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Política e economia internacional 2019

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por luismeteo3 4 Jan 2019 às 10:41.

  1. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Os EUA precisam de imigrantes. E precisam de imigrantes sem qualificações. A grande questão no meio disto tudo e que ninguém tem coragem de nomear é que já não há imigrantes ocidentais. Já não há imigrantes polacos, italianos, portugueses, ingleses ou alemães como houve ao longo do século XIX e do século XX. As mulheres europeias e de ascendência europeia na América do Norte têm poucos filhos, índices de fertilidade bem abaixo de 2. Estas populações não estão renovar as gerações. Ora no caso dos EUA só há imigrantes com fartura da América Latina. E isto a longo prazo, dentro de décadas, pode alterar a essência cultural dos EUA, como nação fundada por europeus protestantes que venceu, por oposição às nações da América Latina, fundadas por católicos espanhóis e portugueses, que são nações relativamente falhadas.

    A Europa tem o mesmo problema mas com outros contornos muito mais graves. As populações habituaram-se aos Estados providências. Médicos à porta de casa, escolas grátis, pensões generosas. Isto só é sustentável com crescimento económico e com renovação de gerações. Mas as europeias não têm filhos... quem tem filhos são as mulheres africanas e asiáticas. Portanto os políticos, principalmente de Esquerda, sentem-se tentados a aumentar a imigração, a aceitar mais e mais imigrantes de outros continentes, para não cortarem as pensões nem outras regalias sociais, e assim evitarem quebras nos votos. Mas quanto maior é o número de imigrantes africanos e muçulmanos, mais cresce a extrema-direita nacionalista. A Europa provou o populismo nacionalista nos anos 20 e 30. Acaba mal, acaba com guerra. Agora dificilmente será diferente, a longo prazo.

    Uma Europa nacionalista de extrema-direita como seria? Teria dezenas de fronteiras, o que tornaria o custo de vida muito mais caro. Teria uma indústria sem escala e inviável, incapaz de competir com os EUA e a China. Poderia ser uma mega Jugoslávia, com a Catalunha a exigir as ilhas Baleares e Valência, o País Basco a exigir Navarra, a Itália em risco de se fragmentar. Não me admiraria que não voltassem ideias neo-coloniais em relação a África, afinal os Coletes Amarelos franceses já falam no assunto. O empobrecimento brutal imposto pelo fim do mercado único levaria a falência de países. E depois, que fariam os nacionalistas? Nacionalizariam as economias para não serem vendidas a preço de pataco a americanos e a chineses? Quando se vissem nesta situação, como cumpririam as promessas de aumentar pensões e baixar impostos? Imprimindo moeda? Voltaria a hiperinflação. Teríamos a repetição de tudo o que sucedeu antes da Segunda Guerra Mundial. Em situação de desespero, para não perder o poder, os nacionalismos tentariam a fuga para a frente da Guerra. Na Europa ou em África. Quem anda a defender estes partidos populistas, aqueles velhotes que já ganham reformas chorudas face aos rendimentos médios da população e querem mais e mais dinheiro, os senhores da Catalunha que andam a doutrinar crianças, e por aí fora, deveriam parar, levar a mão à consciência e reflectir muito bem sobre o que andam a fazer.
     
  2. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    As grandes empresas da presente décadas nasceram onde? Nos EUA. Amazon, E-bay, Uber, Google, Microsoft. Deveríamos reflectir por que motivo não surgiram na Europa. A maior parte das grandes inovações médicas donde estão a vir? Dos EUA. O que há lá que não há na Europa? E mais. Antes do referendo do Brexit, o Reino Unido crescia mais que os restantes países europeus. Nas últimas décadas apanhou a França e estava a caminhar para apanhar a Alemanha nos próximos 10 anos. Os jovens mais inovadores preferem o Reino Unido, a Irlanda e a Holanda. Pensam que é só a língua, pensam? O que há nos países anglo-saxónicos que não há na maior parte da Europa Continental? Eu digo-vos. Há a Common Law, que é muito mais amiga da inovação e do comércio que os sistemas da Europa Continental. Há impostos genericamente mais baixos. Há menos Estado. Há mais sociedade civil, com tudo o que isso implica, para o bem e para o mal. Há maior capacidade de reinvenção. Em Portugal, por exemplo, se surge algo novo, aparecem logo mil e uma vozes a pedir «regulamentação». E frequentemente, a dita regulamentação vem mal feita, castra, impede as coisas de funcionarem. Veja-se o caso do alojamento local e de todos os seus contornos por vezes sinistros: basta ver que as zonas de contenção admitem hotéis e não alojamentos locais. Este caldo cultural estatista, de inspiração francesa, não funciona. E é isto que temos no Sul da Europa, e é por isto que quem está a vencer são os EUA.
     
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  3. N_Fig

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    Cumulonimbus

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    Não percebo este sentimento tão forte anti-Catalunha e outras regiões que querem autodeterminação. Que mal tem os catalães (ou os bascos, ou os escoceses, etc...) quererem a independência? Mesmo que a curto fosse mau em termos económicos, acho que outras coisas também terão a sua importância
     
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  4. hurricane

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    Nimbostratus

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    Infelizmente Frederico é isso mesmo. Ainda tenho esperanca que nao chegue a esse ponto. Mas tambem digo que se algum dia chegar, nao me apanham de certeza a defender nem Portugal nem a Europa. Estaria a milhas de distancia. Querem destruir a Europa, facam-no sem mim.
     
  5. hurricane

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    Nimbostratus

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    Bom a nivel de inovacao sim. Mas a nivel de ciencia e publicacoes cientificas, a Europa tem feito progressos notaveis e ja ultrapassou os US ao nivel de qualidade, principalmente pelo progresso nos paises de Leste. O problema da UE é sem duvida traduzir isso em inovacao e novas empresas. O nosso mercado unico nao é completo. Os Europeus nao tem o espirito de arriscar como tem os US, e o mercado de capital é averso ao risco. Temos sectores grandes como o quimico e automovel que tem menos risco.

    Neste momento so vejo uma coisa onde a UE pode ser lider mundial é na defesa da sustentabilidade e da nova economia verde.
     
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  6. frederico

    frederico
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    Em primeiro lugar, a Escócia não pode ser comparada à Catalunha. A Escócia fez tudo pela via da legalidade e do diálogo. O caso catalão é radicalmente diferente. Na Catalunha há uma máquina de propaganda instalada nas escolas que doutrina politicamente. Eu fiquei chocado quando vi usarem crianças e adolescentes como arma política no dia do referendo ilegal. Há casos claros de xenofobia e ataques a pessoas de outras zonas de Espanha. Pior que isso há uma tentativa de exportação do nacionalismo para as Ilhas Baleares, Navarra e Valência. Isto se continuar não vai acabar bem, pois acentuará um clima de ódio e pré-guerra civil nestas regiões. Metade da população catalã fala espanhol e não quer a independência. Os nacionalistas querem abolir o castelhano e empregar na máquina pública apenas nacionalistas. E querem exportar o nacionalismo para outras regiões de Espanha. Nada, absolutamente nada disto se passa na Escócia.
     
  7. frederico

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    A França ao contrário de Espanha não admite nacionalismos. Impôs a unidade. Não vejo ninguém atacar a França por causa disso. Os nacionalismos em Espanha e as autonomias começaram bem mas a sua evolução criou injustiças e problemas. Ainda recentemente saíram polémicas por causa dos exames da selectividad. Foram fáceis numas regiões e difíceis noutras. Os alunos das regiões onde foram fáceis vão conseguir entrar mais facilmente em cursos de média elevada. O Governo do PSOE perante isto recusa-se a unificar o sistema, como sucede em Portugal. É hora de parar com a visão romântica dos regionalismos e dos nacionalismos. Em Espanha têm criado muitos problemas práticos e injustiças.
     
  8. frederico

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    Sabes como é que na Catalunha se impôs o nacionalismo? Máquina de propaganda brutal no Ensino público e na comunicação social, criada por uma minoria política e tolerada ao longo de décadas pela Estado Central. Sabes por que motivo começaram estas histórias da independência e dos referendos? Os nacionalistas estavam envolvidos em múltiplos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro, e tentaram a sua sorte. Eles próprios diziam que uma vez independentes estavam livres de todas as acusações da justiça espanhola. Claro que a comunicação social portuguesa não fala disto. Aqui adora-se criar uma visão romântica e heróica de tudo o que seja «causa» que entre na cartilha politicamente correcta do jornalismo português. E como a Espanha é uma Monarquia católica é natural que o nosso jornalismo dê as suas facadinhas para ajudar a destruir o Estado espanhol. Aposto que se fosse uma República aventaleira como Portugal diriam cobras e lagartos dos catalães.
     
  9. frederico

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    Outro problema que a Europa tem é a ausência de uma indústria de entretenimento unificada. É um handicap do mercado único. Precisamos de artistas de música ligeira europeus que a nível global façam concorrência aos americanos e que dentro do mercado europeu tenham sucesso transversal em todos os países. Precisamos de voltar a ter música em alemão, italiano ou francês nas nossas rádios. E precisamos de uma Hollywood europeia que faça concorrência à outra na Califórnia.
     
  10. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Entretanto vamos ter eleições no Partido Conservador inglês que ditarão quem será o PM. Gostaria de destacar algo interessante. Há meia dúzia de anos a maioria do partido era pró-UE apesar de ser contra mais integração política. Neste momento tudo mudou radicalmente. Não há um único candidato a favor da UE ou de um soft brexit. Os nomes que eram de primeira linha foram todos afastados, George Osborne, Cameron, Theresa May, Amber Rudd. Os candidatos que temos agora eram vistos há uns anos como nomes de segunda e terceira linha, sem qualquer hipótese. O mesmo sucedeu no Labour. Há uns anos ninguém diria que Corbyn tinha hipóteses. Era visto como um representante da ala mais radical do partido, representado uma minoria. Isto significa que há um enorme vazio ao Centro. E que se o Partido Conservador e o Labour prosseguirem por este caminho e se não encararem de frente Nigel Farage e as suas ideias como um inimigo político a derrotar então correm o risco de perder toda uma geração para os Liberais e para os Verdes. Eu não vejo qualquer oposição ao Nigel Farage a não ser dos Liberais e do SNP escocês, e já se percebeu que ele não vai desistir enquanto não houver um corte total de relações com a UE, o que a todos os níveis é altamente prejudicial para todos e trata-se em boa verdade de uma posição extremista.


    PS: tenho falado com escoceses que me têm dito que se houver hard brexit e recessão em dois ou três anos pode haver um novo referendo e a independência desta vez pode vencer. E isto acarreta uma enorme dor de cabeça para Londres. Teríamos uma fronteira a sério entre a Escócia e Inglaterra. Além do problema da fronteira na Irlanda do Norte teríamos agora outro a norte da Grã-Bretanha. Em boa verdade uma independência da Escócia seria muito mais simples se o Reino Unido continuasse na União.
     
    #925 frederico, 11 Jun 2019 às 14:56
    Última edição: 11 Jun 2019 às 15:02
  11. N_Fig

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    Hum, então o problema não é tanto com a independência em si, mas com o modo como ela está a ser tentada? Apesar de ser por princípio a favor da independência, admito que também não gosto de muitos dos seus apoiantes e dos seus métodos. No entanto...

    ...nem toda a gente acha bem a "igualdade" falsa que a França impôs e impõe, assim como a discriminação de que povos como bretões (só um exemplo) foram sujeitos nos últimos séculos, e eu sou um deles. Mais uma vez como exemplo, em 1860, há meros 150 anos, quase 40% da população francesa falava provençal, portanto estavam longe de ser uma minoriazita, mas em 1993 já só eram 7%... Se isto não é uma tentativa de matar parte da cultura de uma etnia (neste caso a sua língua), não sei o que será... Para quem quiser saber mais, aconselho isto:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Vergonha
     
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  12. Orion

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  13. frederico

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    O meu problema com a Catalunha são os métodos. É o facto de jogarem sujo.

    Quanto ao provençal, eu sou grande defensor da defesa das culturas locais e dos regionalismos. Mas para isso não é necessário termos nacionalismos políticos como sucede neste momento em Espanha. Tanto quanto sei na Suiça coexistem 4 línguas e duas vertentes do cristianismo sem grandes problemas e não vejo cantões a querer a independência.

    Mas a questão do Provençal, já agora, vem da Idade Média e da cruzada contra os cátaros... foi aí que a destruição começou.

    Para defender as identidades locais não vejo nenhuma necessidade de independências nem nacionalismos.
     
  14. ClaudiaRM

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