Corço (Capreolus capreolus)

Seattle92

Nimbostratus
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Corça

A corça ou corço (Capreolus capreolus) é um mamífero cetartiodáctilo da família dos cervídeos que ocorre na Europa, Ásia Menor e na região ao redor do Mar Cáspio.

Características

A corça é o menor cervídeo europeu, variando de 95 a 135 cm de altura e pesando entre 18 e 29 kg. A pelagem varia de cor e comprimento, sendo curta e avermelhada no Verão, longa e marrom-acinzentada no Inverno.
As galhadas, presentes só nos machos, são curtas e pontiagudas. São usadas na disputa por fêmeas durante a época de reprodução, no Verão. No Outono, as galhadas caem para crescerem novamente na Primavera.
A média de vida de uma corça selvagem é de oito anos, podendo chegar aos 14 anos.

Dieta

A corça se alimenta de folhas, brotos, cascas de árvores e também de plantas cultivadas.

Reprodução

A temporada de reprodução da corça é no alto verão, quando os machos se tornam territoriais. O cio das fêmeas ocorre mais cedo do que os demais cervídeos graças a uma adaptação evolutiva. O embrião da corça passa por um processo chamado de implante atrasado, que permite o filhote nascer durante a primavera. A gestação é de em torno 300 dias, ao fim dos quais nascem um, ou raramente, dois filhotes.
Os filhotes nascem com marcas brancas características sobre os flancos, que desaparecem passados cerca de dois meses. Após este período, o filhote é desmamado, permanecendo com a mãe até o nascimento da próxima ninhada.

Hábitos

A corça é normalmente um animal de hábitos solitários, preferindo realizar suas atividades durante o nascer e o pôr-do-sol.

Distribuição geográfica

Na Europa, a corça se distribui por quase todos os países, estando ausente da Irlanda, Islândia, Córsega, Sardenha e norte da Escandinávia. A oriente, a corça alcança o oeste da Rússia, Ásia Menor até o Mar Cáspio, incluindo o norte da Síria, Iraque e Irão[1]. Devido a sua adaptabilidade, a corça sobrevive bem em ambientes alterados pelo homem, sendo o cervídeo mais comum da Europa.
Em Portugal, a corça ocorre principalmente no norte e ao longo da fronteira com a Espanha. Áreas protegidas com populações de corças são o Parque Nacional da Peneda-Gerês, Parque Natural de Montesinho, Parque Natural do Alvão e o Parque Natural do Douro Internacional[2]. Recentemente registou-se o seu retorno à Reserva Natural Serra da Malcata[3].

Mitologia

A corça é consagrada à deusa Ártemis (Diana).
Capturar uma corça com pés de bronze, que nunca se cansava, foi um dos doze trabalhos de Héracles (Hércules).

Capreolus_capreolus_%28Marek_Szczepanek%29.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Corço

Fica aberto o tópico do Corço. A ideia é termos um sitio onde se podem colocar todas as notícias que apareçam sobre este animal e continuarmos as discussões sobre a sua distribuição actual, que estão espalhadas por diferentes tópicos
 

Seattle92

Nimbostratus
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1422h.jpg

Mapa de distribuição do corço na Europa (Andersen, 1998)

Na Península Ibérica o corço passou por várias etapas de ocupação, desde uma presença marginal em muitas zonas até ao recente crescimento quase explosivo. Em Espanha distribui-se de forma homogénea pelos Pirenéus, País Basco e Cordilheira Cantábrica até à Serra de Los Ancares, em Lugo, e os Montes de León, a partir dos quais terá colonizado grande parte da Galiza. Ao contrário do que acontece no resto da Europa, em Portugal, a expansão desta espécie é bastante limitada devido sobretudo à incorrecta gestão das suas populações e à fragmentação dos habitats.

Existem dois grandes núcleos de distribuição geográfica nacional do corço, localizados a norte e a sul do rio Douro. As populações naturais desta espécie estão confinadas ao norte deste rio, mais concretamente nas Serras da Peneda-Gerês, Amarela, da Cabreira, do Marão, do Alvão, de Montesinho, da Coroa e da Nogueira. Estas populações são provenientes de outras do noroeste de Espanha que, por processos naturais de dispersão, colonizaram o norte de Portugal. Por outro lado, as populações de corço a sul do rio Douro, resultam de processos de reintrodução, iniciados há cerca de 15 anos, com objectivos conservacionistas e/ou cinegéticos. Contudo, nos últimos anos, o abandono generalizado das terras aráveis, o êxodo das populações rurais para as grandes cidades litorais e o consequente abandono de algumas actividades tradicionais, como a agricultura, têm contribuído para uma melhoria gradual das condições necessárias à rápida fixação e expansão das populações desta espécie, nomeadamente em algumas zonas de montanha com baixa perturbação e elevada percentagem de coberto florestal.

http://www.santohuberto.com/sh_conteudo.asp?id=1422
 

Seattle92

Nimbostratus
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Avaliação da Ocorrência do Corço no Alvão-Marão

Nos últimos anos tem-se assistido a uma expansão espectacular do corço (Capreolus capreolus) na Península Ibérica. Esta afirmação é repetida várias vezes por diferentes autores, nomeadamente, da vizinha Espanha. O comentário de LLORENTE é elucidativo: ”O que se está a passar com o corço em Espanha ficará na memória.

img59c.jpg


...


Existe uma série de possibilidades de aproveitamento desta espécie quer sejam elas ecológicas ou cinegéticas, em nosso entender umas não impedem as outras, assim sendo, apelamos aos ecologistas, especificamente aos representantes do Parque Natural do Alvão, e aos caçadores e gestores de zonas de caça que unam esforços para apoiarem e desenvolverem as populações de corços na região. Para os ecologistas permitirá também apoiar de forma indirecta as populações do lobo ibérico, para os caçadores poderá permitir um aproveitamento cinegético ordenado desta valiosa espécie a curto/médio prazo.

http://www.santohuberto.com/sh_conteudo.asp?id=59
 

Dan

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É uma espécie relativamente fácil de observar aqui na região, nomeadamente na área do parque de Montesinho, mas também já observei alguns mais a sul, na serra da Nogueira.
 

Pek

Cumulonimbus
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Seattle92, infelizmente ese mapa europeo de distribución del corzo no refleja nada bien la realidad actual española. Según eso no lo habría en mi pueblo de Madrid, y te aseguro que lo hay por todas partes. Te pongo la distribución "actual" (finales de verano de 2008)

capcapmapa.jpg


La abundancia en algunas zonas ibéricas es altísima: en zonas de hayedos de la Cordillera Cantábrica llega a los 35 individuos por cada 100 hectáreas; y en algunos puntos de bosque de frondosas del Sistema Central (donde según ese mapa europeo apenas habría) alcanza los 24 individuos/100 ha. Según otras fuentes diferentes a la que cito abajo las densidades son aún mayores.

Mira lo que se dice sobre el hábitat del corzo: "Usualmente ha sido descrito y asociado el corzo con bosques frondosos de hojas tiernas, en los que los herbazales prodigaban, los frutos eran variados en un apretado dosel arbustivo y el agua corría abundante por los numerosos arroyos. Cierto es que ocupa estos lugares, pero además las diferentes poblaciones peninsulares se han adaptado a bosques de condiciones más duras: encinares y alcornocales en los que el agua es escasa y donde deben soportar los rigores extremos de la época estival, con un matorral estilignoso y herbazales escasos (Mateos-Quesada, 2000). En el área de distribución peninsular ocupan por tanto, bosques de hayas y de coníferas, robledales, encinares, sabinares o formaciones mixtas: cualquier agrupación boscosa se ha revelado adecuada para la especie (Delibes, 1996)."

Fuente: http://www.vertebradosibericos.org/mamiferos/capcap.html

Esta web es magnífica y contiene muchísima información (en las especies que ya están con la información completa y disponible, que no son todas) de algunos de los mayores expertos en vertebrados de España. Está hecha por el Museo Nacional de Ciencias Naturales y el CSIC (Consejo Superior de Investigaciones Científicas, perteneciente al Ministerio de Ciencia e Innovación). La Agencia Estatal CSIC (así se llama ahora) es la mayor institución pública dedicada a la investigación en España y la tercera de Europa.

Saludos
 

Bergidum

Cumulus
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22 Dez 2009
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Comarca del Bierzo. León. España.
Sim, o mapa de Pek responde moito máis fielmente a distribuçao actual do corço em Espanha. Tenho lido que na serra de Ancares, vertente leonesa, alcanza á súa maior densidad em Europa (é um verdadeiro espectáculo velos no monte, pero uma desgracia pra as arboriñas novas, pois as descortezan cos cornos em primaveira)
 

Seattle92

Nimbostratus
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Seattle92, infelizmente ese mapa europeo de distribución del corzo no refleja nada bien la realidad actual española. Según eso no lo habría en mi pueblo de Madrid, y te aseguro que lo hay por todas partes. Te pongo la distribución "actual" (finales de verano de 2008)

Faltou a legenda do mapa :)

"Mapa de distribuição do corço na Europa (Andersen, 1998)"

Realmente é um mapa muito desactualizado e felizmente a situação do Corço tanto em Espanha como em Portugal já é bem melhor :thumbsup:
 

Pek

Cumulonimbus
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24 Nov 2005
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Sí, actualmente la situación es mejor y se ha producido una expansión clara de la especie, es cierto. Auqnue, de todas formas, el mapa tampoco reflejaba muy bien la situación para 1998 en el centro-norte de Iberia, así como el extremo nororiental.

Mapa de Rafael Centenera en el que se recoge el proceso de expansión desde mediados del S. XX:

Mapacentenera.jpg


Fíjate, como en la década de los 60 (punto de partida histórico del mapa) había corzos en el centro de España (nunca dejó de haberlos). En los 80 y 90 se había expandido por otras zonas del centro-norte (provincias de Soria, Burgos, La Rioja, etc.) y de la Cornisa Cantábrica-Pirineos (Cantabria, parte del País Vasco y Pirineos Orientales). Todo esto no sale en el mapa europeo y ya debería salir por fecha (lo único que refleja del interior de España con corzos es la existencia de pequeños núcleos aislados en el Sistema Central Occidental, los Montes de Toledo y Sierra Morena Oriental).

Y ya en el 2002 (no tan lejos del 98):

san_jose_2002_distribucion_de_capreolus_capreolus_en_espana_atlas.gif


Fuente: San José, C., 2002. Capreolus capreolus Linnaeus, 1758. Pp: 318-321. In:Palomo, L.J. & Gisbert, J. (eds.), 2002. Atlas de los Mamiferos Terrestres de España. Dirección General de Conservación de la Naturaleza-SECEM-SECEMU, Madrid.

Y para 2008 el que puse antes:

capcapmapa.jpg



Bueno, lo que quería decir es que desde que mi padre era niño (hablo de finales de los 60-principios de los 70), y seguramente antes, había corzos en el Valle del Lozoya (Madrid) y otras muchas zonas de las Sierras de Guadarrama y Ayllón. Y no pocos ejemplares. Ayllón-Sonsaz, por cierto, una zona en la que el corzo actualmente es abundantísimo :eek:

Saludos :)
 

Seattle92

Nimbostratus
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Boas informações.

Na Extremadura não parecem haver ainda muitos. Por esse mapa fico com a ideia de que existem apenas no norte da província (Serra de Gata e Gredos).

Também não encontrei referencias a existência do corço em Portugal nas áreas de fronteira com a Extremadura espanhola (Tejo Internacional, São Mamede). A excepção é a Malcata que está ligada à Serra de Gata.

Esta expansão do corço na Extremadura é um excelente indicador para o regresso em força do lobo a essa província (e ás regiões portuguesas de fronteira :)).
 

Seattle92

Nimbostratus
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Notícia já antiga (07 Março 2006) sobre o regresso do corço à serra da Malcata. Não percebem se veio de outras partes de Portugal ou da Extremadura.


...É o que Pedro Sarmento espera que aconteça igualmente com o regresso do corço à região. "É possível que isso favoreça também a fixação de populações de lobo".
Depois de ter desaparecido da região na década de 20 do século passado, o corço tem vindo progressivamente a regressar à reserva. Produto da reintrodução na Beira Interior, conduzida há uma década pelos Serviços Florestais, ou colonização natural oriunda de Espanha, "ainda não conseguimos perceber bem", confessa o director da reserva, o certo é que o corço está também para ficar. "Inclusivamente, sabemos que já se reproduzem, porque já fotografámos as mães com as crias", conclui.

http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=637006
 

Pek

Cumulonimbus
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Según el mapa de distribución del Atlas y Libro Rojo de los Mamíferos Terrestres de España (Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino, 2007), el corzo sí estaría algo más extendido por Extremadura, sobre todo por la provincia de Cáceres

corzo.png


Respecto a la expansión de la especie en Extremadura y sus posibles facilidades e impedimentos:

"Los aspectos relativos a la expansión de la especie, las variaciones relativas a la densidad y sus condicionantes, los estímulos y los frenos a la distribución de la especie se estudian actualmente en las poblaciones de Extremadura. Respecto a este trabajo, podemos adelantar que son varios los factores que parecen poner coto a estas oleadas desde puntos con densidades altas: los cercados cinegéticos, el furtivismo, las extensiones de eucalipto y las grandes masas de agua. Están sirviendo de corredores naturales de una manera importante los cursos fluviales sin embalsar de caudal medio o bajo y la propia capacidad del corzo a vivir en ambientes humanizados y en superficies muy pequeñas durante largos periodos (Mateos-Quesada, datos no publicados)"

Fuente: http://www.vertebradosibericos.org/mamiferos/capcap.html
 

Seattle92

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Sim, Cáceres parece ter maior população do que estava no outro mapa.

Mas sabes que quando falo da situação nas províncias de Adalucia, Extremadura, Castela-Leão e Galizia, estou mais preocupado com as zonas mais perto de Portugal ;):D

A província de Cáceres parece ter uma boa população, mas não tanto perto da fronteira. O mesmo se passa em relação a Badajoz. Huelva então, não tem nada :(
 

Pek

Cumulonimbus
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Sim, Cáceres parece ter maior população do que estava no outro mapa.

Mas sabes que quando falo da situação nas províncias de Adalucia, Extremadura, Castela-Leão e Galizia, estou mais preocupado com as zonas mais perto de Portugal ;):D

:D:D Sí, lo sé. Pero de momento es lo que hay, y el hecho de que aumente la superficie ocupada en Cáceres (aunque todavía no esté cerca de A Raia) es buena noticia porque la expansión continúa y más temprano que tarde llegará a la zona de Castelo Branco y Portalegre (Tejo Internacional, São Mamede). Tiempo al tiempo. :)

Precisando algo más, yo no veo demasiada dificultad en la llegada a São Mamede. La expansión de las poblaciones de la zona de Las Villuercas-Sierra de Guadalupe-Sierra de Montánchez a través de las Sierra de San Pedro y sierras adyacentes (todas decentemente forestadas) hasta São Mamede la veo francamente factible y no muy dilatada en el tiempo. Recuerdo que la población de Las Villuercas tiene una densidad de corzos muy alta, por encima de los 23 individuos por cada 100 ha. en zonas favorables; así que supone una buena fuente de futuros ejemplares colonizadores (tanto por el elevado número de crías que se genera como por la necesidad de muchas de éstas de "emigrar" y buscar nuevas zonas por la superpoblación del núcleo original y la ocupación de casi todos los territorios).

La zona de Huelva y el Bajo Guadiana parece que ya va para más largo...

Saludos
 

duero

Nimbostratus
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23 Dez 2009
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Sim, o mapa de Pek responde moito máis fielmente a distribuçao actual do corço em Espanha. Tenho lido que na serra de Ancares, vertente leonesa, alcanza á súa maior densidad em Europa (é um verdadeiro espectáculo velos no monte, pero uma desgracia pra as arboriñas novas, pois as descortezan cos cornos em primaveira)

No se si la mayor densidad, pero puedo asegurar que ver corzos es algo común, mismamente hace un par de semanas me salió uno en la carretera, uno joven y hace 10 días a eso del mediodia se cruzo delante de mi un corzo enorme ya adulto, antes del anochecer no es difícil verlos por prados y claros.