Ciência e Pseudociência

Vince

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23 Jan 2007
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A propósito dum post no Seguimento de Sismos, como agora tive um bocadinho de tempo, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.

Então o Rogério deixou-nos nesse thread um artigo de um individuo chamado Mitch Battros que defende uma teoria de que existe uma relacção entre eclipses totais da Lua e sismos extremos, isto a propósito do próximo eclipse do dia 28 de Agosto.

O artigo em questão:

Full Moon Total Eclipse and Earthquakes
by Mitch Battros - Earth Changes Media

What I am about to tell you should be considered 'conjecture', however what I will layout below is pure unabated fact. As many of you know, I am a researcher and author who among other items, study the science-of-cycles. What I see coming based on this science is worthy of announcement.

This is not a warning of imminent danger, but rather a 'tap on the shoulder' to be aware of the coming full moon eclipse on August 28th and what history tells us might occur. There appears to be a noticeable cycle of escalation in earthquake and volcanic activity within two weeks prior and/or two weeks after a full lunar eclipse. If this holds true, you might want to mark your calendars from August 14th to September 12th. These dates indicate two weeks prior to the August 28th full lunar eclipse, and two week after the event.

This is an area of research which brings both worlds together. The world of (old) ancient text, and the world of (new) modern science. They both tell us of "cycles". You might remember my frequent guest, Carlos Barrios Mayan Elder, told us in our June 19th interview: "Watch for disruption to occur in the time between late July and late August. The energy will be very intense".

Here are the dates of full lunar eclipse from 2001 to 2010

2001 Jan 09
2003 May 16
2003 Nov 09
2004 May 04
2004 Oct 28
2007 Mar 03


And here is what happened: Events which occurred within two weeks prior and/or two weeks after the last six full lunar eclipse.

January 2001 - (India) A magnitude 7.6 earthquake shook the Indian Province of Gujarat. It was one of the two most deadly earthquakes to strike India in its recorded history. The death toll was 19,727, number of injured at 166,000, over 600,000 people were left homeless, with 348,000 houses destroyed and an additional 844,000 damaged.

May 2003 - (Turkey) At least 176 people have died and 521 people were injured after a magnitude 6.4 earthquake that shook the eastern Turkey's Bingöl province. Several public buildings collapsed in the centre of Bingöl city and its vicinity. The last official report concerning the consequences of the earthquake in the city indicates about 570 buildings were collapsed and about 6000 others were damaged.

May 2003 - (Algiers) A strong earthquake measuring 6.8 magnitude struck the coastal region east of Algiers and the Tell Atlas mountains of Algeria. 2,251 people died, another 1,200 missing, 10,243 were injured and 200,000 made homeless.

May 2003 - (Japan) A 7.0 magnitude earthquake hit northern Japan, however, there were no casualties and very few people were injured due to the depth (about 44 miles underground) of the epicenter of the earthquake.

October 2003 - (China) A magnitude 6.1 earthquake kills nine, and more than 43 people were injured after two earthquakes jolted northwest China's Gansu Province. Over 10,000 homes have been destroyed, leaving their occupants exposed to temperatures that can fall below freezing, according to Gansu provincial seismological bureau.

April 2004 - (United States) Yellowstone Super Volcano experienced over 400 quakes within three days. This type of increase in earthquake activity is called a "swarm". Parts of the caldera were closed to the public with areas of surface temperatures reaching over 200 degrees Fahrenheit. Some reports were telling of the sole of on-lookers shoes were melting just prior to the area's closing.

October 2004 - (Japan) A series of powerful earthquakes the strongest with a magnitude of 6.7 jolted northern Japan, killing at least 30 people and injuring more than 2000 people largely as the result of building collapse. The strongest earthquakes occurred during a period of several hours with the main epicenter located near Yamakoshi village, Niigata Prefecture. Thousands of landslides were triggered by the earthquakes and aftershocks with much associated damage to roads, agricultural fields, and residential.

March 2004 - (United States) An ongoing swarm of small earthquakes began in the Three Sisters volcanic center in the central Oregon Cascade Range. The earthquakes are occurred in the northeast part of an area centered 5 kilometers (3 miles) west of South Sister volcano in which the ground has been uplifted by as much as 25 cm (about 10 inches) since late 1997.

February 2004 - (Morocco) A 6.4 magnitude earthquake in northern Morocco near the coastal city of al Hoceima killed 628 people and left 15,000 homeless.

Começo por pesquisar pelo autor. Descobri que tem uma empresa chamada Earth Changes Media e escreveu um livro em 2005 chamado [ame="http://www.amazon.com/Solar-Rain-Mitch-Battros/dp/0977134830"]Solar Rain - The Earth Changes Have Begun [/ame] sobre a influência do Sol/Lua na Terra e sobre grandes mudanças que se aproximam, e escreveu agora um outro sobre o aquecimento global.

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Pouco mais consegui descobrir sobre o autor. Não é nenhum cientista, não pertence a nenhuma instituição académica, cientifica ou outra qualquer conhecida e não se lhe conhecem estudos ou artigos publicados em revistas cientificas. Produziu durante alguns anos pequenos documentários ou show's para TV chamados "Earth Changes TV" onde fala de mudanças como as do clima. É formado em Psicologia, tem também formações na área da acupuntura, stress ou trauma.

Não posso criticar por exemplo o livro dele porque não o li. Mas posso perfeitamente criticar o artigo acima citado. O artigo não vale nada, não é sequer pseudociência, é pura banha da cobra.

Relacionar eclipses totais da Lua com terramotos não é relação que se apresente. Sismos de média ou grande intensidade estão sempre a ocorrer. E ainda por cima aumentar a "janela" do evento para duas semanas anteriores e 2 posteriores ao eclipse... Qualquer pessoa pode dessa forma relacionar sismos em 4 semanas com outro evento qualquer :rolleyes:

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(Sismos últimos 7 dias, magnitude superior a 4)

Não é muito diferente dos "videntes" que nas passagens de ano aparecem na TV com as suas previsões a dizer que vai cair um avião e que vai morrer uma celebridade no novo ano. E... que vai ocorrer um grande sismo. Qualquer pessoa faz previsões dessas ou relações deste teor.

Se o autor tem esta teoria, que a mim até nem me custa aceitá-la, a Lua exerce uma enorme influência na Terra, e vice versa, o autor tem é que fazer um estudo da sua teoria, de forma cientifica, e submetê-la às revistas da especialidade para ser escrutinada e validado por outros cientistas. Se ele acredita mesmo nela, e a teoria for credivel, o seu trabalho será reconhecido. Pode até ganhar um Nobel...
Agora ele não fez nada disso. Ele seguiu a via de publicar em edição de autor um livro apocalíptico para ganhar uns cobres. Isso nada tem de cientifico...tem outros nomes e variadas motivações.

A ciência obdece a um conjunto de regras e metodologias, o chamado "Método cientifico". Para produzir conhecimento tem que se seguir essas regras. Todos os dias somos cada vez mais confrontados com pseudociência e é preciso ter alguma capacidade de distinguir o que é de facto ciência e o que não é.

A maioria de vós deverá ter umas noções disto, mas para quem não saiba, deixo aqui dois textos, um sobre pseudociência e outro sobre método cientifico.


Pseudociência

Uma pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos.

Motivações para a defesa ou promoção de uma pseudociência variam de um simples desconhecimento acerca da natureza da ciência ou do método científico, a uma estratégia deliberada para obter benefícios financeiros, filosóficos ou de outra natureza. Algumas pessoas consideram algumas ou todas as formas de pseudociências como um entretenimento sem riscos. Outros, como Richard Dawkins, consideram todas as formas de pseudociência perigosas, independentemente destas resultarem ou não em danos imediatos para os seus seguidores.

Classificação das pseudociências
Tipicamente, as pseudociências falham ao não adoptar os critérios da ciência em geral (incluindo o método científico), e podem ser identificadas por uma combinação de uma destas características:

* Ao aceitar verdades sem o suporte de uma evidência experimental;
* Ao aceitar verdades que contradizem resultados experimentais estabelecidos;
* Por deixar de fornecer uma possibilidade experimental de reproduzir os seus resultados;
* Ao aceitar verdades que violam falseabilidade;
* Por violar a Razão de Occam (o princípio da escolha da explicação mais simples quando múltiplas explicações viáveis são possíveis); quanto pior for a escolha, maior será a possibilidade de errar.

Pseudociências são distinguíveis de revelações, teologias ou espiritualidade pois elas dizem revelar a verdade do mundo físico por meios científicos (ou seja, muitas normalmente de acordo com o método científico). Sistemas de pensamento que se baseiam em pensamentos de origem "divina" ou "inspirados" não são considerados pseudociência se eles não afirmam serem científicos ou não vão contra a ciência.

Pseudociência comparada à protociência
A pseudociência difere também da protociência. A última pode ser definida como especulações ou hipóteses que ainda não foram testadas adequadamente por um método científico, mas que é de todo modo consistente com a ciência existente ou que, sendo inconsistente, oferece uma explicação razoável para a inconsistência. Pseudociência, ao contrário, procura testes adequados ou a possibilidade destes, ocasionalmente não testáveis em princípio, e seus defensores são frequentemente estridentes em insistir que os resultados científicos existentes estão errados. A Pseudociência frequentemente não responde aos procedimentos científicos normais (exemplo, revisões, pubilicações em periódicos padrões). Em alguns casos, não é possível, aplicando métodos científicos, contradizer uma hipótese pseudocientífica (verdades não testáveis) e a falha em contradizer é frequentemente citada como uma evidência da verdade da pseudociência.

As fronteiras entre pseudociência, protociência, e a ciência "real" são frequentemente pouco claras para observadores não especialistas. Elas podem ser mesmo obscuras para especialistas. Muitas pessoas já tentaram estabelecer um critério objetivo para o termo, com pouco sucesso. Frequentemente o termo é utilizado como uma expressão pejorativa para significar uma opinião sobre um assunto, independente de qualquer medida objetiva.

Se as verdades de uma dada pseudociência pudessem ser experimentalmente testadas ela pode ser uma ciência real, mesmo que não seja usual ou intuitivamente inaceitável. Se ela não pode ser testada, ela deve ser uma pseudociência. Se as assertivas feitas são inconsistentes com os resultados experimentais existentes ou com a teoria estabelecida, ela é frequentemente uma pseudociência. Ao contrário, se as assertivas desta "ciência" não podem ser testadas experimentalmente ela não deve ser uma ciência real, entretanto aceita ou intuitivamente aceitável.

Nesta circunstâncias é difícil de distinguir qual de duas "ciências" opostas é válida; por exemplo, ambos os proponentes e oponentes do protocolo de Kyoto sobre o aquecimento global pediram auxílio a cientistas para apoiar posições científicas contraditórias, devido aos diferentes objetivos políticos. Este engajamento da ciência à serviço da política é mutias vezes chamado "ciência suja".

Alguns campos como a acupuntura e sonhos lúcidos podem ser categorizados como protociências; há uma razoável expectativa que a medida em que estes forem experimentalmente examinados, possam produzir algum resultado científico válido. Eles são, no mínimo, acessíveis ao exame experimental.

O problema da demarcação
Depois de mais de um século de diálogo activo, a questão do que marca as fronteiras da ciência permanece indefinida. Como consequência a definição do que constitui uma pseudociência continua a ser controversa. Há um consenso razoável em certos casos. O critério da demarcação é tradicionalmente ligado a uma filosofia da ciência ou a outra. O Positivismo lógico, por exemplo, expõe uma teoria do significado que estabelece que apenas as assertivas sobre observações empíricas são significativas, efectivamente definindo que assertivas que não são derivadas desta forma (incluindo todas as assertivas metafísicas) são sem significado. Mais tarde, Karl Popper atacou o positivismo lógico e introduziu o seu próprio critério de demarcação falseabilidade. Este, por sua vez, foi criticado por Thomas Kuhn, e ainda pelo seguidor de Popper Imre Lakatos que propôs o seu próprio critério de demarcação que distingue entre programas de pesquisa progressivos e degenerativaos. Veja em Problema da demarcação um artigo completo.

Exemplos de pseudociência
Exemplos de campos de pesquisa que muitos consideram em diferentes graus, pseudo-científicas: fusão a frio, pseudoarqueologia, pseudo-história, Cubo do Tempo de Gene Ray, Astrologia, Design inteligente, Homeopatia, Grafologia e Sugestão Subliminar.

Práticas científicas e médicas pseudocientíficas são cada vez mais comuns. Pseudociências médicas até mostram algumas vezes benefícios terapeuticos notáveis, possivelmente devido ao efeito placebo ou à distorção involuntária por parte do observador. Muitos pseudocientistas estão associados ao movimento Nova Era, e há uma tendência de impropriamente associar todas as práticas da Nova Era à pseudociência.

Há também alguns campos jovens da ciência (protociência) que são mal vistos por cientistas de áreas já estabelecidas, primeiramente por sua natureza especulativa, embora estes campos não sejam considerados pseudocientíficos ou protocientíficos por muitos cientistas e sejam estudados por muitas universidades e institutos especializados. Ex:

* Exobiologia / Astrobiologia
* Busca de Inteligência Extraterreste (SETI)
* Comunicação com Inteligência Extraterreste (CETI)

SETI e CETI não afirmam que os extraterrestres existem, embora muitos consideram que seja provável (ver equação de Drake). Há controvérsia na biologia se evidência de vida extraterrestre microbiótica foi encontrada (fossilizada em meteoritos em como parte de experimentos do programa Viking de exobiologia).

Alguns grupos "cães de guarda", como o CSICOP, fizeram afirmações expressando preocupação com o aparente crescimento de popularidade da pseudociência, especialmente quando se trata de áreas científicas que existem para salvar vidas. Vários tratamentos autoproclamados medicina alternativa foram designados pseudociência por críticos, na maioria das vezes porque seus métodos inspiram falsa esperança em pacientes terminais e acabam custando grandes quantias de dinheiro sem prover nenhum benefício real, tratamento, ou cura para várias doenças simples.

Absurdos da não-pseudociência

Existe um subconjunto do que é freqüentemente chamado de pseudociência que difere do que aqui foi definido como pseudociência. A maioria deles é baseado na matemática, e os problemas são geralmente apresentados com uma simplicidade tentadora. Eles normalmente vivem num sistema fechado de suposições e premissas e dependem de uma interpretação falha das regras deste sistema. Enquanto pseudocientistas falharam em provar que estavam certos, estes empreendimentos podem ser provados impossíveis.

Os antigos problemas geométricos de dividir um ângulo em três usando apenas uma régua e um compasso e de desenhar um quadrado com a mesma área de um dado círculo (ver quadratura do círculo) são exemplos deste tipo de problema. Alguns dizem que invenções que pretendem ilustrar o moto contínuo também entram neste grupo. Este último aparece com tanta freqüência que o Escritório de Patentes dos EUA tem como política desconsiderar a aplicação de patentes deste tipo.

Por causa do fato de seu sucesso não depender de evidências empíricas do mundo "real", alguns cientistas não consideram a matemática uma ciência. Neste contexto, a violação das regras da matemática não pode ser considerada pseudociência. Estes cientistas, que são matemáticos no entanto, diriam que o termo técnico correto para alguma coisa violando as regras da matemática seria "errado". A matemática difere as outras ciências por estar baseada em provas que (como diriam os matemáticos) provêem um grau de certeza muito maior do que o que pode ser alcançado por experimentos (embora alguns experimentalistas discordem).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pseudociência




Método científico

O método científico é um conjunto de regras básicas para um cientista desenvolver uma experiência a fim de produzir conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. É baseado em juntar evidências observáveis, empíricas, e mensuráveis, baseadas no uso da razão.

Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos. Primeiramente os pesquisadores propõem hipóteses para explicar certos fenômenos, e então desenvolvem experimentos que testam essas previsões. Então teorias são formadas juntando-se hipóteses de uma certa área em uma estrutura coerente de conhecimento. Isto ajuda na formulação de novas hipóteses, bem como coloca as hipóteses em um conjunto de conhecimento maior.

Outra faceta do método é que o processo precisa ser objetivo, para que o cientista seja imparcial na interpretação dos resultados.

Outra expectativa básica do método é que todo o procedimento precisa ser documentado, tanto os dados quanto os procedimentos, para que outros cientistas possam analisar e reproduzir o procedimento. Isso também permite que se utilize métodos de estatística para que se possa verificar a confiabilidade dos resultados.

Elementos do método científico
* "Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos." - Carl Sagan

* "...ciência consiste em agrupar fatos para que leis gerais ou conclusões possam ser tiradas deles." - Charles Darwin


O método científico consiste dos seguintes aspectos:

* Observação
* Descrição - O experimento precisa ser replicável(capaz de ser reproduzido).
* Previsão - As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado, no presente e no futuro.
* Controle - Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada. Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado.
* Falseabilidade - toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso quer dizer que mesmo que haja um consenso sobre uma hipótese ou teoria, é necessário que se mantenha a possibilidade de se refutá-la. Está fortemente associada ao fato que uma teoria nunca é definitiva. É um dos elementos mais importantes do método científico.
* Explicação das Causas - Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:

* Identificação das Causas
* Correlação dos eventos - As causas precisam se correlacionar com as observações.
* Ordem dos eventos - As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados.


O método científico é composto dos seguintes elementos:

* Caracterização - Quantificações, observações e medidas.
* Hipóteses - Explicações hipotéticas das observações e medidas.
* Previsões - Deduções lógicas das hipóteses.
* Experimentos - Testes dos três elementos acima.


O método científico entra em um ciclo contínuo para desenvolver métodos e modelos mais úteis, acurados e abrangentes. Por exemplo, quando Einstein desenvolveu a Teoria da Relatividade, ele não refutou o que já estava na teoria da gravidade de Isaac Newton. Ao contrário, se você tira da teoria de Einstein o que é muito grande, muito pequeno ou muito rápido - tudo que a teoria de Newton não levava em conta - você será levado às equações de Newton. A teoria de Einstein é uma expansão da teoria de Newton.

Uma maneira linearizada e pragmática de apresentar os quatro pontos acima está exposto abaixo em forma de passos. Vale notar que é apenas um exemplo, e não é obrigatório seguir todos esses passos. Na verdade, na maioria dos casos não se segue todos esses passos, ou mesmo parte deles. O método científico não é uma receita: ele requer inteligência, imaginação e criatividade. O que é importante é que os aspectos e elementos apresentados acima estejam presentes.

* Definir o problema.
* Recolhimento de dados
* Proposta de uma hipótese
* Realização de uma experiência controlada, para testar a validade da hipótese
* Análise dos resultados
* Interpretar os dados e tirar conclusões, o que serve para a formulação de novas hipóteses.
* Publicação dos resultados.

História
A história do método científico se mistura com a história da ciência. Documentos do Antigo Egito já descrevem métodos de diagnósticos médicos. Na cultura da Grécia Antiga, os primeiros indícios do método científico começam a aparecer. Grande avanço no método foi feito no começo da filosofia islâmica, principalmente no uso de experimentos para decidir entre duas hipóteses. Os principios fundamentais do método científico se consolidaram com o surgimento da Física nos séculos XVII e XVIII. Francis Bacon, em seu trabalho Novum Organum(1620)-uma referência ao Organon de Aristóteles-especifica um novo sistema lógico para melhorar o velho processo filosófico do silogismo. Em 1637, René Descartes escreve Discurso do Método, que é considerado um ponto crítico no desenvolvimento do método científico.

O acidente
É comum considerar alguns dos mais importantes avanços na ciência, tais como as descobertas da radioatividade por Henri Becquerel ou da penicilina por Alexander Fleming, como tendo ocorrido por acidente, no entanto, o que é possível afirmar à luz da observação científica é que terão sido parcialmente acidentais, uma vez que as pessoas envolvidas haviam aprendido a "pensar cientificamente", estando, portanto, conscientes de que observaram algo novo e interessante.

Os progressos da ciência são acompanhados de muitas horas de trabalho cuidadoso, que segue um caminho mais ou menos sistemático na busca de respostas a questões científicas. É este o caminho denominado de método científico.

A hipótese
No método científico, a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. O cientista, na sua hipótese, tem dois objetivos: explicar um fato e prever outros acontecimentos dele decorrentes (deduzir as consequencias). A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais controladas.Se, após muitas dessas experiências, os resultados obtidos pelos pesquisadores não contrariarem a hipótese, então ela será aceita como uma teoria.

Método Duplo-cego
Neste tipo de experiência, utiliza-se o método Duplo-cego que consiste basicamente em:

* Um grupo de teste, também chamado de "experimental" (o grupo que será efetivamente testado)
* Um grupo de controle (um grupo que não é testado, e serve apenas para comprovar que o teste é válido)
* Esse grupo é testado para depois ser comprovado por cientistas.

Exemplo prático
Um pesquisador procura testar a eficiência de determinado medicamento na cura de certa doença. Ele, então, usa dois grupos de doentes portadores daquela doença. A um dos grupos ele ministra comprimidos contendo a substância ativa (grupo de teste). Aos pacientes do outro grupo (grupo de controle), são dados comprimidos que não possuem a substância ativa, embora idênticos no aspecto, tamanho e cor. Nenhum doente saberá em qual grupo encontra-se, ou seja, não tem ciência se recebe ou não a substância ativa pesquisada. Ao final, os resultados de ambos os grupos são comparados, atestando-se ou não a eficácia da substância pesquisada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Método_científico
 

Minho

Cumulonimbus
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Bravo Vince :thumbsup:

Também não encontro nenhuma relação entre sismos e eclipses totais seja do que for.

O que poderia causar um sismo devido a um eclipse?
Presumo que seria a falta de luz sobre a superfície lunar :huh::huh:
Mas sei que a luz não é gravidade. Já alguém experimentou pesar-se à sombra ou pesar-se ao Sol? Será que a balança dá valores diferentes? Eu nem me vou dar ao trabalho de verificar tal coisa... Num eclipse total da Lua não há qualquer diferença de um dia normal de lua nova...
Seria uma revolução na Física Quântica descobrir que a ausência de fotões afecta a gravidade!
 

bluejay

Cumulus
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O que estou a tentar querer dizer (e a fazer um pouco de advogado do diabo) é que muitas das verdades que tomamos como garantidas eram até há algum tempo atrás esoterismo sem sentido. Atenção que não estou com isto a defender que eclipses e sismos possam estar de alguma forma relacionados.
 

Vince

Furacão
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Braga
O que estou a tentar querer dizer (e a fazer um pouco de advogado do diabo) é que muitas das verdades que tomamos como garantidas eram até há algum tempo atrás esoterismo sem sentido. Atenção que não estou com isto a defender que eclipses e sismos possam estar de alguma forma relacionados.

Eu percebi perfeitamente o que estás a dizer. E concordo perfeitamente. E isso é a própria história da ciência. Muitos dos grandes avanços são feitos por indivíduos solitários contra uma imensa maioria que estava enganada. Afinal a terra já foi plana não é verdade ...
Mas o importante é que o tal solitário teve que demonstrar que tinha razão, percebes ? É sobre isso que eu tenho estado a falar. Se leres com atenção, eu nunca ataquei a teoria, é mais uma entre milhões de outras. Ataquei foi a demonstração da mesma, que não existe de todo.
 

Minho

Cumulonimbus
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Depende, ainda há muito que não se sabe sobre a relação luz(fotão)<->gravidade. Toma por exemplo um dos grandes mistérios dos eclipses, o efeito Allais.

Entendo.
Talvez a minha última frase tenha sido excessiva na medida em que se sabe que as teorias da Física Quântica parecem que escapam à razão e não fazem sentido ao comum dos mortais. Não me espantava nada que um dia descobrissem que "um fotão se possa transformar num gravitão"...



Agora que isto seja medível a grande escala é óbvio que não. Variações na gravidade não implicavam só problemas com placas tectónicas... Como se comportariam os satélites geoestacionários? Escapariam da terra ou despenhavam-se contra esta? Estes seriam certamente muito mais sensíveis a uma modificação no campo de gravidade da Terra do que as pesadíssimas placas tectónicas. Qualquer gravímetro já teria detectado essa anomalia....


Este último parágrafo não é dirigido a ti, bluejay, mas antes um complemento ao meu post anterior. :thumbsup:
 

bluejay

Cumulus
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Essas anomalias existem e são previsíveis pela teoria da gravidade. Aliás nem à superfície terrestre a gravidade é constante, são diferenças quase que imperceptíveis, mas detectáveis. Existem até variações diárias na força gravitacional à superfície da terra.

Quanto ao efeito de allais, julgo que ainda não se compreende mais sobre o assunto porque a maioria das medições não foram efectuadas no percurso da totalidade possivelmente alterando assim os dados.