Árvores e Florestas de Portugal

N_Fig

Cumulonimbus
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29 Jun 2009
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Figueira da Foz
Na zona de Portalegre também há carvalhos com as folhas castanhas praticamente na sua totalidade e não apenas de forma esporádica. Parece mesmo que já entraram no outono.
Em 2003, pelo o que vejo no boletim, não estávamos a atravessar uma seca com um défice de precipitação tão elevado como o atual. Estamos a atravessar o 2º ano hidrológico mais seco desde 1931 e a ter meses com ondas de calor prolongadas. Não há nada que resista.
É uma das razões pelas quais acho que as comparações com 2003 são exageradas. Janeiro de 2003 foi um dos mais chuvosos do século, e abril também tinha sido mais chuvoso que o normal. Para além de que vinha numa sequência de 3 anos (2000 a 2002) de anos chuvosos e não muito quentes, "só" o período de maio de 2003 para a frente é que foi extremamente quente
 


joralentejano

Super Célula
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21 Set 2015
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Arronches, Portalegre (272m)
É uma das razões pelas quais acho que as comparações com 2003 são exageradas. Janeiro de 2003 foi um dos mais chuvosos do século, e abril também tinha sido mais chuvoso que o normal. Para além de que vinha numa sequência de 3 anos (2000 a 2002) de anos chuvosos e não muito quentes, "só" o período de maio de 2003 para a frente é que foi extremamente quente
A única comparação com 2003 é mesmo a onda de calor que houve em agosto, com esta que tivemos na última semana, porque de resto não há comparação possível. No que diz respeito à situação de seca, só existe comparação com 2005, mas este ano tem de tudo para ser pior se isto continuar assim.
 

frederico

Furacão
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9 Jan 2009
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Porto
Os carvalhos em Portugal ocorrem em zonas de Verão seco mas temperado pelo Atlântico ou de estação seca curta. A sua ocorrência está dependente de um factor, Inverno muito chuvoso, que acumule água em profundidade. Por isso não os vemos em zonas de solo fino e degradado.

O roble ocorre até à Cordilheira Central e Gardunha em zonas com mais de de 900 a 1000 de precipitação anual e influência do ar do Atlântico. Por isso no Norte e Centro Norte não chega à fronteira Leste com Espanha.

O roble também ocorre com outra subespécie na zona Centro e serras do Sul perto das ribeiras.

O cerquinho quer mais de 600 mm e influência marítima, bem como solos profundos.

O sobreiro precisa de mais de 500 mm e solos profundos nas zonas onde está no limite de precipitaçãom

O negral é mais tolerante à seca que o roble, e ao frio, mas também precisa de mais de 600 a 700 mm e solos que não sejam muito pobres.

Sem Inverno chuvoso e sem máximas médias abaixo dos 27/28 graus as arvores entram em stress hidrico.
 

João Pedro

Super Célula
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14 Jun 2009
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Porto, Campo Alegre (50 m) | Samora Correia (10 m)
Aqui aconteceu o mesmo com uma espécie que é endémica: o carvalho negral. Entre Mirandela e Bragança, a cotas inferiores a 800/750m, estão com afolha amarela e castanha. 42ºC ou 43ºC deve ter sido demasiado para esta espécie que até tolera bem o calor. Não recordo tal coisa na onda de calor de 2003.
O carvalho-negral é autóctone, não endémico ;)
Achei curioso porque os carvalhos a cotas mais baixas estão queimados, já a cotas mais elevadas não. Uma reação à seca devia ser mais generalizada, sem esta diferenciação por altitude. Em alguns casos, até podiam estar mais saudáveis as árvores a cotas baixas, por estarem próximas de linhas de água.
Não será por altitudes mais baixas se traduzirem em temperaturas mais elevadas?
 

Paulo H

Cumulonimbus
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2 Jan 2008
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Castelo Branco 386m(489/366m)
No Wikipedia dão lhe várias designações, sendo Quercus pyrinaica. Estende-se desde Argélia e Marrocos..

Quercus pyrinaica

Este tipo de carvalho faz parte da mata original e encontro-o em Castelo Branco (barrocal) mas também entre o Fundão e Covilhã.

Que é bem resistente ao fogo, isso sei, pois renasce novamente no ano seguinte. É também resistente ao calor e em Castelo Branco até está em solo granítico pouco profundo.
 

MSantos

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3 Out 2007
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Azambuja / Rio Maior
Aqui pela zona de Aveiras (Azambuja) também se avistam muitos carvalhos-cerquinhos com cores que parecem ser as outonais. Provavelmente na sequência do escaldão que sofreram na semana passada, as árvores para se salvaguardar das perdas de água e evitar o inevitável stress hídrico, estão sacrificar as folhas e entrar em dormência estival. Em quercínias nunca tinha visto este fenómeno aqui pelo Ribatejo, mas é comum por exemplo em amendoeiras na na zona do Alto Douro (VN Foz Coa, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Figueira de Castelo Rodrigo) em que após a frutificação as amendoeiras ainda no Verão se livram das folhas e ficam "despidas" já para o Inverno. Trata-se de um mecanismo de defesa das plantas ao ambiente extremamente quente e seco.
 

joralentejano

Super Célula
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21 Set 2015
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Arronches, Portalegre (272m)
O Quercus pyrenaica ocorria a Norte de Portalegre até ao Tejo nos solos graníticos mas sofreu uma regressão brutal nos distritos de Portalegre e de Castelo Branco.
Na estrada entre Portalegre e Arronches, já mais perto de Portalegre e com influência orográfica existe uma zona com bastantes carvalhos.
Aqui, do lado esquerdo da estrada na direção Arronches-Portalegre. É notável tendo em conta que metade da estrada é feita só com sobreiros e azinheiras de um lado e de outro. :D
 

Dan

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26 Ago 2005
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Bragança (675m)
O carvalho-negral é autóctone, não endémico ;)

Não será por altitudes mais baixas se traduzirem em temperaturas mais elevadas?

Também me parece que pode ter sido isso.

Estes episódios extremos são interessantes por poderem determinar limites bioclimáticos. As secas, as ondas de calor. Esta onda de calor, aqui na região, foi mais intensa que a de 2003. Também a seca está atingir esta região duma forma particularmente violenta. É possível que tudo isto tenha consequências na vegetação natural. bem como nas espécies agrícolas.
 

Dan

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26 Ago 2005
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Bragança (675m)
Nas espécies não nativas é mais comum ver consequências de situações meteorológicas particulares. Como, por exemplo, os episódios de sincelo, que deixam queimados os eucaliptos ou algumas palmeiras. Nestes casos são também as áreas mais baixas as mais afetadas. Na onda de frio de 2001, a mais intensa das últimas décadas, por esta região, até as mimosas ficaram queimadas, nas áreas mais baixas, mas acabaram por recuperar nos anos seguintes.
 

joralentejano

Super Célula
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21 Set 2015
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Arronches, Portalegre (272m)

Portalegre: Seca de Carvalhos negrais ameaça ecossistema da Serra de São Mamede – Quercus

A Quercus alertou, hoje, que a seca de Carvalhos negrais, verificada nos concelhos de Castelo de Vide, Marvão e Portalegre pode levar à destruição do ecossistema da Serra de São Mamede.

A associação ambientalista manifesta grande preocupação com quantidade de Carvalhos negrais secos, em pleno Parque Natural, e adianta que ao longo das últimas semanas registou muitas dezenas de Carvalhos-negrais (Quercus pyrenaica) com as folhas secas, o que com base na distribuição desta espécie pode estar a afetar milhares de árvores.
 

MSantos

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3 Out 2007
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Azambuja / Rio Maior
No Norte do Concelho de Santarém, na zona de Alcanede também vi muitos carvalhos-cerquinhos com folhas amareladas, no entanto os carrascos e os sobreiros dessa zona mantêm-se verdes, sinal de que apesar de tudo estão mais preparados para lidar com os rigores da seca estival. Quanto mais perto do Litoral menos carvalhos em stress hídrico se vê, aqui entre Rio Maior e as Caldas praticamente já não se vê sinais de seca nos carvalhos, se fomos na direção oposta ou para Sul vê-se cada vez mais carvalhos a secar. Se tivermos um Outono normal a grande maioria deles sobreviverá. Penso que o mesmo também se aplica aos carvalhos-negrais de São Mamede.
 

AnDré

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22 Nov 2007
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Odivelas (140m) / Várzea da Serra (900m)
Onde moro, em Caneças a 300m de altitude, também há alguns carvalhos com cores outonais, ao lado de outros completamente verdes.
Reparei que alguns eucaliptos também estão secos. Não sei se terá sido da seca/calor, ou alguma doença. Mas estou mais inclinado para esta última.

(Foto do telemóvel, de ontem ao final da tarde).

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Thomar

Cumulonimbus
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19 Dez 2007
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Cabanas - Palmela (75m)
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