O próximo Governo vai ter de continuar a austeridade, se quisermos ficar no euro e não dar calote.
Continuar a austeridade não significa cortar salários ou despedir, mas ir reformando e fazendo poupanças que este Governo não fez, ou por falta de coragem, ou por má preparação, ou por encobrimento de alguns interesses.
Esses cortes vão doer a grupos específicos e causar algum desemprego, mas têm de ser feitos. São cortes de boa gestão da Administração Pública.
Os portugueses deveriam investigar o valor total da dívida pública e da despesa anual do Estado em 2000 e comparar com o valor antes da vinda da troika e com o valor actual. É que gastamos, tirando os juros, quase o dobro, mas o país pouco cresceu! Deveríamos perguntar onde se gasta mais dinheiro!
Alguns economistas falam em surdina que o Estado ainda pode cortar 10 a 20 mil milhões, com reduções de funcionários, autarquias, gastos intermédios, ajustes directos...
Os ajustes directos, criação do PS, que o PSD não acabou, custam muito ao Estado e são fontes de corrupção de tráfico de influências.
A sociedade civil terá de ser mais activa nos próximos 10 a 20 anos. Não falo de vir para a rua reclamar por tudo e por nada, daquelas manifestações manipuladas pelos sindicatos ligados ao PCP. Falo sim da denúncia concreto de casos de corrupção, de despesismo público...
Soube-se com a queda do BES que a Comporta está cheia de casas ilegais, desde casas de agricultores a casas de «gente rica». Pergunto, quem pôs lá infra-estruturas públicas, por que nunca se denunciou isto, onde estavam as pessoas da zona, onde esteve o Estado? A sociedade civil tem de ser mais forte nestes casos, o Estado tem de ter mais autoridade. Se é ilegal, tem de ser demolido e renaturalizado, e quem fez tem de pagar o processo e a multa, é aqui que entra também a reforma da Justiça, estes casos chegam a estar 20 ou mais ano no tribunal, quando deveriam resolver-se em meses, de forma mais célere, mas as leis são dúbias e mal redigidas de propósito...
Enfim, quem pensa que vai votar neste ou naquele partido e que vem aí um paraíso de crescimento engana-se. Se não houver reformas duras nos próximos anos, mão férrea na despesa e aumento da autoridade do Estado para corrigir problemas estruturais da sociedade corremos o risco de sair do euro e empobrecer muito.