O comportamento do Anticiclone dos Açores (AA)

Tópico em 'Climatologia' iniciado por Mário Barros 17 Nov 2008 às 19:33.

  1. Mário Barros

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    Furacão

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    Ora bem, como todos nós já percebemos o AA (anticiclone dos Açores) nos ultimos anos tem tido um efeito de bloqueio bastante grande, não sei se mais ou menos que nos últimos 30 anos, a verdade é que já praticamente não me lembro da última vez que ouvi falar de cheias em rios e de barragens com niveis de armazenamento de água acima do normal.

    A minha pergunta é esta, porque raio o AA se movimenta tanto, e porque raio desde há uns anos para cá, ele se movimenta mais durante o Verão que durante o Inverno? Pois pelo pouco que eu sei, o AA deveria movimentar-se para oeste ou sul deixando a chuva entrar pela peninsula ibérica, mas pelos visto isso é algo cada vez mais raro...porquê?

    Quase que se pode afirmar uma troca de papéis, isto começa a parecer um clima continental, chuva e instabilidade no Verão, estabilidade e neve no Inverno.

    Muito provavelmente parte das culpas é da NAO entre outros "mecanismos" atmosféricos, que se tem mantido positiva nos últimos anos.

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  2. Vince

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    Furacão

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    Só um pequeno esclarecimento, o NAO (North Atlantic oscillation) por si não é culpado de nada, é apenas uma forma de representar o padrão de comportamento da pressão atmosférica entre os Açores e a Islândia. As causas estão obviamente ligadas ao Jet e acima deste, aos factores que influenciam o Jet (temp. massas de ar, temp. água, etc, outros ainda incompreendidos). O NAO não é causa, nem sequer sintoma, é uma representação numérica do padrão de um sintoma, e muitas vezes sabemos que existe determinado padrão mas ainda não sabemos bem todas as suas causas.

    Tentando explicar de forma mais simples, se eu criar o índice de disposição do Mário, que tem uma escala que oscila entre o muito mal e muito bem disposto, posso depois tentar ver se existe um padrão temporal, se existir, poderia chamar-lhe ODM, Oscilação Disposição Mário, que traduziria em números e gráficos um padrão regular.

    Ora, tal como não é o NAO que provoca o que quer que seja, não seria também o ODM (Oscilação Disposição Mário) o causador da boa ou má disposição do Mário, isso são outros factores, tal como no NAO. O ODM seria apenas uma representação desse padrão.
     
  3. Z13

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    Vince, boa metáfora!:thumbsup:

    Percebi o que é o NAO:D
     
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  4. Iceberg

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    Uma coisa é certa, a NAO tem estado nas últimas duas, três décadas com uma inusitada predominância positiva ... daí os Invernos mais amenos ...:unsure:
     
  5. Iwannaknow

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    Será que de futuro haverá mais tornados e chuvas mais fortes em Portugal?
     
  6. Paulo H

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    Se responder que sim ou que não, estaria igualmente correcta a resposta. No campo das probabilidades podemos esperar tudo do futuro, porque não?

    Pessoalmente não gosto muito da forma como alguns meteorologistas portugueses o afirmam em entrevistas. São eles os entendidos na matéria, mas será razão para afirmar certezas categoricamente? Penso que não, pelo menos no futuro próximo.. Porque num futuro longínquo nunca se pode negar qualquer acontecimento, mesmo que a sua probabilidade seja baixa, ela acabará por acontecer!

    Prefiro acreditar que a ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos fazem parte do nosso padrão climático, com todas as suas variabilidades associadas! Se incluirmos estes fenómenos extremos na nossa variabilidade climática, poderemos até considerar normal e provável a ocorrência de n eventos/ano num padrão ciclico de 5, 10, 30 ou 500 anos!

    Faltam-nos séculos de registos históricos, para estabelecer ciclos menores de padrões climáticos à escala de Portugal. Embora o sistema climático seja de natureza caótica, sabemos que numa escala de tempo suficientemente grande tudo tende a repetir-se globalmente. A paleoclimatologia desvendou esses ciclos de milhares ou até milhões de anos. Mas de nada nos servem para prever a tendência maior ou menor de ocorrência de fenômenos extremos.

    A ocorrência de tornados em Portugal, com as mesmas condições e frequência com que são desencadeados no interior dos Estados Unidos, nunca será comparável, nem possível por cá.

    Tornados com a natureza dos que têm ocorrido já ocorreram um pouco por todo Portugal, não digo todos os anos, mas existem relatos históricos em todas as décadas passadas.

    Trata-se no fundo de saber se as condições que propiciam o desenvolvimento de supercélulas para tornados (<5%) se tornarão a repetir um dia. Sim, irão repetir-se. Com maior frequência? Não sei, não sou futurologista nem possuo um registo de dados que me permita estabelecer ciclos de tendência climática e muito menos prever fenômenos meteorológicos extremos a longo prazo.

    Mas posso traçar 2 cenários futuros:
    1. Maior troca de calor entre os pólos e o equador: propicia uma maior variabilidade de padrões, e portanto, mais dado a fenómenos extremos e fora de tempo.
    2. Menor troca de calor entre pólos e o equador: propicia um fluxo mais zonal e portanto menos dado a fenómenos extremos.

    Nenhum destes cenários garante nada, é apenas falar no campo das probabilidades. E eu não sou especialista na matéria, é apenas a minha humilde opinião. :)
     
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