Bósnia, Montenegro, Dubrovnik - Agosto 2015

David sf

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Este ano as férias de verão foram passadas na Ex-Jugoslávia, mais concretamente na Bósnia-Herzegovina e em Montenegro, com final em Dubrovnik na Croácia. A escolha recaiu sobre estes dois países devido a motivos económicos (muito mais baratos que os vizinhos Croácia e Eslovénia) e por serem dois países (ainda) pouco procurados pelo turismo de massas.


Parti de Lisboa para Sarajevo pela Lufthansa (via Munique), tendo ficado por quatro noites nessa cidade que serviu de base para visitas a Srebrenica, Jajce e Travnik. Daí parti para Mostar onde estive duas noites, seguidas de quatro noites em Kotor, Montenegro, que também serviu de base para visitar várias cidades montenegrinas. Por fim, duas noites em Dubrovnik, na Croácia, para visitar esta fabulosa cidade e de onde parti para Lisboa, de novo pela Lufthansa com escala em Munique (maior do que o previsto, uma vez que o voo de Dubrovnik atrasou-se e perdi a ligação – tive que vir hora e meia mais tarde com a TAP).


BÓSNIA-HERZEGOVINA

A História recente da Bósnia-Herzegovina está indelevelmente marcada pelo conflito que durou entre 1992 e 1995. As marcas físicas persistem um pouco por todo o território, mas são as marcas psicológicas, os ódios e a ideia de ter ficado tudo pouco definido, as principais ameaças ao futuro deste país.

Antes disso, o Reino da Bósnia sempre teve uma História conturbada, com diversos conflitos e diversas potências colonizadoras, o que lhe confere uma notável diversidade étnica e religiosa. Durante a Idade Média foi um “protectorado” húngaro, tendo sido conquistado pelos Otomanos no Século XV. No Século XIX passou para as mãos do Império Austro-Húngaro, contrariando o interesse sérvio em incluir a Bósnia numa grande Sérvia, e que mais tarde levou ao atentado cometido contra o herdeiro da coroa Austro-Húngara, acontecimento que desencadeou a série de equívocos que originou a I Guerra Mundial. Após a Guerra Mundial a Bósnia foi incluída na Jugoslávia.

Durante a II Guerra Mundial a Bósnia lutou ao lado dos Croatas a favor da Alemanha, tendo sido derrotada pelos Partizans sérvios, o que fragilizou a posição da população bósnia no interior da Jugoslávia. Após a WWII Josip Broz Tito tornou-se Presidente da Jugoslávia, e apesar de ser Comunista pertenceu sempre ao grupo dos “não-alinhados” durante a Guerra Fria, o que chateou a URSS, mas permitiu uma maior abertura ao Ocidente, tendo a Jugoslávia sido dos países mais prósperos durante esse período. Tito conseguiu igualmente unir todos os povos constituintes da Jugoslávia, anulando os movimentos nacionalistas. Actualmente, na maioria dos países da ex-Jugoslávia paira no ar um sentimento, apelidado por vários autores de “Titostalgie”, a população tem saudades do tempo de prosperidade e paz que Tito lhes proporcionou.


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(Camisola com foto de Tito e com a inscrição “Sem Josip os ladrões multiplicam-se”)


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(“Viva Tito” num apeadeiro de Caminho de Ferro)


Após a queda de Tito, os vários nacionalismos renasceram, principalmente após a chegada de Milosevic ao poder, que apoiou e muito a causa nacionalista sérvia, relegando as outras facções para papéis secundários, o que, com a ajuda de uma crise económica começou a precipitar o fim da Jugoslávia. Na Bósnia, várias pessoas disseram que Milosevic foi colocado pela CIA na presidência para destruir a Jugoslávia.

O primeiro país a declarar unilateralmente a independência foi a Eslovénia, tendo-se seguido uma curta guerra que durou 10 dias, após os quais se chegou a um acordo entre as partes a favor da independência, uma vez que ao lado, a Croácia preparava-se para fazer o mesmo. Neste caso, o exército jugoslavo, controlado maioritariamente por sérvios, reagiu mais energicamente (provavelmente resquícios da WWII) e iniciou uma guerra que durou cerca de um ano. A resistência das forças croatas, principalmente em Vukovar e Dubrovnik, foi fundamental para a manutenção das fronteiras croatas.

Cerca de um ano depois é a vez da Bósnia, que sempre se mantivera neutra no conflito servo-croata, declarar a independência. Neste caso seria bem mais complicado, uma vez que cerca de um terço dos bósnios são de origem sérvia, havendo igualmente uma minoria relevante de croatas. Estavam criadas as condições para um largo conflito tripartido, com grandes voltas e reviravoltas (inicialmente os croatas lutaram a favor dos sérvios, para posteriormente se aliarem aos bósnios), que durou quase 4 anos, terminando num acordo (de Dayton) imposto pela comunidade internacional (quem não depusesse as armas era bombardeado), e que deixou tudo em “águas de bacalhau”. A maior parte dos bósnios considera que a guerra ainda não acabou, estando apenas no intervalo.


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(Graffiti em Mostar)


De facto, não ter havido nenhum vencedor ajuda a este sentimento. Os sérvios dizem que teriam ganho a guerra sem a intervenção de alguns países ocidentais, que furaram o embargo de armas, ajudando os bósnios (é verdade). Os bósnios dizem que sem os Acordos de Dayton teriam ganho a guerra, uma vez que, devido a ajudas externas já avançavam para territórios controlados pelos sérvios (também é verdade).

Várias atrocidades cometidas durante a guerra, devidamente amplificadas pela propaganda de cada lado, ajudaram a fomentar o ódio. A organização política do país, saída dos Acordos de Dayton, ainda potencia mais a divisão: existem três presidentes rotativos, cada um representante de cada etnia (bósnios, sérvios e croatas) e as principais decisões só podem ser tomadas por consenso, o que torna o país ingovernável. Os bósnios e os croatas acusam os sérvios de quererem que a Bósnia falhe enquanto país, minando o governo por dentro. O país está dividido em dois, a Federação Bósnia-Herzegovina, região controlada por bósnios e croatas e a República Sprska, controlada pelos sérvios (existe ainda uma pequena zona tampão, neutra, denominada Brcko).

Não sei se repararam, mas apesar de cada etnia ter a sua religião, ainda não referi nenhum aspecto religioso. É que, para variar, esta guerra não tem contornos religiosos, é uma guerra assente no nacionalismo bacoco, e nada mais.

O futuro do país parece complicado, será necessária mais uma geração, pelo menos, para atenuar o ódio. Resta saber se o “intervalo” da guerra resiste até lá.


No entanto, a vida diária na Bósnia é completamente normal. Do ponto de vista de um turista é um país que tem muito para oferecer, belas paisagens naturas, cidades com História e grande interesse arquitectónico. Comecemos por Sarajevo, a capital.


SARAJEVO


Primeiro pensamento a chegar a Sarajevo: entro no terminal do aeroporto e cheira a tabaco. Depois de percorrer a pé o quilómetro de distância entre o aeroporto e a paragem de autocarro mais próxima (não é só por cá que os taxistas têm força) pelo bairro de Dobrinja (dos mais fustigados durante a guerra, ainda com marcas visíveis), entro no autocarro, com uma grande placa que diz ser proibido fumar. O motorista está com um cigarro na boca. Muito se fuma em Sarajevo…

Logo nos primeiros passos em Sarajevo nota-se muito a multiculturalidade. Há algumas (poucas) mulheres de Burkha, bastantes com véu na cabeça, e também muitas com calções muito curtos e decotes avantajados. Sarajevo é das mais pequenas capitais onde já estive, mas é das cidades mais diversificadas que conheci. O centro histórico é dividido em duas partes, uma mini-Budapeste, com edifícios de estilo europeu, e uma mini-Istambul, com arquitectura e concepção influenciada pela ocupação otomana. A divisão entre estas duas áreas é claramente marcada por uma linha marcada no chão da principal rua pedonal da cidade:


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A divisão é absoluta, do lado ocidental vê-se isto:


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Do lado Oriental, isto:


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Claramente mais interessante (pelo menos mais exótica), a parte oriental tem grande beleza, boas esplanadas, com vários restaurantes de comida de origem turca, a preços muito bons.


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Vários Minaretes:


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A principal Praça da parte oriental, Bascarsija, “Praça dos Pássaros”, e percebe-se porquê:


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O Cevapi, a variação bósnia do Khebab, servido em pão e com cebola crua (achei um pouco enjoativo, as doses são cavalares – aqui e em toda a Bósnia – a preços bastante baixos):


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A parte ocidental do centro histórico conta também com vários restaurantes com esplanada, mais ao estilo europeu. Enquanto lá estive a cidade tinha muita vida, pois estava a decorrer o Festival de Cinema de Sarajevo. Uma das praças com mais piada, onde ficava o apartamento que aluguei, era aproveitada pelos mais idosos para jogar a um xadrez gigante:


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E por pombos, que aproveitavam para sujar uma estátua com outros pombos:

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Na parte ocidental não se viam tantos Minaretes, mas algumas Igrejas (primeiro a Ortodoxa, depois a Católica):


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Outras imagens da cidade:


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Uma ponte deveras original:


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Junto à Ponte Latina, onde o Arquiduque Austro-Húngaro foi morto em 1914, existe um Museu sobre o acontecimento. O seu assassino é hoje considerado um herói pelos sérvios, mas nem tanto pelos bósnios. O Museu já esteve fechado por os Bósnios acharem que é um apoio aos sérvios, mas agora está aberto. O oposto acontece no Museu Nacional Bósnio, que está fechado por falta de fundos. Os sérvios não querem aplicar dinheiros públicos num museu que para eles enaltece os bósnios, e como é necessário um consenso nas decisões governativas entre as três etnias representadas, não foram alocados fundos ao museu, e este está encerrado há mais de três anos. Fotos do museu do Assassinato:


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A placa evocativa:


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A arma do crime:


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A Ponte Latina, e o Museu ao fundo:


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O CERCO DE SARAJEVO


Um dos principais focos da Guerra da Bósnia foi o cerco a Sarajevo. Logo no início, em 1992, as forças sérvias tomaram posições nas montanhas que rodeiam a cidade, deixando-a sem bens essenciais e sem possibilidade de saída. De início ninguém acreditava bem no que se estava a passar, pensava-se que ia ser uma situação passageira, mas acabou por durar quase quatro anos. O cerco só foi levantado bem depois dos Acordos de Dayton.

Fiz uma excursão sobre o Cerco de Sarajevo, guiada por uma pessoa que viveu o cerco na primeira pessoa, quando era criança. Ele conta que sair à rua era uma roleta russa. As forças sérvias disparavam contra todas as pessoas que eles viam lá em baixo. Deste modo era relativamente seguro (havia sempre o risco de levar com um morteiro, mas isso era menos provável) circular nas ruas apertadas, ou com prédios elevados, mas atravessar cruzamentos na perpendicular, onde passava a haver visibilidade para a montanha constituía um perigo de morte. Todos os espacinhos eram perigosos:


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E os cruzamentos mais amplos, ainda eram piores:


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Estas fotografias foram tiradas da principal avenida da cidade, denominada como “Sniper’s Alley”. Ao longo desta avenida, e também de toda a cidade, existem várias manchas vermelhas no chão, sinalizando alguns dos locais onde caíram morteiros lançados desde as montanhas:


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O cerco e o constante bombardeamento deixou em ruínas grande parte da cidade, comparação de duas fotos de 1995 com duas que tirei agora:


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(bbc.com)


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Hotel Holiday Inn e Unis Towers.

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O Hotel Holiday Inn serviu de base a alguns jornalistas que estavam em Sarajevo a cobrir a Guerra. Nas UNIS Towers foi onde se instalou o jornalista Bill Carter, autor do fabuloso documentário Miss Sarajevo, com cenas gravadas durante o cerco nas imediações das torres, mostrando o dia-a-dia da população e a maneira irónica como enfrentavam o medo. Esse documentário tem uma fabulosa banda sonora com o mesmo nome, gravada por Brian Eno, os U2 e Pavarotti. O nome desse documentário vem de um concurso de misses realizado durante o cerco, que serviu também para alertar o mundo do que se estava a passar em Sarajevo:


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Parte do documentário (que se apresenta no Memorial de Srebrenica, junto à Catedral Católica de Sarajevo, e quem quiser encontrar nas profundezas da net também o consegue) pode-se ver nesta reportagem, com a principal protagonista do filme (a verdadeira Miss Sarajevo):



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(Wikipedia)


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Sede do Parlamento Bósnio


Um pouco por toda a cidade encontram-se vestígios da guerra, aqui o local onde um morteiro atingiu um grupo de pessoas que estavam na fila para comprar pão:


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O mercado de Markale, onde um morteiro matou 68 pessoas:


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Monumento às crianças mortas durante o cerco:


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Um dos vários cemitérios que homenageiam todos os que morreram naquele período:


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Durante a excursão realizada sobre o cerco de Sarajevo, um dos principais locais visitados foi o túnel da esperança. Toda a cidade estava cercada excepto o aeroporto, que estava sob a égide da ONU. Em busca de comida e armas, várias pessoas tentaram furar o cerco através da pista do aeroporto, mas esta era uma aventura perigosa, uma vez que as forças sérvias tinham visibilidade para a pista e disparavam sobre quem a atravessasse e não tivesse um capacete azul. Várias pessoas morreram deste modo, até à abertura do túnel sob a pista do aeroporto. Uma pequena parte deste túnel, escavado durante vários meses de modo rudimentar no quintal de uma pequena casa, está hoje aberto para visitas turísticas:


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Também visitei as áreas onde as forças sérvias se concentravam em torno da cidade (as vistas não são grande coisa por causa do nevoeiro):


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Um antigo hotel que servia de estacionamento de tanques sérvio:


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E deu também para percorrer a pé a pista de Bobsleigh construída para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1984:


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O TRAMWAY DE SARAJEVO

Durante a guerra praticamente todos os eléctricos de Sarajevo foram destruídos. Sem dinheiro para comprar novos, a cidade socorreu-se de doações de veículos (já bem velhinhos na maior parte) de várias cidades (Viena e Lisboa entre elas). É um dos marcos de Srajevo, a diversidade de formas do seu tramway:


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SREBRENICA


No terceiro dia em Sarajevo contratei uma excursão a Srebrenica, local onde ocorreu uma das maiores matanças da Guerra. Srebrenica, uma cidade mineira (Srebra=prata) constituiu durante a guerra um dos vários enclaves bósnios rodeados por forças sérvias. Sinalizado pela ONU como uma zona segura, serviu de refúgio para muitos bósnios de cidades vizinhas, sendo que em 1995 a cidade tinha cerca de 40 000 habitantes, contra os cerca de 10 000 que tinha em 1992.

A 4 quilómetros de Srebrenica, em Potocari, estava instalado o batalhão holandês, ao serviço da ONU. Quando em Julho de 1995 as forças sérvias tomam a cidade, a maior parte dos seus habitantes procurou abrigo no quartel improvisado do batalhão holandês. Poucos conseguiram lá entrar, tendo a maior parte ficado à porta. Imagens captadas em Potocari, em 11 de julho de 1995:




Ao mesmo tempo as forças sérvias tinham em seu poder alguns soldados holandeses, feitos reféns. Em muito menor número, sem armas e com alguns dos seus homens feitos reféns, o General Karremans da ONU, foi, visivelmente enfraquecido, reunir-se com Mladic, líder do exército sérvio da Bósnia:




Ambos concordaram com a evacuação da população civil para Tuzla, cidade dominada pelos bósnios, mas sob a condição de essa evacuação ser feita com o controlo das forças sérvias. No dia seguinte, mulheres e crianças foram colocados em autocarros para Tuzla. Os homens, entre os 14 e os 77 anos foram separados e terão sido arbitrariamente executados nas redondezas e sepultados em valas comuns.

Toda esta situação leva a que hoje a ONU (principalmente os holandeses) seja muito mal vista na Bósnia, principalmente em Srebrenica. Terão entregue os homens da cidade aos sérvios para serem mortos. Acresce a isso a reunião entre Mladic e Karremans, onde ambos foram fotografados a beber juntos.


Por outro lado,uma parte dos homens de Srebrenica, prevendo já o que lhes poderia acontecer, não rumou a Potocari. Encetaram uma marcha de cerca de 100 quilómetros para Tuzla, naquela que é denominada pela “Marcha da Morte”. Emboscados pelas forças sérvias, várias vezes ao longo do caminho, mais de metade dos 12 000 que tentaram a sua sorte nunca chegaram a Tuzla.


O guia da excursão a Srebrenica (também realizador de cinema, vencedor de alguns prémios menores de curtas metragens, tinha apresentado uns dias antes o seu novo filme no Festival de Cinema de Sarajevo) nasceu numa aldeia próxima à cidade. Em 1993 a sua aldeia foi tomada pelos sérvios, sendo a sua casa saqueada. Ele e a família conseguiram escapar a tempo para Tuzla (apenas o pai fugiu para Srebrenica, sendo posteriormente um dos sobreviventes da “Marcha da Morte”), mas muitos morreram queimados dentro das suas casas. Durante a visita contactei com os pais do guia e com várias das “Mães de Srebrenica”, instituição que reúne as mulheres que em 1995 perderam os filhos e os maridos, sendo que algumas ainda não conseguiram reaver os corpos (ou a totalidade destes) dos seus familiares.

Ficam as fotografias, das instalações do batalhão holandês (antiga fábrica de baterias para automóveis):


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Todos os anos, a 11 de julho, as vítimas identificadas ao longo do ano vão a sepultar, em cerimónias gigantescas que têm lugar no Memorial erigido no local onde estava instalado o Batalhão Holandês:


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(Foto de 11 de Julho, genocideinvisegrad.wordpress.com):


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Inscrições no seu interior feitas pelos soldados holandeses (e que ainda aumentam mais a revolta da população local contra estes):


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O bar dos soldados holandeses:


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Exposição evocativa dos 20 anos do massacre, no Memorial:


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Exterior do Memorial, local onde são enterradas as vítimas do massacre:


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Uma lápide Cristã, no meio de muitas Islâmicas:

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Vista da cidade de Srebrenica:


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Ponte na fronteira com a Sérvia, a cerca de 10 km de distância:


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JAJCE E TRAVNIK

Quarto e último dia em Sarajevo, a primeira viagem de autocarro para visitar duas cidades bósnias. Travnik, a cerca de 2 horas de distância e Jajce, uma hora e meia a mais desde Travnik. No total, ida e volta foram sete horas de autocarro, num serviço ligeiramente pior que a nossa Rede Expressos, mas que não está nada mau. Os autocarros são limpos, cumprem os horários (com algumas excepções, como explicarei mais à frente) e têm algum conforto. O problema é que não há limite de venda de bilhetes, uma vez que a atravessar as cidades fazem também serviço de suburbano. Param sempre que haja alguém numa paragem (ou que algum dos ocupantes queira sair) independentemente de já não haver lugares sentados no interior do autocarro. Na viagem de volta desde Jajce para Sarajevo, alguns miúdos viajaram ao colo uns dos outros devido à sobrelotação do autocarro.

Saí então de Sarajevo às 7 da manhã, estando em Travnik por volta das 9. Tinha duas horas para visitar a cidade, uma vez que o autocarro para Jajce saía pelas 11 horas e o seguinte era só ao fim do dia. Travnik, cidade natal do Nobel da Literatura Ivo Andric, tem como ex-libris a fortaleza otomana, num ponto alto da cidade.


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Onde tive a companhia de dois felinos com vontade de comer. Como tinha comprado um burek ao pequeno-almoço (um género de salsicha de cordeiro revestida a massa folhada) que achei enjoativo e não consegui comer todo, acabaram por ter sorte, e lá se regalaram com a guloseima:


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Uma mulher "emburkhada" (das poucas que vi) a passar em frente a uma menção a Srebrenica (das muitas que vi):

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O resto da cidade é interessante, típica cidade pequena do interior, pitoresca e bem arranjada, com algumas mesquitas interessantes.


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E uma Igreja, para mostrar que não é só Sarajevo que possui uma grande diversidade religiosa na Bósnia (praticamente todas as cidades têm templos religiosos das três religiões dominantes):


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E lá apanhei o autocarro para Jajce. Intrigava-me como 50 km necessitavam de uma hora e meia de viagem, mas depois logo percebi.

Primeiro porque a estrada era um pouco sinuosa, no meio de vales e montanhas (apesar de ser a que liga Sarajevo e Banja Luka, as duas principais cidades bósnias; como Banja Luka é capital da República Sprska, dominada pelos sérvios, são muito poucos os sinais rodoviários que mostram que a estrada se destina a essa cidade).


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Segundo porque o motorista fez uma pausa para “café” de mais de 20 minutos numa cidade intermédia, onde aproveitou para almoçar, comprar comida para levar para o autocarro e pôr a conversa em dia.


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Uma hora e meia depois de sair de Travnik, lá cheguei a Jajce, cidade não tão interessante como Travnik (não tão bem cuidada, a fortaleza está um pouco ao abandono e a construção é um pouco mais desordenada), mas que tem uma situação única na Europa: uma catarata em pleno centro da cidade:


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Como já referi, o resto da cidade é dominado pela fortaleza, não tão bem cuidada como a de Travnik:


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E um edifício ainda marcado pela guerra (esta cidade fica já muito próxima da República Sprska, o que indica que a frente de batalha não andava longe):


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DE COMBOIO PARA MOSTAR


Depois de Sarajevo, seguiram-se dois dias em Mostar, antecedidos por uma memorável viagem de comboio. Numa pesquisa na internet são vários os relatos sobre a espectacularidade da viagem, mas também muitos a apontar atrasos, falta de conforto e incompetência por parte dos serviços ferroviários. A minha viagem correu de forma estupenda, o comboio saíu à hora marcada (7:15 – é conveniente chegar com cerca de meia hora de antecipação para garantir um bom lugar à janela – os últimos a entrar até ficam de pé, o comboio é pequeno) e achei o comboio relativamente confortável (doado pela Suécia, já bem velhinho, mas com imenso espaço para as pernas).


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A viagem é fabulosa, especialmente a descida da montanha antes de chegar a Konjic (imagens muito baças, o vidro estava sujo):


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Do lado de lá uma ponte que o comboio havia atravessado momentos antes:


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Depois de Konjic entra-se no vale do Rio Neretva. A paisagem muda, há menos árvores e o calcário é dominante, mas continua esplêndida:


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Tal como os autocarros, o comboio também se farta de parar, há vários apeadeiros ao longo da linha. O mais interessante é que todos têm um chefe de estação que sinaliza a partida do comboio e em todos os passageiros descem directamente para a linha, não existe plataforma d embarque:


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MOSTAR


Em Mostar, e contrariamente ao que acontecia em Sarajevo, quem manda é o turista. Devido à proximidade da costa croata, acaba por ser o principal foco do turismo de massas na Bósnia, vindo os veraneantes em busca de um dia de exotismo num país saído de uma guerra e com influência islâmica. Não admira que o centro histórico esteja cheio de lojas (todas parecidas) que vendem artesanato de inspiração turca e souvenirs que lembram a guerra (alguns feitos de projécteis). Fiquei dois dias em Mostar e achei excessivo, vê-se em pouco mais de duas horas – e tanto tempo porque é difícil circular nas suas ruas estreitas, inclinadas e com piso irregular, no meio de multidões). A melhor hora para visitar Mostar é bem cedo de manhã, quando as excursões vindas da costa ainda não chegaram.

O ex-libris da Mostar é a ponte, destruída em 1993 na guerra entre bósnios e croatas (a ponte unia as duas comunidades, uma vez que na margem esquerda vivem os bósnios e na direita os croatas), e reconstruída em 2004.


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De onde os locais mergulham para o rio, depois de estarem 20 minutos a pedirem dinheiro aos turistas:


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Na entrada para a ponte, para nunca cair no esquecimento:


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A ponte é muito inclinada, e a pedra que a reveste bastante escorregada. Para evitar quedas existem “tiras” em pedra ao longo da ponte (foto tirada às 7 da manhã, única hora do dia em que não há dezenas de pessoas a tirar selfies de cima da ponte):


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Vistas desde a ponte:


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Exemplo de uma das ruas do centro histórico, cheia de turistas:


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A maior Mesquita da cidade:


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O convento Franciscano, do lado croata da cidade:


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Os bósnios de Mostar estiveram cercados pelos croatas durante alguns meses em 1993. Como ficaram sem acesso ao cemitério tiveram que improvisar, tornando alguns dos parques da cidade em cemitérios, como este:


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Onde alguns já reservaram lugar:


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O local mais interessante da cidade, na minha opinião, é a Casa Muslibegovica, pertencente a uma família otomana nobre, hoje convertida em hotel, mas disponível para visitas. Um exemplo interessante da arquitectura otomana, e soube-me bem terem-me obrigado a descalçar para andar lá dentro, pois já estava cheio de calor:


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Outras imagens da cidade:


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Ainda com muitas feridas de guerra:


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E para acabar o dia mais uma dose cavalar de Cevapi, este servido de forma mais ocidental:


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A ideia de ficar dois dias em Mostar serviria para realizar uma excursão num dos dias a alguns locais interessantes na região. Fui a três agências de turismo que organizam tours deste tipo e em nenhuma havia o número mínimo de inscritos para que se realizassem, pelo que tive que me virar com os transportes públicos. Apenas um dos locais era eficientemente servido por transportes, Blagaj, uma nascente de água sob uma montanha calcária, onde uma família nobre otomana erigiu uma casa (não deu para visitar o seu interior, uma vez que ia de calções e não me deixaram entrar – este foi o primeiro dia de muito calor com bastante humidade das férias, e estaria assim até ao último dia).


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O autocarro suburbano que fazia a ligação entre Mostar e Blagaj fora doado pelo governo japonês:


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camrov8

Cumulonimbus
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Oliveira de Azeméis(278m)
estivemos perto, andei pela Eslovénia, Hungria, Eslováquia e republica Checa com passagem muito(pouco) agradável Zagreb, desde Veneza foi sempre de comboio essa parte da europa tem um bom ramal ferroviario
 

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OITO HORAS DE AUTOCARRO ATÉ KOTOR


Depois de Mostar decidi por ficar quatro noites em Kotor, na costa de Montenegro, que serviria de base para explorar este pequeno país. Para lá chegar comprei com antecedência o bilhete de autocarro em Mostar, que segundo a internet e a senhora que mo vendeu saíria de Mostar às 7 da manhã e chegaria a Kotor às 13h. Lá acordei às 6 da manhã, cheguei à estação às 6:45, esperei, esperei, esperei, e às 8:45 chega o mini-autocarro para Kotor. Na tabuleta dizia que parava, antes de Kotor em Niksic, Podgorica, Cetinje, Budva e Kotor, o que segundo as minhas contas se traduziria em cerca de mais de 150 km de viagem. E assim foi.

Mas não me arrependo, foi das mais fantásticas viagens da minha vida. Até entrar em Montenegro o autocarro percorreu esplêndidas estradas de montanha, sítios completamente isolados, incluindo um troço de cerca de 15 km em terra batida. O motorista, parecido com Vladimir Putin física e psicologicamente (a avaliar pela maneira feroz como conduzia) viajava a alta velocidade na estrada esburacada, fazia curvas sempre a abrir, até que uma senhora reclamou com ele e lá acalmou.


Interior do autocarro (com o “Putin” ao volante):


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A estrada de terra batida:


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As paisagens fabulosas:


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Muito perto da fronteira sérvia um homem vem esperar a sua mulher numa das muitas paragens informais do autocarro:


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Já em Montenegro, o lago salgado de Niksic:


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A atravessar Podgorica, a aparentemente desinteressante capital de Montenegro:


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E por volta das 16:30 lá cheguei a Kotor.


KOTOR


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Património Mundial da UNESCO e espectacularmente situada no único Fiorde do Mediterrâneo, Kotor é (ainda) um achado para qualquer turista. Tem todas as condições do Côte d’Azur, mas os preços de qualquer Armação de Pera ou Benidorm. Notam-se muitos turistas russos (provavelmente órfãos da Crimeia), mas em quantidade tolerável (conseguia-se circular à vontade, sem filas). E tem uma grande vantagem, apesar de não pertencer à União Europeia, a moeda oficial de Montenegro é o Euro. Imagens do Centro Histórico de Kotor:


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As muralhas que circundam Kotor sobem a montanha até a um forte situado cerca de 200 metros acima da cidade. É uma grande estafa subir até lá acima com 30ºC às 9 da manhã e com humidade superior a 50%:


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David sf

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Fora do centro histórico situa-se a “praia” (com pedras ou muro de betão, nada de areia) e o porto para iates:


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Kotor está cheia de gatos, é até conhecida como a cidade dos gatos, havendo um Museu do Gato e grande parte dos souvenirs da cidade são baseados neste animal:


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Entrada no Museu do Gato, com pouco interesse, apenas fotos e postais do início do século com gatos. O preço da entrada (1€) reverte para alimentar os gatos da cidade:


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HERCEG NOVI


No segundo dia em Kotor, com o objectivo de percorrer toda a baía de Kotor, sem ter de pagar os balúrdios que as agências pediam, apanhei o autocarro urbano para Herceg Novi, cidade situada na outra extremidade da baía. Não ia com grande expectativa, mas esta cidade surpreendeu-me, não tendo os encantos de Kotor, tem bastante interesse e vida:


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Imagens da Baía de Kotor, na viagem entre esta cidade e Herceg Novi:


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Se quisesse fazer isto de propósito não conseguia, tirar uma fotografia ao espelho do autocarro em andamento, completamente por acaso:


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David sf

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TOUR POR MONTENEGRO


Ao terceiro dia em Kotor contratei um Tour organizado por um Hostel de Kotor, aos locais mais importantes de Montenegro. O primeiro lugar a visitar foi o Mausoléu do Rei Njegos, no alto de um monte no maciço de Lovcen. Desde Kotor até lá a estrada, sempre a subir (o Mausoléu está a uma cota de 1657 m) tem vistas impressionantes da baía de Kotor:


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O rei Njegos, que governou Montenegro durante o século XIX é um verdadeiro herói nacional. Segundo o guia ele era bom em tudo, bom diplomata, guerreiro, escritor, uma autêntica veneração. O Mausoléu fica localizado no topo da 2ª maior montanha do maciço de Lovcen, uma vez que, segundo o próprio Rei, o mais alto seria para um futuro Rei ainda melhor que ele. Curiosamente, de momento o ponto mais alto está ocupado pelo poder mais forte do momento: antenas de telecomunicações.

Para se chegar ao Mausoléu tem que se subir um lanço de 470 degraus consecutivos, a maior parte deles dentro de um túnel.


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A entrada do túmulo de Njegos:


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E a sua sepultura:


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O Rei quis ser sepultado neste local, pois deste ponto vê-se quase todo o território que na altura constituía o Reino de Montenegro. Em dias claros consegue-se ver até a cidade de Bari, Itália.


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Depois do Mausoléu, descida até à cidade de Cetinje, primeira capital de Montenegro e ainda a sua capital espiritual. Uma pequena cidade com muitos edifícios interessantes e bastante agradável. Uma das residências presidenciais de Montenegro:


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Uma pequena Igreja:


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O Mosteiro de Cetinje, onde existem várias relíquias, entre as quais uma das mãos de S João Baptista:


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E um artesão local em pleno ofício:


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Perto de Cetinje fica o Parque Nacional do Lago Skadar, que engloba um dos rios que a ele afluem e a parte do lago que pertence a Montenegro (a outra pertence à Albânia). Esta vista é um dos postais de Montenegro:


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Ao fundo, duas montanhas denominadas de “Sophia Loren” (usem a imaginação para perceber porquê) que se localizam à entrada do Lago:


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A partir da aldeia de Rijeka Crnojevica apanha-se um barquito que faz um percurso de cerca de uma hora por este rio, até à entrada no lago. Um passeio bastante agradável, principalmente com o calor que estava sabia bem a brisa causada pela deslocação de ar:


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Seguidamente visita à cidade de Budva. Quando vim de Mostar, a primeira vez que vi o mar foi antes de chegar a Budva, e a visão era impressionante. Não consegui tirar foto, uma vez que a vista estava do lado contrário àquele em que eu estava no autocarro, mas dois dias depois voltei a passar no local e deu para parar num miradouro:


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Budva é já uma cidade um pouco destruída pela construção, cheia de turistas, nada a ver com Kotor que consegue manter-se fiel às suas origens. A região em torno de Budva já se parece mais com uma vulgar Benidorm ou Torremolinos, apesar do centro histórico se manter com algum interesse (mas menos que Kotor ou Herceg Novi):


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Vista para o mar desde Budva:


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E o dia acaba na praia de Jaz, perto de Budva, onde deu para apanhar uns belos banhos de luar após me “refrescar” no mar com água a 28ºC:


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David sf

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ULCINJ


No último dia em Montenegro decidi apanhar o autocarro para Ulcinj, cidade situada no sul do país, a cerca de 10 km da Albânia. Nesta cidade existe a única praia de areia do país, mas o que me movia era a curiosidade de visitar uma cidade de população maioritariamente albanesa, e notar as diferenças relativamente ao resto do país (que ainda são maiores do que as que esperava).

Para além disso esta viagem permitir-me-ia percorrer toda a costa de Montenegro, de Norte a Sul. Nova passagem por Budva, onde se nota algum caos urbanístico:


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Logo a seguir a Budva, a ilha de Sveti Stefan, transformada em hotel de luxo, onde uma noite custa entre 1000 e 3000 euros por quarto duplo:


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Vista da costa montenegrina:


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E em duas horas e meia chega-se a Ulcinj. Debaixo de um calor húmido insuportável percorri a pé os 3 km de distância entre a estação de autocarro e o centro da cidade e a impressão que dá é que não estou na Europa. Cidade suja, nalguns locais cheira a lixo, confusão, edifícios feios. De interesse, novamente vêem-se minaretes:


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Com o calor que estava e a grande confusão que havia em torno do centro histórico (ao lado da praia da cidade, num sábado de calor), resolvi nem visitar o centro da cidade, ficando apenas com esta foto ao longe:


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Apanhei então uma carrinha para a “Velika Plaza” (Praia Longa em português), situada a cerca de 3 km de Ulcinj. O estado da carrinha, sem ar condicionado era este:


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Pelo caminho passa-se por um pequeno rio, onde se pratica uma pesca artesanal ao estilo asiático (pelo menos vejo disto em muitas fotos da Ásia):


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Na praia havia muita gente, mas era o suficientemente grande para ninguém se incomodar. A bandeira estava amarela, o que me deixou espantado, uma vez que até ao limite da área balnear (marcado por bóias, do lado de lá andam as motas de água) a altura da água nunca me chegou sequer à cintura. Viam-se muitas mulheres na água vestidas da cabeça aos pés. Mais tarde fiquei a saber que esta praia é o destino de férias de albaneses e kosovares. Na foto em baixo vê-se a entrada para a estação de autocarros à hora de saída de um bus para Tirana e outro para Pristina (Kosovo):


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Depois de um dia cansativo, quente e num ambiente um pouco desagradável, chego à estação de autocarros às 14:20 para apanhar o autocarro 10 minutos depois. Chego à bilheteira e sou informado que não existe esse autocarro (a informação na internet estava errada), tinha que esperar pelas 15:45. A estação de autocarros não tem ar condicionado, eu estava encharcado em suor, e o que me safou foi um minimercado ao lado da estação que tinha ar condicionado. Estive cerca de meia hora a tentar decidir qual das garrafas de água havia de comprar… Chega-se a hora do autocarro, finalmente vou apanhar ar fresco, mais outro percalço. O autocarro não tem ar condicionado!!! Duas horas de viagem até Budva sem ar condicionado, só com a circulação do ar das janelas abertas, autocarro cheio e a andar muito devagar nas subidas…

Se voltava a Ulcinj? Não. Se valeu a pena? Sim, uma experiência de vida interessante numa cidade europeia de 3º mundo.


DUBROVNIK


E chega a última etapa da viagem, Dubrovnik na Croácia, bem perto da fronteira com Montenegro. Uma cidade, que apesar da grande enchente de turistas (vindos sobretudo de cruzeiros, e reforçados agora com os fans do Game of Thrones) mantém um forte encanto, preservando algumas das suas raízes.

Fortemente danificada após a guerra com a Sérvia em 1991, renasceu das cinzas e continua a ser a “Pérola do Adriático” A melhor hora para visitar a cidade é de manhã bem cedo, até às 10 horas, altura em que começam a chegar as hordas vindas dos cruzeiros. Para começar um magnífico (e caro, 13 euros, Dubrovnik é uma cidade muito cara) passeio pelas muralhas da cidade (cerca de 2 km). De manhã há algumas sombras no percurso, que tornam-no mais aprazível:


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Vistas do resto da cidade, a começar pela Porta de Pile, a principal da cidade:


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Todas as entradas das lojas na rua principal têm a mesma forma:


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Fora das muralhas, também há locais interessantes:


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Tal como em Kotor, também aqui se vêm muitos gatos:


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MONTE SRD


Sobre Dubrovnik ergue-se o Monte Srd, rapidamente acessível por teleférico:


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Os principais combates da guerra entre sérvios e croatas decorreram aqui, para ocupar o forte no alto de Srd, que serviu de bastião para os croatas. Atualmente o forte alberga um museu sobre a guerra de 1991:


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A vista lá de cima é fenomenal (cerca de 400 m acima do nível do mar):


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A ilha de Lokrum:


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O teleférico a chegar ao alto:


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O meu objectivo era jantar no restaurante que existe lá no alto e esperar pelo magnífico pôr-do-sol. Era um dia para gastar algum dinheiro, mas valia a pena. De facto o restaurante era um pouco mais caro que o habitual, mas nada de extraordinário, principalmente quando comparado com os preços dos restaurantes do centro histórico, com menos qualidade e sem esta vista:


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O Sol vai baixando…


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Dubrovnik à noite:

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