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Portugal Antigo

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 19 Fev 2019 às 14:48.

  1. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Abri este topico para partilharmos imagens e informacoes de monumentos, edificios, ruas, paisagens e outros valores que desapareceram nas ultimas decadas. Contribuam com fotos da vossa terra, postais antigos e fotos da internet.

    Abro o topico com aquele que foi talvez o maior crime contra o nosso patrimonio cometido no seculo XX. Falo da destruicao da Alta Historica de Coimbra, levada a cabo durante a primeira decada do Estado Novo. O Regime de entao rejeitou que a nova universidade ficasse em Santa Clara ou no actual Solum e optou por demolir o patrimonio da zona nobre da cidade, tendo sido construidos os actuais edificios que la estao, com uma arquitectura de inspiracao fascista.

    Um dos edificios demolidos foi o Observatorio Astronomico Pombalino, que ficava ao lado da Biblioteca Joanina.

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    Coimbra e uma das cidades mais notaveis da Europa contudo tem sido uma das mais destruidas. Antes das destruicoes do Estado Novo ja tinha sofrido com a revolucao Liberal e a adulteracao dos colegios da Rua da Sofia.


     
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  2. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Perto da Igreja da Trindade no Porto ficava o fantastico Palacete de Dona Antonia Ferreira, conhecida como a Ferreirinha. Lamentavelmente, foi demolido para dar lugar a um mamarracho, onde funcionam actualmente os correios dos Aliados. O edificio era do seculo XIX.

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  3. luismeteo3

    luismeteo3
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    Furacão

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    Fatima
    Impressionante como é que foram demolir um edifício destes com a sua história, beleza e imponência... :facepalm:
     
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  4. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    A Sé Velha de Coimbra antes das obras do Estado Novo. O anterior regime deu com uma mão e tirou com a outra. Graças às obras do Estado Novo vários monumentos medievais foram salvos da ruína e assim chegaram aos nossos dias. Por outro lado as opções de requalificação acabaram por destruir muito património. O Regime entendeu que os monumentos medievais deveriam ser «despidos» de parte da decoração acrescentada posteriormente e foram removidos altares, talhas e azulejos. No caso da Sé de Coimbra foram destruídos à picareta os azulejos mudéjares que a revestiam, o que pode seguramente ser visto hoje como um crime contra o nosso património artístico. Os azulejos eram sevilhanos do século XVI. Como será possível destruir isto à picareta?

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  5. frederico

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    Em 1935 foi demolida em Coimbra a bela torre sineira de Santa Cruz, de origem medieval. Face à degradação do estado de conservação da torre optou-se pela sua demolição deliberada.

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    Antes disso já tinha sido descaracterizado o claustro do Jardim da Manga, que era fechado. As autoridades do Regime assim decidiram...

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  6. frederico

    frederico
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    No início século XX Lisboa tinha o seu mercado na Praça da Figueira. O edifício do final do século XIX foi demolido em 1949. Felizmente, no Porto, o mercado do Bolhão não teve a mesma sorte.

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  7. frederico

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    Pensamos que as massas são uma criação italiana mas no Algarve Antigo faziam-se os fodeus, umas massinhas preparadas com farinha de trigo, água e sal. Os ingredientes eram misturados e depois as massinhas eram secas ao sol e utilizadas na confecção dos cozidos de grão. Hoje em dia toda a gente compra massas no supermercado e já não prepara esta massa caseira.

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  8. frederico

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    Aproxima-se o Entrudo, festa altamente descaracterizada no nosso país em décadas recentes. Como refere e bem Miguel Torga, o Carnaval era vivido com especial e particular vigor no Algarve. Era costume entre muitas famílias guardar roupas velhas em antigas arcas de madeira. Os mais jovens «entronchavam-se» com essas roupas para irem aos bailes de Carnaval. Há 20 anos ainda havia dezenas de bailes deste tipo por toda a região, mas hoje em dia são raros. Muitos tapavam o rosto para não serem reconhecidos e pregar partidas, e eram conhecidos como as «mascarinhas». Era relativamente comum os homens vestirem-se de mulher, especialmente de «velha alcoviteira».

    Na Terça-feira de Carnaval era costume comer-se o galo guisado. As famílias sacrificavam o melhor galo da capoeira para o petisco. Na zona de Loulé faziam um guisado diferente do guisado do sotavento, com sangue do animal. O modo de confecção do guisado variava um pouco de família para família.

    Na Quarta-feira era dia do enterro do Entrudo. Ainda tive o prazer de assistir a esta festa na aldeia da Cortelha, antes do seu desaparecimento, quando tinha 9 anos de idade. Era um evento teatral com uma forte componente satírica. Depois do cortejo fúnebre pela aldeia era feita a «missa» do enterro e no final o boneco era queimado. À noite havia baile para encerrar o Entrudo.

    Penso que se justificaria o fim de um ou outro feriado em Portugal, e que o Dia de Entrudo passasse a ser feriado nacional, dada a relevância ancestral desta tradição no nosso país.
     
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  9. frederico

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    O famoso temple de Diana em Evora nem sempre existiu como conhecemos na actualidade. No period da ocupacao arabe, na Idade Media e no reinado de D. Manuel I sofreu modificacoes. No final do seculo XIX sofreu uma profunda intervencao que o deixou com o aspecto actual. Para mim, mais uma intervencao altamente questionavel e polemica. Nao teria sido preferivel preserver o edificio tal e qual como estava no seculo XIX?

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  10. camrov8

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    Cumulonimbus

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    tipico, o nosso amigo Salazar fez muita m***a nesse aspecto, muitos dos monumento que temos no coração foram adulterados por ordem desse sr, como os castelo de S. Jorge que ficou destruído no terramoto, muitos ficaram desvirtuados e reconstruidos segundo a visão imperialista do portugal antigo
     
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  11. frederico

    frederico
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    Nao quero ser advogado do Diabo, mas nao foi propriamente o Salazar, foram as pessoas do Regime, dos Ministerios e das autarquias. Eu costumo dizer que o Regime deu com uma mao e tirou com a outra. Foram salvos muitos monumentos medievais que de outra forma nao teriam chegado aos nossos dias, mas por outro lado foram cometidos crimes enormes, sendo o mais evidente, triste e abominavel a destruicao da Alta de Coimbra.

    Contudo, a tradicao de destruicao de patrimonio ja estava bem enraizada e comecou quando? No seculo XIX, apos as invasoes francesas. Mas ja la vamos. Hoje trago algo desconhecido de 99% dos portugueses. Existem muitas ideias erradas sobre a Idade Media. Na realidade nesse periodo Portugal ate conseguiu ser um pais relativamente avancado para a epoca. E isso tambem ocorria na questao das liberdades e dos costumes.

    Sabemos hoje que em cidades como Guimaraes havia muitas gargulas medievais com conotacoes sexuais explicitas que foram destruidas a picareta apos a Contra Reforma do seculo XVI. Esta, por exemplo, sobreviveu.

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  12. frederico

    frederico
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    O que foram os marialvas e o marialvismo? Nos seculos XVIII e XIX havia ja um apodrecimento da classe aristocratica portuguesa, que era gozada e criticada pelos estrangeiros. Os nobres tinham perdido a sua funcao, pois tinham terminado as guerras regulares de defesa da fronteira ou no Imperio, e nao tinham profissao nem ocupacao. Face aos seus vizinhos castelhanos, ingleses ou franceses, os nobres portugueses eram em geral incultos e muitos mal sabiam ler ou escrever. E neste contexto que surge uma moda, o marialvismo. O marialva era um homem que vivia sem trabalhar, e muitos nem sequer eram nobres. Frequentava as touradas, os bordeis, as casas de fado da capital. Envolvia se em discussoes politicas sem fim e vangloriava se dos feitos imaginarios ou reais dos seus antepassados. O fado desenvolveu se muito em torno desta moda degenerada. Muitos dos defeitos da nossa sociedade terao terreno fertil para se desenvolverem entre os marialvas. E frequente a admiracao provinciana pelo que "vem de fora", bem como o diletantismo. O marialva vive de rendas dos bens da familia ou de dinheiro que recebe de familiares ou ate de mulheres, mas e frequente ter dividas devido ao estilo de vida boemio e irresponsavel que leva. Lamentavelmente, o marialvismo fez escola e ainda hoje tem influencia notoria em certas faccoes da sociedade portuguesa...

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  13. frederico

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    Ao contrario do que sucedia nos paises anglo saxonicos, subir na vida pelo estudo e pelo trabalho era genericamente condenado na sociedade portuguesa. Ate a tradicao filantropica dos paises protestantes era criticada e desprezada pela sociedade portuguesa, que preferia enaltecer as virtudes da caridade aos "pobrezinhos". No entanto nao se pense que esta era a posicao da Igreja, como irei demonstrar neste topico. Esta era acima de tudo a posicao das elites portuguesas face ao povo, que desprezava e humilhava. A unica via de escape para quem queria fugir a miseria era normalmente a emigracao. Vejamos, por exemplo, o que pensava Virginia de Castro e Almeida em 1927, escritora de origem aristocratica.

    "Sabendo ler e escrever, nascem lhe ambicoes: querem ir para as cidades ser marcanos, caixeiros, senhores; querem ir para o Brasil. Aprenderam a ler? Que leem? Relacoes de crimes; nocoes erradas de politica; livros maus; folhetos de propaganda subversiva. Largam a enxada, desinteressam-se da terra, e so tem uma ambicao: serem empregados publicos. Que vantagens foram buscar a escola? Nenhumas."
     
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  14. frederico

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    Armazens do Chiado em 1910. Seriam destruidos pelo incendios de 25 de Agosto de 1988. Pessoalmente nao gosto do restauro de Siza Vieira.

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  15. frederico

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    Super Célula

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    Como deveria ser a praca dos Aliados, no Porto? Pessoalmente nao gosto nada do projecto do Siza Vieira. Excesso de pedra, o que transmite uma sensação de frieza e até tem um certo caracter opressor. As praças originalmente eram locais de convívio e encontro e o projecto de Siza Vieira foi um fracasso. A praça dos Aliados tornou-se essencialmente um local de simples passagem onde ninguém para. Recentemente colocaram lá uns bancos minúsculos debaixo das magnólias. Não gosto nada do novo urbanismo português, com grandes espaços calcetados ou asfaltados, sem árvores de grande porte, apenas uns arbustos raquíticos, quando os há, ou umas árvores sem copas.

    Um postal antigo dos tempos de Salazar.

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    O edifício da câmara é do Estado Novo e tem uma qualidade arquitectonica que ja era rara nos edificios da epoca.

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