Aquecimento estratosférico repentino

Agreste

Furacão
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29 Out 2007
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Aljezur (48m) - Faro (11m)
Até às 240h aparecem altas pressões consistentes sobre o polo, não é mau sinal para começo de qualquer coisa... aguardemos pelo ECMWF.

Às 300 e não sei quantas horas, as frentes atlânticas parecem ter mais importância...
 

cova beira

Nimbostratus
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29 Dez 2008
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Tortozendo
costumo acompanhar os aquecimentos estratosféricos e nunca vi originarem-se no canada pelo menos com tal intensidade, apesar de perceber pouco do assunto parece-me que este aquecimento é bastante mais potente do que é habitual e que as consequências deste sobre as altas pressoes e divisão do vórtice polar vão criar boas condições para entradas siberianas ou mesmo atlanticas de grande magnitude resta saber se por aqui vamos ser afectados, tal como stormy disse e muito bem para já a calma antes da tempestade

gfsnh-10-216.png
 

irpsit

Cumulonimbus
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9 Jan 2009
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Inverness, Escocia
Excelent tópico pessoal!

Posso reportar que aqui da Islândia a pressao já comecou a subir anormalmente. Já vai nos 1010.

Nada de mais, excepto que a jet aparentemente está a abrandar aqui.

A nível de temperatura um ligeiro arrefecimento mas a temperatura ainda continua acima da média (pois entrou muito ar quente do atlântico nos últimos dias e semanas).

As previsões a uma semana ainda mantém uma temperatura a rondar os zero aqui. Nada de previsões polares por agora.

No entanto as cartas sinópticas apontam um extenso bloqueio a partir de 11 Janeiro (Sexta) com 1030 aqui na Islândia, circulação de leste no UK e entrada polar marítima de norte em Portugal.
 

rozzo

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11 Dez 2006
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Montijo/Lisboa
Já tinha falado nisto antes do SSW de Fevereiro deste ano, mas volto a realçar que parece sistemático nos modelos um certo "viés" de aparecer sempre sinal de aquecimento estratosférico no médio prazo. Ou seja, enquanto este for modelado no 2º painel do GFS, portanto acima das 240h, não vale a pena ligar muito, pois esse sinal está quase sempre lá, e sempre nesse prazo de previsão, ou seja, é um sinal errado, e que vai sendo constantemente adiado a cada saída, geralmente nunca chegando a acontecer.

Quando este sinal aparece abaixo das 240h, aí sim, já está a ser modelado com intensidade bem acima desse "viés" por defeito do modelo, e podemos começar a intuir que talvez vá mesmo acontecer um SSW significativo. Assim foi em Fevereiro.
Neste momento o sinal já é bastante forte perto das 180h, e acima das 240h já aparece um split do vortex polar estratosférico. Não é garantido, mas de facto parece começar a tornar-se algo provável alguma actividade significativa na estratosfera nas próximas duas semanas.

Aguardemos as próximas saídas para ter mais certeza se sim ou não, e caso sim, que tipo será: deslocamento do VP ou split. Depois conforme isso, pode pensar-se em fazer alguns prognósticos mais específicos, pois as respostas à superfície deste tipo de eventos já está relativamente bem catalogada.

Esperemos que sim, que ocorra, anima sempre a sinóptica bastante. Não fosse o SSW de Fevereiro, "a baralhar" totalmente a sinóptica que estava numa marasmo totalmente seco para Portugal continental, e provavelmente ainda estávamos numa situação muito dramática de seca. E a ocorrer nesta fase, seria muito animador para o Inverno, finalmente um SSW a ocorrer na melhor altura possível, ou seja, logo no início do Inverno. Há que lembrar que a resposta nos níveis baixos da atmosfera tem algum atraso, pelo menos 15 dias... Portanto entre o SSW ocorrer ou não, e o adiar nos modelos, final de Dezembro, início de Janeiro, seria a melhor altura possível.

PS: Para complementar, alguns exemplos das anomalias da temperatura após deslocamentos do VP (retirado do twitter de Judah Cohen). É importante perceber que os impactos de eventos de split do VP são geralmente mais "previsíveis" e "garantidos" de serem bons para a nossa região. Nos casos de apenas haver um deslocamento do VP, a previsibilidade de onde os impactos são positivos/negativos é menor, e temos muito menos garantias. O VP pode ser deslocado para uma posição onde nem nos seja favorável, e até termos anomalias positivas. Acontece com alguma frequência esse tipo de eventos, com condições épicas de Inverno nos EUA, e connosco acima da média. Portanto, calma, aguardemos...

https://twitter.com/judah47

Aqui está o post onde isto foi discutido antes do evento de Fevereiro, têm alguns links de artigos com os impactos dos diversos tipos de SSW:

https://www.meteopt.com/forum/topico/seguimento-meteorologico-livre-2018.9618/pagina-95#post-653997

;)
 
Última edição:

ecobcg

Cumulonimbus
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10 Abr 2008
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Sitio das Fontes e Carvoeiro (Lagoa - Algarve)
Já tinha falado nisto antes do SSW de Fevereiro deste ano, mas volto a realçar que parece sistemático nos modelos um certo "viés" de aparecer sempre sinal de aquecimento estratosférico no médio prazo. Ou seja, enquanto este for modelado no 2º painel do GFS, portanto acima das 240h, não vale a pena ligar muito, pois esse sinal está quase sempre lá, e sempre nesse prazo de previsão, ou seja, é um sinal errado, e que vai sendo constantemente adiado a cada saída, geralmente nunca chegando a acontecer.

Quando este sinal aparece abaixo das 240h, aí sim, já está a ser modelado com intensidade bem acima desse "viés" por defeito do modelo, e podemos começar a intuir que talvez vá mesmo acontecer um SSW significativo. Assim foi em Fevereiro.
Neste momento o sinal já é bastante forte perto das 180h, e acima das 240h já aparece um split do vortex polar estratosférico. Não é garantido, mas de facto parece começar a tornar-se algo provável alguma actividade significativa na estratosfera nas próximas duas semanas.

Aguardemos as próximas saídas para ter mais certeza se sim ou não, e caso sim, que tipo será: deslocamento do VP ou split. Depois conforme isso, pode pensar-se em fazer alguns prognósticos mais específicos, pois as respostas à superfície deste tipo de eventos já está relativamente bem catalogada.

Esperemos que sim, que ocorra, anima sempre a sinóptica bastante. Não fosse o SSW de Fevereiro, "a baralhar" totalmente a sinóptica que estava numa marasmo totalmente seco para Portugal continental, e provavelmente ainda estávamos numa situação muito dramática de seca. E a ocorrer nesta fase, seria muito animador para o Inverno, finalmente um SSW a ocorrer na melhor altura possível, ou seja, logo no início do Inverno. Há que lembrar que a resposta nos níveis baixos da atmosfera tem algum atraso, pelo menos 15 dias... Portanto entre o SSW ocorrer ou não, e o adiar nos modelos, final de Dezembro, início de Janeiro, seria a melhor altura possível.

PS: Para complementar, alguns exemplos das anomalias da temperatura após deslocamentos do VP (retirado do twitter de Judah Cohen). É importante perceber que os impactos de eventos de split do VP são geralmente mais "previsíveis" e "garantidos" de serem bons para a nossa região. Nos casos de apenas haver um deslocamento do VP, a previsibilidade de onde os impactos são positivos/negativos é menor, e temos muito menos garantias. O VP pode ser deslocado para uma posição onde nem nos seja favorável, e até termos anomalias positivas. Acontece com alguma frequência esse tipo de eventos, com condições épicas de Inverno nos EUA, e connosco acima da média. Portanto, calma, aguardemos...

https://twitter.com/judah47

Aqui está o post onde isto foi discutido antes do evento de Fevereiro, têm alguns links de artigos com os impactos dos diversos tipos de SSW:

https://www.meteopt.com/forum/topico/seguimento-meteorologico-livre-2018.9618/pagina-95#post-653997

;)

Como sempre, uma excelente análise! (y)
 

rozzo

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11 Dez 2006
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Montijo/Lisboa
Uma interessante análise sobre diferentes respostas a SSW's, especialmente no que toca a diferentes impactos relacionados com a posição de onde se situam os vórtices resultantes do split do VP inicial, na secção "Impacts":

https://www.aer.com/science-research/climate-weather/arctic-oscillation/

Para relembrar mais uma vez que um SSW não é um "milagre" para o nosso inverno. É crucial para "baralhar as cartas" quando estamos num marasmo, portanto neste caso será sempre melhor que nada em princípio. Mas não é garantia de eventos invernais, depende da posição das "peças do puzzle".