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O Estado do País 2019

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por luismeteo3 4 Jan 2019 às 10:58.

  1. frederico

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    Super Célula

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    Na última vez que viajei pela TAP o vôo teve atraso de quase duas horas.

    Os preços voltaram a aumentar, e muito. Quando mudou de mãos há uns 4 anos durante um ano e tal ou dois as coisas melhoraram bastante, os preços caíram e ficaram mais acessíveis e não havia estes atrasos. Para se ter uma noção, é frequente ver o bilhete a 50 euros pela British para o Porto, enquanto que pela TAP está a 100 e tal euros. Há muitos emigrantes portugueses a mudar para a British por causa disto dos atrasos e dos preços altos.
     
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  2. frederico

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    Super Célula

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    Eu sou a favor de uma queda da propinhas para um valor simbólico mas tem de haver contrapartidas. Não podemos continuar a ter alunos que andam lá 6 ou 7 anos para acabar um curso de 3 anos, nem professores que reprovam mais de 50% dos alunos todos os anos, isto para dizer que a culpa é dos alunos e dos professores.

    No sistema que eu proponho o aluno tem um prazo de 3 anos com matrícula a tempo inteiro ou 6 com matricula a tempo parcial para acabar o curso (licenciatura de 3 anos) e nesse período não paga propinas. O prazo será extendido para 4 ou 5 anos nos casos de trabalhadores, doentes, atletas ou mães. Ao fim desse prazo passa a pagar o custo real do curso. Pode até lá andar 20 anos, mas paga o custo real e anda o tempo que entender. Em contrapartida, regressa a época de Setembro como havia antes de Bolonha com uma taxa moderadora justa (15 euros por exame, por exemplo), e criam-se medidas para resolver o problema das cadeiras com mais de 25% de reprovações, uma das medidas poderá ser épocas especiais para essas cadeiras como já fazem aliás algumas faculdades, avaliação aos professores do Superior, obrigar os professores a publicar mais materiais de apoio para estudo, etc. Além de tudo isto, os alunos deveriam ter o direito de «congelar» a matrícula sem dar qualquer satisfação. No início do ano lectivo declarariam que não frequentariam e esse ano não contaria para o cálculo do tal prazo limite de 3 anos, só contariam os anos em que o aluno estivesse inscrito em disciplinas. Assim alunos com problemas poderiam «congelar» alguns anos e poderiam regressar ao curso quando pudessem voltar a estudar e esse regresso estaria sempre assegurado em toda e qualquer circunstância. Conheço pessoas que tiveram depressão, anorexia e outros problemas e esta possibilidade teria ajudado bastante.

    O sistema como está montado é muito agreste para os jovens carenciados, seria importante mudar radicalmente os horários e a carga de trabalho, que está excessiva, aumentar drasticamente o número de residências para estudantes deslocados e até dar cheques alimentação a estudantes com mais dificuldades. A ajuda deve centrar-se no aluno sem ter em conta a família pois muitos filhos de pais ricos não têm apoio para estudar se não seguirem a carreira imposta pelos pais. Mas tem de haver contrapartidas, pois o curso superior tem um custo e depois teríamos desperdícios brutais por termos baldas que andam lá uma carrada de anos na borga ou por termos professores incompetentes que se divertem a chumbar a maior parte dos alunos e que não preparam materiais de estudo.
     
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  3. Scan_Ferr

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    Nimbostratus

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    Eu sou de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (mestrado integrado) e cadeiras com taxa de reprovação acima de 25% é o pão nosso de cada dia. Aliás, no meu curso há cadeiras com taxas de reprovação de 60-50%. Considero isto inadmissível e a culpa não é só dos alunos. Lembro-me que numa cadeira de Máquinas Elétricas do 3º ano, quando eu fiz exame, chumbaram 70% dos alunos (100 e tal)! Isto não é sustentável e por isso é que a média para acabar o meu curso de 5 anos anda para aí nos 7 ou 8.

    Então nos primeiros 2 anos que é onde existem aqueles cadeirões com 300-400 alunos (entram 200 por ano no 1º ano) é um fartote. Diria que a média de aprovação a cada cadeira nesses anos deve ser prai 50%.

    Ah, como disse entram 200 por no 1º ano no meu curso. Quem está a fazer tese este semestre significa, à partida, que acaba este semestre ou no próximo. Sabem quantos estão inscrito à tese no 1º semestre? 52. Sabem quantos desses 52 entraram há 5 anos (2014-2015)? Zero (2 entraram só no mestrado, portanto depois de 2014). Ok, há aqueles casos que entraram em 13-14 e depois mudaram de curso no ano seguir...pronto digamos que para aí 10 entraram há 5 anos. Isto é suportável? Quando? Onde? Como?
     
    #303 Scan_Ferr, 8 Jan 2019 às 00:45
    Última edição: 8 Jan 2019 às 01:01
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  4. frederico

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    Super Célula

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    Fui aluno de um dos maiores cientistas e professores de Portugal que dizia que nos EUA taxas de reprovação acima dos 10% eram um escândalo. Então termos professores a reprovar mais de metade dos alunos por terra do Tio Sam tinha uma consequência: o professor era despedido.

    A mim sempre me fez confusão isto, que é tão estúpido e não pára. Então os alunos saem do Secundário muito mal preparados a Matemática, chegam ao Superior e levam logo com cálculo diferencial e integrais e com testes e frequências em Outubro e Novembro? No final é comum reprovarem aos 60 e 70%... e isto é assim desde pelo menos os anos 80, estamos em 2019... não percebem que isto é insustentável, e que ou mudam os programas do Secundário, ou mudam o Superior e passa a haver uma cadeira de preparação de Introdução à Análise Matemática, no primeiro ano, e só depois é que podem ensinar cálculo integral e diferencial com profundidade?

    Tenho pena que este assunto não seja falado. É que nos cursos é comum haver cadeiras difíceis com exames difíceis em que quase toda a gente passa. E depois há as cadeiras em que chumbam quase todos os alunos. De quem é a culpa? Do professor. E não há consequências para o professor... curiosamente andamos há anos a falar dos professores do Secundário, já repararam que nunca ninguém se atreveu a tocar no Superior? Por que será? Eu tenho algumas pistas...
     
    #304 frederico, 8 Jan 2019 às 01:12
    Última edição: 8 Jan 2019 às 01:22
  5. 4ESTAÇÕES

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    Nimbostratus

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    Nem mais.
     
  6. frederico

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    Agora é moda criticar os TPCs e há muita gente que quer acabar com eles.

    Quando andei na Primária nunca me ocupavam mais de uma hora. Tinha aulas das oite da noite à uma da tarde todos os dias.

    Ora ninguém fala do burnout dos alunos do Superior devido a um fenómeno que cresceu nos últimos dez anos no nosso país. Falo dos trabalhos individuais e de grupo que não existiam há 20 anos em inúmeros cursos e que agora proliferam ao ponto de já não haver cadeira que não tenha avaliação contínua por trabalho ou monografia a valer 20 ou 25% da nota final, ou mais. Já há cadeiras em que o trabalho vale 50% da nota! Agora imaginem um aluno num curso científico em 1995. Tem uma média de 10 a 12 horas de aulas práticas por semana, de frequência obrigatória, mas não tem trabalhos. Tem tempo para estudar, namorar, ir ao cinema, ler, estar com a família e os amigos e ainda consegue ter boas notas. O mesmo aluno em 2019 tem se calhar faltas às teóricas logo terá carga horária de 20 e tal horas, e depois tem um trabalho a cada cadeira, se forem 5 cadeiras são 5 trabalhos que lhe irão ocupar o tempo livre todo fora do tempo de aulas e do tempo que dedicaria a estudar para os exames. Não sobra tempo para nada e imaginem como estão os trabalhadores-estudantes... Já agora o aluno em 1995 estudaria por sebentas e livros pois entendia-se que o professor tinha obrigação de compilar a informação para o aluno estudar, tinha de fazer esse trabalho... no pós-Bolonha entende-se que o aluno é que tem de procurar a informação e fazer o trabalho que antes competia ao professor, que passa a ser um mero «orientador» ou «tutor»...

    Há cada vez mais depressão e burnout entre estudantes e jovens trabalhadores, por que será?
     
  7. frederico

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    Portugal NUNCA teve universidades sistematicamente na lista das 200 melhores da Europa. Por que será? Os nosso genes são idênticos aos dos espanhóis, franceses ou italianos, que têm sempre várias universidades nessas listas. De quem é a culpa? Dos reitores, dos professores, do Ministério. A culpa não é dos alunos.
     
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  8. frederico

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    Fonte segura contou-me que nos anos 80 os senhores doutores escondiam as revistas científicas porque achavam que os alunos não podiam saber mais que o professor sobre um determinado tema. Tirem-se as devidas conclusões.
     
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  9. N_Fig

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    No meu curso no ano passado um professor, que estava a substituir outro de sabática, consegui dar a cadeira tão bem que teve que cancelar um dos trabalhos que tinha proposto porque se apercebeu que se tinha esquecido de dar a matéria correspondente, e passaram apenas 5 pessoas em todos os exames que houve... E mesmo dos que passaram, falou-se que alguns passaram por favor (uma era uma rapariga a quem só faltava aquela cadeira para terminar, por exemplo).
     
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  10. luismeteo3

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    Número de empresas criadas bate recorde em 2018. 40% são de turismo
    Em 2018 foram criadas mais de 45 mil empresas em Portugal, o que corresponde a um recorde, de acordo com os dados da Informa D&B.

    O recorde já tinha sido anunciado e concretizou-se: desde 2007 que não se criavam tantas empresas em Portugal. De acordo com os dados da Informa D&B divulgados esta segunda-feira, 7 de janeiro, foram criadas 45.191 empresas em território nacional em 2018, mais quatro mil (+10%) do que em 2017, ano do anterior recorde.

    ... https://www.jornaldenegocios.pt/emp...018-40-sao-de-turismo?ref=HP_Ultimosdestaques
     
  12. frederico

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    Abrem umas, fecham outras afogadas em dívidas.

    O mercado terá de se reajustar e nos próximos anos fecharão algumas das que abriram agora pois a nível local em algumas zonas, e como já referi, há sectores sobredimensionados.
     
  13. vitamos

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    Há quem faça milagres... Mesmo.

    Hoje ouvi as ideias principais que o CDS apresentou, baseado nas bases da socialista Maria de Belém: uma espécie de sistema triplo, com regulação. Acho que sem partidarismo se devíamos olhar bem para estas questões.
     
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  14. ClaudiaRM

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    Há uma coisa que me faz muita confusão nos Hospitais em Portugal: a disparidade absurda entre unidades hospitalares. Ou seja, em tempos de mais abundância deveria funcionar tudo melhor e em tempos de contenção, o oposto. Ora, não é bem isso que acontece. Acho que para além do óbvio, se deveria olhar com mais atenção para as administrações. Não digo que seja o factor principal (não creio que seja o caso), mas não será de desprezar. A título pessoal, no Hospital de Viseu, comigo e com os meus mais próximos, não tenho mesmo razão de queixa. E em 2015, no auge da dita crise, a minha mãe foi encaminhada pela MF para o IPO de Coimbra e foram fabulosos. Em poucas semanas consulta marcada (final de Janeiro), outra consulta para a biópsia, outra para exames complementares, consulta pré-operatória de seguida e cirurgia no início de Julho, sendo que desde a fase da biópsia que se sabia que, felizmente, o nódulo era benigno. Sensivelmente 5 meses entre a primeira consulta e a cirurgia num caso que não era oncológico e que por isso não era urgente. Já nem falo dos recursos humanos absolutamente extraordinários e de uma simpatia extrema.
     
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  15. luismeteo3

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    A situação do SNS é de facto muito complicada e complicada de resolver. Ontem no programa prós e contras da RTP1 falou um médico que disse que em 10 anos não se fez manutenção de aparelhos de diagnóstico e poucos novos se compraram, e por isso só em aparelhos obsoletos a necessitar substituição seria preciso gastar 10 mil milhoes de euros!!! Impressiona!
     
    #315 luismeteo3, 8 Jan 2019 às 21:04
    Última edição: 8 Jan 2019 às 21:59
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