Caravela-portuguesa regressa às praias do Mediterrâneo

Vince

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23 Jan 2007
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A caravela portuguesa está em vias de colonizar o Mediterrâneo?

Largada assim, sem mais explicações, a pergunta soa estranha. Afinal, as caravelas portuguesas cruzaram praticamente todas as águas do mundo, há já muitos séculos, mas a sua principal virtude era exactamente a capacidade de navegar com ventos contrários, possibilitando a exploração dos grandes mares exteriores - e não interiores, como o Mediterrâneo. Então por que motivo esta questão se levanta em pleno século XXI? Porque não estamos a falar de navios, estamos a falar de uma espécie marinha, a Physalia physalis.
Cientistas espanhóis ouvidos pelo jornal espanhol El Mundo dão conta de um número crescente de avistamentos de caravelas-portuguesas nas águas do Mediterrâneo, relativamente perto das costas espanholas. Soaram os alarmes: grandes concentrações de medusas nesta zona têm sido notícia em anos anteriores, mas a caravela-portuguesa não é apenas mais uma medusa. Os seus longos tentáculos urticantes podem ser letais.
O biólogo espanhol Xavier Pastor levanta mesmo a hipótese de esta súbita proliferação da espécie no Mediterrâneo poder ser um primeiro sinal de que as alterações climáticas estarão a criar condições para uma colonização do mar interior que separa a Europa de África por esta espécie, com apetência por águas mais frias. As caravelas-portuguesas, diz, não eram vistas nesta área há cerca de uma década e, a confirmar-se o cenário de um alargamento da sua área de acção, isso "seria um problema, porque realmente são muito perigosas". Ignacio Franco, do Centro Oceanográfico de Los Alcazares, região de Múrcia, especifica: "Entre 30 a 50 por cento das pessoas afectadas pela caravela-portuguesa podem ter de ser hospitalizadas."
Mas o biólogo marinho português Pedro Ré deita água na fervura. "É preciso ter cuidado quando se fala nestas questões das alterações climáticas. Só com estudos mais profundos se podem tirar conclusões sobre a eventual modificação de hábitos da Physalia e não creio que esse seja um cenário plausível." Salientando sempre que a realidade do Mediterrâneo é completamente diversa da que se verifica nas costas portuguesas, onde não se recorda de qualquer incidente com a caravela-portuguesa, o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desdramatiza os alertas que chegam de Espanha.
Tentáculos gigantes
Embora o artigo do El Mundo classifique a caravela-portuguesa como a medusa "mais perigosa do mundo", Pedro Ré salienta que a picada dos seus tentáculos urticantes só é "letal em condições muito especiais": "Se uma pessoa tiver problemas de coração, ou se sofrer de alergias, se for picada várias vezes, aí, sim, é muito perigoso. Noutros casos, dói, mas não mata."
Assustador, ainda assim. Não tanto quanto o verdadeiro pavor inspirado pela que será, realmente, a medusa mais antipática do mundo, a espécie Chironex fleckeri, conhecida na Austrália por Box Jelly. Os tentáculos deste bicho que flutua na costa Leste australiana (e que obriga a fechar as praias na época em que chega mais perto de terra) são muito venenosos e a sua picada deixa cicatrizes horríveis - diz-se que a dor provocada é de tal maneira atroz que as pessoas podem morrer de choque.
A caravela-portuguesa é menos sinistra, mas bem mais espectacular. Para começar, nem pode ser considerada uma medusa, uma vez que parte do seu corpo flutua acima da linha de água (e foi exactamente esta característica que lhe valeu o nome, uma vez que se assemelha à vela triangular dos navios com que os navegadores portugueses partiram à descoberta do mundo). Depois, o tamanho dos tentáculos (até 50 metros, nos casos mais extremos, embora sejam geralmente bem mais pequenos) impressiona qualquer um. Finalmente, tem o desagradável hábito de se juntar em grupos numerosos.
Por causa da sua "vela", a caravela-portuguesa pode ser impulsionada pelo vento e é isso mesmo que os cientistas espanhóis crêem que terá acontecido aos exemplares avistados no Mediterrâneo (em grupos de até 50, sinaliza o El Mundo), embora não ponham de parte outras pistas, como a abundância de alimento e a redução da população da sua principal predadora, a tartaruga-careta, ou tartaruga-boba. É a espécie de tartaruga marinha mais comum nos Açores, onde, salienta Pedro Ré, o avistamento de caravelas-portuguesas é "normal".
Nas costas de Portugal continental são muito raras e fenómenos como os ocorridos no Mediterrâneo em anos anteriores, com enormes concentrações de medusas perto das praias, "nunca aconteceram", analisa o biólogo português. "Muitos menos com Physalia..."


Caravela-portuguesa regressa às praias do Mediterrâneo

Nos últimos seis meses, autoridades espanholas avistaram em três ocasiões diferentes grupos de meia centena de 'Physalia Physalis' junto à costa de Múrcia. Este organismo, que não é uma medusa ao contrário do que muitos pensam, tem tentáculos venenosos e provoca queimaduras de terceiro grau. Em casos extremos pode mesmo causar a morte.

Esta é uma caravela-portuguesa que os turistas não querem ver perto da praia. Grupos de meia centena de Physalia physalis, cuja picada venenosa provoca queimaduras de terceiro grau e pode até ser mortal, foram observados junto às costas de Múrcia, no Sudeste de Espanha. Há dez anos que não eram detectadas nesta região do mar Mediterrâneo.

O director da organização não governamental Oceana para a Europa, Xavier Pastor, disse ao jornal El Mundo que a presença desta espécie junto às costas peninsulares pode ser o presságio do início de uma colonização. "Se assentarem aqui seria um problema, porque realmente são muito perigosas", acrescentou. Esta é a terceira vez em seis meses que são vistos estes grupos de caravelas portuguesas.

Para os especialistas do Centro Oceanográfico de Los Alcázares, que registaram as observações, a aparição desta espécie no Mediterrâneo prende-se com as correntes e os ventos (a forma que estes organismos têm para se deslocar). Mas também pode ser causada pelas alterações climáticas, a pesca ou a abundância de alimentos. Este organismo alimenta-se de pequenos peixes e crustáceos, que adormecem com o seu veneno.

Apesar de muitos a confundirem com uma medusa, a caravela- -portuguesa é na realidade um sifonóforo, ou seja, uma colónia de organismos (neste caso quatro pólipos) que trabalham em conjunto para a sobrevivência de todos. Um deles é a "vela", o pneumafóforo que fica acima da água e que na realidade é uma espécie de bolsa cheia de gás.

Esse globo azulado esconde os tentáculos que medem cerca de 30 metros: "Em cada nove a dez metros há 800 mil nematocistos, filamentos capazes de injectar o veneno", explicou ao DN Armando Almeida, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Os músculos nos tentáculos levam os alimentos até ao terceiro pólipo, que contém os organismos digestivos. A caravela-portuguesa fica completa com os organismos reprodutores.

Armando Almeida explicou que a distribuição da Physalia physalis vai desde a costa inglesa até à África do Sul, existindo também no Mediterrâneo. "Mas é uma espécie de largo, que geralmente não aparece junto às costas, logo não damos pela sua presença", referiu. O professor deixou ainda o alerta: a caravela-portuguesa não é só perigosa quando está viva. Caso encontre um destes organismos mortos na praia não deve tocar, já que ainda contém veneno.

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1216608&seccao=Biosfera



Portuguese Man o' War


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The Portuguese Man o' War (Physalia physalis), also known as the blue bubble, blue bottle, man-of-war, or the Portuguese man o' war, is a jelly-like, marine invertebrate of the family: Physaliidae, order: Siphonophora, class: Hydrozoa, and Phylum: Cnidaria.

The common name comes from a Portuguese war ship type of the 15th and 16th century, the man-of-war (named caravela-portuguesa in Portuguese, caravel), which had triangular sails similar in outline to the bladder of the Portuguese Man O' War.

They are commonly but erroneously thought of and referred to as a jellyfish. In fact, a Portuguese Man O' War is not a single animal, but rather a siphonophore – a colony of four kinds of minute, highly modified individuals, which are specialized polyps and medusoids.[1] Each such zooid in these pelagic colonial hydroids or hydrozoans has a high degree of specialization and, although structurally similar to other solitary animals, are all attached to each other and physiologically integrated rather than living independently. Such zooids are specialised to such an extent that they lack the structures associated with other functions and are therefore dependent for survival on the others to do what the particular zooid cannot do by itself.

A similar group of animals are the chondrophores, which are specialised hydroids that float at the surface of the open ocean.

The Portuguese Man O' War is infamous for "swarming" in groups of thousands and for a very painful, powerful sting.

Habitat and locomotion

The Portuguese Man O' War lives at the surface of the ocean, with its float above the water, serving as a sail, and the rest of the organism hanging below the surface. It has no means of propulsion, but is moved by a combination of winds, currents, and tides. It is found in open ocean in all of the world's warm water seas but most commonly in the tropical and subtropical regions of the Pacific and Indian oceans, and the northern Atlantic Gulf Stream. Strong onshore winds may drive them into bays or on beaches.

Physalia physalis is the only widely distributed species. P. utriculus, commonly known as the bluebottle, frequently occurs in the Pacific and Indian oceans.

They are reported abundantly off the Karachi coast in Pakistan, and are common in the ocean off parts of Australia and New Zealand especially at the Sand's Pit and Hawkes Bay beaches during the months of June and July. They come ashore all along the northern Gulf of Mexico and both east and west coasts of Florida as well around the Hawaiian Islands. They are also frequently to be found along the east coast of South Africa, especially on the KwaZulu-Natal beaches (particularly if the wind has been blowing steadily on shore for a number of hours).

It is rare that only a single Portuguese Man O' War is found; the discovery of one usually indicates the presence of many as they can "swarm" in groups of thousands.

Attitudes to the presence of the Portuguese Man O' War vary around the world. Given their sting, they must be treated with caution and the discovery of a number of blue bottles washed up on the beach might lead to the closure of a whole beach.

Structure

The Portuguese Man O' War has an air bladder (known as the pneumatophore or sail) that allows it to float on the surface of the ocean. This sail is translucent and tinged blue, purple or mauve. The sail may be 9 to 30 centimetres long and may extend as much as 15 centimetres above the water. The Portuguese Man O' War secretes gas into its sail that is approximately the same in composition as the atmosphere, but may build up a high concentration of carbon dioxide (up to 90%). The sail must stay wet to ensure survival and every so often the Portuguese Man O' War may roll slightly to wet the surface of the sail. To escape a surface attack, the sail can be deflated allowing the Man O' War to briefly submerge .

Below the main body dangle long tentacles, which occasionally reach 50 meters (165 ft) in length below the surface, although one metre (three feet) is the average. The long tentacles "fish" continuously through the water and each tentacle bears stinging venom-filled nematocysts (coiled thread-like structures) which sting and kill small sea creatures such as small fish and shrimp. Contractile cells in each tentacle work to drag prey into range of the digestive polyps, the gastrozooids, another type of polyp that surrounds and digest the food by secreting a full range of enzymes that variously break down proteins, carbohydrates and fats. Gonozooids are responsible for reproduction.

Certain small fish are able to live among the tentacles (being nearly immune to the poison from the stinging cells) and have a commensal symbiotic relationship, i.e. a relationship beneficial for the symbiont, with no negative or pathogenic effect on the host.

The Portuguese Man O' War's float is bilaterally symmetrical with the tentacles at one end, whereas by contrast the chondrophores are radially symmetrical with the sail at an angle or in the center. Also, the Portuguese Man O' War has a siphon, while the chondrophores do not.

http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_Man_o'_War
 

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Nimbostratus
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12 Nov 2008
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Ponta Delgada - Açores
À cerca de um mês dei um passeio pela costa sul de S.Miguel e em cada praia que passava encontrava caravelas portuguesas. Curioso quando uma onda aproximava-se da caravela, enchia-se como um balão.

À cerca de um mês e meio um amigo meu, foi "ferrado" por uma num pé, foi o suficiente para uma ida ao hospital e 3 dias de moletas.

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