EPAL adapta-se às alterações climáticas

Mário Barros

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18 Nov 2006
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EPAL adapta-se às alterações climáticas
Aumento das temperaturas máximas anuais entre os 1,7º C e os 3º C, redução da precipitação entre 7,6% e 20,9% no pior cenário, e mais anos de seca extrema e de ondas de calor, face aos últimos 29 anos. Estas são algumas das conclusões do primeiro estudo feito em Portugal sobre as alterações climáticas e sobre como adaptar o ciclo urbano da água a diferentes cenários, o Adaptaclima.

Os dados do estudo, ontem apresentado pela Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL), responsável pelo abastecimento de água a cerca de um quarto da população portuguesa (cerca de três milhões de pessoas, em 35 concelhos), apontam como principais consequências das alterações climáticas na rede pública o facto de o caudal médio anual dos rios «poder diminuir de 20% a 34% na chegada à albufeira de Castelo de Bode, a principal origem de água da EPAL (75%), e entre 31 e 49% em Valada do Tejo, a segunda, até ao final do século».

Os consumidores da rede de abastecimento pública podem, no entanto, ficar descansados durante as próximas três décadas. O abastecimento está garantido: «O estudo demonstrou que o sistema da EPAL é bastante resistente e não deverão existir problemas generalizados de escassez nos próximos 30 anos, desde que se faça uma boa gestão do uso da água pelos seus diversos utilizadores», explica Ana Luísa coordenadora do Grupo das Alterações Climáticas (GAC) da EPAL. Além disso, «não são esperados aumentos na procura da água em toda esta área geográfica».

Outra das questões estudadas incidiu sobre a qualidade da água fornecida pela empresa pública. Para isso, os investigadores estudaram a possibilidade de a salinidade do mar poder chegar, através do Rio Tejo, à zona de captação de Valada – devido, por um lado, ao aumento do nível médio da água do mar e, por outro, à diminuição do caudal do rio. E também neste caso as conclusões são animadoras: «Apontando para que, apesar de a cunha salina se poder propagar para montante, até à subida do nível médio do mar em 80 cm, não chega a afectar a qualidade da água na zona de captação», diz Ana Luís. Mas, alerta, «estas condições poderão ser alteradas em caso de intervenções no leito do rio, como por exemplo, o rebaixamento para criação de um canal de navegabilidade».

Apesar de os resultados do Adaptaclima – iniciado em Outubro de 2010 e coordenado cientificamente pelo Centre for Climate Impacts Adaptation and Modeling da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa– não apontarem para situações «muito preocupantes», no que diz respeito ao sistema de avaliação das vulnerabilidades do sistema da EPAL, que percorre cerca de 700 km na captação da água e 1450 km na distribuição da sua distribuição na cidade de Lisboa, o projecto está apenas no início, sublinhou ao SOL o presidente da empresa. «Precisámos de ter informação e por isso, nos ligámos às universidades, porque têm o conhecimento científico», explica José Manuel Sardinha. Mas, continua,«este é apenas um ponto de partida, temos de pensar estrategicamente e estamos a desenvolver medidas de adaptação de curto, médio e longo prazo, para reduzir os riscos estratégicos». Além disso, sublinha o responsável, «esta é uma informação que passa a estar disponível para terceiros, que a podem também utilizar».

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=79050

Projecto interessante.
http://www.adaptaclima.eu/?idioma=pt