O Estado do País 2015

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Agreste,

o despovoamento é consequência do fim da agricultura de subsistência. A consequência de termos tido este modelo agrícola até tão tarde é o desordenamento. Não conheço país tão desordenado na Europa como Portugal. E isto tem um preço para todos nós.

Sabes tão bem quanto eu que o povoamento não é viável em vastas áreas do país. A serra do Caldeirão, Alcoutim, Mértola, são zonas aí bem perto onde o modelo agrícola falhou. Os solos ficaram esgotados, não há floresta, nunca houve tradição industrial nem comercial. Era pura agricultura de subsistência e criação de gado, mas os solos desapareceram e agora tens pedra e esteva.

Onde tiveres em Portugal serras de xisto-grauvaque, que foram sujeitas a pecuária e agricultura, a culturas de trigo e séculos de queimadas, não há solos. Logo há despovoamento.

Só há uma coisa a fazer no futuro, recuperar a floresta nativa, vigiar o território, extinguir concelhos inviáveis e evitar os erros do passado.

O que interessa é que haja pólos urbanos industrializados que atraiam gentes no interior. Isso será possível se se desenvolverem as indústrias tradicionais, se voltar o comércio de fronteira e se o Estado transferir alguns serviços públicos para o interior.
 
não reconheces o problema grave que é o abandono do território portanto não admira que não tenhas qualquer solução. Está o problema resolvido, assumindo que não há nenhum problema.
 
não reconheces o problema grave que é o abandono do território portanto não admira que não tenhas qualquer solução. Está o problema resolvido, assumindo que não há nenhum problema.

Uma coisa é admitir esse problema. Outra é promover medidas, e regimes, estalinistas/fascistas para o resolver. É preciso lembrar que este tipo de estruturas políticas não só não levam à resolução dos problemas como também levam a mais mortes?

Nunca é de mais repetir. Se amanhã o Juncker exigisse que toda a gente do sul do país fosse coercivamente forçada a morar no interior não tenho dúvidas que serias dos primeiros a insultar e a criticar. Pior que o teu duplo critério em certas coisas é a flagrante falta de consciência para as consequências das tuas opiniões/ações. Estás disposto a obrigar os outros fazerem coisas que não farias sem qualquer tipo de pudor. E isso é preocupante.
 
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Não vejo problema nenhum no abandono da agricultura de subsistência e no consequente abandono do interior.

Vejo sim um problema na falta de cidades com relevo comercial, turístico, industrial ou tecnológico no Interior ou no Alentejo.
 
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800 anos depois chegámos aqui... um dos piores debates de que tenho memória!

candidato do governo: sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates, sócrates... incrível! perdi a conta ao número de vezes que o homem usou a palavra Sócrates!

candidato de um partido que se diz socialista: não disse uma única vez as palavras «aumentar os salários!». Quem é que vai votar num partido socialista que não promete aumentar o rendimento dos trabalhadores?
 
Concordo, Agreste!

Uma vergonha os argumentos, só falarem do passado sem idéias quantificaveis em números ou traduzidas em acções concretas.

E quando começaram a debater quem chamou a troika? E os autoelogios do costa em relação a Lisboa? Quanto ao sócras.. deve ter ficado danado com o nim do costa.

Entre PS e PCP, mais vale o PCP! Com este PS eu até digo que sou PCP desde pequenino! :)
 
Concordo, Agreste!

Uma vergonha os argumentos, só falarem do passado sem idéias quantificaveis em números ou traduzidas em acções concretas.

E quando começaram a debater quem chamou a troika? E os autoelogios do costa em relação a Lisboa? Quanto ao sócras.. deve ter ficado danado com o nim do costa.

Entre PS e PCP, mais vale o PCP! Com este PS eu até digo que sou PCP desde pequenino! :)

As propostas do PS (Costa) são muito similares às propostas do PS (Sócrates).

Quem ganhou foi a abstenção, tanto Passos Coelho como o Costa não esclareceram de nada, portanto para mim, ninguém ganhou o debate, mas que o Costa tem muita lábia lá isso tem.

Agreste, o homem disse Sócrates 11 vezes.
 
a 2 equipas segundo as sondagens melhor apetrechadas e com os orçamentos mais caros deram um espectáculo em que se empurravam entre si pra ver quem descia à 2ª divisão.
 
Agora a sério..

A maioria dos comentadores, da esquerda à direita, acha que costa esteve melhor. Eu acho que o passos simplesmente não sabe comunicar para o povo, julga que somos todos economistas ou contabilistas, ao contrário de portas. O costa tem um discurso mais tipo presidente de câmara, mais próximo do povo.

Mas o foco não devia ser a forma de comunicar, mas sim o debate de idéias puro e duro para o futuro de Portugal.

Na ausência de idéias, só nos lembramos de aspectos menos positivos:
- Do lado do passos vi uma tentativa de colagem do costa ao sócrates e ao siryza, como forma de contra-ataque para mim errado. Depois tentou explicar para casa, qualquer coisa como plafonamento horizontal (psd) e plafonamento vertical (ps) das pensões. Imaginem os olhos em bico dos eleitores lá em casa.
- Do lado do costa, vi demagogia, ao tentar atribuir ao passos a vinda da troika, sabendo que qualquer jornaleco amanhã o desmentirá. Para além de que as pessoas em geral, são até bem informadas, ou pelo menos melhor que há 20anos atrás. Ridículo mesmo, sem palavras!
- Quanto à reforma da segurança social, eu aconselho os 2 partidos a ficarem quietos, qualquer das medidas vai prejudicar ainda mais os cofres da segurança social.

Resumo: debate muito fraquinho. Quiseram dar imagem de alguma cordialidade sem grandes ataques pessoais. Sem coragem para aprofundar idéias, apesar do tempo ser curto.
 
não votarei em nenhum destes 2 candidatos e por isso estou à vontade. Estamos a 3 semanas do voto, a dinâmica em partidos tão próximos é imprevisível mesmo se aparentemente o barco do PaF começou hoje a meter água. Aliás, já na 2ª feira o barco já tinha levado uma cacetada com a prestação do Portas.
 
PPC não perdeu o debate porque sabe comunicar pior. Nisso ninguém é melhor que Portas e esse também levou porrada da Catarina Martins. Não tanto como PPC de Costa, mas levou. Um e outro perderam porque fartaram-se de mentir com quantos dentes têm na boca nos últimos 4 anos e contra isso, por mais criativos que sejam, pouco ou nada se pode fazer. Que outros antes tenham feito o mesmo e que outros depois o voltem a fazer, não é desculpa. É destes que governaram nos últimos 4 anos que falamos. Os outros que vierem depois, sejam da mesma cor ou não, serão julgados daqui por outros 4 anos. Ou menos...
 
A reforma da Segurança Social não é possível em democracia.

Estamos a falar de um sistema pensado há décadas, quando a EMV rondava os 70/75 anos, para uma reforma aos 65 anos ou ao fim de 40 anos de trabalho, em que a larga maioria das pessoas começava a trabalhar muito cedo, e quem estudava entrava cedo também no mercado de trabalho. Portanto as pessoas receberiam a reforma 5 a 15 anos em média e trabalhariam 35 a 40.

Hoje a EMV está a caminho dos 85 anos, muita gente em Portugal reformou-se antes dos 60 anos, os mais jovens estão a chegar cada vez mais tarde à SS, com frequência depois dos 30, a emigração é elevada, o índice de fertilidade é 2 a 3 vezes inferior ao que havia décadas atrás, o crescimento económico inferior a 2%...

Estamos a falar de cenários pensados para crescimentos ao ano de 2% e para uma realidade demográfica totalmente diferente.

Não é viável que um médico, juiz, professor universitário, político, etc. se reforme aos 65 e receba 20 ou 30 anos um salário igual à reforma. É como o Estado pagar dois salários para um cargo, o do pensionista e o do trabalhador que o substituiu. Isto não é viável, ponto final, e enquanto existem estas reformas na função pública há pensões mínimas miseráveis e uma pobreza vergonhosa nos idosos mais desfavorecidos.

Por outro lado para sustentar esta SS o esforço fiscal é elevadíssimo em Portugal, para a manter o Estado terá de aumentar impostos. E se aumentar impostos contrai ainda mais a actividade económica, corta a esperança aos jovens, aumenta a emigração.

Acrescento que em percentagem do PIB Portugal gasta em pensões um pouco acima da média da zona euro, sendo nós um país pobre à escala europeia deveríamos gastar menos em reformas.

Se eu mandasse, o que faria? Aumentaria um pouco as reformas mínimas, mas faria um corte brutal nas pensões acima dos 600/700 euros. Para as novas gerações, estabeleceria um limite, uma reforma máxima, e uma mínima «garantida».

Se queremos manter um Estado Social viável temos de mudar regularmente as regras do jogo para acomodar às novas realidades demográficas, económicas, financeiras, políticas. Ao contrário do que dizem o futuro é incerto, não há reformas na SS definitivas. Mas em Portugal é muito difícil com esta mentalidade e com estes partidos.

Basicamente há dois cenários. Ou os cortes na pensões vão ser feitos em cima da hora quando estivermos à beira de um novo resgate ou teremos mais impostos em breve para financiar as pensões. Contudo mais impostos não resolverão nada, adiarão o problema e criarão outros problemas. O grave é que será tudo feito em cima da hora, o que obrigará a medidas mais difíceis, as pessoas serão apanhadas desprevenidas e não sei se o Regime sobreviverá como o conhecemos. É que ao cortar as pensões vão ser atingidos os tubarões do Regime. Por que acham que Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral, Ribeiro e Castro e tantos outros odeiam Passos Coelho? São egoístas, lá no fundo defendem a sua reforma. Querem lá saber do país, querem sim manter o seu rendimento intocado. Mas a função do Estado é zelar pelo bem de todos, e sem cortar nesta despesa, faliremos.

Para a SS ser viável as reformas nunca poderão ser iguais aos salários, o sistema terá de evoluir para pensões que garantam qualidade de vida, que premeiem o trabalho e quem desconta mais, as pensões mínimas terão de subir mas as máximas terão de levar cortes brutais. Espera-se que um idoso já tenha casa, se não tem o Estado garante habitação social, o Estado garante o SNS e os medicamentos, portanto alguém precisa de mais de 750/1000 euros por mês para viver? Então e durante a vida, não fizeram poupanças individuais? E a família, não tem o dever de ajudar?

Somos pobres, por mim o Estado deveria subir a reforma mínima para 350 euros a máxima para 1000 euros e de seguida baixar os impostos. Mas em democracia isto é impossível.
 
O "debate" foi fraquinho. Pode-se dizer que Costa "ganhou"-o, uma vez que esteve mais acutilante e Passos sempre na defensiva, isto ao nível da postura, uma vez que ao nível das ideias apresentadas não houve qualquer novidade. Costa também se fartou de mentir, inventando propostas da coligação que não existem (corte de pensões em 600 milhões de euros) e foi bastante demagógico no auto-elogio da gestão camarária, onde apenas reduziu a dívida devido à privatização da ANA.

Por que escrevo "debate" entre aspas? Porque aquilo que ontem aconteceu não foi um debate, mas sim uma entrevista simultânea. Das raras vezes em que começou a haver debate os moderadores (pela primeira vez em maior número do que os protagonistas) cortavam a palavra. Este modelo impede qualquer discussão de ideias - dois minutos e meio mal dá para apresentar e justificar a própria ideia, nunca dará para esgrimir argumentos com o adversários. Deste modo fica favorecido o "soundbyte", a demagogia, a aldrabice e nada fica esclarecido.
 
Para enquadrar esta campanha , temos que regressar a 4 anos atras , esta e a campanha ( com exceção do pos 25 abril ) onde sem duvida se tem mais de falar do passado .
Qualquer pessoa bem esclarecida sabe que Portugal teve que pedir assistencia financeira para não ir a bancarrota , devido a esse facto , este governo foi uma especie de administrador de insolvência . Quem não compreende este pormenor fundamental compreende poucas coisas .

Em relação ao debate em si , fiquei com a ideia que PPC não quer continuar a ser primeiro ministro , só assim se compreende tanta resignação e sonolência perante tanta demagogia vinda do outro lado .
 
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