Porque nos roubam os espaços verdes?

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Mais um caso onde tudo está errado. Porque nos roubam os espaços verdes?

Um suposto investimento de 270 milhões em 20 anos? Qual é o banco que paga isto? Vender casinhas para ir financiando o resto? Comércio?

Cascais vai perder a sua única mancha verde. Em causa está uma nova urbanização de mais de 930 fogos junto à praia de Carcavelos, que terá também comércio, serviços e um novo hotel, num investimento privado que atinge os 270 milhões de euros. O projecto está ser contestada pelos movimentos de cidadãos do concelho de Cascais, que admitem mesmo avançar para tribunal para parar o projecto.
A nova construção está prevista no novo Plano de Pormenor Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul (PPERUCS), em discussão pública na Câmara de Cascais.

A Plataforma de Cidadania Cascais, um movimento de cidadãos, coloca em causa o projecto, sobretudo pela volumetria dos novos prédios a ser construídos, perto do colégio St. Julian’ s, em Carcavelos. “Cremos ser de lamentar que os termos deste Plano de Pormenor se pautem por replicar, naquela que é a única mancha verde digna desse nome em toda a extensão da Marginal no concelho de Cascais, um modelo de intervenção urbanístico digno dos anos 60-70”, alertam os cidadãos, reconhecendo, contudo, a necessidade de recuperar a Ribeira dos Sassoeiros, “sobretudo no que toca a saneamento”.

A questão, argumenta Jorge Morais, da Plataforma, não é a necessidade ou não de requalificar a zona, mas o facto de o modelo escolhido destruir a mata, “quando há ali imensas zonas vazias onde o empreendimento poderia ser construído”.

O megaempreendimento, a ser erguido na antiga Quinta dos Ingleses, e que prevê construções com cerca de seis a sete pisos cada, coloca dúvidas, sobretudo “num momento de gravíssima crise económica e financeira como o presente, em que a banca se encontra retraída e existe uma elevadíssimo excedente de oferta imobiliária”.

Moradores alertam para perigos do projecto

Se tudo correr como o esperado, serão construídos junto à Marginal 939 fogos correspondentes a 140.821m2 para habitação, acrescido de 30 mil m2 para comércio, 40 mil para serviços e 10 mil para um hotel. “Quase tudo “, alertam os cidadãos no parecer enviado à Câmara de Cascais, “em cima da Marginal e a maior parte implicando o esventramento da densa massa arbórea localizada a leste e sudeste do lote em apreço, mudando radicalmente a imagem e a silhueta daquele troço de Carcavelos”.

Outra das questões levantadas pelos habitantes refere-se aos lugares de estacionamento previstos. “Parecem-nos excessivos os 7.000 lugares do PPERUCS (quantos serão em subsolo?), mais os 1.000 lugares para a ‘School of Business and Economics’ da Universidade Nova (350 lugares em subsolo)”, alertam no mesmo parecer.

É também colocada em causa a necessidade de mais oferta hoteleira : “Não têm vindo a ser demolidos hotéis e construídos no seu lugar edifícios para habitação?”, questionam os habitantes de Cascais.

Os cidadãos alertam ainda para o perigo que erguer uma ‘muralha de betão’ a Norte da Marginal pode representar para a praia de Carcavelos, decorrente da previsível subida do nível médio das águas do mar. E explicam: “Muito menos podemos aceitar que o PPERUCS seja apresentado como um Plano que tem preocupações ambientais e de sustentabilidade”.

A organização local Fórum Carcavelos tem a mesma opinião e coloca em causa a necessidade de nova habitação no concelho.

Agência de ambiente deu parecer favorável

Em esclarecimento ao SOL, fonte do gabinete de imprensa da Câmara de Cascais esclarece que, além da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), pronunciaram-se outras 22 entidades sobre o projecto, incluindo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e o Instituto Conservação da Natureza e das Florestas.

A mesma fonte lembra ainda que este é “um investimento privado a concretizar nos próximos 20 anos” e que “a Câmara não investe um cêntimo”. Por outro lado, sublinha, este processo, “um dos mais complexos dossiers na gestão municipal” que vem desde 1961, teve já várias propostas “e conheceu novas versões em 1985, ano em que foi celebrada a escritura pública do contrato de urbanização entre a Câmara Municipal de Cascais e a proprietária dos terrenos à data, em 2001 e agora, finalmente, em 2013”. Este último, lembra a mesma fonte, “com uma redução significativa na área habitacional”.

Por outro lado, pela construção neste terreno de 54 hectares, “há, desde 1999, duas acções litigiosas interpostas contra a Câmara Municipal de Cascais, ascendendo já a 264,31 milhões de euros”.

É possível que, desta vez, o projecto avance, uma vez que já teve parecer favorável da APA. Questionada pelo SOL, fonte oficial daquela Agência, explica que a “elaboração do PPERUCS foi acompanhada desde o seu início”.

O parecer da APA, acrescenta a mesma fonte, levantou algumas questões, sobre a requalificação da “Ribeira de Sassoeiros, a delimitação da zona ameaçada por cheias, o estacionamento na área definida como espaço de apoio às praias e a delimitação da faixa correspondente à margem das águas do mar”. Com estas situações acauteladas, o projecto teve parecer favorável.

A Câmara Municipal de Cascais, lembra, por seu lado, que “exigiu que o Plano fosse acompanhado de um Relatório Ambiental”.

Mas os cidadãos de Cascais não se conformam. E segundo avançou ao SOL Jorge Morais, consideram todas as hipóteses para tentar parar o arranque do novo empreendimento a ser construído em terrenos privados, incluindo recorrer aos tribunais.

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=98953#.UvpaEEZRo69.facebook
 
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frederico

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9 Jan 2009
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Porto
Isto é ridículo. O Ordenamento tem de mudar radicalmente.

A população está a decair, e além das áreas despovoadas nos centros urbanos começam já a surgir áreas despovoadas nos subúrbios. Qualquer dia haverá gente quase a oferecer moradias só para não pagarem o IMI.
 
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Vitor TT

Nimbostratus
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21 Jan 2014
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É pena que o litoral continua a saque dos interesses, sendo este local onde faço a parte off-road da minha "voltinha" de bike :lol:, tenho pena que vá dar lugar a mais betão, por acaso já tinha visto escrito junto á praia esta menção-protesto, fico triste,
mas se fosse só isto, eu como bom conhecedor do nosso litoral, que gosto de fotografar tenho assistido a autenticos assaltos ás matas para dar lugar ao betão de luxo, pois que se lixem as dunas, as reservas ecológicas, etc, etc é preciso é encaixar quito a qualquer preço, a herdade da Comporta é um claro exemplo disso, lagoa de Óbidos outro exemplo,
temo por exemplo que o belissimo litoral Alentejano um dia seja "betonizado" que penso que já faltou mais.
Este ano espero fazer um registo em video antes que acabe, enfim.
 

AnDré

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22 Nov 2007
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Cascais vai perder a sua única mancha verde.

Puro sensacionalismo. Digno do Correio da Manhã. :p

Não é que seja a favor do projecto, nem nada que se pareça, mas quando comecei a ler a noticia, pensei que iam dar cabo de vez da mancha florestal junto ao Guincho. (Entre o Cabo da Roca e o Cabo Raso). Aquela a que teimam em pegar fogo todos os anos.
Interesses imobiliários? Hum...
Mas é uma zona que considero algo vergonhosa em termos de natureza. Já se fazia daquela região, algo bem melhor.
Aliás, basta olhar para a Serra de Sintra. As vertentes sul da serra, passam os verões a arder. Ora aqui, ora ali.

Localizando o concelho de Cascais e a mancha florestal, referida na noticia, no mapa:

Pc0RGtJ.png


yZeHpue.jpg


É uma zona que precisa, sem dúvida de uma intervenção. Até porque todos os anos é fortemente castigada pelos carros e autocarros que ali estacionam naquela espécie de "estepe" junto à marginal.

A praia de Carcavelos é a maior praia da linha de Cascais. Imensamente procurada de verão.
Faria todo o sentido que aquela mancha verde/estepe, fosse requalificada numa área de lazer. As famílias que ali vão à praia, ficariam bem mais contentes. ;)
 
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Vitor TT

Nimbostratus
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Deve ser intervencionada sim senhora, como passo um pouco pelo interior para fazer os poucos trilhos vejo coisas "estranhas" e até tenho algum receio de passar, mais nesta altura do ano, e muito entulho depositado cada vez mais :angry:

faz-me lembrar a Fonte da Telha, foi demolida umas determinadas habitações, mas não se fez mais nada, hoje ( é a praia que frequento no verão ) é um caos quer o estacionamento quer as entradas e saidas, que se for para um dos extremos pode-se demorar quase 2 horas a sair ( +- 500 mts ) se por exemplo houver um aumento do vento e o pessoal sair quase ao mesmo tempo devido ao estacionamento caotico.
 

raposo_744

Cumulus
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14 Out 2008
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venda nova ( Amadora )
sempre que passo aí no verão para ir mais para a frente, e se houver vento ,tenho que fechar os vidros do carro com tanto pó.
A fonte da telha é uma vergonha,habitualmente vou para a parte não vigiada(porque tenho um cão)e ao fim de semana é a loucura
 

Agreste

Furacão
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29 Out 2007
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O novo calçadão de Quarteira. E aposto que vão entubar o barranco do género vale do jamor. Se for preciso pagar ao proprietário para desistir do projecto então que se pague.
 

Agreste

Furacão
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29 Out 2007
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Aljezur (48m) - Faro (11m)
Numa outra perspectiva... alguém no AKI de Braga achou que se podiam deitar 300 litros de tinta plástica branca nas águas pluviais...

Rio Este - Fotos da Rádio Universitária do Minho (Luís Costa).

 

Gil_Algarvio

Nimbostratus
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23 Mar 2009
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Manta Rota - Algarve
Câmara de Braga responsabiliza loja do AKI por descarga de tinta no rio Este

Afluente do Ave ficou branco, numa faixa de vários quilómetros, após despejo de 300 litros de tinta pelas águas pluviais

Em Braga não se fala de outra coisa. O Este, rio durante muitos anos maltratado e que tem sido alvo de medidas de recuperação, ficou, na tarde desta quarta-feira, branco, ao longo de um troço considerável. Segundo o vereador do Ambiente da Câmara de Braga, cerca de 300 litros de tinta de água foram despejados na rede de águas pluviais a partir da loja do Aki, em Lamaçães, por um funcionário que terá tentado, desta forma, limpar o espaço onde uma palete do produto caiu, espalhando-o pelo chão.

Esta foi pelo menos a justificação dada à autarquia e à GNR pela empresa, que o PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar. Segundo o vereador Altino Bessa, a opção de resolver o problema do derramamento de tinta daquela forma não terá partido dos responsáveis da Loja, mas mesmo que isso se confirme o autarca não deixa de considerar que está em causa um crime ambiental, ainda que praticado de forma involuntária. E por isso, quer a Polícia Municipal, quer o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR levantaram autos para abertura de um processo contra-ordenacional, num caso, e processo-crime, no outro.

Altino Bessa promete ser implacável, mas o problema, assumiu, é que a autarquia pouco pode fazer para resolver o cenário criado pelo incidente que foi detectado cerca do meio-dia, quando começaram a chegar ao município várias chamadas denunciando um manto branco no rio, mas cuja origem só foi conhecida já passava das 15h, explicou. Percebido o ponto de entrada da tinta diluída em água no rio, junto à Rodovia da cidade, as equipas da empresa municipal de água e saneamento, a Agere, foi abrindo tampas de visita até diminuir as origens possíveis, numa zona pejada de prédios de habitação e de grandes lojas.

Chegados ao AKI, a empresa assumiu ter estado na origem do problema, mas este já se tinha espalhado pelo troço do rio na zona urbana. Numa operação de limpeza a partir do ponto original, a Agere aspirou 14 mil litros de líquido ainda sujo para um camião cisterna, mas no Este, o manto branco só desaparecerá por intervenção da natureza, porque seria necessário aumentar-lhe muito o caudal, a partir da zona onde tudo começou, para que a tinta – que felizmente não é das mais poluentes, assinalou Bessa – se dilua. São Pedro, que fez de Braga o penico do céu, como se diz nesta cidade de invernos muito chuvosos, não vai colaborar nos próximos dias, nos quais se prevê bom tempo.
Fonte: Jornal Público