O Estado do País 2016

Até certo ponto não percebo o teu constante desprezo pela cultura típica do português ao mesmo tempo que exaltas as culturas dos outros países como o RU. Volto a escrever. Uma democracia que é supervisionada por uma entidade não democrática é vazia em si mesmo. Mas não vou por aí. Vou por outra via. Muito se falou que na Grécia a Igreja tem muitas terras e que há concentração dos bens. O Brasil, outro país dito atrasado, tem o mesmo problema. Mas não é que o RU, país supostamente muito à frente, continua a alimentar elites que em nada contribuem para a riqueza do país sem ser vender revistas cor-de-rosa? Lá há também brutais disparidades na distribuição dos bens. Onde está a meritocracia? Onde está a luta contra os rendeiros devoristas?

Para complementar e resumir a situação britânica:

A 165-year-old law that threatens anyone calling for the abolition of the monarchy with life imprisonment is technically still in force – after the Ministry of Justice admitted wrongly announcing that it had been repealed.

The act – which makes it a criminal offence, punishable by life imprisonment, to advocate abolition of the monarchy in print, even by peaceful means – has not been deployed in a prosecution since 1879.

http://www.theguardian.com/uk-news/...bolition-monarchy-illegal-uk-justice-ministry

A monarquia, mesmo nos moldes pseudo-reduzidos do RU, Espanha e outros, é o símbolo da perpetuação do feudalismo. O rico no castelo e o pobre no portão. Apoiar monarquias não é ser conservador. É ser anti-democrático (e estou a excluir as muitas isenções de impostos que as famílias reais têm sendo que é o contribuinte que os financia).
 
Última edição:
Qual o problema das 35 horas tomara todos nós, na Alemanha trabalha-se 35 e são mais produtivos, a Suecia implementou o dia de de trabalho de 6 horas e não parece que estejam mais pobres, caro algarvio é esse o pensamento que arrasta o país para o fosso, porque não lutas por ter 35 em vez de querer tira-las
Porque aqui com 35h a produtividade é gigante. Por favor.
 
Chega a ser revoltante para quem trabalha no privado assistir às birras do sector público.
Greves por tudo e por nada, tal como uma criança a chorar até que os pais lhe dêem o doce.
7 horas de trabalho diário, quando na realidade são umas 6:30, já que a outra meia hora não se faz mais nada porque o serviço está quase a fechar.
Gostava que houvesse uma maior igualdade entre privado e público.
 
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Em 2014 escrevi que o 'apocalipse' viria em 2015. Isto, obviamente, foi errado. Em 2016, há instituições mais 'credíveis' que algo semelhante:

"Vendam tudo". Royal Bank of Scotland alerta para apocalipse financeiro

http://www.tsf.pt/economia/interior...lerta-para-apocalipse-financeiro-4975582.html

Um artigo mais completo:

http://www.telegraph.co.uk/finance/...-everything-as-deflationary-crisis-nears.html

Falam no petróleo e nos mercados financeiros. Mas... e os metais preciosos?

Para registos futuros, quer estejam certos ou errados, fica aqui o destaque dado pela imprensa britânica não-cor-de-rosa:

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Telegraph:

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Ministro da Educação quer privilegiar a qualidade "em detrimento da cultura da nota"

A teoria do ministro:
"O insucesso escolar é o maior entrave ao progresso das qualificações e a mobilidade social"

Português e Matemática são elementos perturbadores da sociedade:
"combater a ideia de que o Português e a Matemática são disciplinas estruturantes"

Em vez de avaliar, aferir (?!):
"previlégio da qualidade em detrimento da cultura da nota"

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/econ...alidade_em_detrimento_da_cultura_da_nota.HTML

Este ministro é um verdadeiro guru!
 
Porque aqui com 35h a produtividade é gigante. Por favor.
se não somos produtivos existem muitos culpados os patrões não incentivam os trabalhadores os trabalhadores por não serem reconhecidos lixam-se e trabalham o menos pois como assim no final do dia o reconhecimento é zero, o estado porque muda as leis do trabalho e os impostos consoante o vento, se formos a pensar como tu não temos horas do dia que cheguem para chegarmos ao 50€ por hora da Alemanha
 
Ministro da Educação quer privilegiar a qualidade "em detrimento da cultura da nota"

A teoria do ministro:
"O insucesso escolar é o maior entrave ao progresso das qualificações e a mobilidade social"

Português e Matemática são elementos perturbadores da sociedade:
"combater a ideia de que o Português e a Matemática são disciplinas estruturantes"

Em vez de avaliar, aferir (?!):
"previlégio da qualidade em detrimento da cultura da nota"

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/econ...alidade_em_detrimento_da_cultura_da_nota.HTML

Este ministro é um verdadeiro guru!

Populismo, ignorância e imbecilidade... As medidas podem não ser totalmente más, mas estes argumentos são absurdos... Já houve quem afirmasse, há alguns anos, durante um governo PS, que a solução para acabar com o insucesso em Matemática era acabar com essa disciplina(!). A afirmação era mais ou menos assim: "a disciplina de Matemática deve ser rapidamente eliminada dos currículos escolares e substituída por Educação Matemática. Não interessa saber Matemática mas sim saber usar matemática". Como se uma coisa (usar matemática) fosse possível sem a outra (saber matemática). E depois dizem que a esquerda é que dá igualdade de oportunidades... só se for igualdade no acesso à ignorância.
 
Já houve quem afirmasse, há alguns anos, durante um governo PS, que a solução para acabar com o insucesso em Matemática era acabar com essa disciplina(!). A afirmação era mais ou menos assim: "a disciplina de Matemática deve ser rapidamente eliminada dos currículos escolares e substituída por Educação Matemática.

 
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se não somos produtivos existem muitos culpados os patrões não incentivam os trabalhadores os trabalhadores por não serem reconhecidos lixam-se e trabalham o menos pois como assim no final do dia o reconhecimento é zero, o estado porque muda as leis do trabalho e os impostos consoante o vento, se formos a pensar como tu não temos horas do dia que cheguem para chegarmos ao 50€ por hora da Alemanha

Será?

Mete dois portugueses a trabalhar, conversam metade do tempo, trabalham a outra metade.

Há um ou dois anos fui à CGD de Faro, em pleno mês de Agosto. Tinha dezenas de pessoas à minha frente. Havia uma sala cheia de idosos, muitos doentes, sem cadeira. Vejo duas funcionárias fecharem os balcões, passam por mim e comentam isto: «então, onde vamos hoje tomar o pequeno-almoço?». Fiquei junto à porta, de senha na mão, a ver quanto tempo demoravam. Ao fim de uma hora fartei-me, eram dez da manhã. Balcões fechados, e as «dôtoras» ainda não tinham regressado. O Macário diz que quando chegou à câmara de Faro muitos funcionários desapareciam de manhã e de tarde para o café e o trabalho ficava por fazer. Isto é culpa de patrões? Se calhar até é, porque não são mais autoritários e exigentes. Mas nestes casos, o patrão é o Estado...

Quando estudei, na faculdade, muitos dos meus colegas estudavam meia hora, depois estavam uma hora a conversar, depois estudavam meia hora e voltava a conversa. Ora um estudo tem de ser produtivo, algumas sessões têm de ir para 10 horas ou mais com intervalos breves para comer, e não para falar.

Nem todos os portugueses são assim, mas muitos são, o suficiente para o país não se desenvolver como deveria, e isto sucede porque a sociedade tolera, e porque não fomos educados nem instruídos para sermos produtivos. Não venhas com a lengalenga do patrão parolo que explora os empregados porque isso não explica nada. A minha família teve dezenas de empregados ao longo de décadas, pagou mais do que a lei exigia pois o meu avô era um pouco mãos largas e mesmo assim os empregados continuaram sempre a fazer asneiras, e faziam porque eram negligentes e mal educados.
 
Infelizmente no sector do estado, há um "grupo de trabalhadores" que faz apenas os mínimos, sem zelo, sem idéias para melhorar, sempre contra mudanças.

Grupo 1:
- idade acima dos 50anos
- escolaridade inferior ao 12ano
- já passaram por várias secções, vão saltitando, com funções de responsabilidade mínima.
- Vão a acções de formação quase obrigados.
- Não pensam na carreira, vivem revoltados com os chefes, colegas e governo.

Grupo 2
- Idade nos 30/40anos
- Curso superior
- Entraram por cunha, as suas funções não correspondem aos estudos, nem gostam do que fazem.
- Foram viciados pelos mais velhos, a impor o seu estatuto de sr doutor ou sr engenheiro.
- Não têm foco no cliente, pensam apenas na carreira.


Mas o problema da nossa produtividade não é apenas falta de atitude individual, ou falta de incentivos do patronato. É muito muito mais que isso:

- aquilo que produzimos não gera grande valor, ou não conseguimos competir em grande escala.
- os bancos são sempre do regime. Raramente emprestam tudo o que as empresas precisam, preferem subsidiar futebol, estado, casas, estradas. Para o sector produtivo, dão quase nada!
- as boas idéias, inovadoras, geradas nas nossas universidades, têm muito pouco acolhimento. Continuamos a acreditar que idéias/produtos importados são melhores.
- E claro.. O peso do estado é colossal! Quanto mais impostos suportamos nós e as empresas, menor investimento, menor crescimento, vencimento.

Portanto, melhorar a produtividade não é mexer no denominador da equação (produção/horas de trabalho). Se alguém me puder explicar como é que ganho mais, trabalhando menos, agradecia! :)
 
Infelizmente no sector do estado, há um "grupo de trabalhadores" que faz apenas os mínimos, sem zelo, sem idéias para melhorar, sempre contra mudanças.

Grupo 1:
- idade acima dos 50anos
- escolaridade inferior ao 12ano
- já passaram por várias secções, vão saltitando, com funções de responsabilidade mínima.
- Vão a acções de formação quase obrigados.
- Não pensam na carreira, vivem revoltados com os chefes, colegas e governo.

Grupo 2
- Idade nos 30/40anos
- Curso superior
- Entraram por cunha, as suas funções não correspondem aos estudos, nem gostam do que fazem.
- Foram viciados pelos mais velhos, a impor o seu estatuto de sr doutor ou sr engenheiro.
- Não têm foco no cliente, pensam apenas na carreira.


Mas o problema da nossa produtividade não é apenas falta de atitude individual, ou falta de incentivos do patronato. É muito muito mais que isso:

- aquilo que produzimos não gera grande valor, ou não conseguimos competir em grande escala.
- os bancos são sempre do regime. Raramente emprestam tudo o que as empresas precisam, preferem subsidiar futebol, estado, casas, estradas. Para o sector produtivo, dão quase nada!
- as boas idéias, inovadoras, geradas nas nossas universidades, têm muito pouco acolhimento. Continuamos a acreditar que idéias/produtos importados são melhores.
- E claro.. O peso do estado é colossal! Quanto mais impostos suportamos nós e as empresas, menor investimento, menor crescimento, vencimento.

Portanto, melhorar a produtividade não é mexer no denominador da equação (produção/horas de trabalho). Se alguém me puder explicar como é que ganho mais, trabalhando menos, agradecia! :)

Concordo em absoluto... embora seja notório um esforço para que algo mude nos últimos anos... mas como podem imaginar é uma questão cultural, quem negar isto recusa ver a realidade... não muda do dia para a noite... a meu ver tudo se resume a uma palavra... mérito... em Portugal na generalidade não é reconhecido, tenho a certeza que todos nós vemos isso todos os dias nos nossos locais de trabalho... o mérito daria lugar aos melhores, aos melhores líderes, melhor organizações, mais equilibradas, mais produtivas... enfim... tudo isto é sabido e vem nos manuais... o resto é a nossa cultura que teima em não mudar que leva à resignação... é o "se não os vences junta-te a eles..." e se torna um círculo vicioso.
 
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Infelizmente no sector do estado, há um "grupo de trabalhadores" que faz apenas os mínimos, sem zelo, sem idéias para melhorar, sempre contra mudanças.

Grupo 1:
- idade acima dos 50anos
- escolaridade inferior ao 12ano
- já passaram por várias secções, vão saltitando, com funções de responsabilidade mínima.
- Vão a acções de formação quase obrigados.
- Não pensam na carreira, vivem revoltados com os chefes, colegas e governo.

Grupo 2
- Idade nos 30/40anos
- Curso superior
- Entraram por cunha, as suas funções não correspondem aos estudos, nem gostam do que fazem.
- Foram viciados pelos mais velhos, a impor o seu estatuto de sr doutor ou sr engenheiro.
- Não têm foco no cliente, pensam apenas na carreira.


Mas o problema da nossa produtividade não é apenas falta de atitude individual, ou falta de incentivos do patronato. É muito muito mais que isso:

- aquilo que produzimos não gera grande valor, ou não conseguimos competir em grande escala.
- os bancos são sempre do regime. Raramente emprestam tudo o que as empresas precisam, preferem subsidiar futebol, estado, casas, estradas. Para o sector produtivo, dão quase nada!
- as boas idéias, inovadoras, geradas nas nossas universidades, têm muito pouco acolhimento. Continuamos a acreditar que idéias/produtos importados são melhores.
- E claro.. O peso do estado é colossal! Quanto mais impostos suportamos nós e as empresas, menor investimento, menor crescimento, vencimento.

Portanto, melhorar a produtividade não é mexer no denominador da equação (produção/horas de trabalho). Se alguém me puder explicar como é que ganho mais, trabalhando menos, agradecia! :)
ora acabaste de responder no fim, a Suécia passou para 6 horas pois depois de estudos viu que em 8 horas em parte não se trabalha por pura incapacidade de um ser humano estar 8 horas concentrado e porque descobriram que se-calhar os trabalhadores têm vidas para alem do trabalho. o que tens são generalidades como se diz lugares comuns, com o pensamento do eu contra eles várias empresas têm centros investigação por cá pois descobriram o que já sabíamos que somos temos jeito para solucionar problemas.
sou trabalhar do privado a minha mãe é do estado como auxiliar de acção médica sabes quantos natais esteve a trabalhar muitos, sabes quantas vezes passamos férias todos juntos, nenhuma pois o meu pai tinha em agosto e a minha mãe nunca teve férias em agosto como ela todas as colegas, também sei umas quantas sobre trabalhadores do privado como fugirem aos impostos baixas fraudulentas entre outras. E por isso que não avançamos preferimos atrasar o vizinho a seguir com ele ,
façamos como as pernas uma é inútil sem a outra unidas e andamos
 
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Não sei como é na Suécia, sei como é em Inglaterra.

Começa logo nas escolas. Há aulas apenas de manhã e início da tarde. Ora quando eu fiz o Secundário tinha o horário cheio de furos. Isto é produtivo? Não é.

Vejamos.

Opção A

Aulas das 8h30 às 11h30, depois horário de almoço, aulas das 15h30 às 17h30

Opção B

Aulas das 8h00 às 13h30, sempre na mesma sala, com de 20 minutos a meio da manhã. Tardes todas livres OU

Aulas das 9h00 às 12h00 e das 12h30 às 15h00 e um dia por semana sem aulas à tarde.

A opção A não é produtiva, os alunos nos furos estarão a conversar, no café, e como sabemos as nossas bibliotecas são barulhentas e os alunos distraem-se facilmente. A opção B é a mais produtiva pois liberta os alunos à tarde para estudarem, praticarem desporto ou estarem com a família.

Em Portugal as escolas públicas costumam seguir a opção A, já muitos colégios privados seguem a opção B. As universidades seguem geralmente a opção A, mas em Espanha e no Reino Unido sei que muitas universidades seguem a opção B.

Portanto o problema da produtividade começa logo no Ensino.

Mas há mais. Se o negócio das explicações explodiu nas últimas duas décadas, então os alunos não aprendem nas escolas. No Porto sei que há alunos que passam todas as tardes da semana em centros de estudos. Vão ao fim da tarde para lá terem explicações, depois de terem estado um dia inteiro na escola. Não brincam? Não estão com amigos? Não praticam um desporto? Não descansam? Não lêem? Não. É escola a tempo inteiro. Se as explicações explodiram, é porque aquelas horas que os alunos passam na sala de aula não rendem. Porquê? Mas no passado rendiam pois no tempo dos nossos pais não havia este negócio das explicações. Atenção, não tenho nada contra os explicadores. O meu ponto é este: se há procura tão elevada, é porque algo de errado se passa nas escolas (e em muitos colégios). Se um aluno há 30 anos estava 5 horas na escola e aprendia, e agora está 5 na escola e 3 no centro de explicação, onde está a produtividade do ensino?

Outro exemplo.

Há 20 anos não havia tantos computadores, quase ninguém tinha computador privado e nas universidades os alunos estudavam pelos apontamentos das aulas e pelos livros.

Agora não é assim. Com os aparecimento dos computadores, a vida de muitos estudantes ficou um inferno. Além de terem 5 a 6 horas de aulas por dia, entre teóricas e práticas, têm apresentações e monografias todas as semanas. E perdem horas a formatar diapositivos e a preparar a apresentação de aulas e seminários. Ou seja, para aprender o mesmo, trabalha-se o dobro ou até o triplo! Portanto, para o mesmo objectivo, trabalha-se mais, mas o resultado final é por vezes até pior, pois os alunos não têm tempo para estudar a matéria dos exames por causa dos trabalhos ao longo do semestre!

Portanto o que vejo é isto: o problema da produtividade começa logo no Ensino público, começa na educação e portanto não é de admirar que na vida adulta as pessoas tenham maus hábitos.
 
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Na escola secundária onde estudei havia alunos que viviam na serra a 60 quilómetros, tinham de acordar às 6, para ter aulas às 8h30, e por vezes tinham a última aula às 17h30. Isto é uma selvajaria que contribui para que esses alunos tenham depois piores resultados e fiquem para trás. E sucedia porque os horários eram feitos de forma egoísta em nome dos interesses dos professores, que tinham negócios de família fora da escola ou andavam em mestrados e queriam horários à medida das suas vidinhas sem pensar no superior interesse do aluno.
 
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Na escola secundária onde estudei havia alunos que viviam na serra a 60 quilómetros, tinham de acordar às 6, para ter aulas às 8h30, e por vezes tinham a última aula às 17h30. Isto é uma selvajaria que contribui para que esses alunos tenham depois piores resultados e fiquem para trás. E sucedia porque os horários eram feitos de forma egoísta em nome dos interesses dos professores, que tinham negócios de família fora da escola ou andavam em mestrados e queriam horários à medida das suas vidinhas sem pensar no superior interesse do aluno.

Eu não fazia 60 km´s, fazia 30, mas também me levantava às 6 da manhã para por vezes ter aula as 11! Esses horários cheios de furos eram uma realidade naquela altura e talvez ainda o sejam... na aldeia só havia 4 ligações diárias à cidade (bem bom!!!) e fosse qual fosse a hora das aulas, não se podia dormir até mais tarde por motivos óbvios... é que depois só havia BUS ao meio dia... como eu... centenas... milhares... alguém alguma vez se preocupou em optimizar os horários? Pensar nos alunos? No seu aproveitamento? Quantas horas passei na estação à espera da hora de voltar para casa... nem estudava... nem estava com a família, ou seja o pior dos cenários, quantos amigos meus seguiram caminhos errados e não duvido que este "gap" também contribuiu para tal...
Nunca vi ninguém preocupar-se com isto... nem mesmo na comunidade escolar.