Vizela bate Paços de Ferreira em jogo polémico e indecente
No vetusto e honrado relvado do Estádio Diácono Remédios, pelas 15 horas de anteontem, mediram forças Vizela e Paços de Ferreira, em prélio decisivo para a promoção ao primeiro escalão na época 2045/46, e que ficará tristemente assinalado nos anais do nosso futebol, não tanto pelo resultado — que sorriu aos vizelenses — mas antes pela sucessão de episódios que denunciam a crescente lassidão moral que ameaça conspurcar os mais sãos costumes desportivos da Nação.
Logo aos 3 minutos se verificou facto de assinalável gravidade: Renatinho Alagoano, extremo da formação pacense, houve por bem ocultar o rosto com a camisola, gesto equívoco e atentatório da compostura que deve nortear os atletas. Alegou o mesmo que pretendia tão-somente enxugar o suor da fronte; todavia, submetido o caso ao crivo do VAM (vídeo-árbitro da moral), não se lograram divisar quaisquer indícios de transpiração que justificassem tal acto. Foi ainda chamado um perito em reflexão luminosa, cuja averiguação demorou 73 minutos, como convém quando está em causa a pureza dos princípios, que corroborou a decisão do juiz da partida.
Não tardaria nova controvérsia. Ao minuto 45+77, Fabiano introduziu a bola na baliza adversária, após cruzamento de Afonso Silveira. Porém, a ordem e a ciência vieram repor a verdade: o sistema SATVAR, auxiliado pela rede de satélites Starlink 7, apurou, com precisão ao nanómetro, que o referido lateral se encontrava adiantado por 0,014 milímetros. Decisão justa e irrefutável, ainda que recebida com impróprios protestos por parte de responsáveis vizelenses, que ousaram levantar suspeições sobre a imparcialidade do sistema, invocando laços familiares de Cristóvão Musk, guarda-redes pacense, com o proprietário da referida rede. Tais insinuações, além de infundadas, atentam contra o respeito devido às instituições tecnológicas que servem o progresso.
O jogo seria retomado apenas aos 45+135, devido à falha no receptor Starlink 7 do Diácono Remédios, que levou que a decisão demorasse cerca de uma hora a ser tomada. Jogaram-se então 26 minutos sem interrupções — feito que provocou visível júbilo nos 19 espectadores presentes, já pouco habituados a tão edificante continuidade.
Mas a euforia revelou-se terreno fértil para novas faltas de compostura. Após lance ríspido envolvendo Kostov e Musk, ecoou das bancadas um impropério gravíssimo dirigido à progenitora do juiz da partida, Olegário Benquerença Neto. Dada a insuficiência de câmaras no recinto, foi necessário interromper o encontro para interrogar todos os presentes, numa diligência que se prolongou por seis horas. O juiz da partida, abalado pela afronta, necessitou de acompanhamento psicológico, sendo substituído por José Amorim Pinto da Costa, a quem coube restaurar a disciplina e a dignidade do certame. Ao ofendido, a nossa redacção deseja o seu rápido restabelecimento.
Ao prevaricador, identificado após confissão obtida após a utilização do método do afogamento, aguardam-no as severas consequências previstas na lei, podendo a pena atingir 35 anos de reclusão, nos termos das reformas penais promovidas pelo senhor primeiro-ministro e nosso líder, João Numeiro, as quais preveem severas penas para atentados à honra e à moral pública.
Retomado o desafio, alcançou o Vizela o único golo da contenda aos 45+406, quando Ruben Silva converteu grande penalidade assinalada por palavrão proferido na área por Cristiano Ronaldo XXXVII, detectado por leitura labial do VAM. Considerado de gravidade moderada, mereceu cartão amarelo e correctivo exemplar — aplicação de pimenta na língua. A carência desse condimento no estádio obrigou, lamentavelmente, a nova interrupção de duas horas, revelando carências materiais nos estádios lusitanos, que urge suprir para bem da moral pública.
A segunda parte ficou marcada por novas indecências verbais, punidas com amarelos e expulsões, designadamente de Kostov e Tomás Melo, por uso de vernáculo impróprio terminado em “-alho”, expressão que não deve encontrar guarida em recintos onde se pretende formar carácter e exaltar virtudes.
Já após o nascer do Sol, aos 90+385, deu-se o lance mais controverso: Daniel Lemos foi expulso por alegadamente ter chamado “maricas” a CR XXXVII. Os responsáveis vizelenses sustentaram ter sido proferido “malícias”, numa alusão às constantes provocações do sobrinho-neto do seleccionador nacional.
O VAM dividiu-se equitativamente, com 6 juízes a concordarem com a decisão do juiz de campo e outros 6 a concordarem com a defesa do atleta; chamado, pois, árbitro académico de reconhecida competência, o Professor Suleiman Bambo, este confirmou a expressão mais grave, validando a expulsão. Lemos foi conduzido ao tribunal de Guimarães, onde responderá pelos seus actos, como convém num Estado que zela pela disciplina das palavras e pela rectidão dos costumes.
O encontro terminou aos 90+521, já com os intervenientes vencidos pelo cansaço e pela sonolência, espelho talvez da exaustão moral que tais episódios suscitam.
Registe-se, por fim, que o treinador pacense, Geovanny Quenda, foi vítima de assalto após o jogo, tendo o meliante sido prontamente detido na cidade do Porto e exemplarmente sancionado, com multa de 200 contos de réis — punição que se espera sirva de aviso a quantos persistem em trilhar caminhos de desordem.
Que estes factos sirvam de advertência: o futebol, enquanto escola de virtudes cívicas e de exaltação patriótica, não pode ser entregue à leviandade dos costumes nem à dissolução da disciplina. Cumpre restaurar a compostura, para que o desporto volte a ser espelho da ordem, da autoridade e da moral que engrandecem a Pátria.