Pluviômetro

pedro_cvl

Cumulus
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5 Jan 2011
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Covilhã,Boidobra 465 m/alt
Boa tarde. Este tipo de pluviômetro é fiável? Estou a calibrar um ws90 tendo como referência os volumes captados em 24h neste tipo de pluviômetro. No entanto os valores do pluviômetro manual são bastante diferentes dos valores registados nas estações meteorológicas que existem perto. A verdade é que com paciência os valores do ws90 estão já muito perto dos valores captados pelo pluviômetro manual mas aumento a diferença entre as medições disponibilizadas online por outras estações relativamente perto.
 

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Boa tarde. Este tipo de pluviômetro é fiável? Estou a calibrar um ws90 tendo como referência os volumes captados em 24h neste tipo de pluviômetro. No entanto os valores do pluviômetro manual são bastante diferentes dos valores registados nas estações meteorológicas que existem perto. A verdade é que com paciência os valores do ws90 estão já muito perto dos valores captados pelo pluviômetro manual mas aumento a diferença entre as medições disponibilizadas online por outras estações relativamente perto.
Penso que o mais importante é o local em que este pluviómetro é instalado: altura acima do solo, longe e acima de vegetação e objectos/edificações próximas, efeitos locais de vento. A comparação com outras estações é irrelevante, especialmente nesta altura do ano e tipo de evento (convectivo e não estratificado) até mesmo estações a poucas centenas de metros entre si apresentam, ou não, variações muito significativas nos acumulados.
 
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Penso que o mais importante é o local em que este pluviómetro é instalado: altura acima do solo, longe e acima de vegetação e objectos/edificações próximas, efeitos locais de vento. A comparação com outras estações é irrelevante, especialmente nesta altura do ano e tipo de evento (convectivo e não estratificado) até mesmo estações a poucas centenas de metros entre si apresentam, ou não, variações muito significativas nos acumulados.
O pluviômetro está em campo aberto e se não está a 1.5m do solo pouco falta. Sem vegetação alta que possa interferir. Encontra se a 50m do sensor ws90, mas obviamente este, está bem mais alto.
 
O pluviômetro está em campo aberto e se não está a 1.5m do solo pouco falta. Sem vegetação alta que possa interferir. Encontra se a 50m do sensor ws90, mas obviamente este, está bem mais alto.
Então são condições de instalação boas para o pluviómetro. A diferença de alturas para o ws90 é de quanto, mais ou menos?
 
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O recipiente do pluviómetro tem aquele rebordo interior que por estar a uma altura relativamente perto da borda do copo pode ocasionar alguma perda por respingo para fora do copo. A borda do copo também devia ser uma aresta fina, não sei se é.
 
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A regra fundamental a respeitar ao comparar com um pluviómetro manual é a superfície de recolha; estas devem ser idênticas.
No caso de um sensor háptico, isso é impossível.
O grande problema do sensor WS90 é a sua instabilidade em função da intensidade e das chuvas falsas.

No seu lugar, eu colocaria um WH40: https://shop.ecowitt.com/products/wh40h?variant=45124261511330

A chuva é o parâmetro mais difícil de medir, um exemplo de 4 pluviómetros que estão num círculo de 1,5 m!
Pode constatar as diferenças, mesmo limitando-se aos dois pluviómetros de 0,2 mm/200 cm².
Comparar com pluviómetros fora do seu perímetro é como querer comparar o vento a 5 m e a 1 m de altura.

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A chuva é o parâmetro mais difícil de medir, um exemplo de 4 pluviómetros que estão num círculo de 1,5 m!
Pode constatar as diferenças, mesmo limitando-se aos dois pluviómetros de 0,2 mm/200 cm².
Comparar com pluviómetros fora do seu perímetro é como querer comparar o vento a 5 m e a 1 m de altura.

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Esta comparação é mesmo muito reveladora! Posso dizer que nem sequer suspeitava que as diferenças fossem tão grandes (até 15% em média) em tão curtas distâncias.
Uma ligeira mudança no local de instalação pode e devia invalidar conclusões sobre alteração de um regime de pluviosidade a partir de uma série que englobe os dois locais, já para não falar das séries híbridas. Em estações oficiais penso que por vezes se faz (ou devia fazer) é manter os dois locais em funcionamento durante um certo intervalo de tempo, ou seja, haver um intervalo de sobreposição das séries do antigo local e do novo, para que seja possível fazer uma correcção aos valores da nova série e assim englobar as duas séries numa só.

Edição: qual será a explicação de os 0,2 mm/200 cm2 apresentarem valores significativamente superiores aos de maior resolução?
 
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Esta comparação é mesmo muito reveladora! Posso dizer que nem sequer suspeitava que as diferenças fossem tão grandes (até 15% em média) em tão curtas distâncias.
Uma ligeira mudança no local de instalação pode e devia invalidar conclusões sobre alteração de um regime de pluviosidade a partir de uma série que englobe os dois locais, já para não falar das séries híbridas. Em estações oficiais penso que por vezes se faz (ou devia fazer) é manter os dois locais em funcionamento durante um certo intervalo de tempo, ou seja, haver um intervalo de sobreposição das das séries do antigo local e do novo, para que seja possível fazer uma correcção aos valores da nova série e assim englobar as duas séries numa só.

Edição: qual será a explicação de os 0,2 mm/200 cm2 apresentarem valores significativamente superiores aos de maior resolução?
Bom dia,

Neste caso específico, é demasiado cedo para tirar conclusões. É necessário um período mais longo e rodar o círculo dos pluviómetros 120° várias vezes.
Isto é necessário para eliminar uma possível causa relacionada com os ventos à altura dos pluviómetros.

Um exemplo de dois anemómetros (Portugal), um ao nível de um pluviómetro, o outro a 4 m de altura e a +/- 4 m de distância.
Pode ver-se claramente as diferenças:

Altura 1m

H1A.webp

H1B.webp


Altura 4m:

H4B.webp

H4A.webp


Voltando aos dois pluviômetros de 0,2 mm, um com bacias num eixo, o outro com bacias «apoiadas», o que, teoricamente, proporciona uma maior reatividade, mas, na prática, pode ocorrer um falso basculamento.
Outro aspeto: para um pluviômetro de 0,2 mm/200 mm, o volume de basculamento é de 4 ml.
Na realidade, eles basculam bem aos 4 ml quando estão secos; depois, alguns basculam entre 3,80 e 3,95, dependendo da intensidade, pois uma cubeta nunca se esvazia completamente.

Estou ocupado a implementar um sistema baseado na eletricidade. Os pluviómetros são interruptores. Assim, é possível medir o seu tempo de abertura e de fecho, sendo que ambos determinam a velocidade de basculamento.
A partir daí, é uma questão de matemática: relação de ciclo, duração em milissegundos, etc... Na verdade, determina-se um valor médio abstrato que reflete a «mecânica» de cada pluviômetro.

Para concluir, os pluviômetros são instrumentos meteorológicos que se substituem o menos possível para preservar a climatologia.

Para quem quiser «avaliar» os seus pluviómetros, o método do peso é uma boa forma e barata de o fazer.
Basta um cilindro de 200 cm² e uma balança de cozinha precisa (Tefal, por exemplo), além de um pouco de matemática. ;)
 
Boas informações, obrigado.

"Método do peso", precisamente. Porque não um sistema baseado num suporte que registasse automaticamente o peso do cilindro em tempo real? Várias questões técnicas parecem no entanto nada fáceis de resolver, tais como o perfeito isolamento da balança ou a fixação móvel do cilindro isenta de atritos.
 
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Boas informações, obrigado.

"Método do peso", precisamente. Porque não um sistema baseado num suporte que registasse automaticamente o peso do cilindro em tempo real? Várias questões técnicas parecem no entanto nada fáceis de resolver, tais como o perfeito isolamento da balança ou a fixação móvel do cilindro isenta de atritos.
Isso existe, mas o custo é proibitivo: custa 4 a 5 vezes mais.
Tanto quanto sei, nenhum instituto meteorológico utiliza este sistema, exceto no âmbito de estudos pontuais muito específicos.
Pois este tipo de sistema tem dois grandes problemas.
1/ A temperatura da água e não do ar; a água atinge o seu peso máximo aos 4 °C (se bem me lembro). Imagina a complexidade da implementação, por exemplo, no Algarve e nas serras!

2/ Tanto quanto sei, nenhum fabricante resolveu o problema dos poluentes presentes na água. O melhor exemplo são as chuvas carregadas de areia.

Existe outro sistema de conta-gotas a laser através de um tubo calibrado, praticamente abandonado porque requer uma manutenção quase diária... ;)
 
1/ A temperatura da água e não do ar; a água atinge o seu peso máximo aos 4 °C (se bem me lembro). Imagina a complexidade da implementação, por exemplo, no Algarve e nas serras!

2/ Tanto quanto sei, nenhum fabricante resolveu o problema dos poluentes presentes na água. O melhor exemplo são as chuvas carregadas de areia.

Pois, porque a unidade de medida da precipitação é o volume de água. O problema já existe também na conversão da precipitação sólida (neve, granizo) em equivalente líquido. E ainda, qualquer material dissolvido aumenta a densidade.
Em qualquer dos casos, para efeitos de estudo da variação climatologica, os erros (desvios) de medição serão significativos face ao valor das variações que permitem aferir uma real mudança de regime climático? A variação climática precisa de ser baseada em valores significativamente superiores à variabilidade normal de um regime estável.
 
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