desenvolvimento, ou a corrente ascendente ser muito forte, pode passar por nós sem deixar precipitação e podemos ter "trovões secos"...
     
    #16
  2. Relâmpago Nimbostratus

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    Re: "Trovões Secos"??

    Olá, boa noite a todos

    O que se passa, creio eu, nas trovoadas ditas "secas" de verão é que as bases das núvens estão a uma altitude considerável, ao contrário das trovoadas de inverno, cujas bases podem estar a 500 m ou menos.

    Bem, aqui está um vídeo bonito de uma valente trovoada em Itália. Não sei se há truque de imagem (bem, parece haver repetições... ). Mesmo assim, o espectáculo é impressionantes :eek:



    Edit: Só acho estranho uma coisa: as descargas só se dão abaixo de uma determinada linha, sem haver nada ao nível do que parece ser o topo da núvem, nem iluminado fica, como seria de esperar (isto lá mais para o fim do vídeo)
     
    #17
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:58
  3. ACalado Cumulonimbus

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    Re: "Trovões Secos"??

    bom vídeo :thumbsup: por acaso ao ver tb reparei nessa situação nao e muito normal não se ver actividade já nem digo no topo mas no meio da nuvem:huh:
     
    #18
  4. Rogério Martins Cumulus

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    Re: "Trovões Secos"??

    Ganda video.....faz-me lembrar aquelas que apanhei em Reguengos....tal e qual assim como o video demonstra!;) saudades:rolleyes:
    Hasta
     
    #19
  5. Relâmpago Nimbostratus

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    Descargas positivas e negativas

    Olá a todos

    Estive a consultar umas estatísticas de uns mapas do IM relativamente a trovoadas. Lá dizia-se que entre x e y horas tinha havido umas tantas descargas positivas e bastantes mais negativas.
    O que quer isto dizer ao certo? Descargas positivas são as que são provenientes das partes altas do Cb e as negativas da base?

    Obrigado

    Um abraço
     
    #20
  6. mocha Nimbostratus

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    #21
  7. Vince
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    Re: Descargas positivas e negativas

    Olá Relâmpago, o link que a Mocha é um bom ponto de partida, consulta também a secção didáctica do IM relativamente a trovoadas onde a polaridade está muito bem explicada.

    Conhecer e Aprender com a Meteorologia e Climatologia: Trovoada
    http://www.meteo.pt/pt/didatica/fenom_meteorologico/trovoada.html

    E se te desenrascas bem em inglês deixo também versão inglesa da Wikipedia que é mais rica em pormenores que a versão portuguesa, bem como um artigo da NOAA.

    Positive lightning
    http://en.wikipedia.org/wiki/Lightning#Positive_lightning

    The Positive and Negative Side of Lightning
    http://www.srh.noaa.gov/jetstream/lightning/positive.htm

    Positive and Negative Lightning
    http://www.weatherimagery.com/blog/positive-negative-lightning/


    Tormentas eléctricas

    http://html.rincondelvago.com/tormentas-electricas.html
     
    #22
  8. Relâmpago Nimbostratus

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    Re: Descargas positivas e negativas

    Olá

    Obrigado Vince e também mocha pela documentação.

    Parece que temos assistido, estes últimos dias, para a região de Lisboa, a trovoadas diárias para o fim da tarde/princípio da noite. Esta noite observei um fenómeno estranho (?): estando a observar o céu, abundante em ralâmpagos, vários horizontais e ramificados, mesmo por cima de mim, aos quais não esteve associado qualquer trovão - ou trovão longínquo bastante tempo depois (tive pena em não ter uma câmara para os filmar). Porque razão isto se deu? Relâmpagos nas partes altas das núvens, a mais de 10 km de altitude, longe para se ouvir o som da descarga?

    Obrigado.
     
    #23
  9. Vince
    Staff

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    Re: Descargas positivas e negativas

    Acho que todos nós que observamos com atenção uma boa trovoada acabamos uma ou várias vezes na vida presenciar isso, de raios aparentemente sem som/trovão. Acho que é fácil de perceber que é impossível haver raios sem som. Pelo que se não ouvirmos o trovão podem ter acontecido variadas coisas nesse processo.

    Para encontrar respostas para isto é preciso esquecer um pouco a meteorologia e as trovoadas, e olhar para a fisica do som.

    As ondas de som são vibrações que se propagam de molécula para molécula, quer seja no meio gasoso como o ar, ou em sólidos e liquidos. Por exemplo no vácuo não há propagação de som, devido à ausência de moléculas. E finalmente temos as várias propriedades do som, como a reflexão, refracção, difracção e ressonância.

    Tendo em conta essa realidade é fácil entender que numa situação de trovoada sendo o ar, meio de propagação, tão instável e sujeito a tantos factores, como a temperatura ou o vento por exemplo, é natural que a propagação do som tenha comportamentos diferentes conforme a dinâmica e natureza desse meio, não esquecendo também todo o meio envolvente onde nós nos encontramos.

    Num trovoada todos nós estamos perfeitamente familiarizados com várias propriedades do som, como a reverberação, ou seja, o conhecido eco, a ressonância, quando o som entra por exemplo em vales de montanhas ou mesmo num bairro e é muito ampliado. Há outras propriedades que estão sempre a ocorrer mas que nós não conseguimos identificar fácilmente, como a reflexão e a refracção. Esta última por exemplo, quando a onda de som ao se propagar muda de meio de propagação dá-se a refracção, mudando de direcção. Entre massas de ar a temperaturas diferentes, apesar do meio continuar a ser o ar e ser gasoso, dá-se na mesma a refracção devido à diferença de temperatura e respectiva densidade do ar, mudando assim o som de direcção.

    A temperatura do ar tem muita influência na propagação do som. Não é por acaso que nós à noite ou madrugada se formos para uma varanda ouvimos sons muito mais longínquos do que de dia. Ou que temos insónias por causa do baralho de automóveis numa estrada vizinha e que durante o dia nem damos por eles. Ou que conseguimos ouvir muito mais longe se estivermos num descampado de Bragança numa manhã fria de Inverno do que num descampado no Alentejo numa tarde quente de Verão.

    No teu caso, é impossível saber o que aconteceu. Mas seguramente foi uma destas coisas, ou a conjugação de várias delas.
     
    #24
  10. Relâmpago Nimbostratus

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    Re: Descargas positivas e negativas

    Olá Vince

    Excelente explicação. Se me permites junto um factor mais: o da potência da descarga. Se eu provocar um curto-circuito numa bateria de 12 V de 70 Ah, por exemplo, ouve-se um cripitar bastante violento; se provocar um curto circuito com uma bateria com os mesmos 12 V, mas com 500 mAh, o som é muito pouco audível. Isto terá a ver com o aquecimento do canal de ar à volta da descarga. Tudo somado com o que descreveste explica o porquê desta situação singular: a ausência de trovão.

    Um abraço.
     
    #25
    Última edição: 23 Set 2007 às 22:23
  11. Naevo Cirrus

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    Trovoada: Sentido de deslocação dos raios

    Uma dúvida (pelo menos para mim) que talvez possa gerar alguma discussão:

    É frequente ouvirmos dizer que "caiu um raio!..." de facto, tenho ideia que o fenómeno das descargas eléctricas pode ocorrer nos dois sentidos, assim como de núvem para núvem...agora, quais são mais frequentes, os raios(descargas eléctricas) com sentido da terra para as núvens ou o contrário?

    Que factores é que podem influênciar a criação dos campos eléctricos que dão origem às descargas?

    É perfeitamente aceite, cientificamente, que o sentido de uma descarga eléctrica é de um campo eléctrico positivo para o negativo?

    ...é isso, desculpem a ignorância e se por acaso estou a dizer alguma "baboseira"!

    :D
     
    #26
  12. Brigantia Cumulonimbus

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    Re: Trovoada: Sentido de deslocação dos raios

    Ante de mais bem-vindo ao MeteoPT. Afinal á muitos Brigantinos interessados em meteorologia e climatologia. Era bom que os novos membros passassem pelo tópico das apresentações:thumbsup:. Relativamente a Bragança e visto existirem muitos membros temos de actualizar o mapa das localizações dentro da cidade, para melhor percebermos qual a origem dos registos.


    No que diz respeito a este tópico deixo aqui dois links que penso ajudarem a esclarecer as dúvidas colocadas.
    http://www.meteo.pt/pt/didatica/fenom_meteorologico/trovoada.html

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Raios
     
    #27
  13. jonas_87 Super Célula

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    Boas pessoal.

    Ontem, entre as 22e30 e 23h00, caiu intensa trovoada, na zona noroeste do concelho de Mafra(perto da praia da Ribeira d´ilhas), presenciei poderosos relâmpagos. Gostava de saber o que representa este valor, e se é comum ou não, valores desta ordem.
    Obrigado:thumbsup:

    [​IMG]
     
    #28
  14. SpiderVV Cumulonimbus

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    Isso é a energia libertada pelo raio, em quiloamperes. O menos e o mais representam os polos, como deve ser óbvio, a sua intensidade é maior quanto maior for o número, ou seja, se o número for maior, mais probabilidade tem de fazer por exemplo uma central eléctrica disparar, ou até queimar coisas em casa. Acho que 247 kAmp são 247000 volts, portanto ainda foi intensa.
    Aqui ontem caiu uma de 108 kAmp, e houve problemas nalguns sítios. Aqui em casa a luz ficou a piscar imenso tempo. Há até mais fortes, mas isso depende de como as centrais filtrem a corrente.
     
    #29
  15. CptRena Nimbostratus

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    Boas jonas

    Esse valor representa a corrente da descarga eléctrica e, por isso é que vem representado pela unidade Ampere.
    Nesse caso serão 247300A (amperes) de corrente que passaram entre a nuvem e o solo no canal ionizado pela grande diferença de potencial (volts).

    Na página das DEA tem lá um link com alguma informação:

    https://www.ipma.pt/pt/enciclopedia/otempo/observacao.remota/index.html?page=dea.xml

    https://www.ipma.pt/pt/educativa/observar.tempo/index.jsp?page=trovoada.xml


    E depois há sempre o Google e a Wikipedia :p

    http://en.wikipedia.org/wiki/Lightning
    http://en.wikipedia.org/wiki/Lightning#Ground-to-cloud


    Na Wikipedia tem assim:

    "An average bolt of negative lightning carries an electric current of 30,000 amperes (30 kA) [...]"

    Traduzindo:

    Um raio, de polaridade negativa, em média, transporta uma corrrente de 30000A.

    Sendo assim, esse está claramente superior à média, deve ter sido um valente raio.

    Cumprimentos
     
    #30

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