Dez cidades aderem à Noite das Estrelas

Vince

Furacão
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Portugal apaga-se em nome do céu nocturno e do brilho das estrelas
18.07.2009 - 08h17 Ana Machado, Romana Borja-Santos

Perder a hipótese de observar um céu nocturno cheio de estrelas ou desperdiçar energia são as principais consequências da poluição luminosa, um problema que afecta a maior parte das cidades. Para sensibilizar a sociedade para este problema, astrónomos e amantes da observação dos céus juntam-se hoje em vários pontos do país para celebrar a Noite das Estrelas e para pedir legislação específica que proteja o direito ao céu nocturno.

Um bem que gostavam que a UNESCO elevasse a Património da Humanidade, começando, por exemplo, por criar "reservas de estrelas", zonas onde os interessados pudessem voltar a olhar para o lado negro do Universo.

Rosa Doran, astrónoma e investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, vai estar na praia dos pescadores, na baía de Cascais, com o Núcleo Interactivo de Astronomia, para mostrar aos que aparecerem como é bom observar o céu nocturno. Além de Cascais, as luzes apagam-se em dez locais de norte a sul do país, entre eles a Torre de Belém, em Lisboa, o Pátio das Escolas, em Coimbra, Moimenta da Beira, ilha Terceira (Açores) e Calheta (Madeira). Apesar de a iniciativa abranger apenas a iluminação pública, se todo o país fosse "desligado" durante apenas uma hora isso já permitiria uma redução entre os cinco e os dez por cento no consumo. Mas a ideia de hoje é mais fazer uma homenagem ao céu e exigir que este não seja ofuscado por nenhum brilho artificial.

"Quando entramos de avião em Lisboa vemos a Ponte 25 de Abril toda iluminada, mas não vemos a Ponte Vasco da Gama. É bonita de ver a ponte iluminada, mas não passa disso. É dinheiro que se gasta. Começamos a despertar para este problema da poluição luminosa que nos afecta dentro das cidades", lembra Rosa Doran sobre o problema que reduz aos planetários a hipótese de observação do céu: "As crianças perderam os céus".

"Mais do que ver as estrelas, olhar para o céu é descobrir o Universo", frisa a investigadora, recordando o mote do Ano Internacional da Astronomia, que se celebra ao longo deste ano em que se completam 400 anos sobre as primeiras observações de Galileu. Também o astrónomo Máximo Ferreira, do Centro Ciência Viva de Constância, defende um regresso às origens e sugere que se observe primeiro a olho nu. "Os instrumentos permitem ver mais longe, mas tiram a beleza do contacto directo com o céu."

Pedro Russo, astrofísico português a trabalhar no Observatório Europeu do Sul, em Munique, Alemanha, e coordenador do Ano Internacional da Astronomia, lembra que o impacto da poluição luminosa no ser humano não é grande, mas noutras espécies sim, o que leva já alguns países a aplicar legislação de protecção do céu nocturno.

"Estudos indicam que 40 por cento da iluminação é desperdiçada e nunca se provou a relação entre o aumento da criminalidade e a falta de iluminação", frisa o investigador, que aproveita para lançar o desafio a que Portugal adopte legislação específica. "Poderia até servir o turismo."

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1392295
 

criz0r

Cumulonimbus
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Eu concordo plenamente com esta iniciativa visto que costumo observar o Céu á noite seja com o meu telescópio amador ou mesmo a olho-nú e infelizmente se vejo 4 ou 5 estrelas é uma sorte com tanta luz em redor.
 

Pedro

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.
Isto é muito bonito mas se só se fizer uma ou duas vezes por ano não vale a pena... Deviam-se era instalar todas as lâmpadas públicas para baixo, para iluminarem as pessoas e não o céu...

Para baixo como?:unsure:

Elas já apontam para baixo...:confused:
 

belem

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Como?
Muitas pessoas nem sabem que estamos na situação que estamos!!!:(

Mas se houvessem mais destas iniciativas, talvez algo de relevante mudasse de verdade...:D

Era o que estava a querer dizer.
Quem tem seguido o meu tópico dos pirilampos e o blog sobre a bioluminescência sabe bem o que acho sobre a matéria.
O ideal mesmo era mudar a política de uso da energia e obter formas mais limpas, económicas e eficazes de iluminação.
Estas acções ajudam a sensibilizar as pessoas, embora pequem por serem poucas vezes realizadas.
Mas vá... Sempre é melhor que nada.
E hoje em dia, felizmente a iluminação de côr branca já não é tão usada como há uns anos atrás. O problema da luz branca é que tem o enorme inconveniente de atrair miríades de insectos e desregular os seus ciclos.
Se formos a uma aldeia do interior ainda podemos ver algumas destas luzes e quantidade enorme de insectos que elas atraem.
 

joseoliveira

Cumulonimbus
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Como é óbvio tais iniciativas, para além de todo este lado mediático, visam sobretudo o despertar da consciência do cidadão comum para o problema, mas é ou devia ser extensível a quem de direito com poder de decisão para que se fizessem as necessárias correcções, porque neste âmbito, há ainda muito a fazer!

Quando se aborda esta questão no que toca às fontes provocadas pelos aglomerados urbanos, tendemos a olhar de imediato para a iluminação pública. Para além da iluminação de ruas existem e por vezes muito intensos, os reclamos ou outro tipo de placares luminosos que agudizam ainda mais o problema.

Confesso que quando olho para um céu estrelado, não é o lado científico que se destaca mas o lado contemplativo e nesse aspecto sou um privilegiado, porque apesar de viver próximo do que chamo "urbanidades de Lisboa", vivo numa aldeia e os obstáculos à visibilidade de um belo céu nocturno são muito reduzidos. :p
 

belem

Cumulonimbus
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Sintra/Carcavelos/Óbidos
Como é óbvio tais iniciativas, para além de todo este lado mediático, visam sobretudo o despertar da consciência do cidadão comum para o problema, mas é ou devia ser extensível a quem de direito com poder de decisão para que se fizessem as necessárias correcções, porque neste âmbito, há ainda muito a fazer!

Quando se aborda esta questão no que toca às fontes provocadas pelos aglomerados urbanos, tendemos a olhar de imediato para a iluminação pública. Para além da iluminação de ruas existem e por vezes muito intensos, os reclamos ou outro tipo de placares luminosos que agudizam ainda mais o problema.

Confesso que quando olho para um céu estrelado, não é o lado científico que se destaca mas o lado contemplativo e nesse aspecto sou um privilegiado, porque apesar de viver próximo do que chamo "urbanidades de Lisboa", vivo numa aldeia e os obstáculos à visibilidade de um belo céu nocturno são muito reduzidos. :p

Se achas muito reduzida aí, imagino em algum local remoto do Alentejo ou do Interior.
Achei este link muito interessante:

http://www.iota-es.de/light_poll.html