Conferência de Bali sobre Alterações Climáticas

Vince

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23 Jan 2007
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Primeiro-ministro australiano ratifica Protocolo de Quioto

O primeiro-ministro australiano Kevin Rudd anunciou hoje que ratificou o Protocolo de Quioto sobre alterações climáticas, deixando os Estados Unidos isolados na cena internacional climática.

“Trata-se do primeiro acto oficial do novo Governo australiano, que mostra o compromisso do meu Governo no combate às alterações climáticas”, disse Rudd em comunicado.

Depois da vitória dos trabalhistas nas eleições legislativas de 24 de Novembro, pondo fim a onze anos de poder dos conservadores, Kevin Rudd prestou juramento hoje enquanto 26º primeiro-ministro da Austrália.

Durante uma campanha marcada pela questão do sobre-aquecimento global, Rudd tinha prometido ratificar rapidamente Quioto, documento que até aí a Austrália se tinha recusado assinar, enquanto os Estados Unidos não o fizessem.

A ratificação do protocolo foi aprovada hoje na primeira sessão do novo Governo e depois pelo governador geral, explicou Rudd.

Depois da ratificação da Austrália, os Estados Unidos são o último grande país desenvolvido a não ter ratificado Quioto.

Quioto é “o acordo que vai mais longe na questão do ambiente e do desenvolvimento sustentável”, comentou Rudd, para quem a ratificação australiana “é um avanço significativo nos esforços do país para combater os efeitos das alterações climáticas”.

Rudd vai para a semana a Bali, onde hoje começou uma cimeira sobre a negociação do futuro do combate ao sobre-aquecimento do planeta.

A comunidade científica australiana felicitou hoje o anúncio de ratificação. “É o reconhecimento de que, nos últimos onze anos, a Austrália teve uma atitude retrógrada face ao que a ciência nos dizia”, considerou Barry Brook, especialista em alterações climáticas na Universidade de Adelaide.

A Austrália é responsável por, pelo menos, dois por cento das emissões mundiais de gases com efeito de estufa, mas é também um importante exportador de carvão, uma das fontes de energia que mais contribuem para o sobre-aquecimento global.
(c) Público
 

Vince

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23 Jan 2007
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Re: Australia ratifica Protocolo de Quioto

Os maiores poluidores do mundo continuam a não assinar o protocolo de Quioto:angry:(Estados Unidos)

MSantos, essa afirmação tem muito que se lhe diga...

É muitas vezes usada na tal parte política do debate do aquecimento global, e muitas vezes tem pouco de ambiental e muito de combate político. Explicando melhor, é uma frase muitas vezes ouvida em certas pessoas que na verdade se estão nas tintas para o clima mas que usam esse tema e os EUA mais para combate de esquerda/direita e de anti-americanismo.

A afirmação é verdadeira, não há duvida, embora o vá ser ser por muito pouco tempo. Provavelmente nesta altura até já nem o será, estimava-se que as emissões da China ultrapassassariam as dos EUA este ano.

Mas falando dos EUA, há alguns pormenores que as pessoas se esquecem ou omitem intencionalmente com muita frequência. Os EUA são um país muito grande, com 300 milhões de habitantes. É um pouco injusto estar a comparar o total de emissões entre países sem ter em conta os habitantes, penso que concordas.

Se analisarmos por exemplo as emissões per capita, os EUA já não são o maior poluidor, caem para o 10º lugar, e nos lugares a seguir estão muitos outros países como o Canadá, Australia, Noruega, etc,etc, com emissões per capita não muito inferiores aos EUA.

Dados de 2004
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_carbon_dioxide_emissions_per_capita

Para além disso tudo, há muitas outras questões importantes. Os EUA por exemplo decidiram não apostar na energia nuclear, após o incidente que tiveram na central de Three Mile Island em 1979. A França que fala sempre muito de Quioto tem espectaculares indices de emissões por PIB, mas tem dezenas de centrais nucleares no país. Também é um dado a ter em conta. Estão todos dispostos a trocar as emissões pela energia nuclear por exemplo? É que por vezes fico na dúvida, que os ambientalistas sempre tão preocupados com as emissões são também ferozes opositores do nuclear... Aliás, são opositores de tudo, até de barragens. Não se compreende muito bem o que vai na cabeça deles, de como querem afinal resolver as coisas.

Para finalizar, a questão de Quioto não é tão simples como por vezes algumas pessoas querem fazer crer. Quioto vai ter custos, vamos pagar mais pelo que produzimos. Ok, é justo, pagarmos mais para termos um mundo menos poluido. Mas é preciso que ninguém se esqueça que por exemplo nós portugueses, com uma economia de rastos, ainda vamos ficar menos competitivos, e que isso terá consequências, no emprego por exemplo.

E na prática Quioto se calhar não vai mudar grande coisa, as emissões a nivel global vão continuar a aumentar, pois os países em desenvolvimento como a China, India, Brasil, etc, etc, tem que ficar obviamente de fora do Protocolo.
O aumento das emissões destes países vai ser sempre muito superior às que nós conseguirmos poupar, e os nossos produtos vão ficar ainda mais caros do que os que eles fabricam. Quando os politicos falam tanto de Quioto seria também importante explicarem toda esta realidade. Os politicos americanos podem ter muitos defeitos, mas explicam isto tudo às pessoas, explicam o custo que teremos que suportar, e explicam as dúvidas da verdadeira eficácia de tudo isto. Os europeus tem a tendência de tomarem grandes decisões sem informarem muito bem os cidadãos e muito menos de terem em conta a opinião deles, como se vê por exemplo na questão do referendo constitucional europeu, entre muitas outras coisas.

O protocolo e o mercado de emissões é uma boa ideia, é um bom esquema que permite implementar o princípio do poluidor/pagador. Resta saber se tem algum resultado prático nas emissões a nivel global. A resposta não é assim tão obvia como por vezes pode parecer.
 

MSantos

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3 Out 2007
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Azambuja / Mte. Barca (Coruche)
Re: Australia ratifica Protocolo de Quioto

Obrigado pelo esclarecimento Vince:), fizeste-me ver os factos de forma mais clara. Defacto as emissões da China, Brasil, e India, entre outras economias emergentes, vão brevemente ultrapassar os EUA, mas como pais mais industializado e com o maior PIB, os EUA deviam digamos que "dar o exemplo" assinando Quioto, coisa que ainda não fizeram.
Confesso que não conheço bem a situação politica a nivel internacional no que refere no que refere às emissões poluentes. Mas A Humanidade tem que trabalhar em conjunto para as reduzir, e pensar mais no ambiente do que na politica, não é alguns paises assinarem o protocolo de Quioto, e comprometerem-se a controlar as emissões e outros fingirem que não é nada com eles.
Vince, na tua opinião achas o protocolo de Quioto não vai levar a lado nenhum, isto é não se vai conseguir diminuir a poluição?:huh: Então achas que deveria ser assinado um novo tratado mais rigoroso incuindo os novos grandes poluidores ?
 

Vince

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23 Jan 2007
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Re: Australia ratifica Protocolo de Quioto

Vince, na tua opinião achas o protocolo de Quioto não vai levar a lado nenhum, isto é não se vai conseguir diminuir a poluição?:huh: Então achas que deveria ser assinado um novo tratado mais rigoroso incuindo os novos grandes poluidores ?

Acho que é uma boa ideia, foi um primeiro passo,mas que na prática não resolve quase nada. Terá que ser muito melhorado. Acho até, como uma vez já tinha dito, que o protocolo deveria ser indiferente às alterações climáticas. Se poluimos devemos pagar o custo dessa poluição. Quer esta cause ou não alterações climáticas, o impacto da poluição é real, no ecosistema, na saúde, etc,etc. E isso terá que ser pago, quer sejam emissões,quer todas as outras formas de poluição. O mercado de carbono é uma boa ideia, mas deveria haver um mercado geral de poluentes, não só de carbono. De uma simples pilha a uma industria que faz descargas para os rios ou mares.

Mas isto tudo não é nada simples. E é imoral exigir aos novos poluidores aquilo que nós nunca pagámos para nos desenvolvermos. Eles na China que andam maioritariamente de bicicleta não podem pagar agora o que nós nunca pagámos com os nossos milhões de automóveis, sistemas de ar condicionado e aquecimentos centrais, aviões e séculos de actividade industrial.

Muitas destas coisas estão agora a ser discutidas na conferência de Bali. Seria importante surgiram respostas e não as habituais politiquices e acusações que pouco resolvem.
 

Mário Barros

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18 Nov 2006
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Re: Australia ratifica Protocolo de Quioto

Canadá: Otava recusa sucessor do Protocolo de Quioto sem EUA

O ministro do Ambiente do Canadá recusou hoje assinar um novo acordo para as redução de gases com efeito de estufa se os Estados Unidos não o integrar.

Numa entrevista à agência noticiosa Canadian Press antes de partir para Bali, Indonésia, para participar na Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, o ministro John Baird, admitiu a possibilidade de se concluir em 2009 um novo acordo internacional com vista a redução dos gases poluentes.

Contudo, advertiu que o novo tratado que suceder ao Protocolo de Quioto deve fixar, pela primeira vez, metas de redução para os países maiores emissores de gases com efeito de estufa.

Baird utilizou uma analogia militar para explicar que o Canadá seria prejudicado se aceitasse limites ambientais se o país vizinho e principal parceiro comercial não seguisse os mesmos passos.

"Pode fazer-se um desarmamento unilateral. Alguns poderão chamar-lhe [um gesto] nobre, mas não é necessariamente esperto", argumentou.

A nível mundial continua a assistir-se a um aumento das emissões de gases prejudiciais ao planeta, com os EUA, Índia e China a serem os principais países que se mantêm à margem do Protocolo de Quioto.

No âmbito no Protocolo de Quioto, subscrito por Otava, o Canadá comprometeu-se a reduzir entre 2008 e 2012 as suas emissões de gases com efeito em seis por cento face aos níveis de 1990.

Porém, segundo a organização Greenpeace, citada pela cadeia CBC (Canadian Broadcasting Corporation), o Canadá aumentou as emissões poluentes em 25 por cento no final de 2005.

Fonte:Lusa

Será que é mesmo pelos EUA não assinarem que eles não assinam :rolleyes::rolleyes::assobio:
 

Vince

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23 Jan 2007
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Texto de Bali pede redução até 40%

O documento ainda não é oficial e é apenas um esboço do que poderá ser debatido pelos líderes políticos que começam esta semana a chegar à cimeira do clima. Em Bali, a proposta para os países desenvolvidos é de redução em 2020 de 25 % a 40% das emissões de gases com efeito de estufa. E para as economias emergentes a obrigação é, pelo menos, de atenuar o aumento das suas emissões.

A tónica do documento é posta na acção global. Pois todos os países têm de fazer mais do que estão a fazer, até porque os esforços actuais não estão a ser suficientes para alcançar os objectivos pretendidos. O projecto de quatro páginas elaborado pelos delegados da Indonésia, Austrália e África do Sul aponta metas mínimas de 25%, argumentando que há "provas científicas inequívocas" de que só assim se poderão combater as alterações climáticas. A União Europeia defende reduções de 20% até 2020, admitindo aumentar o seu esforço até 30% se a ela outros se juntarem.

Ao fim de uma semana de negociações, e apesar de estar prestes a entrar no segmento político, a cimeira está ainda longe de gerar consensos sobre o que deverá constar no acordo climático que substituirá, em 2012, o Protocolo de Quioto.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, exprimiu já a sua preocupação com o andamento da discussão. "Preocupa-me que demasiadas questões sejam transferidas para as negociações de alto nível e que os ministros tenham ainda tanto trabalho pela frente, com um tempo muito reduzido para chegar a uma conclusão.
(c) Diário Notícias


Bali: Estados Unidos rejeitam números do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas
Os Estados Unidos rejeitaram, hoje, a inclusão de alguns resultados do último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) numa das propostas de acordo que está a ser negociada na conferência mundial de Bali, na Indonésia, sobre o aquecimento global.

O texto, que começa a ser debatido esta tarde em Bali (manhã em Lisboa), menciona que, para se evitarem as piores consequências do aquecimento global, os países desenvolvidos deveriam reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa em 25 a 40 por cento até 2020, em relação a 1990. E no mundo, como um todo, as emissões têm de começar a cair nos próximos 10 a 15 anos.

Esses dados constam da última avaliação do IPCC sobre as alterações climáticas, aprovada no mês passado por todos os governos representados nesse organismo, incluindo os EUA.

Mas o chefe da delegação norte-americana em Bali, Harlan Watson, não concorda com a sua inclusão num texto que serve para lançar negociações sobre um novo acordo climático, nos próximos dois anos.

“Não queremos um texto que prejulgue o que devem ser os resultados das negociações”, disse Harlan Watson.
Aqueles números, afirmou Watson, resultam de um dos seis cenários estudados pelo IPCC para o futuro. “É um conjunto pequeno [de cenários], ainda há muita incerteza”, completou.

Para o representante dos EUA, o texto deve ser curto e equilibrado, contendo os elementos que devem ser discutidos e levando em conta todos os interesses em jogo.

Harlan Watson disse, porém, que os EUA estão empenhados num acordo em Bali. “Queremos chegar a um roteiro em Bali para negociações até 2009”, afirmou.

O chefe da delegação portuguesa em Bali, Nuno Lacasta, disse que as negociações climáticas têm de se basear na ciência e lembrou o papel do IPCC, merecedor do Prémio Nobel da Paz, que lhe é atribuído hoje, assim como ao ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. “Hoje é um dia histórico”, disse Nuno Lacasta, que falava também em nome da União Europeia.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, também realçou o papel dos dados científicos nas negociações. “A comunidade científica chegou a uma conclusão”, afrimou.

Para Yvo de Boer, é importante quantificar o quanto antes a necessidade de reduzir emissões. As decisões de Bali, segundo de Boer, devem “indicar onde é que os países industrializados pretendem chegar”.
(c) Público


Bali: Brasil e EUA em desacordo sobre taxas alfandegárias para "produtos verdes"
09.12.2007 - 12h31 Lusa
Responsáveis norte-americanos e brasileiros continuavam hoje em desacordo em Bali sobre uma proposta europeia/norte-americana para eliminação de direitos aduaneiros sobre produtos ecológicos com vista a promover a luta contra as alterações climáticas.

"Nenhum acordo" foi obtido sobre esta questão, declarou Celso Amorim, ministro dos Negócios Estrangeiros brasileiro, à margem de uma conferência fulcral sobre as mudanças climáticas, na cidade de Nusa Dua (Bali, Indonésia).

Norte-americanos e europeus propõem aos 151 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) que sejam eliminadas as taxas à importação de, pelo menos, 43 produtos, tais como os painéis solares e as turbinas eólicas.

"Penso que esta lista está incompleta, não irá fazer grande coisa pela mudança climática", criticou Celso Amorim, indicando que, contudo, as negociações não estão suspensas.

Num comunicado distribuído antes do encontro, a representante dos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio, Susan Schwab, considerava que a proposta euro-norte-americana é "inovadora".

No início de Dezembro, em Genebra, o negociador brasileiro junto da OMC, Roberto Azevedo, acusou a proposta euro-norte-americana de ter "carácter proteccionista".

Bruxelas e Washington "ignoram os direitos aduaneiros elevados e as outras barreiras que impõem aos produtos que não produzem", afirmou o diplomata brasileiro, justificando com o facto de que "tudo o que eles produzem não consta da lista".
(c) Público

Bali: diminui possibilidade de países em desenvolvimento aceitarem redução obrigatória de emissões
07.12.2007 - 18h39 AFP, Reuters
A possibilidade dos países em desenvolvimento virem a aceitar reduções obrigatórias de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) diminuiu hoje em Bali, na conferência da ONU que discute as formas de combate às alterações climáticas depois de 2012.

“Os compromissos obrigatórios para os países em desenvolvimento não estão fora da mesa de negociações mas estão a resvalar para a borda”, comentou Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas.

Em Bali estão 190 países para acordar um roteiro de negociações sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, que termina em 2012.

Os delegados devem encontrar palavras que agradem tanto aos países ricos – como os Estados Unidos e Japão, que querem ver os países em desenvolvimento a fazerem mais pelo clima – como à China e Índia, que querem ter acesso a tecnologias mais limpas e ajuda financeira para enfrentarem os desafios do clima.

De Boer disse que a maioria dos países ricos parece ter acordado que é demasiado cedo para esperar que os países em desenvolvimento aceitem reduções obrigatórias. Na China, as emissões de GEE per capita são de cerca de quatro toneladas contra as 20 toneladas dos Estados Unidos.

Este fim-de-semana, os ministros do Comércio vão reunir-se à margem da conferência para debater uma proposta da União Europeia e Estados Unidos para reduzir os impostos sobre tecnologias amigas do Ambiente.

De Boer defendeu uma mudança de fundo no mundo das finanças, referindo-se a um relatório da ONU de Agosto segundo o qual são necessários investimentos de 200 a 210 mil milhões de dólares (136 a 148 mil milhões de euros) até 2030, em áreas como as energias renováveis e nuclear, para reduzir as emissões.

Hoje, crianças da Europa, Austrália e Pacífico entregaram um relatório, segundo o qual cerca de 130 mil crianças caminharam uma distância total de 1,5 milhões de quilómetros – o equivalente a dar 36 voltas ao planeta – ao reduzir viagens que, normalmente, envolveriam a utilização de automóvel ou transportes públicos.

Quioto impõe uma redução média de 5,2 por cento das emissões a 36 países industrializados, a níveis de 1990, até 2008-2012.

A conferência ficou marcada pela participação de Christopher Monckton of Brenchley, famoso pela sua posição de negação face às alterações climáticas, que veio “restabelecer a verdade” em Bali.

“Não existem alterações climáticas significativas”, disse o antigo conselheiro da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, acrescentando que o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês) multiplica por 20 os efeitos reais do dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, defende que o sobre-aquecimento não está ligado à actividade humana.
(c) Público

ONU preocupada com falta de avanços na cimeira de Bali
08.12.2007 - 15h16 AFP, Reuters
Ainda existem demasias questões cruciais por resolver, passada que está uma semana da conferência de Bali, Indonésia, alertou hoje Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Quadro da ONU para as alterações climáticas, em conferência de imprensa.

Os delegados de cerca de 190 países, reunidos desde segunda-feira, ainda não conseguiram desbloquear vários temas bem conseguiram avançar nas propostas, disse De Boer.

“O que me preocupa é que demasiadas questões tenham de ser transferidas para as negociações de alto nível e que os ministros tenham ainda tanto trabalho pela frente, com um tempo muito reduzido para chegar a uma conclusão”, explicou.

Os ministros do Ambiente de cerca de 190 países deverão encontrar-se quarta e quinta-feira para negociações que se prevê que causem divisões entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Os primeiros exigem que os países em desenvolvimento também sejam obrigados a reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), lembrou hoje De Boer.

“Outra questão debatida foi saber se os países industrializados devem ter metas internacionais obrigatórias ou metas nacionais”, acrescentou.

Esboço de guião não oficial para negociações em Bali diz que todos os países se devem esforçar mais

Um documento com quatro páginas elaborado pelos delegados da Indonésia, Austrália e África do Sul, que se assume como um guião não oficial das negociações em Bali, advoga que todos os países do mundo devem fazer mais contra as alterações climáticas. Diz também que os países em desenvolvimento devem, pelo menos, atenuar o aumento das suas emissões no protocolo que vai substituir Quioto.

O documento, ao qual a Reuters teve acesso, lembra que são “inequívocas as provas científicas”, segundo as quais, para evitar o agravamento do impacto das alterações climáticas é preciso que os países desenvolvidos reduzam as suas emissões entre 25 e 40 por cento até 2020, a níveis de 1990. A União Europeia está a propor uma redução de 20 por cento.

“Os esforços actuais... não vão permitir as reduções de emissões exigidas”, constata o documento, que prevê ainda mais secas, inundações, vagas de calor e subida do nível dos mares.

As emissões globais de GEE terão de atingir um “pico dentro de dez ou 15 anos e ser reduzidas a níveis muito baixos (...) em 2050”.

A prioridade, segundo o documento, é erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento social.

Os delegados deverão apresentar as suas reacções a este documento na segunda-feira.

Ministros do Comércio querem ajudar às negociações de Bali

Hoje, os ministros do Comércio abriram uma nova frente da batalha contra o sobre-aquecimento do planeta. Trinta e dois governos, incluindo uma dezena de ministros do Comércio, iniciaram hoje dois dias de debate sobre como pode o comércio mundial ajudar a combater as alterações climáticas. Em cima da mesa estão os impostos a produtos “verdes” e os incentivos à economia ambiental.

“Não estamos a lidar apenas com o imperativo ambiental mas também com as oportunidades económicas que surgem do combate às alterações climáticas”, comentou Simon Crean, ministro do Comércio australiano. “As soluções para o clima abrem importantes oportunidades para a criação de emprego e para o comércio”, acrescentou.

Este encontro é a primeira vez que as negociações anuais da ONU sobre clima extrapolam os ministros do Ambiente.

Salientando as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias, foi apresentado hoje em Bali um relatório segundo o qual, por ano, os investimentos mundiais em energias renováveis vão exceder, pela primeira vez, os cem mil milhões de dólares (683 mil milhões de euros) em 2007. A liderar está a energia eólica.

Centenas de manifestantes em Bali apontam o dedo aos países ricos

Centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Bali para insistir na “dívida” dos países ricos, largamente responsáveis pelas alterações climáticas, para com os países pobres.

Apelando às nações desenvolvidas para “pagarem” a adaptação dos países emergentes, para que estes possam suportar as consequências do sobre-aquecimento, organizações não governamentais e activistas desfilaram, pacificamente, à margem da conferência, em Denpasar, capital de Bali.
(c) Público
 

Ledo

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3 Jan 2006
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Não me preocupa não se chegar acordo em relação à diminuição da emissão da produção de gases de efeito de estufa. Como o Vince bem demonstrou, não passa mais de interesses políticos do que verdadeiramente ambientais. Ficava mais satisfeito se estivessem a discutir o desenvolvimento e a implementação de formas mais limpas de energia e a sua integração nos países em desenvolvimento. Como não acredito que somos os principais responsáveis pelas alterações climáticas e que isto não passa de variabilidade do clima, acho que não se deveria restringir o uso de combustíveis fósseis para a produção de energia. Quanto mais se gasta, mais depressa eles se esgotam e até chegar a esse ponto o preço a que iriam chegar servia como factor limitante da sua utilização. Quando se criaram cotas de emissão e se pode ganhar dinheiro com as ditas, está tudo dito em relação às verdadeiras intenções.

Por acaso eu não sou muito a favor da construção de barragens, para além do impacto paisagistico, poucos se lembram que a estrutura tem um tempo de vida, ao fim do qual tem de ser desmantelada e os encargos e os prejuízos para o ambiente que daí decorrem não a torna numa solução assim tão amiga do ambiente e económica como seria de esperar. Mas como essas situações só acontecem para gerações futuras de governantes, quem estiver na altura que se amanhe e entretanto toda a gente acha muito bem a enorme proliferação destas estruturas.
 

Mário Barros

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18 Nov 2006
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Cavaleira (Sintra)
Iludem o pagode e não fazem nada é o costume :disgust: se ainda implantassem medidas para reduzir a poluição já que prejudica a qualidade do pessoal nas cidades ainda era alguma coisa.

Resultado só conversa águas de bacalhau e está a andar...CO2 qual CO2 :lmao:
 

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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Braga
A Bali chegaram esta semana alguns conhecidos cépticos que acusaram a conferência de ser um circo mediático sem qualquer utilidade para além de se gastarem fortunas em caros resorts turísticos.

Skeptical Scientists Urge World To ‘Have the Courage to Do Nothing’ At UN Conference
By EPW Blog Tuesday, December 11, 2007

BALI, Indonesia - An international team of scientists skeptical of man-made climate fears promoted by the UN and former Vice President Al Gore, descended on Bali this week to urge the world to “have the courage to do nothing” in response to UN demands.

Lord Christopher Monckton, a UK climate researcher, had a blunt message for UN climate conference participants on Monday.

“Climate change is a non problem. The right answer to a non problem is to have the courage to do nothing,” Monckton told participants.

“The UN conference is a complete waste of our time and your money and we should no longer pay the slightest attention to the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change,)” Monckton added. (LINK)

Monckton also noted that the UN has not been overly welcoming to the group of skeptical scientists.

“UN organizers refused my credentials and appeared desperate that I should not come to this conference. They have also made several attempts to interfere with our public meetings,” Monckton explained.

“It is a circus here,” agreed Australian scientist Dr. David Evans. Evans is making scientific presentations to delegates and journalists at the conference revealing the latest peer-reviewed studies that refute the UN’s climate claims.

“This is the most lavish conference I have ever been to, but I am only a scientist and I actually only go to the science conferences,” Evans said, noting the luxury of the tropical resort. (Note: An analysis by Bloomberg News on December 6 found: “Government officials and activists flying to Bali, Indonesia, for the United Nations meeting on climate change will cause as much pollution as 20,000 cars in a year.” - LINK)

Evans, a mathematician who did carbon accounting for the Australian government, recently converted to a skeptical scientist about man-made global warming after reviewing the new scientific studies. (LINK)

“We now have quite a lot of evidence that carbon emissions definitely don’t cause global warming. We have the missing [human] signature [in the atmosphere], we have the IPCC models being wrong and we have the lack of a temperature going up the last 5 years,” Evans said in an interview with the Inhofe EPW Press Blog. Evans authored a November 28 2007 paper “Carbon
Emissions Don’t Cause Global Warming.” (LINK)

Evans touted a new peer-reviewed study by a team of scientists appearing in the December 2007 issue of the International Journal of Climatology of the Royal Meteorological Society which found “Warming is naturally caused and shows no human influence.” (LINK)

“Most of the people here have jobs that are very well paid and they depend on the idea that carbon emissions cause global warming. They are not going to be very receptive to the idea that well actually the science has gone off in a different direction,” Evans explained.

[Inhofe EPW Press Blog Note: Several other recent peer-reviewed studies have cast considerable doubt about man-made global warming fears. For most recent sampling see: New Peer-Reviewed Study finds ‘Solar changes significantly alter climate’ (11-3-07) (LINK) & “New Peer-Reviewed Study Halves the Global Average Surface Temperature Trend 1980 - 2002” (LINK) & New Study finds Medieval Warm Period ‘0.3C Warmer than 20th Century’ (LINK) For a more comprehensive sampling of peer-reviewed studies earlier in 2007 see “New Peer-Reviewed Scientific Studies Chill Global Warming Fears” LINK ]

‘IPCC is unsound’

UN IPCC reviewer and climate researcher Dr. Vincent Gray of New Zealand, an expert reviewer on every single draft of the IPCC reports since its inception going back to 1990, had a clear message to UN participants.

“There is no evidence that carbon dioxide increases are having any affect whatsoever on the climate,” Gray, who shares in the Nobel Prize awarded to the UN IPCC, explained. (LINK)

“All the science of the IPCC is unsound. I have come to this conclusion after a very long time. If you examine every single proposition of the IPCC thoroughly, you find that the science somewhere fails,” Gray, who wrote the book “The Greenhouse Delusion: A Critique of “Climate Change 2001,” said.

“It fails not only from the data, but it fails in the statistics, and the mathematics,” he added.

‘Dangerous time for science’

Evans, who believes the UN has heavily politicized science, warned there is going to be a “dangerous time for science” ahead.

“We have a split here. Official science driven by politics, money and power, goes in one direction. Unofficial science, which is more determined by what is actually happening with the [climate] data, has now started to move off in a different direction” away from fears of a man-made climate crisis, Evans explained.

“The two are splitting. This is always a dangerous time for science and a dangerous time for politics. Historically science always wins these battles but there can be a lot of causalities and a lot of time in between,” he concluded.

Carbon trading ‘fraud?’

New Zealander Bryan Leland of the International Climate Science Coalition warned participants that all the UN promoted discussions of “carbon trading” should be viewed with suspicion.

“I am an energy engineer and I know something about electricity trading and I know enough about carbon trading and the inaccuracies of carbon trading to know that carbon trading is more about fraud than it is about anything else,” Leland said.

“We should probably ask why we have 10,000 people here [in Bali] in a futile attempt to ‘solve’ a [climate] problem that probably does not exist,” Leland added.

‘Simply not work’

Owen McShane, the head of the International Climate Science Coalition, also worried that a UN promoted global approach to economics would mean financial ruin for many nations.

“I don’t think this conference can actually achieve anything because it seems to be saying that we are going to draw up one protocol for every country in the world to follow,” McShane said. (LINK)

“Now these countries and these economies are so diverse that trying to presume you can put all of these feet into one shoe will simply not work,” McShane explained.

“Having the same set of rules apply to everybody will blow some economies apart totally while others will be unscathed and I wouldn’t be surprised if the ones who remain unscathed are the ones who write the rules,” he added.

‘Nothing happening at this conference’

Professor Dr. William Alexander, emeritus of the University of Pretoria in South Africa and a former member of the United Nations Scientific and Technical Committee on Natural Disasters, warned poor nations and their residents that the UN policies could mean more poverty and thus more death.

“My message is specifically for the poor people of Africa. And there is nothing happening at this conference that can help them one little bit but there is the potential that they could be damaged,” Alexander said. (LINK)

“The government and people of Africa will have their attention drawn to reducing climate change instead of reducing poverty,” Alexander added.
(c) Canada Free Press
 

Mário Barros

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18 Nov 2006
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Cavaleira (Sintra)
Esses tipos que afirmaram tais "barbaridades" devem ter sido corridos ao chuto da conferência....:disgust::disgust: ao que a climatologia chegou.

Ao menos tem coragem para afirmar tais coisas não vão nada onda do CO2.
 

Vince

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23 Jan 2007
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Braga
Ambiente
Bali aprova roteiro para o clima em sessão dramática
15.12.2007 - 07h49 Ricardo Garcia, Bali
Numa sessão dramática, encerrando uma maratona negocial mais longa do que a do Protocolo de Quioto, ministros de 190 países aprovaram hoje, em Bali, um roteiro para as negociações de um novo acordo para o combate ao aquecimento global.

O roteiro de Bali inclui um conjunto de decisões, uma delas trazendo de volta os Estados Unidos para a discussão, no âmbito das Nações Unidas, de novos compromissos para controlar as emissões de gases que estão a aquecer o planeta.

O acordo foi aprovado cerca das 14h30 (6h30 em Lisboa), no plenário da conferência climática da ONU, depois de negociações que entraram pela madrugada. De manhã, o compomisso esteve por um fio, quando os países desenvolvidos sugeriram uma alteração de última hora ao texto, à qual os Estados Unidos se opuseram.

Com o impasse a ameaçar deitar por terra duas semanas de intensas negociações, a conferência recebeu a visita do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e do Presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. Ambos apelaram para que o roteiro fosse aprovado. “Agarrem este momento para o bem de toda a Humanidade”, disse Ban Ki-moon.

Isolados, os EUA voltaram atrás e o roteiro de Bali foi sancionado pelo plenário. “É uma grande vitória, não para este ou aquele, mas para o mundo inteiro”, disse o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, ao PÚBLICO, em Bali.

“Tudo o que é essencial está cá: a visão de longo prazo, a necessidade de abordar de forma diferente as responsabilidades dos países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos, a referência à importância que tem a evidência científica nesta matéria”, completou Nunes Correia.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, que liderou as negociações em nome da União Europeia, disse que o resultado não é uma derrota para os Estados Unidos. “Creio que os EUA podem estar satisfeitos por terem uma oportunidade de reembarcarem no panorama climático internacional”, afirmou.

Os principais pontos do acordo:


- Estão lançadas as negociações, com vista a um novo tratado para conter o aquecimento global, a concluir até 2009 e incluindo os Estados Unidos.

- Para todos os países desenvolvidos, serão consideradas, nestas negociações, novos “compromissos” ou “acções”, incluindo metas de redução ou limitação de gases com efeito de estufa. Os compromissos deverão ser comparáveis entre si e levar em conta as realidades próprias de cada país.

- Para os países em desenvolvimento, serão estudadas “acções” nacionais voluntárias, suportadas por apoios na área da tecnologia, capacitação e finanças.

- O acordo não inclui nenhuma meta indicativa de redução de emissões de gases com efeito de estufa no futuro. Mas cita, numa nota de rodapé, um capítulo de um relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, onde essas metas indicativas são referidas.

- Nas negociações para um novo tratado, serão considerados também os temas da adaptação, tecnologia e financiamento.

- O tratado também deverá considerar “incentivos positivos” para combater a desflorestação e a degradação de florestas.

- Paralelamente, correrá o processo de revisão do Protocolo de Quioto, que não inclui os EUA, e a fixação de novas metas de redução de emissões após 2012 para os países que ratificaram aquele acordo.
(c) Público



EUA voltam atrás e aceitam compromisso maior em Bali

Plantão | Publicada em 15/12/2007 às 05h12m
BBC

Em uma reviravolta inesperada na reunião sobre mudança climática das Nações Unidas (ONU) em Bali, neste sábado, os Estados Unidos aceitaram as objeções da China e da Índia, que pediram "mais ação" dos países desenvolvidos no combate ao aquecimento global.

A objeção sobre a introdução da decisão de Bali - baseada na percepção de que havia uma discrepância entre os fortes compromissos exigidos dos países em desenvolvimento e uma linguagem menos específica sobre as obrigações dos países industrializados - levou a um longo intervalo na plenária.

Antes de voltar atrás, a chefe da delegação americana, Paula Dobriansky, chegou a dizer que "não podia concordar" com as objeções da Índia e da China.

Em seguida, a declaração foi duramente criticada por representantes de diversos outros países. Quando os americanos voltaram a pedir a palavra, ninguém esperava a mudança de rumo.

"Vamos seguir em frente e nos juntar ao consenso", disse Dobriansky, arrancando aplausos da plenária.

Os representantes de cerca de 190 países ainda precisam aprovar na plenária, por unanimidade, várias outros pontos da pauta. No entanto, o mais polêmico era a introdução do documento que vai nortear as discussões sobre um novo acordo de combate à mudança climática até 2009.

Depois da pausa, frustrado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fez um apelo pela conclusão dos trabalhos.

"Estou decepcionado pela falta de progresso", afirmou o sul-coreano, que mudou os seus planos para voltar a Bali depois de uma viagem ao Timor Leste.

"Todos deveriam ser capazes de fazer concessões", disse Ban Ki-Moon diante da plenária com representantes de cerca de 190 países

Ministros de vários países ficaram reunidos até o início da madrugada deste sábado para chegar a um acordo que resolvesse o impasse entre os Estados Unidos e a União Européia (UE) sobre a inclusão ou não das metas recomendadas pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

A solução encontrada foi deixar apenas uma referência ao IPCC na introdução do texto, sem falar em metas. No entanto, uma nota de rodapé vincula o documento às metas de redução de 25% a 40% da emissão de gases até 2020.

Dessa forma, os Estados Unidos aceitaram as metas, e os europeus, por sua vez, abriram mão dos índices mais ambiciosos que vinham defendendo.

No entanto, logo no início dos trabalhos em Bali no sábado, retomados às 8h (22h de sexta-feira em Brasília), China e Índia apresentaram suas objeções à escala das obrigações dos países desenvolvidos previstas no rascunho do documento.

Irritado, o representante chinês chegou a mencionar uma "conspiração" contra os países em desenvolvimento.

O clima pesado ficou evidente depois do intervalo, quando o secretário-executivo do encontro de Bali, Yvo de Boer, teve dificuldades para responder uma nova intervenção da China, que reclamou de supostas "irregularidades" na condução da plenária.

"O secretário...", começou De Boer, interrompendo a frase em seguida e cobrindo os olhos com a mão.

O secretário interrompeu a frase três vezes até que conseguisse concluí-la.

"Ao retomar a plenária hoje de manhã, o secretário não sabia da existência de negociações paralelas", disse De Boer, antes de se levantar e abandonar a sala.

A reunião da ONU sobre mudança climática começou no dia 3 de dezembro e deveria ter aprovado na sexta-feira um texto que deve nortear as discussões sobre o substituto do Protocolo de Kyoto.
(c) Fonte: O Globo


Ambiente
Na reta final, Bali costura um inesperado acordo
Depois de uma maratona de debates e negociações, a Conferência sobre Mudança Climática da ONU, em Bali, na Indonésia, está finalmente perto de um pacto histórico para reduzir a emissão de gases poluentes no planeta. Na reta final do encontro, o chefe da ONU para o assunto, Yvo de Boer, garantia que os países estavam "à beira de um acordo", desmentindo as informações de que a reunião acabaria sem qualquer resultado prático. Por conta disso, a conferência, que se encerraria nesta sexta, foi estendida até este sábado.

O grande duelo que se estendeu durante todo o evento, entre os Estados Unidos e a União Européia parece estar perto do fim. As conversas entre os delegados entraram pela madrugada de sábado (horário de Bali). De acordo com o ministro do meio ambiente alemão, Sigmar Gabriel, 20 dos mais poderosos países do mundo já teriam chegado a uma espécie de acordo, que deve ser exposto às 189 delegações presentes neste sábado. De Boer também garantiu que todos estão cedendo.

Os americanos não aceitavam a posição defendida pelos europeus e outras nações importantes, dispostas a assumir metas concretas de redução de emissão de CO2 até 2020. Washington queria apenas um acordo genérico, sem metas fixas, e o compromisso de voltar a conversar no futuro. Depois de intensa pressão, os americanos podem ter aceitado uma solução intermediária, que não foi divulgada publicamente por participantes das conversas. Agora, a dúvida parece ser o tamanho da redução de emissão.

Em visita ao Timor Leste, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, surpreendeu ao anunciar que voltaria a Bali para conversar com os participantes do encontro no sábado. O enviado americano ao encontro, Harlan Watson, se disse otimista. "Acho que teremos um acordo", disse ele à agência de notícias France-Presse. Apesar das críticas a Washington -- que partiram até do Nobel da Paz Al Gore, ex-vice-presidente americano, na quinta --, Yvo de Boer elogiou a "flexibilidade" dos EUA e o esforço de Watson.

"Os americanos estão tentando mostrar sensibilidade em relação à posição dos outros, e parece tão disposto quanto os outros a assegurar que todos voltem para casa em meio a um acordo que inclua os EUA", disse o diplomata da ONU. Para garantir um acordo ainda nesta sexta, algumas questões delicadas podem ficar para 2009, quando haverá uma nova reunião. "A mãe de todas as batalhas acontecerá dentro de dois anos", prevê o enviado do México, Fernando Tudela. "Bali servirá apenas para aquecer."