5 anos depois do furacão Katrina

Mário Barros

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18 Nov 2006
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Nova Orleães 5 anos depois do Katrina
Foi há cinco anos que o furacão Katrina devastou Nova Orleães.

É com música que o quarteirão francês, o mais turístico, relembra a catástrofe natural que matou 1800 pessoas e forçou mais de 250 mil a abandonarem as suas casas na Luisiana, Mississípi e Florida.

No terreno muito está ainda por fazer. Os habitantes queixam-se de não terem recebido o valor devido para a reconstrução das suas casas, algumas áreas estão ao abandono. Salvo algumas excepções, um habitante de Lower 9th Ward, o bairro mais devastado, pôs mãos à obra mas o futuro é incerto.

“E como a BP, eles têm que me pagar porque eu não sei como vou pagar as contas no próximo mês. Eu pago os serviços da cidade. Eles estão a enfeitar o quarteirão francês e a falar dos turistas. Eu, acabei de limpar a estrada e as sarjetas em frente à minha casa. Eu pago os mesmos impostos. Pago os mesmos serviços. O que é que eu tenho de errado Sr. Presidente?”, pergunta este residente.

Este Sábado foi Brad Pitt que esteve neste bairro. O actor é o fundador da Make it Right que pretende erguer ali centenas de casas projectadas por arquitectos famosos de diversas partes do mundo. Algumas já estão de pé.

Este domingo, um dos pontos altos é a visita de Barack e Michelle Obama à cidade.

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Cronologia dos acontecimentos.

23 de Agosto

03:30 (UTC) – A tempestade tropical Jose faz landfall em Veracruz, México, com ventos de até 95 km/h.
17:00 (UTC) – A depressão tropical Jose dissipa-se sobre o México central.
18:00 (UTC) – A depressão tropical Doze forma-se perto de Long Island.

24 de Agosto

12:00 (UTC) – A depressão tropical Doze fortalece-se para a tempestade tropical Katrina.

25 de Agosto

21:00 (UTC) – A tempestade tropical Katrina fortalece-se para o furacão Katrina.
22:30 (UTC) – O furacão Katrina faz seu primeiro landfall entre Hallandale Beach e North Miami Beach, Flórida, com ventos de até 130 km/h.

26 de Agosto

05:00 (UTC) – O furacão Katrina enfraquece-se para uma tempestade tropical.
06:00 (UTC) – A tempestade tropical Katrina volta a ser o furacão Katrina sobre o golfo do México.
18:00 (UTC) – O furacão Katrina intensifica-se para um furacão de categoria 2.

27 de Agosto

12:00 (UTC) – O furacão Katrina torna-se um furacão "maior" de categoria 3.

28 de Agosto

06:00 (UTC) – O furacão Katrina intensifica-se para um furacão de categoria 4.
12:00 (UTC) – O furacão Katrina intensifica-se para um catastrófico furacão de categoria 5, o segundo furacão de categoria 5 da temporada de 2005.
12:00 (UTC) – A depressão tropical Treze forma-se a cerca de 1.550 km a leste das Pequenas Antilhas.
18:00 (UTC) – O furacão Katrina torna-se o quarto furacão mais intenso no Atlântico norte (caindo para sexto após Rita e Wilma) quando sua pressão central mínima cai para 902 hpa.

29 de Agosto

11:10 (UTC) – O furacão Katrina faz seu segundo landfall perto de Buras-Triumph, Luisiana, com ventos de até 200 km/h.
14:45 (UTC) – O furacão Katrina faz seu terceiro e último landfall perto de Pearlington, Mississippi, com ventos de até 190 km/h, após cruzar a baía de Breton.
18:00 (UTC) – A depressão tropical Treze degenera-se para uma grande área de baixa pressão remanescente.

30 de Agosto

00:00 (UTC) – O furacão Katrina enfraquece-se para uma tempestade tropical.
12:00 (UTC) – A tempestade tropical Katrina enfraquece-se para uma depressão tropical.

31 de Agosto

00:00 (UTC) – A depressão tropical Katrina torna-se extratropical sobre o estado americano de Kentucky.
 

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Conheça cinco mitos ligados à passagem do furacão Katrina

Cinco anos após a água inundar cerca de 80% da cidade de Nova Orleans, no Estado americano da Louisiana, algumas das principais razões que levaram mais de 1,5 mil pessoas à morte ainda são capazes de surpreender. Para marcar a data, a edição online da revista Vanity Fair publicou uma lista com cinco "mitos" que cercam a tragédia americana. Confira:

1. O que aconteceu em Nova Orleans foi um desastre natural
Havia um desastre natural diretamente relacionado ao acontecimento em Nova Orleans, mas a catástrofe natural realmente atingiu a costa do Mississippi, onde o furacão chegou na categoria 3. Cidades como Bay St. Louis, Pass Christian e Biloxi foram destruídas pelos ventos fortes e a chuva. Quando o Katrina chegou à costa leste de Nova Orleans, ele provavelmente estava entre as categorias 1 e 2. No entanto, 80% da cidade foi inundada não em função da força da catástrofe natural, mas de erros humanos. Equipes independentes de engenheiros e cientistas que analisaram o caso chegaram a conclusões similares. Segundo eles, a tragédia foi resultado de décadas de erros da agência encarregada pelo Congresso de construir um sistema de proteção contra furacões. Segundo um dos analistas, se o sistema funcionasse corretamente, o pior efeito do Katrina sobre Nova Orlenas teria sido "tornozelos molhados".

2. Os problemas com as barragens foram causados pela corrupção local
São comuns as menções à Louisiana quando se fala de Estados com altos índices de corrupção, junto com Illinois e Nova Jersey, mas no caso do furacão Katrina, o governo local não pode ser responsabilizado pelas barragens, que não resistiram à força da água. Cabia exclusivamente ao Corpo de Engenheiros do Exército tomar conta do sistema de defesa da cidade. E concluiu-se que o órgão tinha arquivado medidas que após a tragédia se mostraram importantes e adotado um programa modesto de reparos em aterros e construção de barragens de concreto.

3. As principais vítimas da tragédia foram negros pobres
É verdade que a maioria dos mortos nas inundações era composta de pobres, idosos e pessoas doentes, mas toda a cidade foi inundada, o que fez com que as vítimas fossem de todas as etnias e classes sociais. Naturalmente, a reconstrução foi menos problemática para as pessoas com recursos, que receberam ajuda da família, dos vizinhos, de voluntários. Mas não foi fácil para ninguém reconstruir sua vida depois da tragédia.

4. As pessoas que deixaram Nova Orleans estão em situação melhor
Não há censo oficial sobre o número de pessoas que deixou Nova Orleans depois do furacão Katrina. Segundo a Vanity Fair, um funcionário do departamento de Habitação da cidade afirmou que seu telefone toca diariamente com pessoas que querem voltar, mas não há nenhum relatório oficial com números de desabrigados pelo furacão que estão mais felizes em seus novos lares e quantos gostariam de voltar à antiga cidade.

5. O principal fracasso do governo no Katrina foi a resposta, e Bush foi o responsável
Embora Bush também tenha sido responsável pelo método adotado pela Agência Federal para a Administração de Emergência (Fema, na sigla em inglês) - extremamente criticada pela reação lenta após a tragédia -, o diretor da agência, Michael Brown, e o secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff foram poupados pela mídia na época. Além disso, embora a resposta tenha realmente ficado muito aquém das expectativas, o principal fracasso do governo foi na implantação do sistema de proteção contra furacões.

http://noticias.terra.com.br/mundo/...os+ligados+a+passagem+do+furacao+Katrina.html
 

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"Nova Orleães ficou mais honesta"

O presidente do "City Council" de Nova Orleães, Arnie Fielkow, tem sido dos políticos mais ativos na reconstrução da cidade. Em entrevista ao Expresso explica como a cidade se regenerou.Clique para aceder ao índice do dossiê Katrina 2005/2010

Chegou à Câmara de Nova Orleães em 2006. A tragédia do Katrina motivou-o a entrar na política?

Estávamos todos muito motivados para trabalhar depois de tudo o que se tinha passado. Acreditávamos que a cidade precisava de uma nova liderança. O meu papel como presidente do "City Council" de Nova Orleães é dotar a cidade de leis que permitam uma rápida recuperação. Dadas as circunstâncias, fomos obrigados a trabalhar muito e rápido.

Como estava Nova Orleães à data que tomou posse, um ano depois do Katrina?

O que mais o impressionou nesse tempo? Antes de ser eleito para a Câmara, fui durante vários anos membro da direcção dos "New Orleans Saints", a equipa de futebol americano que este ano sagrou-se campeã nacional. O meu trabalho junto da comunidade sempre foi intenso. Após a tragédia do Katrina, lembro-me de regressar à cidade em Dezembro de 2005 e de não haver luz nas ruas. Os poucos que regressavam deparavam com casas destruídas e uma vizinhança desmantelada. O que mais se destacava eram as pilhas de entulho e o cheiro nauseabundo. Mas era impressionante o activismo cívico. A partir de Novembro de 2005 começou a haver reuniões diárias de moradores, que em cada um dos seus bairros organizavam-se para trabalhar em prol da comunidade.

O que é que foi feito desde então? Há boas notícias entretanto?

Acima de tudo, as pessoas decidiram que a cidade tinha de melhorar. O sistema escolar é um bom exemplo disso, com a construção de uma série de novas escolas, com mais segurança, e com um novo espírito de serviço. Hoje por exemplo qualquer pai pode decidir pôr os seus filhos onde quiser, em qualquer ponto da cidade. As melhores têm mais procura. Esta pequena medida aumentou imenso a concorrência entre as escolas e por consequência a qualidade do ensino. Outro exemplo é a economia que se diversificou. Até há uns anos, havia demasiada dependência do Turismo e da Energia. Hoje apostámos noutros sectores, como a saúde, com a abertura de um centro médico na cidade composto por três novos hospitais e vários centros de investigação. A cidade também ficou mais honesta, basta olhar para os cadastros de muitos dos políticos que a serviram nas últimas décadas para perceber o que estou a dizer. Hoje, finalmente, já se podem fazer bons negócios por aqui.

Que tipo de trabalho está a ser desenvolvido ao nível do sistema de diques que protege a cidade?

Nova Orleães está mais segura. O sistema de diques tem agora uma resistência de 100 para 1, isto é tem uma probabilidade de ceder uma vez em cada 100 mega tempestades. Estará completo no próximo ano. Não é perfeito, mas mesmo assim é muito melhor do que estava. Desconheço qual era a capacidade anterior, mas certamente seria bastante menor. O nosso objectivo é atingir uma resistência de 10.000 para 1, idêntico ao sistema de diques na Holanda. Melhorámos muito porque percebemos que não podemos apenas contar com a ajuda do Governo.

O General Honoré, o comandante que liderou as operações de socorro em 2005, garantiu-nos que Nova Orleães continua vulnerável. Partilha este pessimismo? Estamos muito melhores. Ainda há dois anos fizemos um simulacro em que evacuamos toda a cidade e correu tudo muito bem.

Os grupos de voluntários também se queixam de falta de apoios. Reconhece a sua importância?

Pretende fazer alguma coisa para que eles não acabem por se ir embora? Temos uma enorme dívida de gratidão para com os voluntários. Mas é normal que com o tempo as doações diminuam, até porque há que perceber que a atenção dos media dispersa-se. Ainda assim é impressionante ver o número de voluntários que continua a aparecer para ajudar (ver texto publicado na quinta-feira).

Que lições ficaram com a passagem do Katrina?

Existem várias... Olhe por exemplo a vida pode mudar num minuto. Lembro-me perfeitamente que, na sexta-feira anterior ao desastre, a cidade estava, como é costume, em festa. Tudo absolutamente normal. Sem dúvida que com tudo isto aprendemos a apreciar a vida melhor. Mas para mim a grande lição que fica é que devemos julgar uma cidade pela forma como a comunidade trata dos mais desfavorecidos. Nesse aspecto Nova Orleães mostrou toda a sua grandeza.

Expresso
 

Mário Barros

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Algumas imagens do National Geographic do antes e depois.

katrina.png


http://news.nationalgeographic.com/...y-nation-before-after/?source=link_fb08282010
 

Mário Barros

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Obama homenageia os que reconstruíram Nova Orleães após o furacão Katrina
A cidade de Nova Orleães, nos Estados Unidos, celebrou hoje a sua capacidade de perseverança e de se reerguer, cinco anos após a destruição causada pelo furacão Katrina, em cerimónias que contaram com o Presidente norte-americano, Barack Obama.

Obama homenageou os que trabalharam na reconstrução da cidade, afirmando que é por causa deles que "Nova Orleães está de volta".

Prometeu que a sua administração "estará ao lado dos que lutaram e lutam por isso até que todos os trabalhos estejam concluídos", admitindo que ainda há muito por fazer.

O furacão Katrina provocou a morte de quase 1800 pessoas, arrasou 180 000 casas e muitos outros edifícios ficaram submersos e destruídos, tendo os prejuízos sido calculados em mais de 75 milhões de dólares.

No seu discurso, Obama recordou a sucessão de acontecimentos que agravaram os efeitos da catástrofe, como o "vergonhoso mau funcionamento" do Governo de então, dirigido por George W. Bush, que demorou dias para acionar os meios de socorro, salvamento e reconstrução necessários.

Nos cinco anos que passaram desde então, Nova Orleães recuperou pouco a pouco a actividade económica e este ano foi já o principal destino turístico dos norte-americanos.

Obama fez o seu discurso na Universidade Xavier, uma instituição que ficou transformada num monte de tijolos e lodo durante as inundações provocadas pelo furacão em 2005, mas que rapidamente foi reconstruída e retomou a sua actividade.

Lusa