40º N, a avenida das depressões

Tópico em 'Meteorologia Geral' iniciado por Relâmpago 30 Dez 2009 às 17:10.

  1. Relâmpago

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    olá

    Não me lembro, antes, do paralelo 40º N ser o corredor ou avenida, ao longo de 1 mês, praticamente, de depressões frontais com cavamento considerável. Geralmente passam mais a norte entre 45º e 50º N, sendo nós atingidos pelas suas superfícies frontais (e não directamente, como agora).
    Será que esta situação é para continuar neste inverno? Com a tão apregoada alteração climatérica será para se repetir em próximos outonos/invernos? Ou, pelo contrário, foi uma excepção e a tendência é para termos cada vez menos precipitação, como o falado? Só o tempo o dirá, ao certo, visto o factor imprevisibilidade estar intimamente ligado à metereologia, especialmente a longo prazo.
     
  2. Aurélio

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    Deves ser muito novinho ou não .....
    Lembro-me de imensos anos em que isto aconteceu e nos anos 60 e 70 eram o prato do dia !!
     
  3. frederico

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    Então e as depressões à superfície vindas da Madeira e que estacionavam a sudoeste de São Vicente e no Golfo de Cádiz? Essas escasseiam muito desde 2004!
     
  4. psm

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    É provavel que seja novo, pois nos anos 80 houve também, e em 2000 houve uma situação semelhante em dezembro, a falta de memória meteorológica está aqui bem evidenciada Aurélio:).
     
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  5. Vince

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    Isso da idade é um argumento estranho, e pelo que sei, penso que o Relâmpago é mais velho do que qualquer um de vocês.

    Foi lançada uma discussão, que de resto já me tinha ocorrido, é altura de aparecerem argumentos. E não generalidades baseadas na memória, de parte a parte.

    Qual é então o mês de Dezembro ou sequência de algumas semanas que no passado tenha tido este ritmo de depressões. Uma vez indicado o mês é fácil irmos ao wetterzentral olhar para as cartas desse mês.

    Já que há tantas certezas, indiquem-me uns meses assim pois já há vários dias que também tenho pensado no assunto e gostaria de fazer umas animações e comparar meses do passado com este, penso que seria um exercício interessante.
     
  6. irpsit

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    A situação costuma acontecer nalguns anos, principalmente se o AA dos Açores não estiver lá.

    Geralmente o AA costuma estar nos Açores e um centro depressionário na Islândia. Por vezes, a situação inverte-se, e então origina o que verifícámos agora (mais chuva em Portugal e mais entradas polares na Europa).

    Com esta situação, a corrente de jacto costuma situar-se mais a sul, pelo Mediterrâneo, em vez de pelo norte da Europa (típica duma situação mais fria).

    Se o clima aquecer no futuro, a corrente de jacto situar-se-á mais a norte (paralelo 50 ou 60º), e o clima ficará mais seco. Se o clima arrefecer (como aconteceu na Little Ice Age) então a corrente de jacto tende a deslocar-se para o sul (paralelo 35 ou 45º) e traz clima mais húmido para a Europa do Sul, Portugal incluído. Mas não se pode generalizar. Na Idade glacial, pensa-se que a corrente do golfo abrandou, parou ou inverteu, e por causa disso, um AA estabeleceu-se permanenteme'nte na Europa, impedindo a precipitação e trazendo frio polar.

    Uma situação que se chama um NAO negativo (de Oscilação Norte Atlântica).
     
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  7. irpsit

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    A situação costuma acontecer nalguns anos, principalmente se o AA dos Açores não estiver lá.

    Geralmente o AA costuma estar nos Açores e um centro depressionário na Islândia. Por vezes, a situação inverte-se, e então origina o que verifícámos agora (mais chuva em Portugal e mais entradas polares na Europa).

    Com esta situação, a corrente de jacto costuma situar-se mais a sul, pelo Mediterrâneo, em vez de pelo norte da Europa (típica duma situação mais fria).

    Se o clima aquecer no futuro, a corrente de jacto situar-se-á mais a norte (paralelo 50 ou 60º), e o clima ficará mais seco. Se o clima arrefecer (como aconteceu na Little Ice Age) então a corrente de jacto tende a deslocar-se para o sul (paralelo 35 ou 45º) e traz clima mais húmido para a Europa do Sul, Portugal incluído. Mas não se pode generalizar. Na Idade glacial, pensa-se que a corrente do golfo abrandou, parou ou inverteu, e por causa disso, um AA estabeleceu-se permanenteme'nte na Europa, impedindo a precipitação e trazendo frio polar.

    Uma situação que se chama um NAO negativo (de Oscilação Norte Atlântica).
     
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  8. Vince

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    Uma sequência de semanas bastante parecidas a estas serão as que decorreram entre Novembro e Dezembro de 1997. Mas que mais exemplos têm conhecimento ?
     
  9. frederico

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    Suspeito que nos anos 60 haja mais exemplos.
     
  10. Mário Barros

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    Toda esta questão é fácil de deslindar, através do gráficos dos últimos 70 anos dos regimes de precipitação ;)

    Mas sem dúvida que a década de 60 e 70 foram fortes nos regimes de precipitação, logo as depressões deviam suceder-se umas às outras.

    [​IMG]
     
  11. Lousano

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    Este mês existiram umas depressões a essa latitude, mas não foram muitas.

    Não é hábito, pelo menos que me recorde, é de existirem em sequência.
     
  12. Lousano

    Lousano
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    Qual a fonte desse gráfico?

    Acho estranho o nível de desvio da precipitação de 2000/2001.

    No caso da precipitação de 2000/2001, raras foram as depressões em questão neste tópico.
     
  13. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Um gráfico anual por si só não explica tudo, totais anuais podem ser enganadores para o que estamos a discutir aqui. Pode é dar pistas para investigar, nada mais.
     
  14. Relâmpago

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    Nimbostratus

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    Boa noite

    Na realidade, já não sou tão novo quanto isso:(.(tento ser novo de espírito:)) Talvez seja até mais velho que a maior parte de vós. A verdade é que não me recordo (a não ser que andasse distraído) de uma tamanha sucessão de depressões trazidas pela corrente de W pelas nossas latitudes. Tenho em conta que, antigamente, era extremamente difícil, senão impossível, terem leigos acesso a dados metereológicos, até posso admitir que durante a minha existência pudessem ter sucedido situações destas. Foi particularmente com o advento da internet que pudemos ter mais facilidade de acesso a estes dados. E estou a referir-me ao período a partir do qual tive acesso a dados metereológicos consistentes, isto é, a partir dos anos 2000. É claro que sempre houve, pelas nossas latitudes, depressões semelhantes a estas, mas não tão frequentes em tal espaço de tempo. O que é/era mais normal era a passagem de sucessivos sistemas frontais ao longo de um mês ou dois seguidos, mas com os respectivos núcleos mais a norte.
    Também é verdade que as depressões de carácter convectivo que se formam entre a Madeira e o Continente já não se formam há algum tempo.
    Como disse o Vince, seria interessante fazer um estudo estatístico a partir de um acervo de dados com várias décadas para se constatar a frequência deste tipo de situações. E com a Metereologia Estatística poderemos explicar/comparar melhor estes fenómenos e, quiçá, poder tentar fazer com maior rigor previsões.

    Um abraço a todos com os votos de Bom Ano.
     
  15. Chingula

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    Cumulus

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    Penso que uma maneira de dar uma resposta ao tema, sera o de associar a chamada avenida das depressoes...ou das perturbaçoes que deram chuva significativa em Portugal Continental, a cheias nos principais rios (Douro, Tejo e Guadiana) considerando o periodo Outono/Inverno, teremos como exemplo os anos seguintes: 1876 (maior cheia no Guadiana); 1909/1910; 1978/1979; 1989/1990; 1995/1996; 2000/2001

    Como complemento - Outubro de 1989 foi muito chuvoso no Algarve e a partir de 11 de Novembro e Dezembro, muito chuvoso no resto do Pais.
     

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