A idade do degelo

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Cumulonimbus
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26 Ago 2005
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Bragança (740 m)
A notícia já é algo antiga, mas vale a pena ler...

Apesar do surpreendente nevão em quase todo o País no último, domingo, 29, para um veterano do Centro de Limpeza de Neve da serra da Estrela existem duas mudanças no seu ofício: «Neva menos agora e faz menos frio», testemunha Armindo Martins, 48 anos, há 20 a varrer as estradas do maciço central. O que aumentou foi a inconstância dos elementos. Em 2003, as primeiras precipitações só chegaram em Março.
E, na última campanha, fez frio recorde nas instalações dos funcionários, em Piornos: menos 15 graus.

Se a serra da Estrela fosse hoje o que era em 1929, Armindo Martins teria trabalho para a maior parte do ano. Assinalava então o geólogo alemão Hermann Lautensach, no seu Estudo dos Glaciares da Serra da Estrêla, que a cobertura de neve começava a uma cota de 800 metros e que durava em média dois meses no Sabugueiro, cinco no Observatório Meteorológico das Penhas Douradas e oito e meio no planalto da Torre.

O histórico sobre precipitação de neve está algures num arquivo esquecido no Instituto de Meteorologia, mas outro geólogo, Gonçalo Vieira, que está a analisar alterações climáticas no maciço (embora a uma escala muito além da presença humana), reporta-se a medições nas Penhas Douradas para concluir que, no último século, a temperatura aumentou pelo menos um grau neste local. Ora, um grau é o necessário para que a cota de neve suba 150 metros.

Para um filho de Manteigas, como José Maria Saraiva, 55 anos, vice-presidente da Associação dos Amigos da Serra da Estrela e vigilante do parque natural com o mesmo nome, há sinais que soam a evidências, como o desaparecimento das neves permanentes, nos locais onde o sol nunca chega, ou o dos grandes nevões na sua terra natal, que «já não chegam aos 60 cm de antigamente».

O novo turismo de Inverno
A Agência Europeia de Ambiente já alertou para a perda de 10% da cobertura de neve no Hemisfério Norte, com uma aceleração acentuada desde 1980, superior a qualquer registo nos últimos cinco mil anos. A duração dos mantos brancos diminuiu, por seu lado, duas semanas num século. São más notícias para as reservas de água potável, para a subida do nível do mar, para a biodiversidade e também para o turismo: perto de 50% das estações de esqui na Suíça terão sérias dificuldades até 2050.

O mítico Kilimanjaro, na Tanzânia, ficou, em 2004, pela primeira vez em 11 mil anos, despido de neve. E os glaciares um pouco por toda a parte vão recuando – «uma evidência espectacular do aquecimento global», defende Filipe Duarte Santos, coordenador do projecto SIAM (Scenarios, Impacts and Adaptation Measures), o grupo que estuda as alterações climáticas em Portugal. Das nove regiões glaciares europeias, apenas a norueguesa está a aumentar, o que é ironicamente explicado pela desestabilização do clima na região do Árctico.

Não só os glaciares recuam como a maioria dos lagos glaciares dos Himalaias estão em risco de ruptura por não conseguirem reter um aumento descomunal da massa de gelo derretido. As catástrofes são agora mais frequentes no Nepal e no Butão, com riscos enormes de inundações e deslizamentos de terras para as populações que vivem a alturas mais baixas.

No vale glaciário de Manteigas há muito que não corre gelo. Mas, depois da desflorestação numa das suas vertentes, provocada pela pastorícia, e de uma arborização infeliz na outra, chegaram os desastres associados ao aquecimento global. No último Verão, José Maria Saraiva viu pela primeira vez a Ribeira de Beijames, um afluente do Zêzere, secar, bem como a Fonte Pires, a 1920 metros de altitude. Só faltava o fogo para levar o que restava das árvores e deixar uma encosta à mercê dos sedimentos que, agora, escorrem livremente para a estrada, arruinando um dos postais mais belos de Portugal.

Fonte: Visão Online
 

Seringador

Cumulonimbus
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29 Ago 2005
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Interessante mas nada de novo, e já aconteceu antes (não tão acelarado, não a não ser por catastrofes naturais), já fomos quase uma bola de neve e já fomos uma bola de água, agora não me lembro de ter existido uma grande sucessão de anos 4 em que a precipitação ocorrida foi inferio em 40% da média isto deixa marcas e se não ocorre precipitação também não acumula neve!
Penso que poderiamos equacionar é se os consumos de água doce que se está a consumir ao nível global é muito superior aquela que normalmente, sem uma população tão elevada, fechava o ciclo de retorno, senão reparem, o corpo humano tem mais 2/3 água, há 50 anos eramos 1/3 do que somos agora, e a crescer, pelo que as nossas actividades e o nosso crecimento como população aumentando a água desperdiçada, evaporada e retida
Outros defendem que esse aquecimento vai despoltar outros mecanismos que prevêm o contrário!:)
 

Seringador

Cumulonimbus
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E sou da opinião que a desflorestação agrava a ausência de evapotranspiração, e conjuntamente as resinosas são as que absorvem água em maior profundidade e são as que eventualmente contribuiem menos para essa evapotranpiração e consumo de água se a tiverem, acho que dava uma boa investigação o caso Português:huh: :D
 

Dan

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26 Ago 2005
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Mas, em alguns países, a desflorestação até já foi maior do que é agora. Portugal é um desses casos. Deve ter actualmente mais árvores que nas últimas décadas ou mesmo séculos.
 

Seringador

Cumulonimbus
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Mas, em alguns países, a desflorestação até já foi maior do que é agora. Portugal é um desses casos. Deve ter actualmente mais árvores que nas últimas décadas ou mesmo séculos.

E de que tipo são??
resinosas queimadas e as não queimadas;) :mad: :D :p
Não são as autóctenes as fulhosas e caducas...n
 

dj_alex

Nimbostratus
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14 Dez 2005
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Treta e mais treta......Falar no degelo está na moda é chic:D

E este ano tiveram semanas as estradas todas cortadas pq?;)

Na serra da Estrela???

Por incompetência e falta de meios do Centro de Limpeza....
 

Seringador

Cumulonimbus
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Na serra da Estrela???

Por incompetência e falta de meios do Centro de Limpeza....

Isso não é bem assim, todo o Nordeste esteve várias vezes e eu fui afectado pq não tinham meios, tiveram que vir da A24 e de outros locais, a única diferença é que não pararam, já para não falar no alentejo!:lmao:
inclusive cfoi colocado um post com criticas ao serviço de limpeza que eram 8 viaturas para o maciço central mas que só funcionavam após a queda e não durante a mesma.:p
 

Dan

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E de que tipo são??
resinosas queimadas e as não queimadas;) :mad: :D :p
Não são as autóctenes as fulhosas e caducas...n

Claro que não são as nossas folhosas, os carvalhos, as azinheiras os sobreiros.

O que se tem feito são plantações de pinheiro e eucalipto, bom material para combustão.

Portugal era um país essencialmente rural até meados do séc XX, até essa altura as serras e os montes poucas árvores tinham. Com o êxodo rural cresceram as plantações de árvores do fogo. São árvores que dão fruto no Verão ;)
 

LUPER

Nimbostratus
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20 Nov 2005
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Isso não é bem assim, todo o Nordeste esteve várias vezes e eu fui afectado pq não tinham meios, tiveram que vir da A24 e de outros locais, a única diferença é que não pararam, já para não falar no alentejo!:lmao:
inclusive cfoi colocado um post com criticas ao serviço de limpeza que eram 8 viaturas para o maciço central mas que só funcionavam após a queda e não durante a mesma.:p

Cada vez cai menos neve, derrete mais , mas admitiram o record negativo de temperatura na sua base de limpeza :lol: :lmao: :lmao: :lmao:
 

Dan

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No centro de limpeza de neve já não se lembram do Inverno de 1996, quando tiveram as estradas cortadas por quase dois meses (desde finais de Janeiro a meados de Março). Foi só há 10 anos.
 

Iceberg

Nimbostratus
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Por acaso, vivemos um período de intenso aquecimento do clima.

Agora, imaginem que regressava a Pequena Idade do Gelo, com frequentes nevadas, gelos e frios intensos. Tendo em conta a população existente hoje no nosso país, as necessidades de mobilidade constantes, a fragilidade dos nossos serviços de protecção civil, e o facto de sermos um país de clima ameno, e nos últimos tempos, quase tropical, o regresso a esses tempos gelados tornaria caótica a vida no nosso país, habituado a outros rigores climáticos, que não propriamente a neve e o frio. :cold:
 

dj_alex

Nimbostratus
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Isso não é bem assim, todo o Nordeste esteve várias vezes e eu fui afectado pq não tinham meios, tiveram que vir da A24 e de outros locais, a única diferença é que não pararam, já para não falar no alentejo!:lmao:
inclusive cfoi colocado um post com criticas ao serviço de limpeza que eram 8 viaturas para o maciço central mas que só funcionavam após a queda e não durante a mesma.:p

8 viaturas ...quantas delas estavam avariadas??? :rolleyes: