Espécies invasoras

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Cientistas detectam “revolução” invisível das acácias contra plantas nativas

Helena Geraldes - 13.03.2012

Não são precisas muitas acácias para alterar um ecossistema. Apenas uma pode alterar os solos, através de interacções invisíveis, e a uma distância muito maior do que o pensado, segundo cientistas portugueses e alemães, num artigo a publicar amanhã na revista Ecological Letters.

As estratégias de sobrevivência da acácia (Acacia longifolia), originária do Sul da Austrália e da Tasmânia, foram reveladas numa duna costeira de Pinheiro da Cruz, no concelho de Grândola, por investigadores do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa e do Departamento de Ecologia Experimental e de Sistemas da Universidade alemã de Bielefeld.

A espécie, trazida para Portugal para fins ornamentais e para fixar os solos, tornou-se numa ameaça descontrolada e uma dor de cabeça para associações florestais, municípios, empresas e particulares. E não é por desfear a paisagem; a árvore compete com as plantas nativas pelos recursos, nomeadamente pela água, e altera o funcionamento do solo.

Agora, as duas universidades acreditam que podem ajudar a fazer a diferença no combate à exótica que a Universidade de Coimbra acredita ser a mais agressiva em solo de Portugal Continental.

“Pela primeira vez usámos isótopos de azoto para identificar o padrão especial de influência da acácia no sistema circundante”, disse Cristina Máguas, do Centro de Biologia Ambiental, ao PÚBLICO.

Os investigadores ficaram surpreendidos com a descoberta. “Assim que uma simples acácia se instala numa zona, e antes de nos apercebermos que está em curso uma invasão desta espécie exótica, a planta deixa imediatamente a sua marca no sistema e altera-o para seu próprio benefício”, acrescentou. As alterações, invisíveis para quem olha a paisagem, foram detectadas graças à utilização dos isótopos estáveis de azoto.

De acordo com Cristina Máguas, as dunas são normalmente pobres em nutrientes e as plantas nativas estão bem adaptadas. Ora, a acácia “está associada ao enriquecimento do solo em azoto” e “a incorporação do azoto fornecido por si reflecte-se nos tecidos das outras plantas”, explica um comunicado da Universidade de Lisboa. Para detalhar a interacção “invisível” entre as acácias e as outras plantas, os cientistas mapearam numa área de duna com poucos metros de extensão a abundância de azoto utilizando a camarinha Corema album, arbusto endémico. Para isso, explicam, mediram a quantidade de azoto nas folhas desse arbusto e notaram que esta quantidade aumenta significativamente com a proximidade da acácia.

Preparar o palco

Aquilo que mais surpreendeu os investigadores foi a distância alcançada por estas interacções. Normalmente não seriam consideradas ainda “invadidas” por acácia. “O enriquecimento em azoto nas folhas da camarinha foi detectado a uma distância superior a três vezes a área ocupada pelas acácias”, dizem. “É como se a planta preparasse o palco – neste caso o solo – para a sua própria chegada, conseguindo condições que a favorecem competitivamente.”

Questionada sobre se o aumento dos níveis de azoto no solo não iria beneficiar também as espécies de plantas nativas, Cristina Máguas reagiu prontamente. “A curto prazo pode ter benefícios, porque se trata de nutrientes. Mas a médio e longo prazo... nunca.” À medida que as acácias se multiplicam e cobrem o ecossistema “vão abafando o espaço das outras plantas”.

A investigadora do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa, acredita que esta metodologia dos isótopos de azoto permitirá “fazermos um diagnóstico precoce do problema, em tempo muito útil para a recuperação do sistema”.

“Este método é importante para a conservação pois permite identificar precocemente os efeitos associados às invasões por plantas fixadoras de azoto” e ainda “monitorizar a persistência destes efeitos em processos de erradicação”.

Cristina Máguas adiantou ao PÚBLICO que ainda há trabalho para fazer. “Para o futuro queremos transpor esta metodologia para qualquer ponto do globo e depois para uma escala muito maior”. A investigadora salientou as possibilidades das imagens de satélite. “Gostaríamos de conseguir cruzar os dados obtidos através da metodologia que utilizámos com as imagens de satélite para ficarmos com uma ideia à escala regional ou mesmo global”, acrescentou.

Estima-se que a Europa gasta por ano cerca de dez mil milhões de euros para travar as espécies invasoras, como a acácia mas também como o jacinto-de-água ou o lagostim-do-Louisiana.

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1537657

Certo é que as geadas de fevereiro bem queimaram os eucaliptos mas nas acácias nem um arranhão. Grande praga. Nem a madeira tem utilidade.
 

MSantos

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Defacto as acácias representam uma grande ameaça para a nossa flora autóctone. Uma possível solução seria o corte em grande escala dos exemplares destas espécies e usar-las como combustível para as centrais térmicas de biomassa, não iria resolver o problema em definitivo mas o corte sucessivo poderia minimizar o problema e dar algum tempo para a flora autóctone recuperar e ao mesmo tempo produzir algum energia.
 

trovoadas

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O que eu vejo é inércia por parte das autoridades! Não há nada que uma boa moto-serra e uma buldozer não resolvam. Não me venham com tretas que isso é uma espécie incontrolável. Incontrolável são as ervas daninhas com sementes minúsculas e algumas silvas que conheço aqui no sul e mesmo assim com trabalho elas não se ficam a rir.
O "homem" que faz pontes enormes, arranha-céus, túneis e auto estradas sabe-se lá onde, não consegue dominar uma árvore? e isto quando o mundo luta contra a desflorestação intensiva por parte do homem...os brasileiros ou os americanos já tinham feito uma terraplanagem nessas acácias e ainda nos vendiam a madeira.
 

MSantos

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O que eu vejo é inércia por parte das autoridades! Não há nada que uma boa moto-serra e uma buldozer não resolvam. Não me venham com tretas que isso é uma espécie incontrolável. Incontrolável são as ervas daninhas com sementes minúsculas e algumas silvas que conheço aqui no sul e mesmo assim com trabalho elas não se ficam a rir.
O "homem" que faz pontes enormes, arranha-céus, túneis e auto estradas sabe-se lá onde, não consegue dominar uma árvore? e isto quando o mundo luta contra a desflorestação intensiva por parte do homem...os brasileiros ou os americanos já tinham feito uma terraplanagem nessas acácias e ainda nos vendiam a madeira.

O problema não é assim tão simples de resolver como sugeres, mas concordo em parte contigo, se houvesse uma maior vontade politica (e dinheiro) em resolver o problema tudo era muito mais fácil;)
A mimosa também tem sementes pequenas como as ervas daninhas que sugeres e que aguentam bastante tempo no solo, a área afectada pela espécie é também muito grande, iriam ser precisos grandes meios para o corte intensivo de todos os indivíduos e nos anos seguintes, após a germinação das sementes cortar novamente até todas as sementes no solo com capacidade de germinar tivessem germinado e sucessivamente cortadas, isto tudo nos milhares de hectares invadidos... Não diria impossível mas é bastante complicado resolver este problema
 

Heat

Cirrus
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O corte desta espécie, por si só, não é suficiente. Têm que ser arrancadas pela raíz. E não se esqueçam de que se fizerem isto com o recurso a maquinaria pesada, não é só a acácia que é destruída... E depois da "limpeza", vai ser esta que vai ter maior probabilidade de voltar a dominar o local (há de lá ficar uma raíz qualquer ou algumas sementes), como excelente competidora que é!

http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Acacia-Australia?bl=1&viewall=true
 

DMigueis

Cumulus
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O corte desta espécie, por si só, não é suficiente. Têm que ser arrancadas pela raíz. E não se esqueçam de que se fizerem isto com o recurso a maquinaria pesada, não é só a acácia que é destruída... E depois da "limpeza", vai ser esta que vai ter maior probabilidade de voltar a dominar o local (há de lá ficar uma raíz qualquer ou algumas sementes), como excelente competidora que é!

http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Acacia-Australia?bl=1&viewall=true

há químicos que podem ser utilizados para matar as acácias, no entanto é preciso mão de obra e, mais uma vez, vontade política, para levar tal trabalho a bom porto...
Para além disso, após o corte, porque não plantar outra espécie que se desenvolva rápido e impeça o crescimento das acácias? Silvas ou giestas, por exemplo. E após alguns anos sem que uma acácia cresça, é mais fácil controlar as silvas ou giestas e recomeçar a reflorestação com espécies autóctones não invasoras.

Mão de obra acredito que há, por mais reduzida que seja...vontade política....
 

MSantos

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há químicos que podem ser utilizados para matar as acácias, no entanto é preciso mão de obra e, mais uma vez, vontade política, para levar tal trabalho a bom porto...
Para além disso, após o corte, porque não plantar outra espécie que se desenvolva rápido e impeça o crescimento das acácias? Silvas ou giestas, por exemplo. E após alguns anos sem que uma acácia cresça, é mais fácil controlar as silvas ou giestas e recomeçar a reflorestação com espécies autóctones não invasoras.

Mão de obra acredito que há, por mais reduzida que seja...vontade política....

Combater as acácias infelizmente não dá votos:(

Mas penso que a erradicação desta invasora é muito difícil e cara ou talvez mesmo impossível de se fazer, é mais fácil haver um controlo com o objectivo de reduzir o numero de indivíduos e a área afectada.
 

Manmarlopes

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Aqui na minha zona, Pinhal Interior Norte, o pinheiro bravo está a desaparecer por causa da doença do nemátodo, as pessoas ponderam explorar as acácias para madeira a utilizar como combustivel, lareiras, etc. Pois outro tipo de madeiras são mais raras e de crescimento lento. Antevejo uma maior expansão desta espécie, pois a madeira é muito apreciada para usar nas lareiras.
 

DMigueis

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Aqui na minha zona, Pinhal Interior Norte, o pinheiro bravo está a desaparecer por causa da doença do nemátodo, as pessoas ponderam explorar as acácias para madeira a utilizar como combustivel, lareiras, etc. Pois outro tipo de madeiras são mais raras e de crescimento lento. Antevejo uma maior expansão desta espécie, pois a madeira é muito apreciada para usar nas lareiras.

Muito más notícias!!! é Preciso intervir junto dessas populações o mais rápido possível!!!!!
 

MSantos

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Muito más notícias!!! é Preciso intervir junto dessas populações o mais rápido possível!!!!!

Se as pessoas cortam as acácias para as levar para as lareiras é boa noticia, o problema é se plantam novos exemplares depois de as cortar os existentes;)
 

DMigueis

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Se as pessoas cortam as acácias para as levar para as lareiras é boa noticia, o problema é se plantam novos exemplares depois de as cortar os existentes;)

Lá está...cortar podem cortá-las à vontade, o problema é que se querem explorar as acácias, vão querer plantar...
 

Vince

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Mesmo só de andar a transportar as acácias dum lado para o outro para aproveitamento da lenha deve ser mau porque ajuda a espalhar as sementes.
Também confirmo que é uma praga difícil de exterminar, para não dizer quase impossível.
 

irpsit

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Vou contrapor aqui uma postagem muito diferente da que toda a gente tem. É baseado no que sei da biologia das espécies invasoras e pioneiras.

As acácias não são a má da fita.

Elas são espécies pioneiras, como é o pinheiro bravo, e que crescem bem em solos pobres e revolvidos. São a primeira espécie adaptada a crescer onde mais nenhuma outra cresce. Um pouco como as "ervas daninhas".

Elas normalmente só crescem onde o solo foi destruído, como junto a locais de construção de casas e estradas, e em florestas que ardem. Elas conseguem fixar o seu próprio azoto (o principal nutriente das plantas) e ao fazer isso enriquecem um solo que era pobre.

É por isso que foram introduzidas em Portugal, que é um país de solos pobres, e esgotados pela agricultura.

Se estas espécies pioneiras não existissem, nada poderia crescer em solos queimados ou destruídos ou solos esgotados.

E se cortarem as acácias elas rebentam novamente, mas enquanto estão no terreno elas "fertilizam" o solo. Verdade que muitas vezes destroem a flora local, mas só o fazem porque o solo foi remexido de uma maneira ou outra. Raramente as vão encontrar invadindo as nossas florestas nativas. Elas normalmente crescem porque são espécies pioneiras.

Esta nem é uma opinião minha, são os factos. E como a espécie já cá está e temos que lidar com ela, ao menos que a façamos do modo mais inteligente, em vez de nos queixarmos. Elas fornecem matéria orgânica ao solo, fertilizam este e fornecem até madeira para os humanos.

Só o que é preciso re-estabelecer é as espécies nativas também. Pois elas são tão resistentes e adaptadas mas precisam das espécies pioneiras quando o solo foi destruído.

Pior mesmo são os eucaliptos, pois são espécies muito adaptadas mas não são invasoras em si (são plantadas pelo homem em massa). Mas estes ao contrário das acácias empobrecem o solo e tornam-no tóxico, algo que somente as acácias conseguem tolerar.

Um abraço,