O Estado do País 2015

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Estado
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Mas para verem como é o papá Estado e como prejudica as pessoas relato um caso que tomei conhecimento há dias.

Na minha terra natal há um senhor que vive da organização de excursões. Contudo tem tido vida difícil, pois não consegue concorrer com as excursões da junta ou da câmara. É um resistente, pois no passado havia mais pessoas a organizar passeios, e viviam disso. Recentemente tentou organizar uma excursão ao Douro, por 170 euros por pessoa. Mas em dias próximos a junta organizou uma excursão ao Douro por 150 euros, e o tal senhor ficou sem clientes para a sua viagem. Sucede que a excursão da junta é parcialmente financiada com dinheiro público...

Outro exemplo. Nos anos 80 havia um cinema e um salão enorme de festas. Pertencia a três sócios que organizavam concertos e bailes. Foram lá muitas estrelas da música popular da época, o Marco Paulo, Dino Meiro, as Doce. Contudo as autarquias começaram a organizar festas com entrada gratuita. Depois disso, disse-me quem sabe, os cachets destes artistas subiram exponencialmente. O tal salão acabou por falir, mas não foi o único que fechou na zona por não aguentar a concorrência das autarquias e das juntas, e por não conseguir pagar os cachets.
 
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Pior foi como referi alguém recusar mais de 250 mil euros por ano por achar pouco. E era do Governo do Sócrates. Acho que foi o Manuel Pinho, o Vince chegou a referir esse caso aqui no fórum.

Quanto ao cumprimento do défice neste momento só se conseguiria com mais austeridade. E isso não passa por aumentar impostos nem cortes cegos. As autarquias, institutos, ministérios, universidades, todos desperdiçam muito dinheiro. Ainda demoraremos muitos anos a corrigir esses problemas, se é que os vamos corrigir. Muitas destas instituições públicas têm autonomia, há muitos bloqueios jurídicos e teoricamente deveriam ser as chefias a ter a responsabilidade de gerir bem o dinheiro. Mas não o fazem. Há dias vi uma folha com os subsídios que a autarquia de onde sou natural oferece. E fiquei surpreendido, são valores injustificáveis, não tinha noção que havia tanto dinheiro a circular nas associações, colectividades, grupos locais... no passado estas associações viviam com as quotas dos sócios, e deveria ser assim, por uma questão de independência face ao poder político. São estes pequenos desperdícios que somados por todo o país fazem o défice. Por isso o discurso contra a austeridade é uma tremenda irresponsabilidade. Ser contra cortes cegos até é justificável se for apresentada a alternativa.

Por acaso não é pior, não, Frederico, sendo que não estou a defendê-lo, nem de perto nem de longe. No entanto, eu tenho todo o direito a recusar um cargo, mesmo que muito bem pago, se achar que ele é mal pago e preferir outro que seja ainda mais bem pago. Pior, é aceitar um cargo electivo, ainda para mais na pasta das finanças, uma pasta que impôs aos Portugueses a maior carga fiscal de sempre, num país em que o ordenado mínimo são 505€, ganhar milhares de euros por mês e reclamar disso. Se achava que o ordenado não dava para poupar, não o aceitasse. Tentasse outra coisa noutro lado. Agora gozar com os incontáveis desgraçados que ganham para pagar contas e pagar impostos é indecente e intolerável.
Quanto ao défice, nem sequer entrei na discussão dos motivos do incumprimento. A mim, o que me interessa é o que foi prometido e não cumprido. 21 inconstitucionalidades em 4 anos de governação. Nenhum orçamente sem necessidade de um rectificativo. 3 anos (o quarto possivelmente a caminho!) sem cumprir o défice tal como tinha sido acordado.
 
O Manuel Pinho foi aquele que ficou sem tacho (e bem!) por causa dos corninhos na assembleia, não foi? Se tivesse fugido aos impostos, se se tivesse esquecido de pagar a segurança social ou estivesse envolvido num processo que deu em condenações noutros países, ainda lá estava. E provavelmente a queixar-se que com a austeridade mal tinha para comer, tadito.
 
Ops, encontrei a carta que PPC escreveu hoje a AC na internet... acho que é publica; caso não o seja solicito aos administradores do Fórum que tomem as necessárias medidas. :)

é uma carta interessante sobre o vale tudo para chegar ao poder... até o PS na coligação do governo com membros no futuro executivo.

O PS jamais aceitará um governo com o CDS lá metido.
 
é uma carta interessante sobre o vale tudo para chegar ao poder... até o PS na coligação do governo com membros no futuro executivo.

O PS jamais aceitará um governo com o CDS lá metido.

Só se o AC andasse a fumar coisas estranhas. Mas é giro o pedido de namoro depois de ter acabado a 'relação' no outro dia. Isto é melhor do que uma novela mexicana. :D
 
Mas alguém acha que o PSD e o PS seriam tão estúpidos ao ponto de deixarem o CDS como único partido da oposição fora da extrema esquerda? Para nas próximas eleições disputar a vitória?
 
talvez seja esse o motivo da gritaria da cristas... perceber que pode ir parar a oposição.

Se for isso, devo dizer que o cargo de ministro deve ser trabalho não assim tão difícil e bem pago. É que a senhora era, segundo sei, professora universitária. E posso garantir que não é um mau trabalho, não. Logo, ser ministro, pelos vistos, deve ser bastante melhor...
 
Ao mesmo tempo que se diz que há muitas semelhanças entre PSD e PS, ideologicamente falando, razão pela qual faz mais sentido um acordo entre eles, diz-se que o PS é despesista e irresponsável, que o seu programa é equivalente a voltar a chamar a troika em 3 tempos mas propõe-se, simultaneamente, adoptar uma série de medidas desse mesmo programa despesista e irresponsável. Por outro lado, dizem-se cobras e lagartos de AC. Ainda ontem a ministra das finanças e depois a Cristas o acusaram de falta de seriedade/honestidade acrescentando que não vale tudo. Passo lógico no dia a seguir? Perguntar ao desonesto se quer ir governar com eles. Lá devem pensar eles: com tantos desonestos, mais um menos um não fará diferença. :wacko:
 
Perguntar ao desonesto se quer ir governar com eles. Lá devem pensar eles: com tantos desonestos, mais um menos um não fará diferença. :wacko:

A pergunta ao desonesto é mais uma tentativa de ficar bem na fotografia ('fizemos os possíveis em prol do país'). O ruído é muito. Até parece que o Costa vai querer ter um papel subserviente numa eventual coligação com a coligação. É um pântano aquele PS, de facto. Entre todas as más escolhas, qual é a melhor?
 
A pergunta ao desonesto é mais uma tentativa de ficar bem na fotografia ('fizemos os possíveis em prol do país'). O ruído é muito. Até parece que o Costa vai querer ter um papel subserviente numa eventual coligação com a coligação. É um pântano aquele PS, de facto. Entre todas as más escolhas, qual é a melhor?

Se ficar bem na fotografia é contradizerem-se de um dia para o outro, ok, é um direito deles. Já todos sabemos que eles não têm os Portugueses por muito inteligentes. Se calhar julgam que ninguém percebe que, segundo eles, num dia o AC é o anti-cristo e no dia a seguir é um potencial parceiro da coligação, quiçá com um cargozito no governo e tudo.
A melhor escolha para quem?
 
quantas pessoas é que já falaram por ai em precipitação sobre o acordo pré eleitoral entre psd e cds?

Por muito pouco que valha actualmente o CDS, sem esse acordo era provável que o PS tivesse ganho as eleições. Não houve precipitação nenhuma, houve jogada táctica, sobrevivência política.

Ao mesmo tempo que se diz que há muitas semelhanças entre PSD e PS, ideologicamente falando, razão pela qual faz mais sentido um acordo entre eles, diz-se que o PS é despesista e irresponsável, que o seu programa é equivalente a voltar a chamar a troika em 3 tempos mas propõe-se, simultaneamente, adoptar uma série de medidas desse mesmo programa despesista e irresponsável.

PSD e PS, ideologicamente são partidos gémeos. Diferem em pormenores, tal como nesse aspecto do despesismo que todos atribuem (com razão) aos últimos governos do PS. Nas questões estruturais, de Estado, têm exactamente a mesma opinião. O PCP e o Bloco têm em quase tudo a opinião contrária.
Na minha opinião, já aqui o referi, o PSD não deveria negociar nada, avança com o governo para a discussão do programa de governo e logo vê o que acontece. Depois, caso o governo tome posse, deve discutir o OE com todos os partidos.

Ainda ontem a ministra das finanças e depois a Cristas o acusaram de falta de seriedade/honestidade acrescentando que não vale tudo. Passo lógico no dia a seguir? Perguntar ao desonesto se quer ir governar com eles. Lá devem pensar eles: com tantos desonestos, mais um menos um não fará diferença. :wacko:

É só mais um entalanço no homem. Mete de uma vez por todas na cabeça que neste momento não se está a discutir o país, mas sim o futuro político de meia dúzia de personagens. Esta é a realidade, não é por concordarmos com ela, por acharmos que deve ser assim ou o seu contrário, que a ela muda.
 
Se ficar bem na fotografia é contradizerem-se de um dia para o outro, ok, é um direito deles. Já todos sabemos que eles não têm os Portugueses por muito inteligentes.

É política. Os aparelhos partidários que os sustentam são enormes. Há muita gente para agradar.
 
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