Aquecimento global e Furacões

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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Re: Afinal o Aquecimento Global não influi nos Furacões

É uma coisa que nós no forum no tempo tropical já falámos muitas vezes e vem de encontro à opinião de muitos por aqui.

Sistemas tropicais são muito complexos. Sabendo-se que um dos principais factores para o desenvolvimento e intensidade é a temperatura da água, seria lógico supor que estando a água mais quente isso tivesse impacto na actividade dos furacões. Qualquer pessoa que pense minimamente na questão tiraria essas conclusões. Mas como não depende apenas da água mas também de outros factores não se pode afirmar categoricamente que água mais quente signifique mais e/ou maiores furacões.

Mas Luper, mais uma vez um título não correcto, este novo estudo não afirma "não influi", diz que influi bastante, mas não da forma como se suponha antes, e que é preciso mais estudo e melhores modelos para perceber de que forma se consegue prever os cenários futuros no que respeita a sistemas tropicais.


Two thousand tropical cyclones in each of 5 basins
were simulated using global model data from the last
20 yr of the twentieth century, and the last 20 yr of
the twenty-second century as simulated by assuming
IPCC emission scenario A1b. These simulations show
potentially large changes in tropical cyclone activity
in response to global warming
, though the sign and
magnitude of the changes vary a great deal from
basin to basin and from model to model, reflecting
large regional differences in the global model predictions
as well as natural multidecadal variability
in each model that cannot be averaged out over the
20-yr periods considered here. There is an overall
tendency toward decreasing frequency of events in the
Southern Hemisphere, consistent with direct simulations
of tropical cyclones using global climate models,
and power dissipation and storm intensity generally
increase, as expected from theory and prior work
with regional tropical cyclone models. On the other
hand, there is a tendency toward increased frequency
of events in the western North Pacific.

Deverias estar satisfeito que isto é um estudo sério, de alguém que anteriormente chegou a outras conclusões, e que continua a estudar o assunto e corrige se for necessário. É esse o caminho da ciência, não há conspirações ou paranoias.

A ciência é um caminho, o que hoje sabemos pode estar errado e amanhã sabemos sempre mais do que sabemos hoje, mas nos entre tantos se determinado assunto exigir acção, é preciso tomar decisões, políticas por exemplo, com o que se sabe em determinado momento. Não se pode estar simplesmente sentado à espera até se saber tudo e ter um grau de certeza de 100%.


PS: Já agora, se nos estás a dar a conhecer um estudo interessante sobre o efeito do aquecimento global nos ciclones tropicais, quer isso dizer que estás a aceitar implicitamente que afinal existe aquecimento global ? ;)
 

LUPER

Nimbostratus
Registo
20 Nov 2005
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Aveiro
Re: Afinal o Aquecimento Global não influi nos Furacões

It is noteworthy that simulated global tropical
cyclone power dissipation increases by more
than 60% in simulations driven by NCAR–NCEP
reanalysis over the period of 1980–2006, consistent
with deductions from best-track data, while global
power dissipation increases somewhat more than
that over the next 200 yr in simulations driven by
climate models undergoing global warming. This
suggests either that the greater part of the large
global increase in power dissipation over the past
27 yr cannot be ascribed to global warming, or that
there is some systematic deficiency in our technique
or in global models that leads to the underprediction
of the response of tropical cyclones to global
warming.
As shown by comparing Figs. 8b to 10, the
predicted global changes in storm frequency depends
on a rather simplistic representation of the vertical
distribution of moist entropy in the atmosphere as
represented by the parameter χm, defined by (3).
Because χm varies little within the tropics in the
present climate, it is difficult to test the sensitivity
to it against real data.


Será que o titulo está errado?:rolleyes:
 

Johnny Storm

Cirrus
Registo
22 Nov 2007
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Re: Afinal o Aquecimento Global não influi nos Furacões

Eu diria que este não é com certeza o melhor artigo do Kerry Emanuel que li nos últimos tempos:confused:. A técnica que ele usa para simular estatisticamente os furacões não me convence. Pode facilmente dar conclusões erradas, tal como ele próprio admite ( (...) or that
there is some systematic deficiency in our technique
or in global models (...) ).

Mas confesso que li o artigo na diagonal...:hehe:
 

José M. Sousa

Cumulus
Registo
16 Mai 2008
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http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1341571&idCanal=13

Estudo publicado na revista "Nature"
Os furacões mais intensos estão a tornar-se cada vez mais fortes
04.09.2008 - 09h29 Clara Barata
Os furacões com os ventos mais fortes estão a ganhar cada vez mais força, devido ao aquecimento da temperatura da água dos oceanos à superfície, defende um novo estudo publicado hoje na revista científica Nature. E quanto mais fortes são à partida, mais notório é esse efeito de reforço, afirma a equipa de James Elsner, da Universidade da Florida.

É sobretudo nas bacias do Atlântico Norte e no Índico Norte que as velocidades máximas do vento estão a aumentar, dizem os cientistas, que aplicaram um modelo estatístico a dados recolhidos por satélites nos últimos 30 anos. "No resto dos trópicos, possíveis tendências na intensidade dos ciclones são menos óbvias, pois os registos de observações são muito incompletos e de pouca confiança", escreve a equipa de Elsner.

Mas, talvez mais importante, a análise desta equipa é diferente de outras feitas até agora. Em vez de procurar alterações na intensidade média dos furacões, concentra-se no estudo dos furacões que tiveram os ventos mais fortes. Foi nas grandes tempestades que encontraram este efeito, que relacionam com a subida da temperatura das águas do mar.

A velocidade média dos ventos nas tempestades mais ferozes subiu de 225 para 251 quilómetros por hora entre 1981 e 2006, dizem. Ao mesmo tempo, a temperatura dos oceanos, numa média global de todas as regiões do mundo onde se formam ciclones, aumentou de 28,2 para 28,5 graus, durante esse período.

A teoria de Emanuel

"À medida que os oceanos aquecem, as águas têm mais energia que pode ser convertida em ventos ciclónicos", explica Elsner, citado num comunicado da sua universidade. Esse é o princípio da teoria apresentada por Kerry Emanuel, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts, que sugeriu a ligação entre o aquecimento global e o aumento da intensidade das tempestades tropicais.

Os críticos de Emanuel dizem que não há dados suficientes para afirmar esta relação, e os dados estatísticos sobre a intensidade média dos furacões não corroboravam a sua ideia. Daí a originalidade e importância do novo estudo: "Os nossos resultados não provam esta teoria, mas mostram que os dados condizem bastante bem com ela", sublinha Elsner.

O aumento de um grau na temperatura das águas superficiais pode fazer com que se tornem cada vez mais comuns os furacões em que os ventos atingem velocidades verdadeiramente alucinantes (que poderão chegar até aos 250 quilómetros por hora, no caso de furacões de categoria cinco, a mais elevada, diz o Centro Nacional de Furacões dos EUA). A média global destas tempestades é de 13 por cento, mas pode passar a ser de 17 por cento, com a subida de um grau da temperatura das águas - isso representaria um crescimento de 31 por cento.

Daí que não seja de admirar que o grito de alarme perante a possibilidade de grandes tempestades deva tornar-se mais frequente, como aconteceu com o Gustav, em Nova Orleães. Ainda que nem sempre se confirmem as previsões mais pessimistas.

Será este o ponto final na polémica sobre a forma como se relacionam os furacões e o aquecimento global? Elsner não é assim tão taxativo: "Ainda não temos uma completa compreensão dos motivos por que alguns furacões se intensificam, às vezes muito rapidamente, e outros não."