Lince-Ibérico (Lynx pardinus)

Seattle92

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Lince-ibérico

O lince-ibérico (Lynx pardinus), também conhecido pelos nomes populares de Cerval, lobo-cerval, gato-fantasma, gato-cerval, nunca-te-vi, liberne, gato-cravo ou gato-lince, é a espécie de felino mais gravemente ameaçada de extinção e um dos mamíferos mais ameaçados. Tem um porte muito maior do que um gato doméstico e o seu habitat restringe-se à Península Ibérica. Apenas existem cerca de cem linces ibérico em liberdade em toda a Península Ibérica. Aparentemente encontra-se extinto em Portugal.

Distribuição

O lince-ibérico somente existe em Portugal e Espanha. A população está confinada a pequenos agregados dispersos (ver mapa de distribuição), resultado da fragmentação do seu habitat natural devido a factores antropogénicos. Apenas 2 ou 3 agregados populacionais poderão ser considerados viáveis a longo termo. A sua alimentação é constituída por coelhos, mas quando estes faltam ele come veados, ratos, patos, perdizes, lagartos, etc. O lince-ibérico selecciona habitats de características mediterrânicas, como bosques, matagais e matos densos. Utiliza preferencialmente estruturas em mosaico, com biótopos fechados para abrigo.O lince-ibérico pode-se encontrar na Serra da Malcata, situada entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor, integrando o sistema montanhoso luso-espanhol da Meseta.

Habitat e ecologia

Este felino habita no matagal mediterrânico [1]. Prefere um mosaico de mato denso para refúgio e pastagens abertas para a caça (ICONA 1992). Não é frequentador assíduo de plantações de espécies arbóreas exóticas (eucaliptais e pinhais) (Palomares et al. 1991).

Como predador de topo que é, o lince ibérico tem um papel fundamental no controlo das populações de coelhos (sua presa favorita) e de outros pequenos mamíferos de que se alimenta

Comportamento

É um animal essencialmente nocturno. Trepador exímio. Por dia, poderá deslocar-se cerca de 7 km.

Os territórios dos machos podem sobrepôr-se a territórios de uma ou mais fêmeas.

Os acasalamentos, pouco frequentes, ocorrem entre Janeiro e Março e após um período de gestação que varia entre 63 e 74 dias nascem entre 1 e 4 crias. O mais comum é nascerem apenas 2 crias que recebem cuidados unicamente maternais durante cerca de 1 ano, altura em que se tornam independentes e abandonam o grupo familiar. Regra geral, quando nascem 3 ou 4 crias, estas entram em combates por comida ou sem qualquer motivo e acabam por sobrar apenas 2 ou até 1, daí um dos seus pequenos aumentos populacionais. Não existe dimorfismo sexual entre macho e fêmea.

Ameaças

A principal ameaça resulta do desaparecimento progressivo das populações de coelhos (sua principal presa) devido à introdução da mixomatose. A pneumonia hemorrágica viral, que posteriormente afectou as populações de coelhos, veio piorar ainda mais a situação do felino.

Outras ameaças:
Utilização de armadilhas
Caça ilegal
Atropelamentos

Estatuto de conservação

O estatuto de conservação do lince-ibérico tem variado ao longo das últimas décadas:
1965 > Considerado muito raro e acreditando-se decrescer em número (como Felis lynx pardina) (Scott 1965)
1986 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN Conservation Monitoring Centre 1986)
1988 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN Conservation Monitoring Centre 1988)
1990 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN 1990)
1994 > Ameaçado (Groombridge 1994)
1996 > Ameaçado (Baillie and Groombridge 1996)

Actualmente prevalece a avalição efectuada em 2002, pela UICN:
Criticamente ameaçado > segundo o critério C2a(i) > Categorias e Critérios de 2001 (versão 3.1)
Em Portugal, a espécie permanece com o estatuto de Criticamente Ameaçada, de acordo com a última edição do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, de 2006. [2]
A Quercus considerou a espécie inexistente em Portugal em 2007,[3] em resposta à criação do Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal pelo governo português.[4]

Evolução populacional

Evolução das estimativas do número total de indivíduos desde 1969 (apenas indivíduos no estado selvagem estão contabilizados):
1969: Vários milhares [5]
1978: 1000 a 1500 [6]
1987: 1000 a 1500 [7]
1991: Cerca de 1000 [8]
1992: Não mais que 1200, excluindo crias [9]
1995: Não mais que 1300 [10]
1998: Cerca de 800 [11]
2000: Cerca de 600 [12]
2002: Menos de 300 [13]
2003: 150 a 300 [14]
2004: 120 a 155
2006: 135 a 110 [15]
2008: 110 a 150 [16]

Segundo Nowell e Jackson (1995), o número de indivíduos existentes em Portugal no ano de 1995 não excederiam 100. Segundo os mesmos autores, para Espanha e para o mesmo ano, a população seria de 1200.

Medidas de conservação

Um programa de reprodução em cativeiro está a ser desenvolvido em Espanha. Para tal, linces que estejam em subpopulações inviáveis terão que ser capturados.
Esta espécie está totalmente protegida em Portugal e Espanha
Listada na CITES (apêndice I)

Em Portugal, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), em parceria com a organização internacional Fauna & Flora International (FFI), lançou, em 2004, o Programa Lince, que conta com a participação e o apoio técnico e científico de um grupo composto pelos principais especialistas nesta espécie em Portugal. No âmbito deste Programa, têm sido desenvolvidos projectos, entre os quais se incluem Projectos LIFE, que visam sobretudo a recuperação do habitat natural do Lince Ibérico.[17] O Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI) de Silves terá o propósito de fazer com que linces reprodutores em cativeiro se reproduzam no território nacional [1]

Taxonomia

O lince-ibérico e o lince euroasiático eram endémico, na Europa Central, durante o Pleistoceno (Kurté'n 1968, Kurtén e Grandqvist 1987). Segundo Werdelin (1981), estas duas espécies evoluíram da primeira espécie de lince identificável (Lynx issiodorensis).

Antigas denominações científicas desta espécie:
Felis pardina
Felis lynx pardina
Lynx lynx pardina
Felis pardinus

Linces12.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lince-ibérico


Fica aberto o tópico do Lince-Ibérico. A ideia é termos um sitio onde se podem colocar todas as notícias que apareçam sobre este animal e continuarmos as discussões sobre a sua distribuição actual, que estão espalhadas por diferentes tópicos
 

Seattle92

Nimbostratus
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De novo no rasto do Lince-ibérico!

...

É neste contexto que vem agora a lume este novo dado de que a presença da espécie em território nacional está confirmada precisamente através da identificação molecular de um excremento. Uma equipa de biólogos do Centro de Biologia Ambiental desde há quatro anos que procura evidências da ocorrência da espécie na área de implantação do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. O projecto, que não se centra apenas no lince mas igualmente em outras espécies de carnívoros ameaçados, tem sido financiado pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, S.A. (EDIA, S.A.), e desenvolve-se na área de regolfo (25000ha) da barragem de Alqueva e numa vasta área envolvente (110000ha), distribuindo-se por 15 concelhos do leste alentejano. Esta descoberta não ocorreu na área de regolfo da barragem, mas na área envolvente.


Trata-se de um projecto de monitorização de mamíferos carnívoros no âmbito do Programa de Minimização para o Património Natural e propôs-se acompanhar as diferentes fases de desenvolvimento do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva – pré-desmatação, desmatação, enchimento e pós-enchimento – e gerar propostas de minimização de impactes e de gestão ambiental tendo por base a avaliação da situação populacional das diferentes espécies alvo (lince, gato-bravo Felis silvestris, toirão Mustela putorius e lontra Lutra lutra).

Os métodos utilizados para tentar constatar a eventual presença de linces na área de estudo foram a realização de inquéritos orais para localizar avistamentos, a identificação de áreas mais favoráveis em termos de habitat e presas, e a prospecção intensiva do terreno para identificação de indícios de presença, sendo recolhidos para análise molecular os todos os excrementos cujas dimensões e morfologia sugiram que possam ser de indivíduos desta espécie. Dos seis excrementos enviados recentemente para análise molecular no laboratório da Estação Biológica de Doñana (CSIC, Sevilha-Espanha), um revelou-se positivo. Segundo os técnicos do referido laboratório, que se têm responsabilizado pelas análises de ADN de excrementos recolhidos em Espanha e Portugal, incluindo os citados no censo-diagnóstico, a análise foi repetida várias vezes e o resultado foi sempre idêntico – trata-se de um excremento de lince.

http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=2&cid=938&bl=1&section=4&viewall=true#Go_4

Neste estudo de 2003 encontraram excrementos e Lince na área do Alqueva (não indicam onde).

Por aqui é impossível concluir se estávamos perante uma população residente no Alentejo ou apenas um individuo errante (tipo o Caribu) que passou a fronteira para o nosso lado e voltou para Espanha uns dias depois.
 

Seattle92

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Lince na Malcata-situação em 2007

A presidente da Comissão Directiva da Reserva Natural da Serra da Malcata, Sofia Silveira, considera que a controvérsia, suscitada nos últimos meses, sobre a existência de linces naquela área protegida não faz qualquer sentido. Mesmo sem querer avançar números e de sublinhar que se trata de uma espécie «em situação crítica», Sofia Silveira garante que há linces na Malcata.

...

A controvérsia sobre a existência de linces na Serra da Malcata surgiu a meados do mês de Janeiro, quando um dos biólogos que trabalham na Reserva da Malcata, Pedro Sarmento, disse, em declarações ao jornal «Público» que o lince na Malcata estaria à beira do fim. É que desde Janeiro de 99 que os biólogos procuram em vão qualquer sinal do felino, nem mesmo pegadas ou dejectos.

...

Foi precisamente com base neste estudo que, o presidente do ICN, Carlos Guerra viria a afirmar em finais de Janeiro que «há linces na Serra da Malcata». O presidente do ICN garantiu que o estudo «O Lince Ibérico em Portugal», realizado num perímetro que envolve a Reserva Natural da Serra da Malcata e alguns núcleos da zona de Monfortinho e de Proença-a-Velha, numa área de 450 quilómetros, foram confirmados sete a nove exemplares."

http://asp3.blogspot.com/2007/08/lince-na-malcata-situao-em-2007.html


Se nem eles se entendem, quanto mais nós... :huh:
 

belem

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A conclusão que entendi é a que está explícita no artigo: provavelmente (acrescento eu), há linces na Malcata. :D


http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=2&cid=938&bl=1&section=4&viewall=true#Go_4

Neste estudo de 2003 encontraram excrementos e Lince na área do Alqueva (não indicam onde).

Por aqui é impossível concluir se estávamos perante uma população residente no Alentejo ou apenas um individuo errante (tipo o Caribu) que passou a fronteira para o nosso lado e voltou para Espanha uns dias depois.

Realmente do Alqueva à Serra da Adiça, ainda vai alguma distância.
Não sei bem se estamos a falar de 2 registos diferentes, de qualquer das formas depois vou verificar a minha base de dados.
Em princípio, já há mais do que um registo de lince dispersante para considerar tudo isto apenas um caso ou outro de lince errante ( além do caso de Caribu, há mais referências sobre a presença de linces vindas dos técnicos da LIFE que trabalham na área de Barrancos).
Parece que os linces têm uma presença um pouco ou tanto irregular mas não assim tão ocasional, nas zonas mais recônditas do Alentejo interior.
Na zona do Tejo Interior foram avistados 2 linces por cientistas, já depois de 2005 ( tenho que ver o ano nos meus registos).
 
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Seattle92

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A conclusão que entendi é a que está explícita no artigo: há linces na Malcata. :D

;)

Mas repara que naquele texto encontras as opiniões de dois "políticos", que fazem essa afirmação se calhar com segundas intenções e depois tens um biólogo que diz que há vários anos não encontra um único vestígio.

Um presidente do ICN a admitir a extinção de um animal em Portugal em pleno século XXI, queria dizer que estava a admitir a sua própria incompetencia :lol:

Tendo em conta apenas este texto, não fico com garantia nenhuma em relação à existência de linces na Malcata.
 

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Comunidades de carnívoros do Parque Natural do Tejo Internacional (2005)

4.10. Lince-Ibérico
O línce-Ibérico é um felídeo que apresenta uma distribuição geográfica restrita à Península Ibérica (Mitchell-Jones et al. 1999). É o carnívoro mais ameaçado da Europa (Delibes et al. 2000) e o felídeo mais ameaçado do mundo (Nowell & Jackson 1996), sendo o seu estatuto actual UICN de ”Critically Endangered”. Como tal, estudos que possam eventualmente incluir áreas potenciais de ocorrência desta espécie, quer no passado, quer na actualidade, têm sempre um interesse acrescido.

Tal como já referido (ponto 2), segundo Rodriguez & Delibes (1990) e Ceia et al. (1998), este predador estaria presente na área de estudo, dada a proximidade ao núcleo das Serras da Gata, Malcata, S. Pedro e S. Mamede (Figura 2 – núcleo 2), mais concretamente, na parte sul dos rios Tejo, Ponsul e Erges. Esta área foi definida por Ceia et al. (1998) como um provável corredor ecológico entre as populações de Serra de S. Pedro-S. Mamede e Serras da Gata-Malcata. Entre 1987 e 1993 foram confirmadas 3 observações desta espécie, que segundo os autores referidos podem corresponder a situações de dispersão entre os núcleos de Cilleros-Malcata ou Cedillo-Malcata.

Dada a importância histórica do núcleo da Serra da Malcata para a conservação do lince-Ibérico em Portugal, a área do PNTI foi alvo de prospecção no último censo desta espécie no nosso país (Sarmento et al. 2004). No entanto, a presença de lince não foi confirmada, apontando para uma eventual extinção da espécie nesta área (Sarmento et al. 2004).

Como seria de esperar deste contexto, não foram detectados quaisquer indícios de presença desta espécie. Esta perspectiva de ausência de lince-Ibérico é apoiada pelo facto de não existirem na área de estudo, presentemente, as condições que se consideram fundamentais para a sobrevivência deste felídeo. Uma destas condições é a ocorrência de vastas áreas de matagal. É ainda de salientar que esta espécie pode estar presente em zonas com plantações florestais durante a dispersão de juvenis (e.g. Palomares et al. 2001; Sarmento et al. 2004). Apesar de no PNTI existirem algumas áreas com habitat adequado ao lince, verifica-se que as manchas de qualidade são dispersas e pouco extensas não garantindo, muito provavelmente, protecção suficiente a uma população viável de animais de hábitos tão elusivos e com áreas vitais tão vastas (Rodriguez & Delibes 1990).

Da mesma forma, e no que diz respeito à estrita dependência alimentar do lince em relação ao coelho, cujas densidades devem ser, no mínimo, de 1 coelho/ha (e.g. Delibes 1979, Palma 1980, Castro 1992, Palomares et al. 2001), a baixa abundância deste lagomorfo no PNTI (ver ponto 4.12), também não permitirá a persistência do lince-Ibérico na área de estudo.

Este cenário é confirmado pela análise efectuada pelo próprio ICN, através da informação da versão preliminar do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (www.icn.pt/psrn2000), que apresenta o habitat potencial para o lince-Ibérico, não sendo considerada a área do PNTI como uma dessas áreas. As zonas mais próximas que, segundo o ICN, apresentam as condições necessárias para a existência de habitat potencial são a Serra da Malcata e a Serra de S. Mamede (Figura 20).

http://portal.icnb.pt/NR/rdonlyres/...86B9296F/0/PNTICarnivoros_Comunidade_2005.pdf
 

belem

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;)

Mas repara que naquele texto encontras as opiniões de dois "políticos", que fazem essa afirmação se calhar com segundas intenções e depois tens um biólogo que diz que há vários anos não encontra um único vestígio.

Um presidente do ICN a admitir a extinção de um animal em Portugal em pleno século XXI, queria dizer que estava a admitir a sua própria incompetencia :lol:

Tendo em conta apenas este texto, não fico com garantia nenhuma em relação à existência de linces na Malcata.

Políticos?
A Presidente da Comissão Directiva da Reserva Natural da Serra da Malcata, Sofia Silveira?
Tendo em conta o cenário recente de descoberta (aparentemente) de provas genéticas de presença do lince no sector Malcata/Gata, parece-me que a realidade publicada nesse artigo não será assim tão descabida.
E depois se queremos ter uma atitude séria em relação ao trabalho de Sarmento, temos que seguir aquilo que está lá explícito ou seja, tal como o Sarmento disse, por não se ter encontrado qualquer sinal de presença de lince não significa que este se tenha extinguido em Portugal. Há variadas limitações neste tipo de pesquisas, não só a densidade de animais é muito baixa como a área prospectada é gigantesca. Além de que um lince não é um animal lá muito fácil de detectar quanto mais observar.
Algumas pessoas fizeram uma interpretação à sua maneira do trabalho de Sarmento (sobretudo quem se opunha ao trabalho do ICN...) e puseram-se logo a dizer que já não há linces em Portugal.
Enfim, guerrinhas pessoais à parte e encarando este assunto de forma desinteressada e puramente preocupada com a realidade do lince em Portugal, foi possível comprovar a existência do lince-ibérico em Portugal (ainda que a densidades muito baixas).
O Sarmento utilizou um método de pesquisa muito próprio ao evitar quaisquer entrevistas a populares e caçadores e assim não conseguiu encontrar linces. Bastou que alguém tivesse tido a ideia de adicionar as entrevistas à sua lista de zonas potenciais de presença de lince, para ir ao local fazer pesquisas de campo e encontrar provas genéticas. E foi isso mesmo que aconteceu como aliás está explícito num artigo que postei neste forum.


Comunidades de carnívoros do Parque Natural do Tejo Internacional (2005)



http://portal.icnb.pt/NR/rdonlyres/...86B9296F/0/PNTICarnivoros_Comunidade_2005.pdf

O ano dos avistamentos que coloquei aqui foi posterior a 2005. ;)
 
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belem

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A conclusão que entendi é a que está explícita no artigo: há linces na Malcata. :D




Realmente do Alqueva à Serra da Adiça, ainda vai alguma distância.
Não sei bem se estamos a falar de 2 registos diferentes, de qualquer das formas depois vou verificar a minha base de dados.
Em princípio, já há mais do que um registo de lince dispersante para considerar tudo isto apenas um caso ou outro de lince errante ( além do caso de Caribu, há mais referências sobre a presença de linces vindas dos técnicos da LIFE que trabalham na área de Barrancos).
Parece que os linces têm uma presença um pouco ou tanto irregular mas não assim tão ocasional, nas zonas mais recônditas do Alentejo interior.
Na zona do Tejo Interior foram avistados 2 linces por cientistas, já depois de 2005 ( tenho que ver o ano nos meus registos).


Realmente parece que essa referência foi mesmo no Alqueva:

Comprovada Existência de Linces em Portugal
Por ANA FERNANDES
Fonte: Público, 28 de Março de 2003


Cientistas portugueses comprovaram, através de análises de ADN a amostras de excrementos, que existe lince em Portugal. Depois de um censo anterior, cujos métodos foram muito criticados, indicar que o animal já não andava pelo país, biólogos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa vêm agora demonstrar que o raríssimo felino afinal ainda por cá mora.

No âmbito de um projecto de monitorização de mamíferos carnívoros na área de implantação da barragem do Alqueva, uma equipa do Centro de Biologia Ambiental, apoiada financeiramente pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, está há quatro anos a procurar provas da existência da espécie nesta área. Os estudos estão a ser desenvolvidos na área de regolfo (25 mil hectares) da barragem de Alqueva e numa área envolvente com 110 mil hectares. Foi nesta última que os investigadores descobriram várias amostras de excrementos, que mandaram analisar no laboratório da Estação Biológica de Doñana. Uma delas revelou-se positiva.

Esta prova contraria os resultados do último censo, feito o ano passado. O problema é que nesse estudo foram apenas considerados como métodos rigorosos a análise positiva de excrementos mediante técnicas moleculares e registos fotográficos, não sendo dada qualquer relevância a avistamentos de animais vivos ou mortos. Os resultados, negativos, criaram uma enorme polémica, até porque foram apresentados num seminário internacional sobre o lince ibérico, que decorreu em Outubro em Espanha, onde por pouco Portugal não ficou fora do barco da luta pela protecção do lince. Só a intervenção de outros cientistas portugueses conseguiu que o país se mantivesse nesta luta.

O método utilizado foi considerado insuficiente para zonas de baixa densidade, como é o caso de Portugal. "É uma metodologia boa para detectar a presença do lince mas o facto de não detectar não quer dizer que este não exista", diz Margarida Santos-Reis, do Centro de Biologia Ambiental e coordenadora da equipa. Para a bióloga, a grande crítica vai para a "precipitação com que os resultados foram anunciados, pois o Instituto de Conservação da Natureza já estava a tender para considerar a espécie extinta, o que teria graves consequências para a conservação da espécie".

Neste estudo da Faculdade de Ciências, os métodos incluíram a realização de inquéritos orais para localizar avistamentos, a identificação de áreas mais favoráveis em termos de habitat e presas e a prospecção intensiva do terreno para identificação de indícios de presença, como os excrementos. Métodos que foram coroados de sucesso.

Apesar de animadores, estes resultados não contrariam um problema de base: o lince-ibérico é raro e a população tem estado sempre a declinar. Mas "vem dar outro fôlego" às apostas na sua conservação, sublinha Margarida Santos-Reis. Que estão demasiado atrasadas, considera a coordenadora da equipa. "Perdeu-se demasiado tempo à procura do lince quando se deveria ter investido na gestão do habitat e dos coelhos - a sua principal presa - a uma escala alargada", considera a investigadora.

Uma das soluções que o Instituto de Conservação da Natureza irá promover será a reintrodução de linces reproduzidos em cativeiro, uma iniciativa que deve continuar a ser uma aposta, aconselha Margarida Santos-Reis, pois a população continua a declinar.

O projecto do Centro de Biologia Ambiental prosseguirá até ao final do ano e a equipa encontrou entretanto outros excrementos que suspeita serem também de lince e que vão ser enviados para análise molecular.»

Assim sendo podemos estar perante 2 casos diferentes ( sendo o outro na Adiça!), o que seria bastante positivo e interessante.
Mas vou-me certificar antes que tome uma conclusão definitiva em relação a este caso.
 

belem

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Não é assim tão longe. Vendo o que o Caribu andou...


Na minha opinião, é antes uma questão de podermos estar perante 2 casos diferentes o que seria ainda mais interessante...
Além de que fala-se do caso da Adiça para 2001 e do Alqueva para 2003...
Existe uma possibilidade remota de se estar a falar do mesmo animal, mas penso que o mais provável é ser outro (se vier-se a confirmar que são 2 casos distintos).
De qualquer das formas, o exigente projecto LIFE está a par da presença de mais linces, recentemente, na zona de Barrancos, etc...
Não posso revelar muito mais coisas ( talvez mais no futuro), porque assim podia atrair atenções indesejadas.
Por exemplo, eu sei também em que Herdade foram avistados os 2 linces-ibéricos no Parque Natural do Tejo Internacional, mas convém não indicar qual...
Como já disse aqui no forum ( e um vídeo em espanhol também referiu) o lince-ibérico não é prejudicial para a caça, muito pelo contrário, a presença de linces assegura até um aumento e estabilidade nas populações de coelho-bravo, pois elimina os animais mais fracos e doentes, possíveis portadores de doenças contagiosas e de maus genes...
Mas há pessoas que não percebem isso.
 
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Malcata Anseia por regresso do lince
por FILOMENA NAVES02 Agosto 2009

Se se sair cedo, pelas sete ou oito horas, uma família de javalis pode de repente atravessar-se no caminho, correndo sobre as pedras soltas. À medida que se percorrem os trilhos, a natureza impõe-se. A serra da Malcata - essa mesma, a do lince - é refúgio de muitas espécies de animais. E a diversidade das plantas, junto às linhas de água, surpreende.

"A reserva da Malcata tem uma série de condições, como o isolamento e a tranquilidade que ele proporciona, que fazem dela uma zona ideal para a conservação das espécies", explica Fernando Queirós, director adjunto do Departamento da Zona Centro do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), que engloba áreas protegidas como a Malcata e serra da Estrela. Mas nem todo o trabalho de preservação desenvolvido ao longo dos anos foi suficiente para impedir que o lince-ibérico, o emblemático felino que no imaginário nacional ficou sempre ligado à Malcata, desaparecesse da região. Fazê-lo regressar nos próximos anos, senão naturalmente, pelo menos pela reintrodução de uma população obtida por reprodução em cativeiro, é uma das tarefas entre mãos no ICNB. Para isso, a recuperação dos habitats adequados ao lince é uma das frentes de batalha. Na Malcata, mas também noutras regiões onde historicamente a espécie existiu (ver gráfico).

Na serra da Malcata, a recuperação da flora mediterrânica e da população de coelho-bravo, que constitui 80% da alimentação do lince--ibérico - e que chegou no País a níveis tão baixos que foi considerado quase ameaçado, em 2005 - são pedras centrais do trabalho do ICNB.

A criação em 1981 da Reserva Natural da Serra da Malcata permitiu travar ali o avanço dos eucaliptais para produção de celulose. O Estado foi comprando terrenos e hoje a reserva tem 16 348 hectares. Há por lá javalis, corços, veados e, nalguns pontos, em zonas de planalto, já se contam cinco coelhos-bravos por hectare, quando essa densidade era ali de um por hectare há dez anos.

O surgimento de duas doenças - a mixomatose nos anos 50 e a febre hemorrágica viral na década de 80 - devastaram cerca de 90 por cento dos exemplares de coelho-bravo. A perseguição directa dos animais nas décadas de 50 e 60, e depois o abandono das práticas agro-pastoris tradicionais, que favoreciam o coelho e o lince, devido à emigração das populações da região, determinaram o desaparecimento do lince.

O último foi avistado na Malcata em 1992. Mas nas Terras do Lince, marca que Penamacor escolheu para a sua imagem pública, aguarda-se com ansiedade que ele volte. Seria, sem dúvida, uma ajuda para revitalizar a região.

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1323681&seccao=Biosfera
 

belem

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Esse último lince deve ter sido a fêmea Xara, que foi capturada para se colocar um colar radiotransmissor.
O lince-ibérico ultimamente não tem sido avistado na Malcata, mas têm-se encontrado provas genéticas da sua presença.

Sim, isso já se tem discutido aqui pelo forum. Coloquei a notícia essencialmente pela questão do aumento das presas (especialmente os coelhos).

A Malcata parece estar preparada para voltar a albergar uma população estável de linces, coisa que até há pouco tempo não acontecia.