Aumento da temperatura acelera degelo

dj_alex

Nimbostratus
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14 Dez 2005
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Paralelamente, outra investigação divulgada na mesma revista científica norte-americana assinala que a precipitação de gelo na Antártida se manteve invariável nos últimos anos.

«O manto de gelo da Gronelândia está a derreter-se a um ritmo rês vezes superior ao registrada antes de 2004», afirmou Jianli Chen, director da equipa científica do Centro de Investigações do Espaço da Universidade do Texas que realizou o estudo.

Na sua perspectiva, esta conclusão confirma as de outros estudos que têm vindo a indicar que o «efeito de estufa» se faz sentir em todo o planeta.

Um deles, publicado em Maio pela Science, referia que o aumento global das temperaturas atmosféricas aumentou a velocidade com que os glaciares da Gronelândia desaguam no Atlântico.

A água derretida actua como lubrificante para acelerar a deslocação dessas enormes massas de gelo até ao mar, segundo o estudo.

Para determinar o nível de fusão do gelo na Gronelândia, os cientistas da equipa de Jianli Chen recorreram a dados fornecidos pelo satélite GRACE, do programa «Experiência Climática e de Recuperação da Gravidade», da NASA.

Os investigadores mediram as variações da gravidade sobre a Gronelândia e compararam os dados mensais registados entre Abril de 2002 e Novembro de 2005 para determinar o grau de fusão do gelo.

Apuraram deste modo que a Gronelândia perde anualmente uma média de cerca de 240 quilómetros cúbicos de gelo em consequência do aumento da temperatura, refere o estudo.

Depois da Antártida, a Gronelândia constitui a segunda maior massa gelada do planeta e contém cerca de 10 por cento de toda a massa de gelo existente.

«Isto ocorre por todo o lado, e possivelmente também nos glaciares das montanhas do Alasca», afirmou Chen, acrescentando que o degelo provocará irremediavelmente um aumento dos níveis das águas dos mares.

No entanto, o cientista põe de parte a possibilidade de um perigo imediato para muitos dos territórios do planeta pouco elevados em relação ao nível do mar, como a península da Florida ou as ilhas Maldivas, no oceano Índico.

O fenómeno de fusão acelerada dos gelos da Gronelândia supõe um aumento anual do nível do mar de 0,6 milímetros, um número muito superior ao estimado até agora, mas cujos efeitos só se começarão a fazer sentir dentro de «uns 50 anos», segundo o perito.

O outro estudo hoje publicado pela Science, da autoria de uma equipa científica internacional, indica que durante os últimos 50 se manteve virtualmente invariável a acumulação de neve na Antártida.

Esta conclusão deita por terra outras investigações, segundo as quais se estava a acumular neve na Antártida, o que poderia mitigar o degelo acelerado noutras partes do mundo.

Segundo a teoria, a queda de neve na Antártida deveria aumentar com o aumento da temperatura mundial, e isso porque o ar quente cria mais neve por ter mais humidade do que o ar frio.

«Não é isso que se passa», afirmou Andrew Monaghan, da Universidade do Estado de Ohio, que - juntamente com outros cientistas norte-americanos, russos, australianos, noruegueses, alemães e italianos - analisou os níveis de precipitação de neve em 16 zonas da Antártida durante os últimos 50 anos.

Segundo Monaghan, não se registaram nesse período alterações estatisticamente significativas na queda de neve na Antártida.

fonte: tsf
 

Seringador

Cumulonimbus
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29 Ago 2005
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Bem isso não me supreende:( , agora os glaciares da Nova Zelândia têm vindo a aumentar
Só não concordo com o tempo de retorno afirmado, pq acho que vai ser mais cedo do que os 50 anos:sad:
 

Iceberg

Nimbostratus
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5 Jun 2006
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Com toda esta entrada de água doce no Atlântico Norte, temos de estar cada vez mais atentos à Corrente do Golfo.

As suas oscilações têm aumentado recentemente, pelo que se torna prioritário prestar cada vez mais atenção àquele fenómeno que influencia todo o clima da Europa e América do Norte.
 

Seringador

Cumulonimbus
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Com toda esta entrada de água doce no Atlântico Norte, temos de estar cada vez mais atentos à Corrente do Golfo.

As suas oscilações têm aumentado recentemente, pelo que se torna prioritário prestar cada vez mais atenção àquele fenómeno que influencia todo o clima da Europa e América do Norte.

Eu diria até global;)
 

kimcarvalho

Nimbostratus
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19 Nov 2005
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Elvas
Boas a todos,

Pegando neste tópico e pelo que já li por aí, faço esta pergunta: E se o que se estivesse a dar fosse, não um aquecimento global, mas sim uma deslocação dos pólos?

Alguém já pensou nisto? Haveria então todas uma movimentação climática ao longo do nosso planeta... ;)

Como todos sabemos o Pólo Norte geográfico e magnético não coincidem, aliás ao que se sabe ele tem-se movimentado muito mais rapidamente do que era esperado fazê-lo, movimentando-se para a Sibéria.

Alguns links interessantes:

The Journal of Young Investigators

Tracking The Magnetic North Pole

Alaska Science Forum

USGS National Geomagnetism Program
 

LUPER

Nimbostratus
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20 Nov 2005
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Aveiro
Boas a todos,

Pegando neste tópico e pelo que já li por aí, faço esta pergunta: E se o que se estivesse a dar fosse, não um aquecimento global, mas sim uma deslocação dos pólos?

Alguém já pensou nisto? Haveria então todas uma movimentação climática ao longo do nosso planeta... ;)

Como todos sabemos o Pólo Norte geográfico e magnético não coincidem, aliás ao que se sabe ele tem-se movimentado muito mais rapidamente do que era esperado fazê-lo, movimentando-se para a Sibéria.

Alguns links interessantes:

The Journal of Young Investigators

Tracking The Magnetic North Pole

Alaska Science Forum

USGS National Geomagnetism Program

Penso que poderemos ter é uma inversão dos polos magneticos :surprise: , mas a isso não quero assistir:mad:
 

Rog

Cumulonimbus
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6 Set 2006
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Boas a todos,

Pegando neste tópico e pelo que já li por aí, faço esta pergunta: E se o que se estivesse a dar fosse, não um aquecimento global, mas sim uma deslocação dos pólos?

Alguém já pensou nisto? Haveria então todas uma movimentação climática ao longo do nosso planeta... ;)

Como todos sabemos o Pólo Norte geográfico e magnético não coincidem, aliás ao que se sabe ele tem-se movimentado muito mais rapidamente do que era esperado fazê-lo, movimentando-se para a Sibéria.

Penso que não, para o clima é mais importante o Polo geográfico devido à influência do tempo de insolação, e à altura do sol que no Verão no Polo Norte e Sul não ultrapassa os 24º. E não sei de que forma poderia o polo magnético influenciar o clima, a não ser indirectamente...
A variação do polo magnético por exemplo por volta do séc. XVIII os polos magnético e geográfico coincidiam, no séc XIX estava já o polo magnético a 24º Oeste, hoje em dia acho que está a 7 ou 8º Oeste!
 

Seringador

Cumulonimbus
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Penso que não, para o clima é mais importante o Polo geográfico devido à influência do tempo de insolação, e à altura do sol que no Verão no Polo Norte e Sul não ultrapassa os 24º. E não sei de que forma poderia o polo magnético influenciar o clima, a não ser indirectamente...
A variação do polo magnético por exemplo por volta do séc. XVIII os polos magnético e geográfico coincidiam, no séc XIX estava já o polo magnético a 24º Oeste, hoje em dia acho que está a 7 ou 8º Oeste!

A inversão dos polos acontecer seria numa escala temporam de milhões de anos, contudo essa mudança afectaria direcatmente, mas seriam impreceptiveis à nossa passagem como seres neste planeta!:)
 

Luis França

Nimbostratus
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23 Mai 2006
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Hades
Milhares de anos sim, para uma inversão dos pólos geográficos; mas uma inversão dos pólos magnéticos talvez umas dezenas de anos... senão vejamos:
em 2000/1 o nosso Sol teve uma inversão magnética dos pólos e isso aconteceu em 2 ou 3 anos (foi noticiado pela NASA e na net), mas ninguém ligou, como sempre. Se isso pode acontecer com uma estrela por que não com um planeta num curto espaço de tempo geológico? Que eu saiba nenhum Homem presenciou e testemunhou uma inversão dessas nos tempos modernos ...:huh:
 

Seringador

Cumulonimbus
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Canelas - Vila Nova de Gaia
Milhares de anos sim, para uma inversão dos pólos geográficos; mas uma inversão dos pólos magnéticos talvez umas dezenas de anos... senão vejamos:
em 2000/1 o nosso Sol teve uma inversão magnética dos pólos e isso aconteceu em 2 ou 3 anos (foi noticiado pela NASA e na net), mas ninguém ligou, como sempre. Se isso pode acontecer com uma estrela por que não com um planeta num curto espaço de tempo geológico? Que eu saiba nenhum Homem presenciou e testemunhou uma inversão dessas nos tempos modernos ...:huh:

Bem isso não sabia:eek:
Não sei, sou leigo na área, mas não poderá ter um comportamento diferente devido ao seu movimento de tranlação, i.e. o facto na terra demorar uma série temporal mais longa, enquanto o sol está "estático", e pode ter oscilações magnéticas de grande amplitude?:confused:
 

Rog

Cumulonimbus
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6 Set 2006
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Norte Madeira (500m)
Milhares de anos sim, para uma inversão dos pólos geográficos; mas uma inversão dos pólos magnéticos talvez umas dezenas de anos... senão vejamos:
em 2000/1 o nosso Sol teve uma inversão magnética dos pólos e isso aconteceu em 2 ou 3 anos (foi noticiado pela NASA e na net), mas ninguém ligou, como sempre. Se isso pode acontecer com uma estrela por que não com um planeta num curto espaço de tempo geológico? Que eu saiba nenhum Homem presenciou e testemunhou uma inversão dessas nos tempos modernos ...:huh:

Não é bem assim, que eu me conste a terra não teve inversão polar geográfica e duvido que tenha, a não ser que, tenhamos o choque com grande corpo rochoso e que implique por a terra literalmente "de pernas para o ar" e ai sim, inversão geográfica!
A estrutura do sol é muito diferente do da terra, gira a diferentes velocidades nos polos e no equador o que implica uma torção do campo magnético que acaba por se romper em ciclos de 11 anos, muito conhecidos pelo aumento da actividade nessas alturas de manchas solares, tempestades magnéticas... Ao fim de dois ciclos os polos do sol se invertem, isto num ciclo de 22 anos, algo muito comum e regular.
A terra com um núcleo interno rochoso e o núcleo externo liquido tem um campo magnético instável mas muito diferente do sol. Muda com alguma rapidez alterando os polos magnéticos vários graus em poucas dezenas de anos, mas uma inversão magnética é algo mais drástico e atendendo à estrutura interna da terra implica modificações profundas, (por exemplo de activação de supervulcões) mas é algo raro à escala humana, a última inversão ocorreu há mais ou menos 750 mil anos (por esta altura devia andar o homo erectus no mundo:) ). O ciclo de inversões magnéticas não é regular, e fazendo a média, muito grosseira diga-se, dá uma inversão a cada 400 mil anos. O que para alguns pode indicar que podemos estar prestes a uma inversão magnética...:)
 

dj_alex

Nimbostratus
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Não é bem assim, que eu me conste a terra não teve inversão polar geográfica e duvido que tenha, a não ser que, tenhamos o choque com grande corpo rochoso e que implique por a terra literalmente "de pernas para o ar" e ai sim, inversão geográfica!
A estrutura do sol é muito diferente do da terra, gira a diferentes velocidades nos polos e no equador o que implica uma torção do campo magnético que acaba por se romper em ciclos de 11 anos, muito conhecidos pelo aumento da actividade nessas alturas de manchas solares, tempestades magnéticas... Ao fim de dois ciclos os polos do sol se invertem, isto num ciclo de 22 anos, algo muito comum e regular.
A terra com um núcleo interno rochoso e o núcleo externo liquido tem um campo magnético instável mas muito diferente do sol. Muda com alguma rapidez alterando os polos magnéticos vários graus em poucas dezenas de anos, mas uma inversão magnética é algo mais drástico e atendendo à estrutura interna da terra implica modificações profundas, (por exemplo de activação de supervulcões) mas é algo raro à escala humana, a última inversão ocorreu há mais ou menos 750 mil anos (por esta altura devia andar o homo erectus no mundo:) ). O ciclo de inversões magnéticas não é regular, e fazendo a média, muito grosseira diga-se, dá uma inversão a cada 400 mil anos. O que para alguns pode indicar que podemos estar prestes a uma inversão magnética...:)


Bem explicado :thumbsup: :thumbsup:
 

Luis França

Nimbostratus
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23 Mai 2006
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Hades
(Rog) :thumbsup: gostei da explicação detalhada e sintética.

Se calhar podes-me esclarecer neste ponto: o que terá acontecido para, há uns milhares ou milhões de anos, a Antártida e o Ártico terem tido clima equatorial (como o provam os fósseis encontrados e análises do gelo)?
Teria sido algum Calhau daqueles valentes?

Mais uma achega ... descobertas recentes mostram que o magma superior (o que está logo debaixo da Litostera) é mais "líquido" e deslizante (acelera o movimento das placas tectónicas, logo, os sismos) do que se julgava; não será também isso que provocou/provoca o súbito aquecimento das correntes e fundos oceânicas/os ? Senão vejamos - temos vários vulcões perto dos círculos polares »» Erebus, Augustine e toda a península aleutiana, Canadá, Sibéria, Kamschatka e a sua vizinhança, entre outros que não me lembro ...
 

Rog

Cumulonimbus
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Norte Madeira (500m)
(Rog) :thumbsup: gostei da explicação detalhada e sintética.

Se calhar podes-me esclarecer neste ponto: o que terá acontecido para, há uns milhares ou milhões de anos, a Antártida e o Ártico terem tido clima equatorial (como o provam os fósseis encontrados e análises do gelo)?
Teria sido algum Calhau daqueles valentes?

Mais uma achega ... descobertas recentes mostram que o magma superior (o que está logo debaixo da Litostera) é mais "líquido" e deslizante (acelera o movimento das placas tectónicas, logo, os sismos) do que se julgava; não será também isso que provocou/provoca o súbito aquecimento das correntes e fundos oceânicas/os ? Senão vejamos - temos vários vulcões perto dos círculos polares »» Erebus, Augustine e toda a península aleutiana, Canadá, Sibéria, Kamschatka e a sua vizinhança, entre outros que não me lembro ...

Duvido que tenha sido algum calhau, e acabaste por dar a resposta, a Antártida já teve clima tropical porque esta placa continental já esteve mais para Norte, mas com a deriva das placas ao longo de milhares de anos a colocou no local onde hoje se encontra - mas não ficará por ali, irá prosseguir a sua deriva! Quanto ao Ártico nunca teve clima tropical nem nunca há-de ter, porque este é o nome do Oceano onde se localiza o polo Norte geográfico, e para haver clima tropical nestas latitudes a terra teria de se inclinar muito mais que os 23º actuais, algo que nunca aconteceu.
A única parte sólida do Ártico é a parte central do Oceano que está congelada, embora ali mesmo ao lado tenha a Gronelândia que também já teve um clima muito mais ameno:) .
Os fosséis o provam, mas análises de gelo não o podem provar, porque numa zona tropical o gelo não se podia manter, e só se mantém a altitudes para cima dos 3000, 4000 metros. O que se pode analizar no gelo nas várias camadas, são por exemplo as concentrações de CO2, monóxido de carbono ... e verificar o que ocorria no mundo, como deposição de cinzas e gases de grandes vulcões e outros dados.
Quanto ao magma mais fluído - o que se provou é que é mais "líquido" do que pensavamos, embora já o fosse dessa fluidez antes de o termos descoberto. Quanto a vulcões, sempre os ouve e sempre haverá (não existe hoje mais vulcões do que à milhões de anos atrás), e encontram-se maioritariamente no limite das placas tectónicas, tanto perto do Ártico, como no anel de fogo do Pacífico, como nas Caraíbas..., mas isto foi sempre assim...
Os supervulcões como o de Yellowstone a entrar em erupcão seria uma grande catástrofe, e é provável que dentro de anos (dezenas ou milhares de anos quem pode saber?) assim aconteça, mas olhando para uma escala geológica maior este vulcão já entrou em erupção durante diversas vezes com períodos calmos pelo meio (talvez para se recarregar!), e outros de grande actividade.
O aquecimento dos Oceanos pode se explicar pelo sol, talvez pela menor camada de ozono na Terra deixe entrar mais radiação e assim mais calor, agora para os Oceanos alterarem a sua temperatura devido a vulcões, só mesmo em locais imediatamente próximos de algum vulcão, com influência quase nula para a restante massa de água.:)