Esta comparação é mesmo muito reveladora! Posso dizer que nem sequer suspeitava que as diferenças fossem tão grandes (até 15% em média) em tão curtas distâncias.
Uma ligeira mudança no local de instalação pode e devia invalidar conclusões sobre alteração de um regime de pluviosidade a partir de uma série que englobe os dois locais, já para não falar das séries híbridas. Em estações oficiais penso que por vezes se faz (ou devia fazer) é manter os dois locais em funcionamento durante um certo intervalo de tempo, ou seja, haver um intervalo de sobreposição das das séries do antigo local e do novo, para que seja possível fazer uma correcção aos valores da nova série e assim englobar as duas séries numa só.
Edição: qual será a explicação de os 0,2 mm/200 cm2 apresentarem valores significativamente superiores aos de maior resolução?
Bom dia,
Neste caso específico, é demasiado cedo para tirar conclusões. É necessário um período mais longo e rodar o círculo dos pluviómetros 120° várias vezes.
Isto é necessário para eliminar uma possível causa relacionada com os ventos à altura dos pluviómetros.
Um exemplo de dois anemómetros (Portugal), um ao nível de um pluviómetro, o outro a 4 m de altura e a +/- 4 m de distância.
Pode ver-se claramente as diferenças:
Altura 1m
Altura 4m:
Voltando aos dois pluviômetros de 0,2 mm, um com bacias num eixo, o outro com bacias «apoiadas», o que, teoricamente, proporciona uma maior reatividade, mas, na prática, pode ocorrer um falso basculamento.
Outro aspeto: para um pluviômetro de 0,2 mm/200 mm, o volume de basculamento é de 4 ml.
Na realidade, eles basculam bem aos 4 ml quando estão secos; depois, alguns basculam entre 3,80 e 3,95, dependendo da intensidade, pois uma cubeta nunca se esvazia completamente.
Estou ocupado a implementar um sistema baseado na eletricidade. Os pluviómetros são interruptores. Assim, é possível medir o seu tempo de abertura e de fecho, sendo que ambos determinam a velocidade de basculamento.
A partir daí, é uma questão de matemática: relação de ciclo, duração em milissegundos, etc... Na verdade, determina-se um valor médio abstrato que reflete a «mecânica» de cada pluviômetro.
Para concluir, os pluviômetros são instrumentos meteorológicos que se substituem o menos possível para preservar a climatologia.
Para quem quiser «avaliar» os seus pluviómetros, o método do peso é uma boa forma e barata de o fazer.
Basta um cilindro de 200 cm² e uma balança de cozinha precisa (Tefal, por exemplo), além de um pouco de matemática.
