Com as discordâncias políticas posso eu bem, até porque há que colocar algumas coisas em perspectiva (tenho poucas dúvidas que deve haver gente ligada a partidos aqui, porque me recuso a acreditar que alguns casos sejam (apenas) simpatia política já que ela não faz ninguém justificar o injustificável nem cega. tem de ser mais alguma coisa. O pior mesmo é ter de levar com machismo, xenofobia e outros ismos e fobias afins. Logo nos primeiros dias do ano, vinha eu toda despachada postar aqui já nem me lembro o quê, quando me deparo com um post profundamente xenófobo. Por um lado foi bom, pois fez-me reflectir: se no meu dia-a-dia faço os possíveis e impossíveis para me distanciar de pessoas que eu considero preconceituosas, porque diabos me sujeito a elas e às suas opiniões de forma voluntária aqui? O que me fez começar a postar neste tópico é exactamente aquilo que me fez deixar de o fazer. Isto é um micro-cosmos de uma parte deste país, a parte que me desgosta: aquilo a que os anglo-saxónicos chamariam 'a far-right men's club'. É uma pena porque há uma ou outra pessoa que respeito muito mas isso não chega. Deixo um último desejo: que continuem a espernear e a berrar por aqui. É bom sinal. Pior será quando o deixarem de fazer.
Nem todos podem ser de esquerda, a esquerda tem de saber lidar com isso, lá por agora ser uma Moda quase geral ser-se de esquerda em Portugal, a esquerda tem de aceitar que hajam pessoas a pensarem de formas diferentes, isso dos "ismos" tem muito que se diga, os de direita são tão "ismos" como os de esquerda apoiantes de regimes tipo norte-coreanos, ou maoistas, ou sovieticos( a grande fome da Ucrania á quem finja que não existe, parece aqueles que negam o holocausto)o que não faltam são esqueletos no armário em ambos os casos, nem uns são melhores ou superiores moralmente a outros.
Aliás actualmente considero que não existe direita em Portugal.
Confunde-se muito direita com neo-liberalismo, ou liberalismo, pior confunde-se extrema direita com direita liberal. Neo-liberalismo, e liberalismo, podem ser inseridos no espaço politico de uma direita que defende a economia de mercado desregulada, a ausência quase de Estado,apoios sociais, frieza ao estilo americano com os mais desfavorecidos, etc e em Portugal infelizmente hoje só há essa direita, não há mais nenhuma.
Enquanto na esquerda, que é quase uma moda e é sem duvida a "nova burguesia" , temos uma oferta enorme de esquerdas neste pais, é só esquerdas de todas as maneiras e feitios, de todas as formas, enquanto na direita só temos uma visão, um paradigma, isto é tão escandaloso que o único suposto candidato de direita deste pais para as Presidências tem diga-se de andar a engraxar a esquerda e fora o Marcelo Rebelo de Sousa na direita temos um deserto, quantos candidatos temos de esquerda? todos os outros.
O que acontece com a esquerda em Portugal é como irmos a um restaurante e termos na ementa, camarão frito, camarão cozido, camarão de espetada, estrogonofe de camarão, camarão empanado,camarão com coco, é o que se passa em Portugal esquerda disto, esquerda daquilo, esquerda+esquerda+ esquerda, liga-se a tv qualquer intelectual é de quê? de esquerda, qualquer humorista é de quê? esquerda, qualquer actor de teatro, qualquer cineasta, qualquer escritor é de quê? esquerda,esquerda e mais esquerda . Direita? Apenas uma visão, apenas uma direita, que eu pessoalmente não considero uma direita válida.
Portugal está orfão de uma direita conservadora, mais tradicional. não me venham com coisas, nenhuma direita conservadora acha normal ou aceitaria, a venda de empresas ancoras portuguesas a grupos de paises maoistas, ou marxistas, ou ex-maoistas ou marxistas. Uma direita conservadora, não aceita que aldeias,vilas do interior de Portugal fiquem desertas e se percam tradições seculares.
Portugal está de facto orfão de uma direita mais conservadora, seria bom que o CDS voltasse aos tempos antes de Paulo Portas, e voltasse a ter uma matriz bem mais conservadora que tem actualmente sem estar colado á direita da tecnocracia liberal seguida pelo PSD e pela familia politica do PSD, no espaço europeu.