Corrente do Golfo: Efeitos do enfraquecimento em Portugal

belem

Cumulonimbus
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A ideia que eu tenho é que na verdade e em Portugal, o "parar" da corrente do Golfo não nos ia trazer grande frio, pelo contrário. Os países do norte da Europa, esses sim, teriam invernos mais rigorosos como o Canadá, mas nós, a meia Latitude e com o deserto do Saara tão próximo não sei não.
Não digo que os Invernos não fossem mais frios, mas como seria o Verão? O Atlântico à nossa latitude, sem a corrente norte, iria certamente aquecer como o Mediterrâneo. E assim, ao invés de 18ºC, iriamos ter na Costa da Caparica 24ºC como chega a acontecer em Roma. E o que aconteceria à nortada? Ao invés de fresca, passaria a ser morna? :huh:

São duvidas que tenho... Se calhar duvidas disparatadas, mas não deixam de matutar na minha cabeça:confused:

Apesar de tudo não creio que hajam grandes modificações ao nível do clima devido à corrente do Golfo. Pelo menos não nos próximos anos.

O Mediterrâneo aquece mas tb arrefece.
A Costa da Caparica tem fases do verão em que a água está acima dos 20ºc.
O que poderá haver é uma continentalização do clima.
 
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belem

Cumulonimbus
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Paulo, eu concordo quase na totalidade contigo. Partindo do princípio que há ciclos de enfraquecimento da corrente também não acredito em alterações extremas. A única coisa em que discordo é que acho 5ºC médios demasiado. Penso que no máximo seria algo na ordem dos 2ºC ou 3ºC. E isto esquecendo o aquecimento global, pois provavelmente na presença deste seria menos ou se calhar nenhum.... Mas esquecendo o aquecimento ou fazendo de conta que ele realmente não existe, acho que em termos médios seria algo como isso. O que se passa é que quando temos um arrefecimento médio mesmo de apenas 1 ou 2ºC que podem parecer pouco, na prática depois podem ocorrer um ou outros Invernos mais rígidos.

Porque atiro estes valores ? Porque andei a ver temperaturas médias no século XX e durante esse século de certeza que o Atlântico passou por fases destas em que a corrente enfraqueceu. E olhando para vários registos no máximo vejo coisas na ordem dos 2/3ºC, ignorando um ou outro outlier.

71140140pm5.gif


14220388lk1.gif



Descidas de 5ºC ou um pouco mais acho que só na pequena idade do Gelo, e mesmo aí tenho sérias dúvidas de que terá sido muito mais em Portugal. E nestes ciclos não estamos a falar disso, pois como dizes a corrente só por si não consegue quedas maiores na temperatura, supondo que tudo o resto se mantem e os respectivos mecanismos de equilibrio que referes. A corrente é importante mas não é ela sozinha que faz o nosso clima.

E não esquecer que para a pequena idade do Gelo parecem ter contribuído dois factores excepcionais, intensa actividade vulcânica e o mínimo de Maunder, e não a corrente do golfo que provavelmente deve ter ajudado à festa mas é impossível saber de que forma. Mas de momento não temos nada que indique um mínimo solar, o que não quer dizer que não aconteça, há cientistas russos que prevêm um mínimo solar não tão radical como o de Maunder, seria algo como o de Dalton. Mas previsões sobre isso valem o que valem, seja de quem for. E vulcões idem, também ninguém consegue prever.

maunderri9.gif


Mas isto para dizer que mesmo num cenário mais radical como o da pequena idade do gelo, em Portugal não estariamos a falar de algo catastrófico. Aliás, não há grandes registos dessa época sobre frio extremo ou assim, o que mostra que nada de muito grave se passou nesses tempos, de contrário seria algo muito mais referido na nossa literatura histórica.

Sobre Espanha há bastantes documentos, falam de neve em locais onde ela hoje não existe, falam de neves permanentes na Sierra Nevada, etc, mas não esquecer que na Sierra Nevada o pico mais alto, o Mulhacén tem 3482 m.

Muito bom post.
 

AnDré

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O Mediterrâneo aquece mas tb arrefece.
A Costa da Caparica tem fases do verão em que a água está acima dos 20ºc.
O que poderá haver é uma continentalização do clima.

Pois, eu referia-me exactamente àquilo a que denominou de "continentalização do clima", daí não ter incluído os arquipélagos na delimitação da latitude que referi anteriormente.

Em relação ao Mediterrâneo, escolhi uma cidade mais ou menos à mesma latitude de Lisboa, (Cagliari no sul da Sardenha a 39,11ºN), e constatei que as médias de temperatura da água variam entre os 14ºC em Janeiro e Fevereiro e 26ºC em Agosto, sendo a média anual de 18,92ºC.
Já em Lisboa, a temperatura da água varia entre 15ºC em Março e 21ºC em Setembro e Outubro, sendo a média anual de 17,83ºC.

Posto isto, volto a lançar a questão que para mim é pertinente:
- Se a corrente do Golfo parasse, o atlântico ao largo da costa de Portugal Continental arrefeceria mais no Inverno, mas o aquecimento que se verificaria no verão não poderia ser superior ao seu arrefecimento no Inverno, e assim sendo, a temperatura média anual poder subir ao invés de baixar?
Note-se que me refiro a uma latitude mais próxima do trópico de câncer do que propriamente do circulo polar árctico.

Mas já que referiu a latitude dos 30ºN, que modificações na temperatura oceânica iriam sofrer as ilhas selvagens, tão próximas de um trópico, cujo calor não seria distribuído, dada a ausência de corrente? :huh:


Claro que são tudo suposições e teorias. Não acredito que a corrente possa parar, nem que o seu eventual enfraquecimento nos possa trazer grandes modificações ao nível do nosso clima. Mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha!:hehe:
 

Vince

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Na última glaciação a temperatura seria, em média, uns 10ºC mais baixa.
Muita informação sobre a última glaciação em Portugal:
http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/2000-70/70_04.pdf


Excelente documento Dan. Já tenho procurado por coisas deste género sem sucesso.

Mas fiquei um pouco surpreendido, esperava que em plena glaciação as temperaturas fossem menores do que esses 10ºC de diferença.
 

Vince

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E atenção -15ºC de diferença é em relação ao ponto onde está recuando o glaciar. Eu diria que para termos formação de glaciares no Vale do Zêzere/Manteigas teriamos então temperaturas 15º a 20ºC mais baixas que as actuais!!
Concordam?!
Então seguindo este raciocínio, penso que não será pelo suposto enfraquecimento gradual da corrente do golfo que devemos recear ver glaciares e icebergs ao longo das nossas praias! Terá de ser em conjunção com outros factores..

Acho que sim, também atiraria para 15ºC ou 20ºC, mas pelos vistos o Dan mostrou aí um estudo que fala em menos 10ºC em Portugal. Mas aí na glaciação não estariamos a falar de um enfraquecimento da corrente por paragem do motor termohalino (devido ao degelo por exemplo), aí estamos a falar da última glaciação e em princípio as glaciações e as inter-glaciações como a que vivemos agora são explicados por ciclos astronómicos milenares, os movimentos de Precessão, Excentricidade, Intensidade Solar e Obliquidade da teoria dos ciclos de Milankovitch. Embora a teoria de Milankovitch não consiga explicar ciclos ainda mais longos, das Eras do Gelo, mas aí já estamos em escalas de milhões de anos e muita coisa sucedeu na Terra de que nós não fazemos a mínima ideia.
 

Vince

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Ontem à noite andei a pesquisar por bastante informação, e a maioria dos documentos referem o que já foi referido aqui por outros. O clima da Europa vs. norte americano deve-se principalmente à massas de ar marítimo. A corrente do Golfo é importante mas não é ela a que define o clima da Europa ocidental. Uma coisa que encontrei várias vezes referida e que não sabia foi que além das massas de ar também há o efeito das Rocky Mountains nos ventos que contribuem também para a grande diferença entre os EUA e a Europa.

the influence of the Rocky Mountains on the prevailing
westerlies [Bolin, 1950] brings cool Arctic air (northwesterlies)
over North America and warmer oceanic air
(south-westerlies) over western Europe.
http://www.soc.soton.ac.uk/coapec/pdfs/FM/6.1Brand.pdf

The Rocky Mountains play a major role. Analogous to an island in a stream, the Rockies set up a persistent wave in the winds downstream that brings cold winds from the north into eastern North America and warm winds from the south into western Europe. This pattern of movement of heat by the winds accounts for half of the total difference in winter temperatures between the two regions, with much of the other half attributable to the release of heat stored in the ocean.
http://www.columbia.edu/cu/news/03/02/richardSeager_research.html

Here, it is shown that the principal cause of this temperature
difference is advection by the mean winds. South-westerlies bring warm maritime air into Europe and northwesterlies
bring frigid continental air into north-eastern North America. Further, analysis of the ocean surface heat
budget shows that the majority of the heat released during winter from the ocean to the atmosphere is accounted
for by the seasonal release of heat previously absorbed and not by ocean heat-￾ ux convergence
http://www.atmos.washington.edu/~david/Gulf.pdf


Encontrei também diversa literatura sobre o tema do tópico, por exemplo algumas simulações do fim da corrente em modelos e para Portugal indicam os 2 ou 3ºC a menos na temperatura e no limite cerca de uns 10ºC no Mar da Noruega.


shut.gif

http://www.climate.unibe.ch/~stocker/papers/stocker02sci.pdf



satdeviations.jpg

http://www.pik-potsdam.de/~stefan/thc_fact_sheet.html
 

Vince

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Claro que são tudo suposições e teorias. Não acredito que a corrente possa parar, nem que o seu eventual enfraquecimento nos possa trazer grandes modificações ao nível do nosso clima. Mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha!:hehe:

As teorias da quebra da corrente foram muito faladas há uns anos atrás, talvez 2004 e 2005. Na altura houve vários estudos (alguns sérios, outros nem tanto) que geraram muitos documentários (o Luper até pôs um deles no forum) até filmes-catástrofe de grande sucesso como o The Day After Tomorrow, muitas notícias alarmistas, sobretudo no Reino Unido, em que a imprensa falava que o país se iria transformar no Alasca ou na Sibéria se a corrente do Golfo morresse.

As teorias não são descabidas de todo, primeiro porque os Oceanos devem ter mesmo um papel mais importante no clima do que o pouco que sabemos, mas sobretudo porque já ocorreu no passado um evento climático abrupto e a explicação mais plausível seria mesmo a quebra da corrente. A acrescentar à descoberta desse evento temos o facto de estarmos actualmente num periodo inter-glaciário já muito longo, ou seja, olhando para o passado estamos aparentemente atrasados para a entrada numa nova glaciação, e a quebra da corrente poderia ser o mecanismo de disparo, o trigger, de uma nova glaciação. Mas isto de estar atrasado ninguém sabe quanto, poderiam ser 100 anos, mil, ou 5 mil, sabe-se lá.

Esse evento mais recente foi o Younger Dryas e passou-se há 12800 anos

younger_dryas_gisp2.jpg


No entanto isto é apenas uma teoria como centenas de outras. Afinal este evento ocorreu no fim de uma glaciação em que os glaciares estavam no máximo e começaram a derreter e a recuar, enquanto nós à partida agora estariamos próximos do fim de uma inter-glaciação. Além disso a teoria diz que foi um evento catastrófico da ruptura do lago Agassiz nos EUA que provocou a ruptura da corrente. Também tudo indica que não foi um evento global mas regional. E noutros ciclos de glaciações e inter-glaciações não ocorreram eventos abruptos deste género, pelo que falar de algo deste tipo como tendo fortes probalidades de acontecer é já especular mesmo muito muito ... Mas também ninguém pode jurar que não possa acontecer algo assim ou outra coisa qualquer.
 

Vince

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Se o mapa for realmente um mapa de previsão penso que estamos á beira de qualquer coisa de grande

Esse mapa não é uma previsão, é uma simulação de quanto calor poderia hoje atribuir-se à TLC (circulação thermohalina). Ou seja, regressando ao início da conversa no tópico, dos 10ºC de diferença para Nova Iorque apenas uns 2 ou 3ºC (conforme as várias simulações que pûs em cima) poderiam teoricamente atribuir-se à corrente.
 

Mário Barros

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Esse mapa não é uma previsão, é uma simulação de quanto calor poderia hoje atribuir-se à TLC (Circulação thermohalina). Ou seja, regressando ao início da conversa no tópico, dos 10ºC de diferença para Nova Iorque apenas uns 2 ou 3ºC (conforme as várias simulações que pûs em cima) poderiam teoricamente atribuir-se à corrente.

Pois faltava-me a palavra é isso simulação :D

Mas se realmente a simulação está-se a começar a aproximar da realidade o que é um pouco assustador mas extraordinário ao mesmo tempo :w00t::w00t:

O esquesito é a Europa aquecer em vez de arrefecer :confused::confused: ainda por cima o Norte da Europa se ainda fosse o sul o norte não deveria ser o primeiro local a "levar" com uma redução de 10ºC a 12ºC.
 

Dan

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Se bem entendi, a figura apresenta os desvios de temperatura em relação aos valores que essas regiões deviam ter em função da latitude em que se encontram, mas sem a Corrente thermohalina. Dessa forma, o norte da Europa surge com um acréscimo da ordem de 10ºC por causa da Corrente do Golfo. No nosso país esse acréscimo é bem menor.
 
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AnDré

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Tem graça, esta projecção poe completamente de lado aquela minha hipótese dos trópicos aquecerem:hehe: Pensava que aqueceriam, dado que o calor que ali chega não seria distribuído em direcção aos pólos.

Mais estranho ainda é ver todas as implicações que esta corrente provoca ao nivel global. E já nem falo da antárctica, mas da Ásia. Como é que uma corrente oceânica do lado de cá, faz descer tanto a temperatura no continente do lado oposto?:huh:

Esta corrente tem mesmo muito que se lhe diga :hehe:
 
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Vince

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Mais estranho ainda é ver todas as implicações que esta corrente provoca ao nivel global. E já nem falo da antárctica, mas da Ásia. Como é que uma corrente oceânica do lado de cá, faz descer tanto a temperatura no continente do lado oposto?

Porque é um sistema circulatório global. Daí até ser muito errado nós, as pessoas em geral e os media falarem em Corrente do Golfo, o nome correcto é circulação termohalina ("thermohaline circulation" ou "ocean conveyor belt" ou "meridional overturning circulation", parece que este último é o nome mais correcto em inglês na literatura cientifica).



conveyor2lw3.jpg
 

belem

Cumulonimbus
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Pois, eu referia-me exactamente àquilo a que denominou de "continentalização do clima", daí não ter incluído os arquipélagos na delimitação da latitude que referi anteriormente.

Em relação ao Mediterrâneo, escolhi uma cidade mais ou menos à mesma latitude de Lisboa, (Cagliari no sul da Sardenha a 39,11ºN), e constatei que as médias de temperatura da água variam entre os 14ºC em Janeiro e Fevereiro e 26ºC em Agosto, sendo a média anual de 18,92ºC.
Já em Lisboa, a temperatura da água varia entre 15ºC em Março e 21ºC em Setembro e Outubro, sendo a média anual de 17,83ºC.

Posto isto, volto a lançar a questão que para mim é pertinente:
- Se a corrente do Golfo parasse, o atlântico ao largo da costa de Portugal Continental arrefeceria mais no Inverno, mas o aquecimento que se verificaria no verão não poderia ser superior ao seu arrefecimento no Inverno, e assim sendo, a temperatura média anual poder subir ao invés de baixar?
Note-se que me refiro a uma latitude mais próxima do trópico de câncer do que propriamente do circulo polar árctico.

Mas já que referiu a latitude dos 30ºN, que modificações na temperatura oceânica iriam sofrer as ilhas selvagens, tão próximas de um trópico, cujo calor não seria distribuído, dada a ausência de corrente? :huh:


Claro que são tudo suposições e teorias. Não acredito que a corrente possa parar, nem que o seu eventual enfraquecimento nos possa trazer grandes modificações ao nível do nosso clima. Mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha!:hehe:

E para uma Ilha dos Açores há mesma latitude sensivelmente tem dados?
Penso que ainda varia menos do que em Lisboa.Relativamente à corrente do Golfo é inegável a sua influência, mas também temos um oceano gigante à porta.
As massar de ar marítimo a meu ver influenciam bastante o clima europeu, tornando-o menos contrastante que o do Leste asiático e Leste americano, dado que nesta região ( Europa, América do Norte, Leste asiático) imperam os ventos de oeste mas no caso dos 2 últimos continentes esses ventos sopram do interior do continente ( na costa leste, gerando um clima continental). O litoral de Portugal, sobretudo costa oeste, tem características térmicas e pluviométricas semelhantes às da costa californiana. Por outro lado ideia que tenho é que o interior de Portugal ( sobretudo Terra quente transmontana, centro e sul) tem um comportamento térmico e pluviométrico muito semelhante ao Mediterrâneo do Leste. E curiosamente os valores de temperatura e precipitação são semelhantes. É o que acontece quando há a continentalização do clima.
Daí não sei que efeitos terá a diminuição desta corrente. Haverá descida ou subida, não sei. Outra coisa, parece-me confuso haverem Atlas que colocam uma corrente fria ( Canárias) a influenciar a costa ocidental de Portugal, outros colocam e falam da Corrente do Golfo. Mas sei que de certeza existe muito « upwelling» na nossa costa ocidental que transporta as águas fundas e frias, mas cheias de nutrientes, para as camadas superior marítimas e esfria a temperatura das águas e dá uma «segunda oportunidade à cadeia alimentar». Por esta razão, o mar em Portugal apresenta uma diversidade biológica marinha muito superior aos comparativamente mais estéreis Mar Mediterrâneo e Mar Negro.
Os Açores parecem-me afectados pela Corrente do Golfo, certo?
A Madeira, tb muitas vezes está com a dita descrição de uma corrente fria das Canárias, mas por outro lado as temperaturas da água são francamente quentes.
A uma corrente fria geralmente associo muita secura e a uma corrente quente o contrário.
Embora por vezes devido à latitude ( por exemplo, cintura desértica) tanto faz o tipo de corrente, que o clima poderá na mesma ser seco.
Há aqui alguma confusão por parte dos orgãos de informação ( acima de tudo sobre as correntes e sua influência, que é um assunto que carece de mais estudo).
Quanto ao clima logo se verá.:D
 

Vince

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Outra coisa, parece-me confuso haverem Atlas que colocam uma corrente fria ( Canárias) a influenciar a costa ocidental de Portugal, outros colocam e falam da Corrente do Golfo. Mas sei que de certeza existe muito « upwelling» na nossa costa ocidental que transporta as águas fundas e frias, mas cheias de nutrientes, para as camadas superior marítimas e esfria a temperatura das águas e dá uma «segunda oportunidade à cadeia alimentar». Por esta razão, o mar em Portugal apresenta uma diversidade biológica marinha muito superior aos comparativamente mais estéreis Mar Mediterrâneo e Mar Negro.
Os Açores parecem-me afectados pela Corrente do Golfo, certo?
A Madeira, tb muitas vezes está com a dita descrição de uma corrente fria das Canárias, mas por outro lado as temperaturas da água são francamente quentes.
A uma corrente fria geralmente associo muita secura e a uma corrente quente o contrário.
Embora por vezes devido à latitude ( por exemplo, cintura desértica) tanto faz o tipo de corrente, que o clima poderá na mesma ser seco.
Há aqui alguma confusão por parte dos orgãos de informação ( acima de tudo sobre as correntes e sua influência, que é um assunto que carece de mais estudo).
Quanto ao clima logo se verá.:D

Esses esquemas gráficos que vemos aqui e nos atlas são simplificações com a indicação das circulações dominantes mas a circulação oceânica abrange o Altântico inteiro, é complexa e local e sazonalmente diversificada. A distinção mais importante é entre correntes superficiais como a corrente do golfo, que são impulsionadas pelos ventos e depois as correntes profundas impulsionadas por mecanismo termohalino.

Regionalmente, fazendo parte deste sistema para além da corrente das Canárias tens a corrente dos Açores que é um ramo da corrente do Golfo, que se comporta de forma distinta ao longo do ano.

The Azores Current
The Azores Current originates as a branch of the Gulf Stream near the Grand Banks (40°N, 45°W). In the winter, the area of origin consists of a single flow, while in the summer the flow bifurcates; the northernmost band flows almost directly toward the Azores Current region, while the southernmost band flows southwest and makes a cyclonic loop before merging with the Azores Current (Klein and Siedler 1989). The Azores Current flows southeastward until it crosses the Mid Atlantic ridge at about 35°N, 45°W. Then it travels eastwards between 32 and 35°N until it nears the African coast. Here it meanders eastward toward the Gulf of Cadiz, where some of its water is entrained in the Gibraltar outflow of Mediterranean water (Johnson and Stevens 2000).

http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/azores.html
http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/azores_2.html
http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/azores_3.html

E temos também a corrente de Portugal que só por si é bastante complexa e ainda não compreendida na totalidade.

The Portugal Current System
The Portugal Current itself is poorly defined spatially because of the intricate interactions between coastal and offshore currents, bottom topography, and water masses. The system is comprised of the following main currents:

1) The Portugal Current, which is a broad, slow, generally southward-flowing current that extends from about 10°W to about 24°W longitude;

2) The Portugal Coastal Countercurrent (PCCC), a southward flowing surface current along the coast during downwelling season, mainly over the narrow continental shelf to about 10-11°W longitude and flow from about 41-44°N; and

3) the Portugal Coastal Current (PCC), a generally poleward current that dominates over the PCCC during times of upwelling and like the PCCC, extends to about 10-11°W from shore, also present mainly from 41-44°N, where flow is 13.5 ± 5.7 cm s-1 (Perez et al., 2001; Martins et al., 2002).

The Portugal Current system is supplied mainly by the intergyre zone in the Atlantic, a region of weak circulation bounded to the north by the North Atlantic Current and to the south by the Azores Current (Perez et al., 2001). This current system should be envisaged within a very broad perspective of the dynamics of eastern oceanic boundary layers as outflow from the Mediterranean Sea has a significant influence on the underlying water masses that are part of the PC system (Ambar & Fuiza, 1994). The PC system is also influenced by the more dominant neighboring Canary and Azores Currents (Perez et al., 2001). The literature cites several inconsistencies in the seasonal patterns of this current system. As noted by Maze and others (1997), "these apparently contradictory views reveal the need for a better definition of the Portugal Current in terms of lateral extent and possible temporal variability and should be addressed by repeated surveys in the periods of well-established winter and summer regimes."

...

Analysis of CTD measurements, drifter data, and satellite images from the past several decades taken from the Portugal Current system itself has revealed the hydrology of the region and proven its geostrophic circulation to include a complex and not completely understood interaction between underlying water masses as well as meteorological conditions. Other significant influences on the Portugal Current System are seasonal winds, freshwater runoff from the Iberian Peninsula, the bottom topography found along the continental shelf break and slope, and the three main underlying water masses that are found below the seasonally variable surface layer. (Perez et al., 2001; Ambar & Fuiza, 1994; Huthnance et al., 2002; Martins et al., 2002). Meddies (eddies comprised of Mediterranean water) are also present, particularly in the region of the Tagus Abyssal Plain (about 11-13°W; 37-39°N) and along the shelf break, which are thought to be controlled mainly by the topography of the seafloor (Bower et al., 2002; Cuelho et al., 2002; Cherubin, 2000; Huthnance et al., 2002).
...
http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/portugal.html
http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/portugal_2.html
http://oceancurrents.rsmas.miami.edu/atlantic/portugal_3.html


Em profundidade tens distintas realidade. Apesar de as correntes virem indicadas com fluxos bem definidos a água segue para zonas muito mais extensas do que vemos nestes esquemas simplificados que mostram apenas os fluxos dominantes. Ao largo de Portugal entre os 2500 e os 3000m está a água profunda do Northeast Atlantic Deep Water (NEDAW) que vem dos mares nórdicos e se desloca para sul. Aos 1800 metros há água do Labrador. Pelos 1000 metros há água muito salgada que sai do Mediterrâneo (Mediterranean Sea Outflowater MSOW). Entre os 600 e os 900 a East North Atlantic Central Water ENACW que pode ter origem subpolar ou subtropical. E acima disto tens então as correntes de superficie. Estes mapas são assim apenas ilustradores da circulação dominante.